Carlos Alenquer
A tal base aliada. Segundo os analistas políticos, a sustentação parlamentar do governo (qualquer governo), é coisa complicada de se construir e mais ainda de se manter. As más línguas afirmam que a coisa é mais simples: se o governo dá ministérios, cargos de confiança, aviões da FAB, férias em Cancun – e, mesmo assim, não consegue aprovar o que acredita ser importante, é porque o lema franciscano “é dando que se recebe” não está sendo levado a sério pelo executivo.
Para confirmar suas teses, lembram que o governo pede um plebiscito e o Congresso finge que não é com ele; quer uma Constituinte exclusiva e não consegue entusiasmar nem o ascensorista do Senado; e concluem, analistas e más línguas: pelo andar da carruagem, em 2014 o PMDB estará longe da base aliada. Mas colocam ao mesmo tempo uma grande dúvida: como este governo só transmitirá o poder em janeiro de 2015, o que o partido vai fazer até lá? Oposição? Manifestações de rua? Beicinho? Cartas para a editoria de política. [12/jul/2013]
E continua o bate-boca. Os vetos presidenciais à Lei do Ato Médico têm duas reações distintas: a regulamentação da medicina não pode se subrepor à regulamentação de outras profissões da saúde, dizem as entidades dos enfermeiros; a população quer ser atendida por médicos, e não por profissionais sem a devida capacitação, dizem as entidades médicas. Enquanto isso, nas periferias e nos bolsões de miséria… [12/jul/2013]
Agora, os adultos. Protestos com queima de pneus nas estradas, falta de ônibus em algumas cidades, passeatas dentro dos limites da lei que a polícia estabelece, vale dizer pacíficas – e nenhuma participação do que se convencionou chamar de vândalos. Eventualmente, metrô parado (ou trem suburbano, como é caso de Belo Horizonte). Tudo sem incidentes.
As bandeiras são as mesmas. A novidade é que, em alguns momentos, foram ouvidas vozes de estudantes pedindo o que devem pedir, qualidade de ensino, e de camponeses pedindo o que realmente querem, a resistente reforma agrária.
É a volta da aliança operário-estudantil-camponesa, pelo visto. [12/jul/2013]
Os sem-consultório. É sabido que faltam médicos na periferia; é do conhecimento público, também, que o PSF-Programa de Saúde da Família tem vagas desde muito tempo para os doutores que desejam trabalhar em pequenas comunidades; mais do que tudo, é óbvio que faltam condições de trabalho ideais em regiões dessasistidas – e isso não é de hoje.
O que resta perguntar, nesse cabo-de-guerra entre entidades médicas e governo federal, é o seguinte: a proposta de trazer médicos do exterior (nada de cubanos, por favor), se justifica como forma de suprir a falta de atendimento nos bolsões de pobreza – ou a importação de profissionais não vai resolver nada, já que não há condições ideais de trabalho nesses lugares?
Em outras palavras: vale a pena ter médicos visitando os doentes ou é melhor deixar como está para ver como é que fica?
Para os opositores da ideia, é preferível esperar que os governos (posto que a responsabilidade é de todos os níveis da administração pública) primeiro montem uma infraestrutura decente de hospitais e postos de saúde antes de mandar os médicos (estrangeiros ou brasileiros) lá pra onde o Judas perdeu as botas. Mais ou menos como os políticos estão fazendo com a reforma política: empurram o assunto com a barriga até que a voz das ruas volte a assustá-los em seus gabinetes. Ou, no caso, em seus consultórios. [11/jul/2013]
Lembrete. Alguém precisa lembrar ao time do Atlético que, se continuar jogando mal fora de casa (como vem jogando) com a esperança de que o adversário caia no Horto, depois de “reverter o resultado” e levar a decisão para a “loteria dos pênaltis”, vai levar sua torcida a seguidos ataques cardíacos – caso consiga ganhar a Libertadores.
O sonhado jogo com o Bayern de Guardiola – é bom lembrar – não será no Independência. [11/jul/2013]
Carlos Alenquer começou como jornalista (repórter e redator de rádios e jornais) em Fortaleza, depois no Rio e em Belo Horizonte. Migrou para a propaganda, mas continuou colaborando em vários jornais e revistas. Tem dois livros publicados: Anúncios (Achiamé, Rio) e 21 Poemas (Mazza, BH).
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