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06/12/2012

As ideias inovadoras de alunos e professores do Senai atraem investidores


LIGHT Neilson Braga, Verônica Arcanjo (ao lado dele) e equipe, na cozinha experimental, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Ele teve a ideia de substituir parte do queijo por cenoura. Ela fez todos os testes de laboratório (Foto: Saul Schramm/ÉPOCA)Até virar professor do curso de panificação e confeitaria numa escola técnica de Dourados, Mato Grosso do Sul, Neilson Braga, de 45 anos, era padeiro. Desde 1996, ensinou mais de 1.500 alunos a sovar, a fazer massa de pães e a confeitar bolos. Sua jornada escolar formal foi até o ensino médio. Braga aprendeu seu antigo ofício no mesmo curso profissionalizante e na mesma escola em que dá aulas hoje. Além de professor, Braga agora também é inventor – e um potencial empreendedor. Foi dele a ideia de substituir parte do queijo usado na receita do popular pão de queijo por um ingrediente mais saudável. Ousado. Quem trocaria o pão de queijo tradicional por um feito de beterraba? Ou de abobrinha? Foram muitas fornadas até chegar ao legume ideal, a cenoura, que deu ao pãozinho uma aparência atraente e um sabor agradável – com redução de 40% de gordura. “É um produto inovador”, diz ele. “E tem forte apelo no mercado de produtos light.”
Braga parece ter razão. Sua invenção foi uma das 48 escolhidas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem para a Indústria (Senai), rede de escolas profissionalizantes e de centros de pesquisa e desenvolvimento, para ser apresentadas a um grupo de investidores. São olheiros de fundos de investimento como o Criatec, do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), e Anjos do Brasil. Sua especialidade é detectar negócios emergentes inovadores e transformá-los em empresas lucrativas. Eles avaliaram a viabilidade de levar as criações de professores, alunos e técnicos para o mercado. Das 48 invenções, acompanharão de perto o desenvolvimento de 22, como o pão de queijo de Braga. De acordo com o Senai, se as ideias virassem empresas, juntas elas faturariam um total de R$ 55 milhões no primeiro ano de atividade. 
Como nas escolas técnicas as aulas são práticas, as ideias têm mais potencial para virar negócio 
Promover encontros entre inventores como Braga e investidores é fundamental para estimular o perfil empreendedor e a inovação dentro das escolas. Para os investidores, a vantagem de inovações vindas de cursos técnicos e profissionalizantes é estar mais próximas da realidade do mercado do que a pesquisa científica acadêmica das universidades. A falta de articulação entre empresas e pesquisa e desenvolvimento dentro das grandes universidades é um dos maiores entraves para que as empresas brasileiras ganhem competitividade pela inovação de produtos. Nas escolas técnicas, a teoria das aulas é sempre aplicada à vida real – e o conhecimento vem mais da experiência prática que da formação do inventor. Por isso, suas ideias têm mais potencial de virar negócio. “E de forma mais ágil do que acontece com a pesquisa científica”, diz Cassio Spina, investidor do Anjos do Brasil.  
Mais do que a ideia, os investidores avaliaram a capacidade de execução do empreendimento. Por isso, o pão de queijo de Braga foi incansavelmente testado em laboratório pela engenheira de alimentos Verônica Arcanjo, que se tornou coautora do projeto. Foram quatro meses de análises químicas até conseguir a combinação ideal. É também por isso que todos os outros inventores foram treinados por especialistas para apresentar seus produtos ao investidor. Entonação da voz, postura, tempo controlado para falar. O principal foi entender como se faz um plano de negócios, que inclui estimativas de investimento, contratação de pessoal, faturamento e lucro. “Para um empreendedor ser bem-sucedido, ele tem de ser capaz de tirar sua ideia do papel e fazê-la virar realidade”, diz Spina.  
A rodada de negócios aconteceu, pela primeira vez, durante a mostra Inova Senai, que se repete a cada dois anos desde 2008. É quando o Senai mostra à indústria as novidades criadas em salas de aula e laboratórios das escolas. “Quinze por cento dos alunos formados no Senai viram empreendedores e montam seu próprio negócio”, afirma Rafael Lucchesi, diretor-geral. A mostraInova Senai aconteceu paralelamente à Olimpíada do Conhecimento, uma competição de ensino profissional que reuniu, neste ano, 638 estudantes para provas de habilidades técnicas e pessoais, em 54 profissões.
No caso do Senai, a aproximação da indústria é crucial. O sistema desenvolve inovações tecnológicas para cerca de 2.300 empresas por ano. Entre elas a Petrobras, que usa simuladores virtuais criados pelo centro de tecnologia do Senai do Rio de Janeiro para treinar seus funcionários das plataformas. Foi no mesmo centro que o engenheiro eletrônico Renato de Freitas, de 39 anos, aprimorou a invenção que apresentou aos investidores. São óculos com leitor infravermelho que substituem o mouse do computador. Um dia sua invenção, quem sabe, poderá sair do laboratório e chegar a seu rosto.

Revista Época
 
Movimento Empreenda (Foto: divulgação)

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