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GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ MORRE DE CÂNCER NO MÉXICO, DEPOIS DE LUTAR 15 ANOS CONTRA UM CÂNCER
Por Winston Manrique Sabogal *
Sob um temporal extraviado, em 6 de março de 1927, nasceu Gabriel José García Márquez. Hoje, quinta-feira, 17 de abril de 2014, aos 87 anos, morreu o jornalista colombiano e um dos maiores escritores da literatura universal. Autor de obras clássicas como Cem Anos de Solidão, O Amor nos Tempos do Cólera, Ninguém Escreve ao Coronel, O Outono do Patriarca e Crônica de uma Morte Anunciada, foi o criador de um território sempre eterno e maravilhoso chamado Macondo.
Nasceu na caribenha Aracataca, uma aldeia colombiana, em um domingo romanceável, e a partir daí o menino viveria uma infância à qual voltou muitas vezes e que o transformou em um dos grandes escritores de todos os tempos. Começou a escrever ficção em 1947, com o conto A Terceira Resignação; a glória chegou em 1967, com Cem Anos de Solidão, e sua confirmação em 1982, com o Nobel de Literatura. Agora, o afilhado mais extraordinário de Melquíades se foi, para ficar entre nós um homem que criou uma nova forma de narrar; um escritor que criou um universo e uma linguagem próprios, ampliando os limites da literatura; um jornalista que amava sua profissão, mas odiava as perguntas; uma pessoa que adorava os silêncios, e com um encanto que cativou intelectuais e políticos de várias gerações e enfeitiçou milhões de leitores em todo o mundo e de toda origem.
García Márquez, conhecido como Gabo por seus amigos, começa como jornalista no diário El Universal, de Cartagena, em 1948; continua no El Heraldo, de Barranquilla, e depois no El Espectador, de Bogotá. Ryszard Kapuscinski afirmou que, apesar de admirá-lo por seus romances, considerava que “sua grandeza reside em suas reportagens. Seus romances provêm de seus textos jornalísticos. É um clássico da reportagem com dimensões panorâmicas, que procura mostrar e descrever os grandes campos da vida e dos acontecimentos. Seu grande mérito consiste em demonstrar que a grande reportagem é também grande literatura”.
Discípulo da avó e de Kafka
Enquanto trabalha como jornalista, escreve contos e não desgruda de um romance em andamento, um calhamaço que leva a todas as partes, intitulado A Casa. Em 1954, escreve no El Espectador a famosa reportagem Relato de um Náufrago, publicada em capítulos. No ano seguinte publica o seu primeiro romance, A Revoada (O Enterro do Diabo). Depois, viaja à Europa como correspondente desse diário de Bogotá e percorre o continente, inclusive os países da “cortina de ferro”.
Até que se instala em 1961 na Cidade do México, onde se estabelece com seus amigos, os casais Álvaro Mutis-Carmen Miracle e Jomí García Ascot-María Luisa Elío (dois espanhóis exilados da guerra). Um dia, Mutis lhe dá dois livros: “Leia esse troço para aprender como se escreve”. Eram Pedro Páramo e Chão em Chamas, de Juan Rulfo. Nesse mesmo ano, em Paris, enquanto espera seus pagamentos e em meio a apuros econômicos, evoca em suas lembranças as vivências do seu avô e produz Ninguém Escreve ao Coronel.
“Foi a sua avó quem lhe permitiu descobrir que seria escritor?”, lhe perguntou nos anos 70 seu amigo e colega Plinio Apuleyo Mendoza.“Não, foi Kafka, que, em alemão, contava as coisas da mesma maneira que a minha avó. Quando li aos 17 anos A Metamorfose descobri que seria escritor. Ao ver que Gregor Samsa podia despertar certa manhã transformado em um gigantesco escaravelho, eu disse para mim mesmo: ‘Eu não sabia que era possível fazer isto. Mas se é assim, escrever me interessa’.”
Mil anos de ilusão
Macondo é o território literário onde transcorre grande parte de sua criação. Aparece pela primeira vez no conto Monólogo de Isabel Vendo Chover em Macondo, de 1955. Mas a fama e o prestígio chegam com Cem Anos de Solidão, em1967. Rapidamente o romance se torna um clássico lido e querido pelos leitores, com um dos começos literários mais maravilhosos, recordados e recitados de memória: “Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos”.
