Menos da metade dos alunos brasileiros do 3º ano do ensino fundamental tem as habilidades esperadas em matemática (33,3%), leitura (44,5%) e escrita (30,1%) para essa etapa do ensino básico. Esse é um dos resultados da segunda edição da Avaliação Brasileira do Final do Ciclo de Alfabetização, a Prova ABC, feita pelo movimento Todos Pela Educação em parceria com a Fundação Cesgranrio, o Instituto Paulo Montenegro/Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).
+notícias de educação
A Prova ABC tem como objetivo avaliar a qualidade da alfabetização e do ensino da matemática de crianças nos primeiros anos escolares. Nesta edição, aplicada no final de 2012, foram avaliados 54 mil alunos de escolas públicas e privadas distribuídas em 600 municípios brasileiros. Metade da amostra é de alunos do 2º ano e a outra metade do 3º ano, ano considerado limite para a alfabetização de acordo com o recém-lançado Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic).
O desempenho ruim dos alunos é preocupante. Só as crianças plenamente alfabetizadas têm condições de continuar aprendendo em sua jornada escolar – ou seja, ter seu direito à educação atendido. Para definir os critérios do que é “plenamente alfabetizado”, a prova ABC usa escalas de proficiência do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), com exceção da escrita, que não é avaliada nacionalmente, para a qual foi adotada uma escala de 0 a 100. O nível de proficiência considerado adequado nesse caso é acima de 75 pontos.
Em leitura, os alunos que pontuaram acima de 175 conseguem identificar temas de uma narrativa, localizar informações explícitas, identificar características de personagens em textos como lendas, contos, fábulas e histórias em quadrinhos e perceber relações de causa e efeito contidas nestas narrativas. Em matemática têm o domínio da adição e subtração e conseguem resolver problemas envolvendo notas e moedas. A avaliação da escrita foi feita a partir de redações dos alunos, em que foram avaliadas as competências de adequar o tema ao gênero; a coesão e coerência textuais e o uso das normas gramaticais, pontuação e segmentação de palavras e frases.
Os resultados da avaliação também mostram dois dos maiores desafios da educação brasileira. O primeiro é a grande diferença de desempenho dos alunos entre estados e regiões. Em áreas mais vulneráveis economicamente, o resultado é pior nas três áreas avaliadas. Em matemática, por exemplo, o Amazonas (9,7%) e o Maranhão (10%) são os que têm menor percentual de alunos com 175 pontos ou mais e Minas Gerais (49,3%), Santa Catarina (49%) e São Paulo (48,4%) os que apresentam maior percentual neste nível de aprendizado. A busca pela qualidade da educação passa necessariamente pela equidade. Todos os alunos, independentemente de sua condição social, devem receber educação de qualidade.
O segundo desafio é a chamada defasagem idade-série. O fluxo escolar é um dos principais indicadores da qualidade de um sistema de ensino. No 2º ano, espera-se que estejam matriculados alunos de 7 e 8 anos de idade. No 3º ano, alunos de 8 e de 9 anos de idade. Ao analisar o desempenho de alunos mais velhos, é evidente a queda no desempenho. Em matemática, alunos de 9, 10 e 11 anos matriculados no 2º ano têm proficiência média de 10 a 25 pontos abaixo de seus colegas de 7 e 8 anos de idade. Essa diferença é ainda maior quando comparamos o desempenho de alunos de 10 e 11 anos matriculados no 3º ano com seus colegas de 8 e 9 anos de idade. Em leitura, a diferença é mais acentuada, chegando a 30 pontos, entre alunos de 11 anos matriculados no 2º ano e seus colegas de 8 anos; e a 50 pontos, entre alunos de 11 anos matriculados no 3º ano e seus colegas de 9 anos.
De acordo com o Todos pela Educação, a prova ABC foi aplicada entre novembro e dezembro de 2012, final do ano letivo. A amostra probabilística compreendeu 1.185 escolas urbanas com Ensino Fundamental de 9 anos da rede pública (estaduais e municipais que participaram da Prova Brasil 2011) e privada, distribuídas em 600 municípios brasileiros.
Em cada escola da amostra foram sorteadas duas turmas: uma do 2º ano e uma do 3º ano. Do total, 27 mil alunos eram do 2º ano e 27 mil do 3º ano, sendo que, em cada um destes estratos, metade dos alunos (13.500) fez a prova com questões de matemática e a outra metade a prova com questões de leitura. Todos os alunos fizeram a avaliação de escrita.
Em todos os estados, foi mantida a proporção mínima de 30% dos alunos localizados nas escolas das capitais e o número de alunos em cada estrato da amostra é proporcional ao número de alunos na população que frequentam essas séries.
Todas as escolas sorteadas participaram voluntariamente da prova, com a aplicação realizada por um aplicador externo. Cada prova continha 20 itens (questões de múltipla escolha) de leitura ou de matemática, e um de escrita para que o aluno fizesse uma breve redação sobre um tema único.
A Fundação Cesgranrio foi responsável pela elaboração e aplicação das provas, análise e a adequação dos resultados às escalas Saeb, com a colaboração voluntária do professor Dalton Francisco de Andrade na definição do plano amostral, e contribuições do Inep e do Instituto Paulo Montenegro, responsável pelo Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) da população brasileira.
Revista Época


Nenhum comentário:
Postar um comentário