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22/11/2012

Bienal do Livro bate recorde de visitantes

Primeira no novo Centro de Eventos, a edição deste ano recebeu 610 mil pessoas, superando a edição de 2010 
Segundo os números do balanço oficial, a edição 2012 da Bienal Internacional do Livro atingiu marca recorde no que diz respeito a número de visitantes e movimentação financeira. Durante os 11 dias de programação, 610 mil pessoas passaram pela feira, totalizando R$8,5 milhões em vendas. Os dados foram divulgados ontem, em entrevista coletiva na Associação Cearense de Imprensa (ACI), pela comissão organizadora do evento, que tem a frente o atual Secretario da Cultura do Ceará, Francisco Pinheiro, e seu adjunto, Eduardo Fidelis.

A Bienal do Livro foi realizada de 8 a 18 de novembro no Centro de Eventos do Ceará. 

Nos dias mais cheios, de quinta-feira a domingo da semana passada, a Bienal chegou a receber 70 mil pessoas por dia. A edição supera a marca apresentada em 2010 – que somou 569 mil visitantes e 7,7 milhões em movimentação financeira, sendo R$6,5 relativo à venda direta de livros – na Bienal que, à época, estava sendo tratada como a “Bienal do Povo”, por ter conseguido um número expressivo de frequentadores e pautado sua programação em nomes com mais apelo midiático que a edição anterior, de 2008.

“Em termos de volume de vendas, estamos entre as cinco maiores (Bienais) do País. Superamos, este ano, Bahia e Pernambuco”, destacou Fidelis, durante a coletiva.

A fórmula da Bienal passada, de incluir nomes populares na programação, foi repetida este ano, que contou como Luiz Tatit e o seu projeto Palavra Cantada, a escritora de livros para adolescentes Thalita Rebouças, além de apresentações musicais de artistas como Zeca Baleiro, que também lançou livro, Humberto Gessinger, Teatro Mágico e Gal Costa. 

A programação incluiu ainda um quadro de escritores cearenses, como Ricar Kelmer, Ana Miranda, Flávio Paiva e Lira Neto, e africanos, entre eles, Conceição Lima (São Tomé e Príncipe), Eduardo Quive (Moçambique), Odete Semedo (Guiné-Bissau), Felinto Elísio (Cabo Verde), além do homenageado Wole Soyinka, nigeriano ganhador do prêmio Nobel de literatura de 1986.

Estrutura

Entre os fatores responsáveis pelo aumento significativo na quantidade de público e de vendas, avalia Fidelis, estão a quantidade de editoras presentes, totalizando 450, divididas em 165 estandes, e a estrutura proporcionada pelo novo Centro de Eventos. “Alguns dos melhores pontos dessa edição foram proporcionados por esta estrutura física”, destaca, completando que, este ano, foram mais de 100 mil títulos em exposição. Um acervo 30% maior que na edição passada.

Do público total, 74% era de Fortaleza, 16% da Região Metropolitana e 9% do interior do Estado Fotos: Lucas Menezes/ Waleska Santiago

A nova estrutura, explica Fidelis, favoreceu a circulação do público e melhorou a qualidade dos espaços oferecidos, com um aumento de 40% na área total de estandes. “Nós triplicamos o Espaço Cordel. Colocamos um palco para apresentação de repentistas e leitura dos livretos, criamos um espaço de exposição de maquinário, além do espaço para vendas”, ilustra.

Críticas

Quanto à demora para a divulgação da programação, que até o dia de abertura da Bienal não havia sido divulgada inteiramente, Fidelis reafirmou a dificuldade em fechar nomes com antecedência devido à agenda e demora de confirmação por parte dos convidados.

O secretário adjunto falou ainda sobre o atropelo quanto aos trâmites legais de produção do evento, que levou a publicações de contratos no Diário Oficial já com o evento em andamento. 

“Não tivemos problema quanto a isso. Tudo foi publicado em tempo hábil. O que ainda não saiu já está cadastrado no sistema”, diz. 

Novidades

Entre as expectativas para a edição 2014, que, segundo o secretário Francisco Pinheiro será realizada no primeiro semestre, antes da Copa do Mundo, Fidelis pontuou cinco possíveis mudanças.

A primeira delas diz respeito a seleção de artistas para compor a programação. “Nós estamos pensando em abrir edital para seleção de propostas de ocupação da próxima bienal”, adianta. Segundo ele, o edital foi uma demanda apresentada durante esta edição por artistas interessados em compor a programação.

Outro ponto em estudo, revela Fidélis, é a ampliação do crédito da Notinha Legal a escolas municipais de cidades do interior do Estado. Este ano, apenas alunos e professores da rede estadual e do município de Fortaleza tiveram acesso ao benefício. Há também a possibilidade de ampliar a interação com outras áreas artísticas, com a criação de um pavilhão multi linguagem e a abertura de espaços para escritores independentes. “Tudo isso, são demandas que recebemos e que vamos estudar como viabilizá-las para 2014”, pondera.

Fábio MarquesRepórter 
Diário do Nordeste

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