Aquele dia de maio de 1967 em que o romance saiu em Buenos Aires foi o resultado de quatro anos de seca literária e de trabalhar como roteirista de cinema e em publicidade. O embrião é A Casa. Páginas que não terminam de ganhar forma, até que um dia, enquanto García Márquez viaja num Opel branco com sua esposa e dois filhos para férias em Acapulco, vê com clareza como deveria escrever a obra: transcorreria em uma aldeia; e descobre o tom: o de sua avó, que contava coisas prodigiosas com expressão impassível; e as histórias: muitas das contadas por seu avô na Guerra dos Mil Dias, travada na Colômbia (1899-1902). Então dá meia-volta e regressa no Opel branco para sua casa de San Ángel Inn, na Cidade do México. Foi o sopro divino, dos anos de leitura e paixão, dado por Kafka, Faulkner, Sherazade, Rulfo, Verne, Woolf, Hemingway, Homero… e seus avós Tranquilina e Nicolás.
Sem amarras para escrever
Assim que chega, pega suas economias – 5.000 dólares – e as entrega à mulher para a manutenção da casa enquanto se dedica a escrever. “A Cova da Máfia” é o cômodo da sua casa onde, na primavera de 1965, se exila com a enciclopédia britânica, livros de todo tipo, papel e uma máquina de escrever Olivetti. Vive e desfruta desse arroubo de inspiração escrevendo até as oito e meia da noite ao ritmo dos Prelúdios, de Debussy, e A Hard Day’s Night, dos Beatles.
A redação avança, e em setembro ele conta a sinopse do romance a María Luisa Elío. Por seu entusiasmo a transforma em sua cúmplice, de tal maneira que a ela e ao marido dedicaria o romance. Os casais García-Elío e Mutis-Miracle, que o visitam quase todas as noites, vivem a evolução do romance enquanto ele os consulta sobre todo tipo de coisa.
No outono boreal de 1965, o dinheiro acaba e as dívidas rondam. García Márquez pega então o Opel branco e vai até o Montepio para penhorá-lo. É uma nova tranquilidade para continuar escrevendo, aumentada pelas visitas de seus amigos, que aparecem na casa com compras de mercado.
Com a chegada do inverno, o ritmo da narrativa leva à morte o coronel Aureliano Buendía, depois de ter se salvado de um pelotão de fuzilamento, participado de 32 guerras, tido 17 filhos com 17 mulheres e terminado seus dias fazendo peixinhos de ouro. Ele passa seus últimos minutos na terra urinando junto à castanheira, enquanto busca a lembrança da chegada do circo, e com a testa apoiada na árvore enquanto ao seu redor revoam as formigas aladas.
A saga do coronel Buendía
Põe o ponto final e se entrega ao pranto. Era o personagem inspirado no seu avô Nicolás, com quem viveu até os 8 anos e com quem havia descoberto as guerras e um dicionário enorme na casa. E chora, chora como nem sequer em suas obras está escrito. Tinha 39 anos Gabriel García Márquez quando, nessa manhã de 1966, saiu da Cova da Máfia, atravessou a casa e se derramou em lágrimas sobre a cama matrimonial, como um menino órfão. Sua mulher, Mercedes Barcha, ao vê-lo tão desamparado, soube do que se tratava: o coronel Aureliano Buendía acabava de morrer.
Um luto perpétuo para o escritor, que, em 5 de junho de 1967, o vê recompensando ao saber que essa história comandada pelo coronel, sob o título de Cem Anos de Solidão, inicia sua universal festa literária em Buenos Aires, na editora Sudamericana, dirigida por Francisco Porrúa. Todos querem conhecer a saga dos Buendía em Macondo, essa terra onde realidade, ficção, o além e a imaginação encontraram a alquimia da convivência para contar a Vida. “Sua situação é paradoxal quanto à história de Macondo –que dura cem anos: atravessa todas as idades da Terra, desde a pré-história até o Apocalipse. História e mito se entrelaçam, e o paradoxal se enche de valor paradigmático”, explicou Marta L. Canfiel, da Universidade de Nápoles.
Essa obra dá impulso à universalização do boom do romance latino-americano. “Verdadeiramente, foi a partir do triunfo escandalosamente sem precedentes de Cem Anos de Solidão", afirmaria José Donoso em História Pessoal do Boom.
