A guerra civil no Camboja e as barbaridades impetradas pelos guerrilheiros Khmer Rouge assombraram o mundo na segunda metade dos anos 1970. Mas o choque daqueles que conviveram in loco com o massacre foi bem maior. Conhecer vítimas das atrocidades, encontrar milhares de órfãos, descobrir centenas de crânios empilhados ou visitar antigos campos de torturas são experiências que mexem com as emoções de qualquer pessoa, de qualquer raça.
Este foi o caso de Angelina Jolie, quando foi rodar “Tomb Raider” em Angkor em 2000. Ela saiu de seu casulo hollywoodiano e conheceu um pouco do sofrimento pelo qual o povo cambojano havia passado. Esse impacto foi suficiente para que ela contatasse o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (UNHCR, sigla em inglês) e colocasse seu nome e seus contatos mediáticos à disposição da agência da ONU. Na esfera pessoal, ela adotou um menino cambojano, a quem deu o nome de Maddox Jolie-Pitt. O casal Angelina Jolie e Brad Pitt também criou uma fundação com o nome do filho para apoiar projetos de educação, saúde e ambiente no Camboja.
Centenas de europeus e norte-americanos abastados visitam Angkor anualmente e, ao conhecer as páginas tristes da época Khmer Rouge, comovem-se com as histórias de pavor do passado. São tomados por uma evidente compaixão e uma vontade de compartilhar seus recursos e seus conhecimentos.
Este foi o caso dos britânicos Brandon e Andrea Ross. Apaixonados pelo Camboja, criaram em 2003 uma operadora de turismo, Journeys Within, e montaram um hotel-boutique em Siem Reap, a 15 minutos da entrada dos templos de Angkor. Andrea é considerada uma especialista no sudeste asiático e desenvolve itinerários pessoais que sempre incluem visitas e relações com as comunidades locais.
O hotel-boutique Journeys Within em Siem Reap – cidade onde estão as ruínas de Angkor – inspirou o início do trabalho social com a comunidade.
“Nossa filosofia é, se vemos um problema, vamos resolvê-lo”, diz Andrea Ross. “Desde minha chegada no Camboja, há 10 anos, ouvi muita discussão entre os grupos humanitários, mas as ações eram escassas. As pessoas falavam demais sobre o que os cambojanos precisavam, mas poucos eram os que faziam alguma coisa concreta.” Andrea, por estar convivendo com a pobreza e o cotidiano do país, sentiu-se obrigada a atuar mais do que falar e passou para a prática.
Ela arrendou a casa ao lado do hotel-boutique e a transformou na sede de uma ONG local, denominada“Journeys Within Our Community” (JWOC, em tradução livre, Jornadas Dentro da Nossa Comunidade). Em uma dezena de salas, diferentes atividades são oferecidas a crianças, jovens e adultos. “Nosso estudante mais novo tem 3 anos, o mais idoso está com 40 anos”, afirma Andrea. O foco é educação, treinamento profissional e saúde, com a meta de criar novas oportunidades econômicas e melhorar as condições de vida dos habitantes locais.
Aproveitando a pausa fotográfica do meio do dia, meu filho Mikael e eu aceitamos o convite de visitar a casa vizinha da JWOC. No pátio encontramos duas pedagogas cambojanas contando uma história para três dezenas de crianças. Nossa chegada distrai as criançada, mas elas logo retornam ao conto que sublinha a importância de cuidar da natureza.
O primeiro andar da casa é reservado aos cursos. Como Angkor recebe quase dois milhões de turistas anualmente, saber falar inglês é vital para conseguir um bom emprego no setor que mais traz recursos à cidade. Os cursos de idiomas são uma importante ferramenta para que jovens possam ingressar neste mercado de trabalho.
Outra disciplina muito procurada é a de computação. A revolução digital, embora bastante difundida na Ásia, ainda engatinha nas comunidades rurais próximas à Siem Reap. O laboratório digital da JWOC, com uma dúzia de computadores, oferece a oportunidade para que jovens possam praticar suas habilidades e preparar tarefas pessoais ou das aulas.
Com uma operadora oferecendo serviços exclusivos a estrangeiros endinheirados, Andrea e Brandon passaram a usar o contato direto com os próprios clientes do hotel-boutique para arrecadar fundos para a ONG. Os hóspedes são convidados a passar à casa ao lado para conhecer as atividades educacionais ou a visitar um vilarejo onde JWOC trouxe alguma melhoria. “Por 350 dólares, nossos clientes podem mudar a vida de um vilarejo, doando o necessário para criar um novo poço de água potável”, afirma Andrea.
Com um orçamento anual aproximado de 500 mil reais, a JWOC também criou um sistema de microfinanciamento. Desde 2008, mais de 550 pequenos empréstimos (que variam entre 50 e 250 dólares) permitiram que locais lançassem seus negócios, geralmente como vendedores ambulantes de alimentos.
