Prof.
José Cajuaz Filho*
O título em
epígrafe é o fecho de uma crônica radialista levada ao ar, diariamente, pela
Rádio Cidade AM de Fortaleza no programa Antenas e Rotativas, apresentado pelo
famoso locutor radialista, advogado, professor e ex-senador Dr. Cid Carvalho.
Além das notícias veiculadas,
ele faz um comentário sobre determinado assunto, apresenta os problemas e
conclui com um tradicional “doa a quem doer”.
Isso me vem à mente pelo
momento que vive a sociedade brasileira em que os direitos individuais vêm
sendo postergados e não reconhecidos pelas autoridades.
O Brasil, segundo sua Carta
Magna, se constitui em Estado Democrático de Direito cujos poderes
constituintes, independentes e harmônicos entre si são o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário.
Essa enumeração não é aleatória.
É funcional e lógica. Assim, cabe ao Legislativo estabelecer normas; ao
Executivo, executá-las e ao Judiciário, julgá-las quando violadas ou
desrespeitadas.
A base sólida, portanto, do
Estado Democrático é o Poder Judiciário. Se ele se deteriorar ou se conspurcar
ou deixar de exercer, imparcialmente, sua função, acaba-se Estado de Direito e
começa-se a viver o Estado Autoritário onde ninguém tem direitos e
vive-se a máxima de Luís XIV: “L’État
c’est moi”. O ESTADO SOU
EU, portanto a decisão é minha.
Quando o cidadão julga que um
direito seu foi violado, ele deve reclamar e procurar o Judiciário para
recobrar ou salvaguardar esse seu direito. Ao Judiciário compete julgar e
decidir, com provas, se de fato ele tem ou não tem o direito reclamado
Não se trata de se buscar a
decisão afirmativa. Trata-se de se saber se se tem ou não se tem aquele direito.
Decidido pela afirmativa, vem
a execução da decisão. Então, cumpra-se. Se não for cumprida o Judiciário tem
meios para forçar o cumprimento de sua decisão. Se não se tem aquele direito
reclamado, a questão morre naquele instante. Isso é estado democrático e estado
de direito. O resto é papo furado.
A esse respeito, há o dizer
popular: “Decisão da Justiça não se discute, cumpre-se”. Que beleza!!!
Se assim é, por que, na
questão do piso salarial das universidades estaduais do Ceará, não se aplica o
dito popular? Por que a Justiça não obriga o Estado a reimplantar
imediatamente o piso que foi surripiado dos professores pelo então governador
Tasso Jereissati, já que a questão foi transitada em julgado, não cabendo mais
recursos? Alguém já dizia que “Justiça tardia é injustiça”.
Esse imbróglio, para ser
decidido, levou vinte anos. A decisão final saiu em 2007. O Poder Judiciário
reconheceu o direito dos professores, mas o Estado teima em não reconhecê-lo e
nada lhe acontece. Por quê?
Se a Justiça decidiu pela
reimplantação do piso, por que não fazê-la? Será que decisão da Justiça
brasileira é coisa só para inglês ver? Não, não e não, pois ainda se acredita
no estado de direito. Os meios coercitivos para fazer cumprir suas decisões, a
Justiça os tem. Cabe a ela aplicá-los a quem as desrespeita, seja pessoa física
ou jurídica, nobre ou plebeu, rico ou pobre.
Também não venha a UECE
lamentar que suas contas estão bloqueadas. Se a coisa chegou a esse estado, a
culpa é tão somente dos governantes que fizeram ouvido de mercador não dando
importância às decisões da Justiça e não dos professores. Quem cometeu o
pecado, agora, se penitencie e sofra as consequências e não queira encontrar um
bode expiatório e se fazer de vítima para melhor passar. Quem provocou o
tsunami que aguente as consequências do desastre.
O piso salarial dos
professores das universidades estaduais do Ceará deve ser implantado, hic et nunc, sem mais quaisquer
questionamentos, pois assim decidiu a Justiça e é dever do Estado,
litigante de má fé, obedecer sem tergiversações, pois o regime político
brasileiro é democrático. O tempo de Luís XIV já passou e a sociedade
brasileira espera que não volte mais. Vade retro, Satanás.
Concluindo, digo como o Dr.
Cid Carvalho: “Doa a quem doer”.
*Professor da Universidade Estadual do Ceará, do Centro Federal de
Educação Tecnológica do Ceará e da Escola de Aprendizes Marinheiros, na área de
Literatura, de Português e Francês.
Só no Brasil q acontece isso, um cidadão q se diz Jornalista, só pq fez uma faculdade, e tem um programa ao vivo na rádio Cidade, no programa exibido no dia 24/fev/15, manda seus ouvintes, q ñ concordam com sua falácia se FUDER.
ResponderExcluirRealmente eu vou me FUDER, pq estou em um país onde as pessoas de bem estão trabalhando e os bandidos, desqualificados e sem noção estão defendendo e blindando os canalhas da política.
Caso as pessoas de bem ñ tivessem ocupadas ou acomodadas, quem ia se FUDER era o Sr Seu Cid Carvalho.
Lamentável esse fato, onde uma pessoa despreparada, desqualificada se acha no direito de atacar pessoas para defender bandidos, diariamente.
Respeito é bom e todos merecem.