O reconhecimento universal
Em meio à algaravia, García Márquez vai morar em Barcelona, onde consolida a amizade com autores como Carlos Fuentes, Mario Vargas Llosa e Julio Cortázar. O sucesso é retumbante, e transborda para outros idiomas. Depois passa a escrever para esquecer o que escreveu, a começar por O Outono do Patriarca (1975), um exercício para sair da sombra de Cem Anos de Solidão. Na época já é muito ativo em relação à causa cubana e está mais presente na Colômbia. Em 1981 publica Crônica de Uma Morte Anunciada.
Em 1982 recebe o Nobel. Está no México e de madrugada lhe anunciam o prêmio. Com 55 anos, se transforma em um dos escritores mais jovens a receber a honraria máxima da literatura. Em dezembro, rompe com a tradição ao receber o prêmio vestido de liquiliqui [traje típico da Colômbia] e pronunciar um dos mais lembrados discursos de aceitação, Brinde à Poesia (também conhecido como A Solidão da América Latina). Um aceno aos seus primeiros passos no terreno da literatura:
“Em cada linha que escrevo procuro sempre, com maior ou menor sorte, invocar os espíritos esquivos da poesia, e procuro deixar em cada palavra o testemunho de minha devoção por suas virtudes de adivinhação, e por sua permanente vitória contra os surdos poderes da morte.”
Três anos depois, conclui a história de amor de seus pais (Gabriel Eligio e Luisa Santiaga), O Amor nos Tempos do Cólera, seu livro favorito e pelo qual acreditava que seria lembrado. Depois publicaria ainda O General em seu Labirinto (1989) e Do Amor e Outros Demônios (1994).
Em 1994 realiza um de seus sonhos, em Cartagena de Indias: a criação da Fundação para o Novo Jornalismo Ibero-Americano. São os anos de seu retorno ao jornalismo. Ao princípio de tudo. Participa na Colômbia como sócio do novo telejornal QAP e anos mais tarde adquire os direitos para seu país da revista espanhola Cambio 16.
O começo do fim
Em 1999, em meio ao fragor jornalístico, recebe o diagnóstico de um câncer linfático. Tudo isso enquanto termina de escrever suas memórias, Viver para Contar. Quando pôs o ponto final, se deparou com a morte da mãe. Num domingo ela o trouxe ao mundo; e num domingo ela o deixou. Foi na noite de 9 de junho de 2002, fechando-se assim outro ciclo na vida de um dos escritores contemporâneos mais admirados e traduzidos no mundo, mais de 40 milhões de livros vendidos em mais de 30 idiomas.
Treze anos havia levado o Nobel colombiano para chegar a esse ponto final do primeiro volume de suas memórias. Treze anos nos quais havia repassado suas recordações enquanto escrevia mais livros, voltava ao jornalismo e lhe acontecia de tudo, inclusive manter sob controle o câncer linfático. E quando o destino pressagiava uma festa do interior pelo encontro literário entre os García Márquez e os moradores de Macondo nessas memórias, este voltou a se desviar com o falecimento de Luisa Santiaga Márquez Iguarán.
Uma morte que cobre de luto, outra vez, a vida de Gabo. Sua mãe passava a fazer parte da presença das grandes ausências, junto com o pai dela, Nicolás Ricardo Márquez Mejía, avô do escritor. Uma ausência que o acompanhou desde os dez anos e que deixou incompletas todas as suas alegrias posteriores, “pelo simples fato de que o avô não soube delas”, escreve Dasso Saldívar na biografia Viaje a la Semilla.
A ele deve em grande parte o fato de ter se tornado o discípulo mais extraordinário de Melquíades –o homem a quem deu vida para que profetizasse com um século de antecedência o destino de Macondo em Cem Anos de Solidão.
Uma vida, uma tristeza, uma alegria
Uma vida, uma tristeza, uma alegria, um futuro que tiveram um momento embrionário em 1950, quando, estando em Barranquilla, sua mãe lhe pediu que a acompanhasse na venda da casa dos avós em Aracataca. Uma viagem que foi “a decisão mais importante de quantas tive de tomar em minha carreira de escritor. Quer dizer: em toda a minha vida”. Lá cristalizou o gênio que viria a ser. Foi seu vagalume na memória e no seu território criativo, o qual atraiu muitos outros, que foram acendendo seu mundo literário pouco a pouco, em contos de enredos simples, com uma voz convincente e magistral.