Andrea e Brandon Ross vivem do turismo internacional e dos templos do antigo império Khmer. Se Angkor não existisse, eles certamente não estariam no Camboja. Para eles, é indispensável retribuir, dar de volta, o que eles recebem do país. O trabalho do casal representa um exemplo inconfundível de um bom turismo sustentável.
Mistério e vegetação envolvem templo de Angelina Jolie em Angkor
12:49, 9 DE JANEIRO DE 2013
HAROLDO CASTRO
GERAL TAGS: CAMBOJA, PATRIMÔNIO MUNDIAL
Após a queda abrupta em 1432 do império Khmer – responsável pelas edificações de Angkor –, centenas (e talvez até milhares) de templos hinduístas e budistas entraram em uma verdadeira hibernação tropical.
As construções, armadas pela justaposição de enormes blocos de pedras, foram castigadas pelas chuvas das monções. A água e o calor do sudeste asiático provocaram o crescimento rápido de uma vegetação densa e generosa. Tetos e paredes passaram a servir de suporte para trepadeiras, arbustos e árvores. Em busca da luz, raízes e galhos abriram fendas entre as pedras e foram responsáveis por desarmar o que os arquitetos Khmer haviam montado com habilidade a partir do século 12.
Gigantescas árvores cresceram sobre o templo Ta Prohm e suas raízes centenárias tomaram conta do lugar.
Um emaranhado de raízes dominou um dos santuários internos do templo Ta Prohm.Imagine o susto que o naturalista francês Henri Mouhot tomou em 1858 quando, no meio da floresta do Camboja, ele se deparou com estas ruínas. Em seu diário de viagem, ele anotou que as construções eram “mais grandiosas do que qualquer uma deixada pela Grécia ou por Roma”. Considerou Angkor Wat como “rival ao Templo de Salomão e desenhado por algum antigo Michelangelo”.
As construções Khmer são tantas que, um século e meio depois, muitas ainda estão em seu estado original: tomadas pela floresta. Vários organismos internacionais trabalham há décadas para reconstruir o complexo de Angkor. As reconstruções são indispensáveis, principalmente para manter edificações com mais de oito séculos de idade em bom estado. Mas a realidade é que, para mim, um dos maiores atrativos em Angkor foi conhecer templos como Ta Prohm, Preah Khan e Beng Mealea, ainda dominados pela vegetação.
Uma árvore cresce entre os blocos de pedra desarticulados pelo tempo e pintados de musgo pelo clima, em Beng Mealea.
Troncos e trepadeiras invadiram um santuário de Beng Mealea, não poupando nem as esculturas religiosas.
Uma raiz envolveu um dos blocos de pedra de Prea Khan, um dos grandes templos que ainda não foi reconstruído.
Não foi preciso muita imaginação para usar o espaço dos “templos perdidos” como cenário de filme. O grande sucesso de Angelina Jolie em 2001 como Lara Croft no filme “Tomb Raider” foi rodado no templo mais espetacular envolvido pelo mato, Ta Prohm.
A passagem de Angelina pelo Camboja foi fundamental na vida da atriz: seu primeiro filho Maddox, adotado, é natural do país asiático. As inequidades sociais que ela observou também moveram seus ideais humanitários. Inquieta com a situação dos refugiados da guerra civil cambojana, ela contatou a agência da ONU (UNHCR, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) e logo passou a exercer afunção voluntária de Embaixadora da Boa Vontade.
Hoje, devido às imagens fantásticas de Ta Prohm que rodaram o mundo no filme e no vídeo game “Tomb Raider”, o local é comumente chamado de “Templo de Angelina Jolie”.
Uma gigantesca raiz envolve um pequeno santuário de Ta Prohm, local onde Angelina Jolie rodou o filme “Tom Raider”.
O maior mistério deixado pela civilização Khmer foi sua queda abrupta em 1432. Dezenas de investigadores tentaram mergulhar no tempo para conhecer os motivos desse final inesperado.
Uma das teorias aponta o início da decadência como a escassez de água para irrigar os milhares de campos de arroz necessários para alimentar a população de Angkor. Outra sustenta o oposto: uma série deinundações do rio Mekong, do lago Tonle Sap e, consequentemente, de todos os afluentes ao redor de Angkor, teria arrasado os cultivos e forçado um gigantesco êxodo de mais de 100 mil pessoas. Um ataque de um reino vizinho – como dos Thais – também é plausível: a estratégia teria sido destruir diques e reservatórios de água. Em todas as hipóteses, a água – em excesso ou em privação – parece ter tido uma importante função.
