Padre Geovane
saraiva*
A palavra de
Deus nos ensina a descobrir o sentido da vida, em tudo aquilo de que
necessitamos para viver, colocando dentro de nós, no nosso interior a luz
Cristo, no caminho que temos que percorrer, a exemplo daquele que é o pai
espiritual do nosso querido Papa Francisco, que neste dia 31 de julho a Igreja celebra
sua entrada na glória, Santo Inácio de Loyola (1491-1556), grande mestre da oração, fundador da Companhia de Jesus, pregador e pastor do povo de Deus, que
nos ajuda a recordar que é importante uma fé confiante e absoluta,
ensinando-nos também a compreender que a graça de Deus nos torna pessoas livres, diante do projeto que Deus Pai, coloca em nossas mãos como missão, para o bem do
próximo, no exemplo do nosso Augusto Pontífice. E ainda mais, que na sua condição de pai espiritual, nos mostra que a
misericórdia divina caminha ao encontro daqueles que buscam o conhecimento de
Deus, na contemplação, na oração e na
meditação.
As pessoas,
ávidas de querer saber o sentido do bem e do mal, alegria e tristeza, bem estar
e sofrimento, vida e morte, muitas vezes se sentem perdidas e vazias, mesmo nos dias
atuais, e não encontram uma explicação plausível, nesta vida, tão marcada pelo
inseparável dualismo. Mas o próprio Deus, que suscitou em sua Igreja a figura
de Inácio de Loyola, para propagar a glória de seu nome, e ao mesmo tempo,
ensinar combater as ciladas do inimigo e ultrapassar os desafios, sofrimentos e
dúvidas, nos ajuda a encontrar respostas para tais interrogações.
Aqui estamos diante de homem de Deus, que entre poucos, teve uma influência tão vasta e gigantesca no decorrer da
história da Igreja e da sociedade em geral, de maneira luminosa, colocando sua inteligência e projeto de vida a serviço da humanidade, Santo Inácio de
Loyola. Ele que nasceu na Espanha e viveu de (1491-1556), primeiramente na
corte e no seguimento da carreira militar. Depois, enquanto se restabelecia dos
sofrimentos de uma batalha, dedicou-se à leitura da vida do Filho de Deus, que
o seduziu, a ponto de tomar a decisão de consagrar-se, viver totalmente para
ele, escolhendo como lema e projeto de vida: – Ad maiorem Dei gloriam – “Tudo para
a maior glória de Deus” (1Cr 10, 31).
Foi por ocasião
de uma peregrinação à terra santa, viagem profundamente abençoada, num clima a
lhe favorecer a penitência, que ao voltar à Espanha, sua terra natal, percebeu
sua utilidade na construção do Reino de Deus. Já com trinta anos, entregou-se
aos estudos das línguas, da Filosofia e da Teologia, primeiro em sua própria
pátria. E em seguida, foi ao maior
centro cultural de seu tempo, a França, estudar na Universidade de Paris.
O jovem Inácio de Loyola voltou-se para Deus,
na meditação dos mistérios divinos, também na solidão, privações, angústias e,
consequentemente, no sofrimento, procurou traçar as linhas gerais de seu livro
de oração, os “Exercícios Espirituais”, tornando-o depois, o código de ascese e
de austeridade dos cristãos em todo mundo.
A companhia de
Jesus, fiel ao Evangelho e acima de tudo, movida pela ação do Espírito Santo,
com aquela força, mística e energia divina, floresceu e sua influência foi
grandiosa na caminhada da Igreja e no processo histórico da civilização humana,
dentro do ideal e do espírito de seu fundador, Santo Inácio de Loyola, marcando
a nossa história, seja pelos seus escritos ou pela sua intensa atividade
apostólica, muito contribuindo na instauração do Reino de Deus, na Reforma da
Igreja.
Inácio de Loyola abriu novos caminhos, levando
a boa notícia da Salvação por toda extensão da terra, procurando ser fiel ao apóstolo dos gentios: “Ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e
abaixo da terra, e toda língua proclame bem alto, para glória de Deus Pai, que
Jesus Cristo é o Senhor” (Fl 2, 10-11). O Brasil começou a colher os frutos do
seu trabalho, através dos missionários jesuítas, com ele ainda vivo, na
catequese e do apostolado missionário.
A Companhia de
Jesus, no seu compromisso de fidelidade a Jesus Cristo, no anúncio do
Evangelho, passou por perseguições no século XVII, culminando, por razões
ideológicas e políticas, com a decisão de Marquês de Pombal, no ano de 1759, ao
decretar a expulsão dos Jesuítas de todos os territórios portugueses, mas
apesar de tudo, superou as adversidades. Eles foram e continuam sendo um grupo
de homens corajosos e determinados na fé - religiosos e apóstolos, filhos de
Santo Inácio, que se encantaram no serviço do Reino, como Deus Nosso Senhor
mesmo disse: “Vim trazer fogo à terra; só desejo que se acenda” (Lc 12, 49). O
grande sonho e desejo de Inácio de Loyola se concretizou, no maravilhoso e belo
trabalho, de levar a boa nova da salvação as mais longínquas regiões do
planeta, a partir do seu lema: “Tudo para maior glória de Deus”.
Eis um
“projeto”, diferenciado dos nossos projetos. Não raras vezes, nossas decisões e
projetos, simplesmente, estão acompanhados de egoísmo, com a finalidade de
enaltecer a nossa própria autossuficiência e vaidade. Para vivermos bem a vida
e motivados, no seguimento de Jesus de Nazaré, há sim, renúncias e exigências
que nascem de Deus e do seu projeto de amor para conosco e aqui temos como
figura exemplar Inácio de Loyola. Que Deus seja louvado pelo edificante
trabalho dos Jesuítas, presença que marcou profundamente o povo brasileiro e que agora se fortalece nos gestos de humildade, simplicidade e amor ao próximo, através do Papa Francisco, que acaba de realizar sua visita missionária ao Brasil, na ocasião da JMJ/2013. Bendito seja Deus nas suas santas criaturas!
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza,
escritor, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia
de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da
Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com.
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