E, se não fosse escritor, o que Gabriel García Márquez gostaria realmente de ter sido também tem a ver com o amor, presente em todas as suas obras. Ele soube disso há muito tempo, em Zurique, quanto uma tempestade de neve digna de Tolstói o levou a se refugiar em um bar. Seu irmão Eligio recordaria como Gabo lhe contou o fato:
“Tudo estava na penumbra, um homem tocava piano na sombra, e os poucos clientes que havia eram casais de namorados. Nessa tarde soube que, se não fosse escritor, gostaria de ter sido o homem que tocava piano sem que ninguém lhe visse o rosto, só para que os namorados se amassem mais.”
Entre realidades, desejos, sonhos, alegrias, agradecimentos e, sobretudo, imaginações, Gabriel García Márquez está agora no mesmo lugar aonde ele levou Esteban no seu inesquecível conto O Afogado Mais Bonito do Mundo, depois que nas pessoas da aldeia “se abriram as primeiras fendas de lágrimas no coração”... Uma vez comprovado que estava morto, “não tiveram necessidade de se olharem uns aos outros para perceberem que já não estavam completos nem voltariam a estar jamais”... O rumor do mar traz a voz do capitão daquele barco que em catorze idiomas diz, apontando para o mundo, por cima do promontório de rosas amarelas no horizonte do Caribe: “Olhem para lá, onde o vento está agora tão manso que se põe a dormir debaixo das camas; lá, onde o sol brilha tanto que os girassóis não sabem para onde girar; sim, lá fica a aldeia de Gabriel García Márquez.
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* Winston Manrique Sabogal escreve para o El País, onde este artigo foi publicado originalmente
Seis latinos já conquistaram Nobel de Literatura
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O PRÊMIO É CONCEDIDO PELA ACADEMIA SUECA POR RELEVANTES CONTRIBUIÇÕES NO ÂMBITO DAS LETRAS.
Montevidéu (AFP) - Seis escritores latino-americanos ganharam o Prêmio Nobel de Literatura concedido anualmente pela Academia Sueca por relevantes contribuições no âmbito das letras: Gabriela Mistral, Miguel Ángel Asturias, Pablo Neruda, Gabriel García Márquez, Octavio Paz e Mario Vargas Llosa.
A chilena Gabriela Mistral (1889-1957), agraciada em 1945, foi a primeira mulher americana a receber a distinção. A poeta, diplomata, feminista e pedagoga, autora de "Tala" e "Desolación", foi premiada por sua poesia lírica.
O guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1899-1974) recebeu o Nobel em 1967, em especial por suas obras literárias arraigadas nos povos indígenas da América Latina, segundo a Academia. O escritor, jornalista, diplomata, poeta e romancista é conhecido por seus livros "O senhor presidente" e "Hombres de maíz".
Um segundo chileno foi premiado com o Nobel em 1971. Pablo Neruda, autor de uma poesia que "dá vida ao destino e aos sonhos de um continente", justificou a Academia Sueca. Neruda (1904-1973), também político e diplomata, produziu uma vasta obra, com destaque para "Vinte poemas de amor e uma canção desesperada" e sua autobiografia "Confesso que vivi", entre outros trabalhos.
Premiado em 1982, o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) foi um dos principais nomes da literatura latino-americana. O autor de "Cem anos de solidão", romance considerado um clássico da literatura em espanhol pela Real Academia Espanhola, recebeu o Nobel "por seus romances e contos, nos quais o fantástico e o real se combinam em um mundo ricamente composto de imaginação".
O quinto ibero-americano agraciado foi o mexicano Octavio Paz (1914-1998), em 1990. Esse poeta, ensaísta e diplomata, de grande influência na literatura do século XX, é famoso por suas obras "Salamadra", "Vuelta" e "O labirinto da solidão".
O peruano Mario Vargas Llosa (1936) foi o último escritor da América Latina a ganhar o Nobel. Ele foi premiado em 2010. Intelectual e jornalista que também enveredou pela política, é autor de "A casa verde", "Conversa na catedral", "Pantaleão e as visitadoras" e "A festa do bode", entre outros títulos de uma ampla produção que inclui romances, contos, ensaios, autobiografia e teatro.
O Prêmio Nobel de Literatura é concedido em Estocolmo desde 1901, à exceção das interrupções durante as guerras mundiais.
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AFP
Imprevisto, Imprevisível e Inevitável
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QUANDO AS AUTORIDADES NÃO FAZEM O MÍNIMO PELAS ESTRUTURAS, ESTAMOS MUITO PRÓXIMOS DO CAOS.
