Padre Geovane Saraiva*
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| Papa Francisco afaga o cão-guia Asia |
O nosso
querido Papa Francisco, nas suas primeiras palavras encantadoras: “Os
cardeais me buscaram dos confins do mundo”, e depois: “Quero uma Igreja pobre,
para os pobres”, nos ajude a compreender que temos que optar por uma Igreja
mais coerente com o Evangelho, na simplicidade e na ternura franciscana, num
mundo que concentra e exclui, produz riqueza e miséria, constrói torres e
palácios, em confronto com favelas, casebres, palafitas e mocambos.
Por isso
eu tinha razão quando escrevi em 2012, que toda civilização necessita figuras
exemplares, modelo e referenciais, que mostrem concretamente ao mundo, os
grandes sonhos e utopias, numa palavra, mostrem os valores últimos, no sentido
de sustentar as motivações dos seres humanos, na sua relação e ação com seus
semelhantes, com a natureza e o meio ambiente. Parece até que estava antevendo
a novidade incomensurável, que foi chegada entre nós do Papa Francisco,
apresentando sinais evidentes de quem sonha com a renovação da Igreja, através
de gestos e atitudes, vindos de corações sensibilizados e convertidos, uma
Igreja pobre e servidora, no dizer de Dom Helder Câmara.
E citava
o Hartmut Koschyk, Vice-Ministro da Economia Alemã, que ao visitar em 05/05/2012
à Basílica de São Francisco de Assis – Itália, pronunciou as seguintes
palavras: “Seria melhor uma Europa mais franciscana”. Segundo aparece no site www.sanfrancesco.org,
o Vice-Ministro alemão teria afirmado que “o pensamento franciscano é caracterizado
pela fraternidade, bondade e solidariedade, virtudes que podem contribuir para uma
nova ordem ética e econômica”.
Com novo
Papa Francisco, somos chamados ainda mais a olhar para vida do pobrezinho de
Assis, que não significou um abandono do mundo, do seu mundo de então, nas
relações entre as pessoas, ao contrário, podemos ver na sua radical opção de
vida, de um modo claro e explícito, uma dura crítica às forças dominantes do
tempo por ele vivido, apontando para uma nova sociedade, baseada na
solidariedade, com oportunidade para todos.
Francisco
de Assis, na sua “loucura” por Deus e suas criaturas, iniciava uma nova forma
de convívio humano, fazendo entender que qualquer privilégio em relação aos
bens deste mundo, que são dons de Deus, só se justifica, quando se destina a
favorecer os empobrecidos, indefesos, fracos e sofredores de toda sorte.
Lembrava também
que o dia mundial do meio ambiente, comemorando neste dia 05 de junho, no mundo
inteiro, nos faz pensar em um Francisco de Assis, que “chamava irmãos e irmãs
as criaturas, mesmo as últimas, sabendo com clareza que todas e todos procediam
de uma mesma e única fonte” – Deus. Daí
na sua primeira ralação com a natureza, ser não de domínio e posse, mas de
fraterno e terno convívio.
Deus
infinitamente bom, que nos deu o Papa Francisco, nos dê a graça de sempre e
cada vez mais compreender a vida humana na face da terra, aqui posta em questão
no seu sentido último, a partir de Francisco de Assis, a nos dizer que temos que
ter força, no sentido colocar nossos valores e projeto de vida como um todo,
acima dos nossos interesses, num grande mutirão de solidariedade em favor do
planeta.
Portanto,
diante do clamor e de gemido da natureza, á beira do abismo, a humanidade é
chamada e não tem alternativa para evitar sua própria autodestruição, a não ser
fazer sua parte, tendo na mente, nos olhos e no coração, a vida do planeta como
algo sagrado, inspirados no sonho e na força desta figura humana, que abraçou o
projeto de Deus Pai com uma comovedora ternura, tornando-se fascinado por Deus
e por suas criaturas e foi exatamente este fascínio que o tornou extremamente
humano.
Que a
lição de otimismo, herança inestimável, deixada por Francisco de Assis, agora abraçada
pelo Papa, Servo dos Servos de Deus, nos encoraje no nosso desejo de edificar o
reino, grande sonho do Pai.
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza,
Escritor, Membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE),
da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e vice-presidente da
Previdência Sacerdotal.
Pároco de Santo Afonso
Autor
dos livros:
“O
peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder
Câmara);
“A
Ternura de um Pastor” - 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
“A
Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
"Dom
Helder: sonhos e utopias" (o pastor dos empobrecidos).

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