No centro de Angkor Thom, Bayon revela 216 faces do Buda
11:00, 31 DE DEZEMBRO DE 2012
HAROLDO CASTRO
GERAL TAGS: CAMBOJA, PATRIMÔNIO MUNDIAL
Todo o complexo de construções da cultura Khmer é chamado de Angkor Wat. Mas o gigantesco monumento é apenas o coração do empreendimento arquitetural. Espalhados ao norte do imenso templo existem centenas de edificações que deixam qualquer visitante pasmado com aquela sensação de“como eu nunca havia vindo aqui antes?”, mostrando quão pouco sabemos sobre culturas do outro lado do planeta.
Se Angkor Wat é O Templo, Angkor Thom é A Cidade. O significado de seu nome é claro: não apenas uma cidade, mas a Grande Cidade. Foi a última e a mais duradoura capital do império Khmer, estabelecida pelo rei Jayavarman VII no final do século 12 (ou seja, meio século mais tarde que Angkor Wat). Seu traçado é inconfundível: um quadrado direcionado aos quatro pontos cardeais, cujos lados medem três quilômetros de extensão.
Dentro do recinto de nove quilômetros quadrados, protegido por muralhas de oito metros de altura, existiam prédios oficiais, mas também canais de irrigação, plantações de arroz e moradias quesustentavam cerca de 100 mil pessoas.
Para ingressar em Angkor Thom era necessário – e ainda é – passar por um dos quatro portões de entrada, dominados por uma torre de 23 metros ornada por quatro máscaras esculpidas na pedra. Os quatro caminhos convergem a um mesmo lugar, Bayon.
O imponente templo Bayon, ao contrário de Angkor Wat que nasceu para celebrar a fé hinduísta, foi erguido como um santuário budista. As linhas clássicas foram substituídas aqui por uma arquitetura que, no Ocidente, seria chamada de barroca. A característica mais óbvia são as 216 máscaras gigantescas - bem parecidas às 16 dos quatro portões de entrada – que ornam o templo, incluindo suas 49 torres (hoje apenas existem 36 delas).
Pesquisadores observaram uma grande semelhança entre todos os mascarões, assim como a afinidade com a própria figura do monarca. Uma das explicações é que as faces teriam sido esculpidas parahomenagear o rei Jayavarman VII como se fosse uma divindade. Outra considera que as imagens são a do Buda da Compaixão, Avalokitesvara.
As esculturas são semelhantes, mas não idênticas. Este imagem do Buda foi desenhada com um sorriso um pouco mais acentuado.
Já esta outra máscara de Bayon teria sido esculpida para salientar um estado meditativo de felicidade.
Embora não seja um lugar oficial de peregrinação, Bayon continua recebendo fiéis budistas. Embaixo de sua torre central, um pequeno santuário reverencia uma imagem de Buda e recebe oferendas de cambojanos e de visitantes estrangeiros. Outra figura sempre presente, contrastando com as pedras cinzas do templo de oito séculos de idade, é a do monge com suas vestes alaranjadas.
Angkor Wat, no Camboja, é o maior monumento religioso do mundo
10:55, 20 DE DEZEMBRO DE 2012
HAROLDO CASTRO
GERAL TAGS: CAMBOJA, PATRIMÔNIO MUNDIAL
Desde 1973, eu sonhava em conhecer os templos de Angkor Wat, no Camboja. Mas a situação política na ocasião já estava complicada, depois de um golpe de estado contra o rei Sihanouk em 1970. Mesmo estando tão pertinho, na vizinha Tailândia, não achei que seria seguro entrar no país. Dois anos depois, o ditador Pol Pot instalou um regime truculento com o apoio dos guerrilheiros comunistas Khmer Rouge. De 1975 a 1979, a nação viveu um período de opressão sem igual, quando 1,5 milhões de cambojanos foram executados ou morreram de fome. Os guerrilheiros Khmer Rouge sustentaram uma guerrilha até 1993, quando a ONU conseguiu promover as primeiras eleições (mais ou menos) livres.
As torres de Angkor Wat, “Templo da Cidade Capital” ou “Cidade dos Templos”, elevam-se no meio da floresta tropical.
Esse breve histórico é necessário para compreender que o país ficou inacessível aos estrangeiros durante quase um quarto de século. As pedras de Angkor Wat, tomadas pela vegetação, não eram prioridade para um governo que precisava se reestruturar depois de décadas de carnificina.
Aproveitando a redemocratização do país, a Unesco, ao qualificar o conjunto de templos como Patrimônio Mundial em 1992, abriu as portas para novas fontes de doações que pudessem cobrir os gastos necessários com as restaurações. Cooperações bilaterais imediatamente foram criadas e instituições alemãs, francesas e japonesas começaram a trabalhar com o governo cambojano para recuperar as ruínas.
