A
festa da Transfiguração do Senhor nos leva a olhar para a Sagrada Escritura e
nela, ver a presença do profeta Elias, grande mestre na escola da oração e da
contemplação, que caminhou sempre na presença de Deus (cf. 1Rs 19). Sua fé no
único Deus – numa fé sólida e amadurecida na provação – impressionou
muitíssimas gerações de homens e mulheres na história do povo de Deus.
Quero
aqui agradecer a Deus pelo Carmelo Santa Teresinha de Fortaleza, vendo nas
nossas queridas Irmãs Carmelitas, "nosso pai Santo Elias", como elas
costumam chamar. Escolheram-nas, a exemplo do mesmo, viver de uma única
ocupação – na presença de Deus, pelo trabalho e pela oração, mostrando ao mundo
que vale a pena contemplar a beleza de um Deus essencialmente terno e bondade
sem limitastes (cf. Sl 139), tendo diante dos olhos o Monte Carmelo, na sua
mais elevada expressão, a Jerusalém Celeste.
Pela
nossa fé vemos Jesus, o Filho de Deus, no Monte Tabor, manifestando aos seus
amigos todo o seu esplendor. Ele revela a divindade que está dentro dele,
antecipando, assim, a sua glória e a nossa glória futura. São João nos
assegura: “Quando Cristo aparecer, seremos semelhantes a ele, pois o veremos
como ele é” (1Jo 3,2).
Jesus
Cristo, na montanha sagrada, transfigurou-se, isto é, mudou de aparência. Os
três apóstolos, Pedro, Tiago e João ficaram deslumbrados. Eles queriam que essa
alegria ficasse sempre entre eles. Daí a proposta: Vamos construir três tendas,
porque aqui é bom demais e a nossa vida será perpetuamente fascinante e
maravilhosa (cf. Lc 9,33).
No
alto da montanha, Jesus Cristo, antes da sua paixão, com Moisés e Elias revelou
o esplendor de sua face, dizendo-nos que haveremos de nos transfigurar, uma vez
que nosso destino se fundamenta na sua palavra: “Nós somos cidadãos do céu. De
lá aguardamos o Salvador, o Senhor, Jesus Cristo. Ele transformará o nosso corpo
humilhado e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso” (Fl 3, 20-21).
“Uma
voz do céu ressoa: Eis o meu Filho amado” (Lc 9, 35-36), que nos faz ouvir com fidelidade a sua palavra e
buscar no seu corpo e sangue o alimento para nossa vida. E é precisamente pela
força da palavra, do corpo e sangue de Cristo, que vamos andar na sonhada
esperança de sermos semelhantes a ele, quando ele se manifestar em sua glória.
Que
esta festa da transfiguração, celebrada pela Igreja no dia 06 de agosto, nos
faça compreender sempre e cada vez mais o sentido da páscoa eterna, na certeza
de que a partir deste mistério inefável, isto é, que significa o que não se
pode expressar verbalmente, identificando algo de origem divina e que
transcendente toda nossa realidade visível e palpável, indicando a nossa
páscoa, quando também, iremos experimentar a eterna transfiguração.
Como
seria maravilhoso ver os cristãos, com pés firmes no chão da realidade,
abraçarem e saborearem o silêncio e, mesmo a solidão, como condição
imprescindível, no sentido de uma profunda mística, a partir do mistério da
contemplação da presença de Deus, a exemplo do profeta Elias, que viveu
unicamente para Deus e fez d’Ele o seu refúgio em todas as circunstâncias de
sua vida.
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE), e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.
Pároco de Santo Afonso
geovanesaraiva@gmail.com
Autor dos livros:
“O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder Câmara);
“A Ternura de um Pastor” - 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
“A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
"Dom Helder: sonhos e utopias" (o pastor dos empobrecidos).

Nenhum comentário:
Postar um comentário