Por Max Velati*Para os gregos, a deusa Destino – Ananke - era muito especial. De acordo com algumas tradições Ananke era filha do Caos e da Noite. Sua divindade era de uma natureza tão especial que até mesmo Zeus estava sujeito a seus caprichos misteriosos. Nem mesmo o senhor do Olimpo estava protegido do Destino, porque ninguém está protegido do que é Imprevisível. Ananke era por definição a deusa do Inevitável.
Foi a Igreja Católica quem rompeu o acordo entre o homem e a deusa Destino. De algum modo fomos convencidos de que, mesmo nas mãos de Deus, temos toda a responsabilidade sobre o nosso destino individual e coletivo. E devemos entender que aquilo que fazemos e o que recebemos está regulado por uma lei que pretende possuir a solidez e a precisão de uma lei científica.
Com certeza da fé e com a disciplina da Ciência cultivamos uma crença solene de que podemos lidar com imprevistos, mas a verdade é que há uma distinção importante entre o imprevisto e o imprevisível e não estamos preparados para aceitar a vida como sendo essencialmente imprevisível.
Nas grandes cidades, a diferença entre o imprevisto e o imprevisível é fundamental.
Os grandes centros urbanos oferecem ao cidadão uma "estrutura" na forma de produtos e serviços. Essa estrutura é “aberta” e, com isso, quero dizer que é vulnerável, sujeita a variáveis importantes que podem modificar a natureza e a qualidade dos produtos e serviços que o cidadão recebe. Se a estrutura é aberta e sujeita a variáveis, isso significa que produtos e serviços podem melhorar ou piorar. Também significa que podem piorar até tornarem-se enfermidades. Nesse caso, o produto ou serviço que antes representava um benefício acaba se transformando em um malefício e por fim podem atuar como agentes disseminadores da enfermidade da qual padecem. Um exemplo concreto é quando as forças criadas para manter a ordem acabam por tornarem-se elas próprias agentes da desordem; o policial que se transforma em criminoso, o juiz que corrompe a lei... Esses seriam exemplos de um benefício que contraiu uma grave enfermidade.
Quando as autoridades, os políticos e os técnicos se debruçam sobre um problema urbano, procuram – ou esperamos que procurem – elaborar um plano de ação que solucione o problema e para isso levantam – ou esperamos que levantem – o maior número possível de variáveis. No projeto ideal nada é deixado ao acaso, mas a verdade é que o problema sempre é o acaso.
O acaso e o imprevisto.
Todas as estruturas das grandes cidades são criadas na certeza de que os imprevistos serão de alguma forma contornados ou solucionados. Ninguém está disposto a admitir que o Imprevisível está sempre além do nosso comando e sempre esteve.
Quando as autoridades, os políticos e os técnicos não fazem sequer o mínimo para garantir a saúde das estruturas, dos serviços e dos produtos, estamos muito perto do Caos e as chances de nos aproximarmos do Inevitável são perigosamente grandes.
Foi a Igreja Católica quem rompeu o acordo entre o homem e a deusa Destino. De algum modo fomos convencidos de que, mesmo nas mãos de Deus, temos toda a responsabilidade sobre o nosso destino individual e coletivo. E devemos entender que aquilo que fazemos e o que recebemos está regulado por uma lei que pretende possuir a solidez e a precisão de uma lei científica.
Com certeza da fé e com a disciplina da Ciência cultivamos uma crença solene de que podemos lidar com imprevistos, mas a verdade é que há uma distinção importante entre o imprevisto e o imprevisível e não estamos preparados para aceitar a vida como sendo essencialmente imprevisível.
Nas grandes cidades, a diferença entre o imprevisto e o imprevisível é fundamental.
Os grandes centros urbanos oferecem ao cidadão uma "estrutura" na forma de produtos e serviços. Essa estrutura é “aberta” e, com isso, quero dizer que é vulnerável, sujeita a variáveis importantes que podem modificar a natureza e a qualidade dos produtos e serviços que o cidadão recebe. Se a estrutura é aberta e sujeita a variáveis, isso significa que produtos e serviços podem melhorar ou piorar. Também significa que podem piorar até tornarem-se enfermidades. Nesse caso, o produto ou serviço que antes representava um benefício acaba se transformando em um malefício e por fim podem atuar como agentes disseminadores da enfermidade da qual padecem. Um exemplo concreto é quando as forças criadas para manter a ordem acabam por tornarem-se elas próprias agentes da desordem; o policial que se transforma em criminoso, o juiz que corrompe a lei... Esses seriam exemplos de um benefício que contraiu uma grave enfermidade.