Em duas décadas, Angkor Wat passou de um lugar misterioso tomado pela floresta a uma das atrações turísticas mais importante da Ásia, tão admirável como o Taj Mahal na Índia ou a Grande Muralha na China. Hoje, quase dois milhões de visitantes chegam ao vilarejo de Siem Reap para descobrir as estruturas elegantes de um complexo de centenas de templos e pagodas que se espalham por uma área de 150 quilômetros quadrados.
Vale a pena acordar antes das 5h da manhã para estar em Angkor Wat no momento do amanhecer.
Em duas décadas, Angkor Wat passou de um lugar misterioso tomado pela floresta a uma das atrações turísticas mais importante da Ásia, tão admirável como o Taj Mahal na Índia ou a Grande Muralha na China. Hoje, quase dois milhões de visitantes chegam ao vilarejo de Siem Reap para descobrir as estruturas elegantes de um complexo de centenas de templos e pagodas que se espalham por uma área de 150 quilômetros quadrados.
Vale a pena acordar antes das 5h da manhã para estar em Angkor Wat no momento do amanhecer.
Angkor Wat é o principal templo do complexo. Rodeado por uma muralha de 3,6 km de extensão, Angkor é considerado o maior monumento religioso do mundo. Pesquisadores concluíram que existem mais pedras aqui – e mais elaboradas – do que nas Grandes Pirâmides do Egito.
Edificado na primeira parte do século 12 como um santuário hinduísta dedicado a Vishnu, Angkor transformou-se no século seguinte em um templo budista e continua até hoje a ser um local de veneração. Pequenos rituais ainda acontecem em recantos menos visitados e não há monge budista que não venha conhecer o local. Eles estão por toda a parte e não passam desapercebidos com suas vestes laranjas.
Três monges budistas pedem que eu os fotografe com a câmera do celular pertencente a um deles; aproveito para retratá-los com as torres de Angkor ao fundo.
Três monges budistas pedem que eu os fotografe com a câmera do celular pertencente a um deles; aproveito para retratá-los com as torres de Angkor ao fundo.
Em um dos pátios interiores de Angkor, outro monge admira, boquiaberto, a elegância da construção lítica.
Dois monges sentados oram em frente a uma estátua de um Buda, assentada depois da fundação do santuário. Angkor representa o coração e a alma do Camboja: é o principal símbolo do país. O desenho do templo está no centro da bandeira nacional azul e vermelha. O perfil do conjunto com suas torres estava presente até mesmo na bandeira vermelha revolucionária adotada durante os regimes comunistas de 1975 a 1989.
O orgulho que os cambojanos sentem pela majestosa construção tem fundamento. Na época de sua construção, antes de 1150, a Europa vivia um período medieval obscuro e nenhum castelo ou templo no Ocidente chegava aos pés do que era Angkor.
Os detalhes da decoração impressionam até hoje os visitantes. Uma das singularidades é a presença de mais de 3 mil esculturas nas paredes mostrando as apsaras. Cada uma destas ninfas celestiais possui um desenho particular, mas todas apresentam traços em comum: pulseiras, braceletes e colares requintados, uma cintura bem desenhada e seios redondos e perfeitos. Pesquisadores identificaram 37 penteados diferentes.
Cinco apsaras esculpidas em uma das paredes internas de Angkor. Os seios ficaram mais escuros pois a gordura das mãos de milhares de pessoas foi absorvida pela pedra.
Duas apsaras em uma parede exterior do templo. Todas as janelas eram ornadas com pilares finamente trabalhados.
Angkor Wat pode ser a principal construção do complexo, mas existem centenas de templos que merecem ser visitados nas redondezas. Na próxima semana, conheceremos outras ruínas fascinantes, algumas delas tomadas pela floresta tropical.
Palácios e templos dourados enriquecem nosso olhar sobre Bangkok
Bangkok é o aeroporto mais importante do Sudeste Asiático e se tornou escala obrigatória na região. Se o viajante vai para Cambodia, Mianmar, Laos ou Vietnã, a capital tailandesa, com excelentes hotéis e atrações, é a melhor parada para se recuperar dos fusos horários.
Passamos um dia e duas noites em Bangkok. Consegui driblar o sono, fui dormir no horário local e venci as 9 horas de diferença. No dia seguinte, estava pronto para caminhar por templos que fazem nossa mente sonhar. Depois da visita ao mercado flutuante de Damnoen Saduak (post da semana anterior), fomos ao Grande Palácio Real.
Três construções dentro do Grande Palácio, cada uma com sua arquitetura particular. À esquerda, a pagoda Phra Sri Rattana Chedi; ao centro, a biblioteca Phra Mondop e, ao fundo, a torre de Prasat Phra Thep Bidom.
Desde 1973, tenho visitado o Grande Palácio, no coração da cidade, pelo menos uma vez a cada dez anos. Sempre tenho a mesma impressão: as construções de tetos alaranjados e verdes e com decorações ponteagudas parecem novas, recém-pintadas, tinindo, tudo sem nenhuma mancha.
