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22/08/2012

DOA A QUEM DOER

Prof. José Cajuaz Filho*
O título em epígrafe é o fecho de uma crônica radialista levada ao ar, diariamente, pela Rádio Cidade AM de Fortaleza no programa Antenas e Rotativas, apresentado pelo famoso locutor radialista, advogado, professor e ex-senador Dr. Cid Carvalho.
Além das notícias veiculadas, ele faz um comentário sobre determinado assunto, apresenta os problemas e conclui com um tradicional “doa a quem doer”.
Isso me vem à mente pelo momento que vive a sociedade brasileira em que os direitos individuais vêm sendo postergados e não reconhecidos pelas autoridades.
O Brasil, segundo sua Carta Magna, se constitui em Estado Democrático de Direito cujos poderes constituintes, independentes e harmônicos entre si são o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.
Essa enumeração não é aleatória. É funcional e lógica. Assim, cabe ao Legislativo estabelecer normas; ao Executivo, executá-las e ao Judiciário, julgá-las quando violadas ou desrespeitadas.
A base sólida, portanto, do Estado Democrático é o Poder Judiciário. Se ele se deteriorar ou se conspurcar ou deixar de exercer, imparcialmente, sua função, acaba-se Estado de Direito e começa-se a viver o Estado Autoritário onde ninguém tem direitos e vive-se  a máxima de Luís XIV: “L’État c’est moi”. O ESTADO SOU EU, portanto a decisão é minha.
Quando o cidadão julga que um direito seu foi violado, ele deve reclamar e procurar o Judiciário para recobrar ou salvaguardar esse seu direito. Ao Judiciário compete julgar e decidir, com provas, se de fato ele tem ou não tem o direito reclamado
Não se trata de se buscar a decisão afirmativa. Trata-se de se saber se se tem ou não se tem aquele direito.
Decidido pela afirmativa, vem a execução da decisão. Então, cumpra-se. Se não for cumprida o Judiciário tem meios para forçar o cumprimento de sua decisão. Se não se tem aquele direito reclamado, a questão morre naquele instante. Isso é estado democrático e estado de direito. O resto é papo furado.
A esse respeito, há o dizer popular: “Decisão da Justiça não se discute, cumpre-se”. Que beleza!!!
Se assim é, por que, na questão do piso salarial das universidades estaduais do Ceará, não se aplica o dito popular?  Por que a Justiça não obriga o Estado a reimplantar imediatamente o piso que foi surripiado dos professores pelo então governador Tasso Jereissati, já que a questão foi transitada em julgado, não cabendo mais recursos? Alguém já dizia que “Justiça tardia é injustiça”.
Esse imbróglio, para ser decidido, levou vinte anos. A decisão final saiu em 2007. O Poder Judiciário reconheceu o direito dos professores, mas o Estado teima em não reconhecê-lo e nada lhe acontece. Por quê?
Se a Justiça decidiu pela reimplantação do piso, por que não fazê-la? Será que decisão da Justiça brasileira é coisa só para inglês ver? Não, não e não, pois ainda se acredita no estado de direito. Os meios coercitivos para fazer cumprir suas decisões, a Justiça os tem. Cabe a ela aplicá-los a quem as desrespeita, seja pessoa física ou jurídica, nobre ou plebeu, rico ou pobre.
Também não venha a UECE lamentar que suas contas estão bloqueadas. Se a coisa chegou a esse estado, a culpa é tão somente dos governantes que fizeram ouvido de mercador não dando importância às decisões da Justiça e não dos professores. Quem cometeu o pecado, agora, se penitencie e sofra as consequências e não queira encontrar um bode expiatório e se fazer de vítima para melhor passar. Quem provocou o tsunami que aguente as consequências do desastre.
O piso salarial dos professores das universidades estaduais do Ceará deve ser implantado, hic et nunc, sem mais quaisquer questionamentos, pois assim decidiu a Justiça e é dever do  Estado, litigante de má fé, obedecer sem tergiversações, pois  o regime político brasileiro é democrático. O tempo de Luís XIV já passou e a sociedade brasileira espera que não volte mais. Vade retro, Satanás.
Concluindo, digo como o Dr. Cid Carvalho: “Doa a quem doer”.
   
*Professor da Universidade Estadual do Ceará, do Centro Federal de Educação Tecnológica do Ceará e da Escola de Aprendizes Marinheiros, na área de Literatura, de Português e Francês.

             

Um comentário:

  1. Só no Brasil q acontece isso, um cidadão q se diz Jornalista, só pq fez uma faculdade, e tem um programa ao vivo na rádio Cidade, no programa exibido no dia 24/fev/15, manda seus ouvintes, q ñ concordam com sua falácia se FUDER.

    Realmente eu vou me FUDER, pq estou em um país onde as pessoas de bem estão trabalhando e os bandidos, desqualificados e sem noção estão defendendo e blindando os canalhas da política.

    Caso as pessoas de bem ñ tivessem ocupadas ou acomodadas, quem ia se FUDER era o Sr Seu Cid Carvalho.

    Lamentável esse fato, onde uma pessoa despreparada, desqualificada se acha no direito de atacar pessoas para defender bandidos, diariamente.
    Respeito é bom e todos merecem.

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