
Ele tem esculturas na Praça da Sé e no Jardim das Esculturas, do Parque Ibirapuera (SP); no Parque da Catacumba (RJ); e no Palácio das Artes (MG), para ficar entre as obras de grande porte. Em 1975, recebeu o prêmio de melhor escultor da Associação Paulista de Críticos de Artes (APCA). Ao longo da sua carreira, participou de vários eventos importantes como a Bienal Internacional de São Paulo, Bienal Internacional de Escultura ao Ar Livre, na Bélgica, e Bienal de Veneza (Itália).
Austríaco radicado no Brasil, Franz Weissmann ficou conhecido no País por suas obras colocadas em lugares públicos
Não por acaso, o austríaco radicado no Brasil, Franz Weissmann (1911-2005), está representado na exposição Trajetórias - Arte brasileira na coleção Fundação Edson Queiroz, em cartaz até 8 de dezembro no Espaço Cultural Unifor, com as peças Coluna em fio (1983) e Aço pintado de amarelo (2001).
Junto com outros artistas - a exemplo de Amilcar de Castro, Ferreira Gullar, Lygia Clark e Lygia Pape - Weissmann foi um dos fundadores do Grupo Neoconcreto (1959), cujo manifesto homônimo marcou o estabelecimento do neoconcretismo no País, situado exatamente na passagem da arte moderna para a contemporânea.
Em oposição à ortodoxia geométrica do concretismo, o neoconcretismo propunha a liberdade de experimentação, o retorno às intenções expressivas e o resgate da subjetividade, além da incorporação efetiva do observador - que, ao tocar e manipular as obras, torna-se parte delas.
Esses aspectos são verificados, por exemplo, na presença de fendas e aberturas das esculturas, ao criar uma relação entre materialidade e imaterialidade, entre obra, espectador e o mundo ao redor. Em Franz Weissmann, a geometria também aceita a cor e a escultura se aproveita das características da fisicalidade dos materiais, que ora ganham cores expansionistas (como amarelos e vermelhos), ora usam a luz do brilho dourado de uma linha.
Trajetória
Nascido em Knittefeld, Áustria, Weissmann chegou com os pais ao Brasil aos 10 anos de idade, para morar no interior de São Paulo. Em 1927, a família mudou-se para a capital e, dois anos depois, para o Rio de Janeiro, onde o então jovem fez o curso preparatório para a Escola Politécnica. Ao mesmo tempo, trabalhava com o irmão na fábrica de carrocerias de ônibus do pai.
Curiosamente, foi em Belo Horizonte onde montou seu primeiro ateliê, em 1937, período em que recebeu várias encomendas de bustos e mausoléus de personalidades públicas. Pouco depois, ingressou na Escola Nacional de Belas Artes, onde estudou arquitetura e pintura. Em busca de um pensamento menos acadêmico, estudou desenho e escultura em pedra com August Zamoysk.
Um importante reconhecimento do seu trabalho veio nessa época, quando o pintor brasileiro Alberto da Veiga Guignard (1896-1962) lhe convidou a participar da constituição da primeira escola de arte moderna de Belo Horizonte, idealizada por Juscelino Kubitschek, então prefeito da cidade.
Weissmann permaneceu na capital mineira até 1956, onde contribui para formar toda uma geração de artistas, entre nomes como Amilcar de Castro, Farnese de Andrade e Mary Vieira. Nesse período, fez sua primeira exposição individual, com aquarelas e desenhos, comentada por Mário Pedrosa, e recebeu, no Rio de Janeiro, o primeiro prêmio de desenho no Salão Nacional de Arte Moderna.
Ainda em Belo Horizonte, dedicou-se às primeiras esculturas geométricas e experiências no construtivismo, trabalhando com bronze, argila e fios de aço explorando a forma do cubo no espaço vazio. Um significativo resultado veio em 1951, quando recebeu o Prêmio Matarazzo de Escultura no Salão de Arte Moderna, no Rio de Janeiro. No mesmo ano, participou da 1ª Bienal Internacional de São Paulo.
Weissman foi premiado nas três edições consecutivas do evento (1953, 1955 e 1957); nesse meio tempo, passou a integrar o Grupo Frente, naturalizou-se brasileiro e se transferiu definitivamente para o Rio de Janeiro, onde montou novo ateliê.
Internacional
Logo após assinar o Manifesto Neoconcreto, em 1959, partiu em viagem para a Europa com a família. O roteiro incluiu Espanha, França, Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica Holanda e Suíça. Nesse período, Weissmann participou da Konkrete Kunst, remontagem da Exposição Internacional de Arte Concreta organizada por Max Bill. No final do mesmo ano, retornam ao Brasil.
Em 1960, nova viagem, dessa vez para o Japão e a Índia. Em seguida, reside uma temporada em Paris e permanece longo período em Irun (Espanha), na casa do escultor Jorge Oteiza. Termina por fixar residência e ateliê na Casa do Brasil, em Madri.
Ao longo das décadas seguintes, Weissmann acumula exposições, participações em eventos e prêmios, em uma profícua carreira que o coloca como um dos nomes mais importantes da arte brasileira. Nessa trajetória, vale destacar momentos como a recusa em participar, junto com outros colegas, da X Bienal Internacional de São Paulo, em solidariedade ao boicote internacional que protestava contra a ditadura no Brasil.
Outro momento significativo é a participação na 11ª Bienal de Escultura ao Ar livre em Antuérpia, Bélgica. Em 1977, participa do "Projeto Construtivo Brasileiro na Arte na Pinacoteca do Estado de São Paulo e MAM do Rio de Janeiro". Dois anos depois, é homenageado pelo jornal O Globo, que lhe concede título de "Carioca Honorário", pela "humanização da paisagem trazida por suas esculturas a locais públicos do Rio".
Até o fim da vida, Weissmann produziu conteúdos inéditos e participou de mostras e exposições. Faleceu em 2005, no dia 18 de julho, em sua residência no Rio. Atualmente, a obra e o legado do artista podem ser conhecidos no site oficial mantido pela Weissmann e Weissmann Ltda., empresa fundada no Rio de Janeiro por ele e Waltraud Weissmann. O conteúdo inclui a catalogação digital dos projetos técnicos, fotos e textos críticos referentes às obras e sua parcial disponibilização para consulta pública.
Exposição
Em cartaz desde 22 de março no Espaço Cultural Unifor, a exposição "Trajetórias - Arte brasileira na coleção Fundação Edson Queiroz" reúne mais de 250 obras da instituição, dos principais nomes da arte no País. A coleção contempla diferentes períodos, cenas locais, estilos e escolas. Trata-se de um dos mais importantes acervos brasileiros mantido por uma universidade privada.
Mais informações
Exposição "Trajetórias - Arte brasileira na coleção Fundação Edson Queiroz", no Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz). Aberta à visitação até 8 de dezembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, sábados e domingos, das 10h às 18h. Estacionamento grátis.
Contato: (85) 3477.3319
Diário do Nordeste
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