Os prédios, de tão bem cuidados, parecem que são atuais. Mas os primeiros templos e residências têm mais de 230 anos de idade, quando o rei Rama I transferiu a capital de Thonburi (do outro lado do rio Chao Phraya) para Bangkok. Desde 1925, o Grande Palácio deixou de hospedar a família real e a administração, mas continua sendo o palco real para recepções e cerimônias importantes.
O que mais me fascina nesta visita são os detalhes da decoração. Durante a tarde que passo no Palácio, me interesso mais pelas figuras insólitas de heróis com caras diabólicas do que nas grandes estruturas.
Em um friso sob uma cúpola dourada de uma pagoda, dois guardiões parecem segurar o peso do santuário.
A face de uma figura mitológica dourada, decorada com pedras coloridas, contrasta com os tetos laranjas e as decorações das estupas budistas.
Um monge, com seu hábito alaranjado, perambula pelo Palácio, como que magnetizado pelo brilho das construções.
O santuário mais importante dentro do Grande Palácio – e talvez do próprio país – é o Templo do Buda de Esmeralda. Na realidade, Wat Phra Kaew é mais uma capela do que um templo, pois este não é habitado por nenhum monge. O único morador é uma figura de 66 cm que representa um Buda sentado em posição de meditação.
Talhado em uma só pedra de jade (não de esmeralda), a estátua teria sido criada na Índia há cerca de 2 mil anos e teria passado alguns séculos no Cambodia e no Laos, antes de chegar à Tailândia. Ela foi finalmente consagrada em 1782 pelo rei Rama I como protetora da nação. Nenhum ser humano pode tocar na figura preciosa, apenas o rei da Tailândia. É ele que troca a roupa dourada do Buda três vezes por ano.
A estátua do Buda de Esmeralda é considerada como aquela que trouxe prosperidade ao país. O nome esmeralda se refere a cor verde, não à pedra preciosa.
Ainda no Grande Palácio, no pavilhão Amarindra Vinichai, o trono real (o rei senta na poltrona vermelha, à esquerda).Ao sul do Grande Palácio, Wat Pho é o Templo do Buda Deitado. Antes da fundação do santuário pelo rei Rama I em 1788, o local já possuía seus poderes mágicos: era uma escola de medicina budista, onde a massagem Thai tradicional teria sido criada. Desde 1962, uma escola de massagem funciona no lugar. O jardim é ornado com uma bela figueira, filhote da árvore baixo a qual Buda teria se iluminado.
O Buda Deitado é uma das maiores imagens existentes. Ele tem 15m de altura e 43m de comprimento, todo folheado a ouro. Seu braço direito segura sua cabeça e o sorriso nos lábios generosos emana serenidade. Observar o gigante dourado do chão e de uma perspectiva mais baixa, pretende dar a nítida impressão de que o ser humano é bem pequeno quando comparado aos assuntos espirituais.
Wat Pho, o Templo do Buda Reclinado, não é um espaço oficial de peregrinação, mas todo tailandês faz questão de visitar o santuário.
Resultado do sorteio dos dois posts de Viena: foram sorteadas Angélica Copati (São Paulo, SP) e Silvia Marcuzzo (Porto Alegre, RS). Feliz Natal vienense!
Canais fluviais formam mercado flutuante e fertilizam o solo
Minha primeira visita à Tailândia data do início dos anos 1970. Na época, a capital Bangkok, apesar de ser agitada e populosa, não possuía as gigantescas vias elevadas, nem o metrô de superfície ou os modernos shoppings. É verdade que as avenidas já eram movimentadas e milhares de tuk-tuks (triciclos motorizados) disputavam espaço no asfalto – mas nada comparado aos engarrafamentos de hoje.
Mas os pontos turísticos continuam os mesmos. Com tantos palácios e templos espalhados pela cidade, é natural que a lista atual dos lugares a serem visitados seja bem parecida com a dosmust-see de 40 anos atrás. Um dos principais atrativos era – e continua sendo – o mercado flutuante. Tenho uma história engraçada sobre isso.
Em agosto de 1973, recém-chegado em Bangkok, estávamos hospedados – graças a um super- desconto – no magnífico Oriental Hotel, às margens do rio Chao Phraya. Para a primeira manhã, tínhamos decidido visitar o mercado flutuante de Damnoen Saduak. Eu sonhava com a possibilidade de fotografar canoas repletas de frutas e de legumes; tudo esbanjando muita cor, como mostravam as raras imagens que anunciavam o passeio. Mas para ir ao mercado seria necessário acordar bem cedo pois os vendedores realizavam as vendas e as compras antes do sol forte.
