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07/12/2012

Sociedade está pouco apta para a diferença


PORTUGAL
«Saúde mental e Deus»
Sociedade está pouco apta para a diferença
Texto Juliana Batista | Foto Ana Paula | 07/12/2012 | 08:20
A humanidade não está preparada para tudo o que desafia ou contraria o imaginário comum daquilo que é ser humano, alertou Manuel Clemente, bispo do Porto
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No âmbito de uma conferência que integrou o ciclo comemorativo dos 50 anos do Serviço de Psiquiatria do Centro Hospitalar de São João, Manuel Clemente, bispo do Porto, disse que as pessoas não estão aptas para lidar com a deficiência. Tal acontece porque a sociedade tem um «imaginário comum» do ser humano, também difundido através dos anúncios publicitários, que «poucos» atingem e, quando o alcançam, só acontece «durante poucos anos de vida». Já quando a imagem idealizada não é alcançada, utilizam-se «os mil e um ludíbrios da cosmética», referiu. 

Neste contexto, o prelado acredita que a sociedade está pouco preparada «cultural e mentalmente», para tudo «o que desafie ou contrarie tão curto padrão». «Estamos, basicamente, pouco disponíveis para acolher, em nós e nos outros, uma humanidade essencial em que todos caibamos. Menos ainda para percebermos que a deficiência do outro apela a um relacionamento positivo de que somos os primeiros beneficiados, em processo conjunto de humanização autêntica», frisou Manuel Clemente. 

Durante a sua intervenção, intitulada, «Saúde mental e Deus», o prelado disse aos médicos e profissionais de saúde presentes, que a cura de um utente é todo um processo onde estão envolvidos fatores de vária ordem. «A cura tem de ser global, tratando do corpo sem descurar a mente e cuidando da mente sem esquecer que o corpo é o símbolo e o modo da nossa relação com os outros. Sem exercício recíproco da relação não há cura, mental ou outra», referiu.

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