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23/12/2012

Cinco anos da morte de dom Aloísio


Em 23 de dezembro de 2007, partia o pastor, o santo homem de Deus, para aqueles que o conheciam. Dom Aloísio Lorscheider, durante os 22 anos que passou à frente da Arquidiocese de Fortaleza, foi além da defesa das causas religiosas. Foi um conciliador, ajudando a solucionar crises


FOTO: EDIMAR SOARES
Dom Aloísio Lorscheider morreu aos 83 anos, em Porto Alegre


E foi no domingo de 2007 mais próximo do dia em que se rememora o nascimento de Jesus que ele partiu. No amanhecer do dia 23 de dezembro, o corpo do cardeal gaúcho dom Aloísio Lorscheider, aos 83 anos, não mais resistiu aos sofrimentos terrenos. Hoje, cinco anos depois, as lutas e as memórias de dom Aloísio, que ficou à frente da Arquidiocese de Fortaleza, entre 1973 e 1995, ainda permanecem vivas. 
O cardeal foi além da defesa das causas religiosas.
 Preocupou-se com os mais pobres e dedicou a vida aos menos favorecidos. “Era um povo que precisava de muito carinho, muita ternura e compreensão”. As palavras de Dom Aloísio Lorscheider, em entrevista ao O POVO um ano antes da partida, fazem referência ao povo de Fortaleza. “Ele era muito humano, idealista e lutava pelos homens”, reforça dom Edmilson da Cruz, que foi um dos bispos auxiliares de dom Aloísio e hoje, aos 88 anos, é bispo emérito de Limoeiro do Norte.
Assim que por aqui envolveu-se com a causa dos presos políticos na Ditadura Militar. Pediu por melhores condições para quem estava encarcerado. Fortaleceu os movimentos sociais pastorais, por meio das Comunidades Eclesiais de Base (CEBs). Criou o Centro de Defesa e Promoção dos Direitos Humanos na Arquidiocese. “Foi quando, em Fortaleza, era muito forte o problema de despejo das famílias nas periferias. O Centro servia para ajudar as comunidades que não tinham nenhuma defesa”, explica o assessor da Pastoral do Povo da Rua, padre Lino Allegri, que foi coordenador do Centro.
Para dom Edmilson, dom Aloísio era a “voz do Nordeste que não tinha vez nem voz”. O tom de conciliação na voz e na postura de dom Aloísio fez dele um mediador entre os mais necessitados e aqueles que dominavam o poder político e econômico.
Em 1978, dom Aloísio teve papel importante na luta contra o despejo de famílias que viviam na favela da José Bastos. Os proprietários do terreno pediram à Justiça a reintegração da posse. As famílias estavam na iminência de serem expulsas de lá pela Polícia.
Dom Aloísio, com outros padres e movimentos sociais, não impediu o despejo. Mas conseguiu com que o Governo construísse casas novas para a população. Entre os poderosos, dom Aloísio se aproximou mais de Tasso Jereissati, ex-governador e ex-senador do Estado. Para Tasso, o cardeal se tornou “um verdadeiro conselheiro”. O ex-senador ressalta que, durante o período em que foi arcebispo de Fortaleza, dom Aloísio colocou o Ceará no centro das discussões políticas nacionais. E, mesmo fazendo a intermediação entre os mais necessitados e os políticos, nunca houve divergências entre os dois. “Eu diria que foi a figura mais ilustre que eu conheci na história do Ceará”.
 ENTENDA A NOTÍCIA
Dom Aloísio Lorscheider morreu aos 83 anos por falência múltipla de órgãos, no dia 23 de dezembro de 2007, há cinco anos.
 Serviço
Missas em homenagem a dom Aloísio Lorscheider
Dia: hoje (23/12)
Hora: 18 horas
Onde: Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda) 
Endereço: avenida Jovita Feitosa, 2733 - Parquelândia
 
Dia: hoje (23/12)
Hora: 18h30min
Onde: Igreja de Nossa Senhora do Brasil (Seminário Seráfico)
Endereço: avenida Frei Cirilo, 4454 - Messejana
 Saiba mais
Cardeal
Dom Aloísio ao assumir a Arquidiocese de Fortaleza, em 1973, se empenhou para concluir as obras da Catedral Metropolitana. A construção havia começado em 1939. A nova Catedral foi inaugurada em 1978.

Visita do papa
Arcebispo de Fortaleza, dom Aloísio Lorscheider, juntamente com outros bispos brasileiros, conseguiu programar a vinda do papa João Paulo II para o Brasil em 1980. Fortaleza foi incluída no roteiro do papa.

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