Com a preguiça nata dos quase-adolescentes, decidimos adiar a visita e dormir um pouco mais. Apenas, mais um pouco. Às 7h30 fomos acordados por um pequeno tailandês apavorado entrando no quarto e gritando fire, fire. Sim, o hotel estava pegando fogo! Em duas idas e voltas, sob os esguichos de água, conseguimos salvar nossos pertences e fomos parar com roupas e câmeras no pátio da piscina.Depois do susto vimos os bombeiros perderem a luta contra o fogo: a parte antiga do Oriental, que datava de 1888, havia sido destruída.
Naquela manhã, se tivéssemos saído bem cedinho para ver o movimento comercial das canoas, ao retornar não teríamos mais roupas e nem malas. Proteção divina? Omega Megog em ação? Talvez. O fato é que as imagens das canoas repletas de cores passaram a me remeter automaticamente ao episódio do fogo no Oriental Hotel.
Assim, visitar o mercado flutuante de Bangkok transformou-se, ao decorrer das décadas, em um mito para mim, quase uma missão impossível. E, apesar de ter ido a Tailândia 10 vezes, nunca mais pensei em visitar o local. Afinal, poderia sair do hotel e, ao regressar, encontrar tudo queimado…
Foram necessárias quatro décadas para espantar o fantasma!
Foram necessárias quatro décadas para espantar o fantasma!
Recentemente, acompanhando um grupo de fotógrafos amadores, acabei conhecendo o mercado flutuante Damnoen Saduak – o mesmo que eu deveria ter ido no dia do incêndio. Por estar a 110 km a oeste de Bangkok, levamos duas horas para sair do asfalto e ver um pouco de água.
A troca do ambiente é um alívio. Deslizando em longas canoas para quatro passageiros, compreendi imediatamente a geografia da região. Um emaranhado de canais fluviais, sempre em formas retangulares, criam uma enorme área, fartamente irrigada e fértil. À medida que percorremos as plantações, observo atentamente as árvores frutíferas e as hortas produtivas.
Chegamos a um vilarejo. Aqui os quarteirões não são marcados por ruas transversais, mas pelas vias fluviais. Dezenas de canoas repletas de produtos perambulam pelos canais. O vendedor, com um remo na mão, escolhe onde encostar para oferecer sua colheita. Todas as frutas e os legumes plantados nas imediações acabam em algum barquinho. Do produtor direto ao consumidor, de barquinho.
Rambutão (da mesma família que a lichia) e fruta-do-conde (ou pinha) são comercializados no mercado.
Uma vendedora, com seu chapéu tradicional de bambu, percorre os canais oferecendo flores colhidas em sua chácara.
Os canais cortados em ângulos retos não são obras da natureza, mas sim da vontade do rei Rama IV que, em 1866, decidiu abrir centenas de vias fluviais. Seu plano deu certo: além de facilitar o transporte na província de Ratchaburi, a água abundante tornou a terra bem mais produtiva.
Adendo postado em 8-12.
O mercado flutuante Damnoen Saduak é uma armadilha para turistas?
Alguns leitores mencionaram que suas experiências no local foram negativas. Não pretendo discordar deles. Entretanto, serei sincero: o que eu e uma dúzia de brasileiros vimos há poucas semanas, foi positivo. Posso garantir que reconheço um tourist trap no primeiro segundo. Assim, mesmo sabendo que este mercado é visitado há mais de meio século, não encontrei nada nele que me mostrasse algum tipo de falsidade ideológica!
Precisamos, antes, definir o que é uma armadilha para turistas. Considero que qualquer atividade que seja falsa por essência, com roupas e disfarces inadequados, que produza qualquer ação “faz-de-conta” ou que force os turistas a comprar isso ou aquilo é um tourist trap. Os camelos aos pés das Grandes Pirâmides ou os encantadores de serpentes na praça Djemaa el-Fna são, de fato, armadilhas para hordas de turistas, os quais acham que a realidade é aquela! Tenho milhagem para sacar este cheiro de longe.
Precisamos, antes, definir o que é uma armadilha para turistas. Considero que qualquer atividade que seja falsa por essência, com roupas e disfarces inadequados, que produza qualquer ação “faz-de-conta” ou que force os turistas a comprar isso ou aquilo é um tourist trap. Os camelos aos pés das Grandes Pirâmides ou os encantadores de serpentes na praça Djemaa el-Fna são, de fato, armadilhas para hordas de turistas, os quais acham que a realidade é aquela! Tenho milhagem para sacar este cheiro de longe.
Nada disso aconteceu quando estivemos em Damnoen Saduak. Ao chegar, encontramos uma dúzia ou mais de canoas repletas de frutas e legumes. As vendedoras passeavam tranquilamente, algumas encostando nas margens, outras remando. Ninguém forçava a barra ou gritava para vender seus produtos, como sucede geralmente quando estamos em uma verdadeira armadilha para turistas.
