22/11/2012

O que fazer se seu bichinho está acima do peso


Revista Época
QUASE LÁ A vira-lata Dotty na sua casa, em São Paulo. Ela já emagreceu 3 quilos. Faltam 2 para chegar ao verão em forma (Foto: Letícia Moreira/ÉPOCA)Dotty Maria chegará ao verão em forma. Ela é uma vira-lata comilona de 16 anos. Há três meses, evita seus petiscos favoritos: biscoitos caninos, bolachas doces e peito de peru. Esforça-se para comer uma ração rica em fibras para cães obesos. Mesmo sedentária, Dotty já emagreceu 3 quilos. Ainda faltam mais 2 para atingir seu peso ideal. “Não imaginava que os quilinhos a mais pudessem prejudicá-la”, diz Nádia Matos, de 53 anos, sua dona. A obesidade trouxe o diabetes. E o diabetes, a catarata. No auge dos 14 quilos do pequeno corpo da cadela, Nádia notou que Dotty estava com respiração ofegante e tinha dificuldades para andar. Foi quando decidiu procurar ajuda médica.
Dotty estava obesa, como quase 50% dos cães que vivem em grandes cidades americanas, de acordo com um estudo da Universidade Boston. É a mesma proporção identificada por uma pesquisa feita pela Universidade de São Paulo na capital paulista. Para atender a essa demanda, surgiram pelo menos 200 clínicas em todo o país neste ano, de acordo com a Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais. Elas oferecem programas de emagrecimento específicos para cães e gatos.
Mesmo os tradicionais consultórios veterinários se especializam em atender animais obesos, com serviços de fisioterapia e endocrinologia, para tratar das articulações desgastadas e cuidar das alterações de colesterol e triglicérides. Em 2012, o Brasil importou mais de 1.000 esteiras aquáticas para cães, indicadas para os animais gordinhos com alto risco de lesão. “Alguns cachorros chegam tão gordos que qualquer exercício fora da água pode ser perigoso”, diz a veterinária Alessandra Vargas, diretora da clínica Endocrinovet, de São Paulo. A clínica é formada de endocrinologistas, e seus profissionais prestam serviço para outros 18 consultórios.
A maioria dos donos não acredita que seus animais estejam gordos. Nem que o excesso de peso seja um problema. É por isso que a decisão de colocar as mascotes em dieta rígida, em geral, só vem depois de um diagnóstico de diabetes, pressão alta ou distúrbios cardíacos. “As doen¬ças da obesidade estão levando os donos a fazer suas mascotes emagrecer na marra”, diz a veterinária Romina Solamito, de Belo Horizonte, que elabora programas de emagrecimento para cães e gatos. “A tarefa mais difícil é convencer o dono de que o animal gordo não está saudável.”

Um cão obeso vive dois anos menos que um cão com o peso ideal, de acordo com um estudo da Associação Americana de Medicina Veterinária. Mesmo sem apresentar as doenças que decorrem da obesidade, os animais com excesso de peso têm um cansaço acima da média e dificuldades de locomoção. “Eles não são felizes, como os donos costumam achar”, diz Romina.
Os donos são os grandes responsáveis pelas duas principais causas da obesidade dos animais domésticos. A primeira é a alimentação em excesso, de ração ou de comidas oferecidas pela família fora de hora, como pedacinhos de carne, pão ou biscoitos. A segunda é o sedentarismo. A vida confinada em apartamento, com poucos passeios pela rua, diminui o gasto calórico dos animais, que acabam engordando. Para os gatos, que não costumam sair para passear de coleira, uma boa dica é manter os potes de ração, de água e a caixa de areia distantes uns dos outros, para forçar uma caminhada.
Há ainda outros fatores menos relevantes que influem no ganho de peso, como a castração, a predisposição da raça ou o envelhecimento. Fora dessa lista estão os animais que se tornaram obesos por alguma doença anterior, como alterações na tireoide.
Ainda não há remédio aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária para gato ou cachorro emagrecerem. Para queimar as gordurinhas, é preciso mesmo fechar a boca e malhar. Para ajudar nessa tarefa, há rações especiais para obesos. E nutricionistas que podem adaptar a dieta de acordo com a vontade do dono. Dotty come três porções por dia, porque Nádia acha que comer duas é pouco. “Tenho pena, acho que ela fica com fome”, diz. Se Dotty come petiscos caninos, tem de compensar diminuindo a quantidade de ração. A vantagem da dieta do animal é que Dotty não abre a geladeira nem liga para a pizzaria. “O problema é a gente. De vez em quando, pego meu marido dando peito de peru escondido a ela”, afirma.  
Fontes: Associação Americana de Medicina Veterinária e Associação Nacional de Clínicos Veterinários de Pequenos Animais (Foto: Shutterstock)

6 mitos sobre os gordinhos (Foto: Reprodução/Revista ÉPOCA)

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