MUNDO
Estudo
Texto Juliana Batista | Foto Lusa | 17/01/2013 | 15:10
O regime democrático no globo perdeu terreno em 2012, pelo sétimo ano consecutivo. O impacto de fenómenos como a primavera Árabe perdeu-se, e registaram-se retrocessos em alguns países, revela um relatório de uma ONG
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Apenas 90 países podem ser atualmente considerados livres, mais três nações do que em 2011. No entanto, registaram-se vários retrocessos na América Latina, principalmente no Equador, Paraguai e Suriname. Num mundo onde existem sete mil milhões de habitantes, apenas três mil milhões gozam de liberdade de expressão. «Existe uma necessidade crítica de liderança por parte dos Estados Unidos e outras democracias», afirma o relatório «Liberdade no Mundo 2013», que defende um maior compromisso dos Estados Unidos da América com a sociedade civil em nações oprimidas.
Na Líbia, Tunísia e em Mianmar, registaram-se progressos significativos desde 2008. O mesmo tem vindo a acontecer de forma gradual no Egito, Zimbabué, Moldávia e Costa do Marfim, onde as restrições à liberdade foram atenuadas. Porém, o Mali, que sofreu um golpe militar no ano passado, lidera a lista das nações em que a liberdade foi abolida, e, segundo o documento, sofreu «um dos maiores declínios da história da liberdade em apenas um ano».
De acordo com o relatório, a China, que mantém um regime comunista, consegue operar «a mais complexa e sofisticada máquina de controlo político do mundo». No Irão e na Rússia, apesar de uma aparente liberdade de imprensa, continua a repressão contra jornalistas e bloggers. O relatório Freedom House faz ainda referência às eleições na Venezuela, que concederam um terceiro mandato presidencial a Hugo Chávez, caracterizando-as como uma demonstração do «esbanjamento» do dinheiro do petróleo.
Pode ler-se ainda neste relatório que «Chávez beneficiou nesta campanha do uso maciço dos recursos do Estado». Contudo, diz a Freedom House, a gravidade da doença de Chávez pode abrir caminho para uma mudança política. Casos de burocracia e corrupção condicionam também a liberdade. No Equador, por exemplo, a liberdade «perdeu terreno devido às irregularidades geradas no processo de registo de organizações políticas e mudanças na redistribuição de cargos», indica o texto.
A Freedom House caracteriza também como «retrocesso» a destituição do presidente paraguaio Fernando Lugo, um processo que «privou os paraguaios de qualquer oportunidade séria de debate». Antes de terminar as conclusões, o relatório regista ainda o caso do presidente Desiré Bouterse e de outros 24 suspeitos, no Suriname, alegadamente responsáveis pelo assassinado de 15 opositores políticos em 1982, que viram o seu julgamento ser adiado.
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