As senhoras das canoas comercializavam seus produtos diretamente com os próprios habitantes da região que estavam em terra firme ou, em alguns casos, entre elas mesmo, de canoa a canoa. Vi uma cena linda quando duas senhoras trocaram seus produtos, sem desembolsar nenhum bath: uma deu um buquê de flores, a outra, em troca, passou-lhe um punhado de frutas. A vendedora de mini panquecas fez muito mais grana com os locais do que conosco. Sim, comprei uma porção de 10 panquequinhas com coco, mas elas me custaram apenas 20 bath ou 1 real. Se estivéssemos em umtourist trap, o preço seria, no mínimo, 100 ou 200 bath!
Outro detalhe importante: todas as canoas — com frutas, legumes, condimentos, água mineral, bebidas, comidinhas etc — eram originais, ninguém estava ali vendendo de mentirinha, no faz-de-conta. Um absurdo pensar que os produtos comercializados não foram produzidos na região. Bobagem.Vimos dezenas e dezenas de chácaras produtivas, com frutos nos pés das árvores e verduras nas hortas. Não se tratava de uma encenação, esta é a vida real dos habitantes da província de Ratchaburi.
Mas tamanha é a divergência de experiências, que preciso encontrar uma explicação. Acredito que seja uma questão de timing. Saímos de Bangkok com atraso, paramos na pagoda de Nakhon Pathom por uma hora e só chegamos no mercado flutuante às 11h15. Até estranhei o fato de que não havia nenhum outro turista ocidental no local, mas sim, estávamos sozinhos. Assim, imagino que a muvuca diária tenha acontecido duas ou três horas antes e, quando os brasileiros atrasados chegaram ao local, todos os estrangeiros haviam partido e reinava paz. Quem já foi a Machu Picchu sabe que o melhor momento para visitar o lugar é antes das 10h (quando o trem de turistas chega) ou depois das 16h (quando o trem parte). Durante as seis horas no meio do dia, as ruínas ficam insuportáveis. O mesmo deve ter acontecido conosco: depois das 11h todos os estrangeiros já haviam ido embora e as canoas que estavam lá exerciam suas funções normais. Sorte nossa! E vale como dica: se você for visitar armadilhas turistas, evite a hora do rush!
Paraíso das compras e do turismo, Dubai é meca de superlativos
Qualquer que seja seu destino, se você viajar pela Emirates, você fará uma escala em Dubai. Em apenas duas décadas, a companhia aérea dos Emirados Árabes Unidos transformou sua sede em umhub, um ponto central que distribui voos para mais de 120 cidades do mundo.
Para mim, sempre em busca de visitar novos lugares, está fora de questão passar por um país desconhecido sem dar uma paradinha – mesmo se apenas por um dia. Não precisei de muita lábia para convencer meu filho Mikael, que viajaria comigo, a realizar a mesma escala.
Mas o que fazer durante as 24 horas? Chegar em uma cidade com o nome de um amigo (ou de um amigo de amigo) é meio caminho andado. E foi o que aconteceu quando aterrissamos em Dubai.
Magno Cuenca é um trader de commodities agrícolas que trocou Nova York pelos Emirados Árabes Unidos para criar um novo departamento para uma empresa local. Por e-mail, combinamos que nos encontraremos pela manhã no nosso hotel, colado ao aeroporto. Teremos as 12 horas do dia para descobrir a pérola do golfo Pérsico.
A boa conversa começa quando tomamos o metrô em direção ao bairro Jumeira. Por trabalhar no comércio exterior, Magno está fascinado com o espírito empreendedor regional. “Nunca pensei que a alma de mercador continuasse tão forte no comerciante árabe”, afirma. “Dubai é um novo centro do mundo, a quantidade de negócios realizados aqui é impressionante. Compro arroz de Mianmar para vender no Congo; milho do Brasil para Angola. Aqui se vende e se compra tudo.”
Paramos na estação indicada por Magno, Jumeira Lake Towers. O metrô de Dubai é um dos mais modernos do mundo e seus 75 km de linhas e 43 estações custaram cerca de 8 bilhões de dólares. Todos os trens são automatizados e não possuem condutores. O sistema foi inaugurado às 9 horas, 9 minutos e 9 segundos do dia 9 de setembro de 2009. Deu certo!
Todas as estações aéreas (não subterrâneas) possuem um mesmo desenho para a plataforma de passageiros. A forma elíptica, lembrando uma tenda nômade, está sempre presente.
Caminhamos pelos calçadões de Jumeira. Os cafés elegantes poderiam estar em qualquer metrópole do planeta. As grandes marcas são as mesmas. Mas, à medida que o sol sobe, o calor aparece com mais força. Caminhar ao ar livre passa a ser desconfortável. “Esse é um dos problemas daqui. No auge do verão, nos meses de julho e agosto, é impossível andar na rua. A temperatura chega aos 48º C. Só dá para viver em ambientes com ar condicionado”, diz Magno.
Graças a uma corrida de taxi com ar condicionado chegamos mais fresquinhos a um dos cartões postais de Dubai: o hotel Burj Al Arab, a Torre dos Árabes. Situado em uma ilha artificial a 280 metros da praia de Jumeira, o hotel exclusivo possui 202 suites, todas com dois andares. A diária da Royal Suite custa mais de 23 mil dólares (47 mil reais). Curiosos – estrangeiros e árabes – amontoam-se na guarita: os seguranças só deixam entrar quem está hospedado no hotel. “Compreensível para um hotel 5 estrelas que se considera 7 estrelas”, afirma Magno.
Uma Lamborghini laranja atravessa a ponte que dá acesso a Burj Al Arab. A estrutura assemelha-se a duas velas de barcos.
O calor aperta. Mais um taxi e vamos direto ao Mall dos Emirados, um gigantesco shopping situado na avenida principal que corta o emirado, a Sheikh Zayed. Fico tonto ao saber que existem 520 lojas, incluindo 80 consideradas de alto luxo. “Dubai tem pouco petróleo e, por isso, decidiu investir na economia de serviços. O turismo de compras é chave para o desenvolvimento do emirado”, diz Magno.
Basta dar uma olhada nos potenciais compradores: chineses, indianos e árabes abundam nos corredores. Quase todos com sacolas e caixas nas mãos. “Com a dificuldade em conseguir vistos para os Estados Unidos e para a Europa, onde os milhões de chineses e indianos da nova classe media irão fazer turismo e compras? É óbvio que Dubai quer esta fatia do mercado”, afirma Magno. Todos os produtos elegantes e requintados – encontrados antes apenas em Nova York, Londres e Paris – estão agora à venda aqui. Pelo mesmo preço, quando não mais baratos.
Uma das atrações do Mall dos Emirados é o Ski Dubai, a primeira estação de esporte de inverno no Oriente Médio, com 5 pistas de descida, uma temperatura constante de 2º C negativos e preço de entrada de 77 dólares (160 reais).
Magno se diverte com nossas caras de surpresa: neve no deserto! “Vocês ainda não viram nada. Vamos pegar o metrô e ir ao maior shopping do mundo”, diz. Uma hora depois, estamos dentro do Dubai Mall, um complexo com mais de 1.200 lojas. Além de ser o shopping com a maior área, este é o mais visitado do planeta, com mais de 54 milhões de visitantes em 2011. Chamar o local de “Meca do Consumo” é pouco!
O Dubai Mall pode se orgulhar de vender (quase) tudo para todos, incluindo os habitantes locais: homens de branco, mulheres cobertas por um véu negro e crianças vestidas a ocidental.
Os visitantes não frequentam o mega-shopping apenas para compras. O local apresenta outras facetas que valem a passagem. “A Cascata” é uma obra de arte que sublinha a importância da água, um dos recursos mais venerados no deserto. Uma imensa cachoeira de 24 metros de altura, cortando os quatro andares do shopping, desliza sobre dois imensos cilindros metálicos. Sobre a estrutura estão dezenas de figuras humanas prateadas, em fibra de vidro, que mergulham em direção a um lago azul. O efeito é lindo.
Um dos mergulhadores de “A Cascata”, um conjunto de esculturas que valoriza a beleza e a mística da água.
Magno olha o relógio. “Ainda temos meia hora, tempo para dar uma olhada no maior aquário do mundo”. Cruzamos centenas de lojas, passamos pelo ringue de patinação (aqui em Dubai adora-se água e frio!) e chegamos a um paredão azul transparente. Com 75 cm de grossura, as paredes de acrílico conseguem aguentar a pressão de 10 milhões de litros de água salgada, morada de 33 mil animais marinhos. Não conseguimos percorrer o túnel que atravessa o aquário, mas vejo alguns mergulhadores dentro d’água. Três vezes por dia, aventureiros mais intrépidos podem entrar em uma jaula e curtir estar frente a frente com tubarões. A brincadeira custa 165 dólares (340 reais).
O tanque do Aquário Dubai mede 51 m de comprimento e 11 m de altura e hospeda mais de 400 tubarões e raias.
Nosso dia está por terminar, mas Magno reserva a última surpresa como a melhor. “Às 18 horas, precisamos estar do lado de fora do Dubai Mall, na beira do lago. Nem em Las Vegas vocês viram algo igual”.
É a Fonte de Dubai, um sistema de jatos d’água iluminados, os quais se movem ao som das músicas, sejam elas clássicas, modernas ou árabes. Situada no lago artificial em frente ao Burj Khalifa (Torre do Califa, com 830 metros é o edifício mais alto do mundo), a fonte dançante de 275 m de comprimento e que projeta água a 150 m de altura também é… a maior do planeta!






















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