Quando as autoridades, os políticos e os técnicos se debruçam sobre um problema urbano, procuram – ou esperamos que procurem – elaborar um plano de ação que solucione o problema e para isso levantam – ou esperamos que levantem – o maior número possível de variáveis. No projeto ideal nada é deixado ao acaso, mas a verdade é que o problema sempre é o acaso.
O acaso e o imprevisto.
Todas as estruturas das grandes cidades são criadas na certeza de que os imprevistos serão de alguma forma contornados ou solucionados. Ninguém está disposto a admitir que o Imprevisível está sempre além do nosso comando e sempre esteve.
Quando as autoridades, os políticos e os técnicos não fazem sequer o mínimo para garantir a saúde das estruturas, dos serviços e dos produtos, estamos muito perto do Caos e as chances de nos aproximarmos do Inevitável são perigosamente grandes.
*Max Velati trabalhou muitos anos em Publicidade, Jornalismo e publicou sob pseudônimos uma dezena de livros sobre Filosofia e História para o público juvenil. Atualmente, além da literatura, é chargista de Economia da Folha de São Paulo.
Brigitte está se desmanchando?
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AOS 80 ANOS, BARDOT VOLTA AOS HOLOFOTES COM FILME DE SUCESSO NA FRANÇA.
Por Carlos Ávila*
“A Brigitte Bardot está ficando velha/Envelheceu antes dos nossos sonhos/Coitada da Brigitte Bardot que era uma moça bonita/Mas ela mesma não podia ser um sonho/para nunca envelhecer/A Brigitte Bardot está se desmanchando/E os nossos sonhos querem pedir divórcio...” Já em 1973, o compositor baiano Tom Zé falava numa canção do envelhecimento de BB; isto na época em que a atriz tinha em torno de 40 anos e decidiu deixar as telas dos cinemas.
Musa sexy, loira e linda nos anos 1950/60 - quando filmou com inúmeros cineastas, incluindo Godard - atualmente BB é uma velha excêntrica. Sua trajetória inclui vários (e tumultuados) relacionamentos, o abandono de seu filho único e uma tentativa de suicídio. Até onde se tem notícia, hoje BB vive isolada; é vegetariana e defensora dos animais (já liderou campanhas contra a caça das baleias, pela proibição da briga entre cães, contra o uso de casacos de pele etc.). Volta e meia dá também declarações estranhas e desconcertantes - inclusive, já pagou multa por incitação ao racismo.
Em 2014, BB está completando 80 anos e volta ao noticiário em razão do filme “Bardot – La Méprise” (“Bardot – A Incompreendida”, no Brasil), recentemente exibido em São Paulo, no Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade. Dirigido pelo cineasta David Teboul, no ano passado, foi o filme mais visto na TV francesa. “Garoto, sonhava com sua imagem sensual e, adulto, sempre me impressionei com essa mulher que um dia jogou tudo para o alto” – afirmou Teboul em entrevista ao “Estadão”. BB exigiu não aparecer no documentário, mas liberou seu arquivo de imagens (inclusive domésticas).
O que levou Teboul a fazer o documentário foi o impacto ao ver “Le Mépris” (O Desprezo), de Godard, realizado em 1963, talvez o melhor filme protagonizado por Brigitte e, seguramente, um dos mais belos (e importantes) do cineasta francês. Baseado num romance do escritor italiano Alberto Moravia (“Il Disprezzo”, lançado em 1954), o filme traz, além de BB, os atores Michel Piccoli e Jack Palance, e ainda o diretor austríaco Fritz Lang – este último interpretando a si mesmo filmando a “Odisseia” de Homero.
Impossível não se lembrar em “O Desprezo” da sequência de BB (como a personagem Camille) nua na cama – filmada com filtros em vermelho, branco e azul, mudando continuamente a cor da imagem - e sua fala sensual, com perguntas ao amante sobre as partes de seu corpo. É esta a BB que ficou imortalizada nas telas, com sua beleza suave e selvagem a um só tempo. Hoje uma velha senhora de rosto vincado pelo implacável tempo, chegando a inacreditáveis 80 anos! “A Brigitte Bardot agora está ficando triste e sozinha...” como Tom Zé finaliza, melancolicamente, a sua canção.
*Carlos Ávila é poeta e jornalista. Publicou, entre outros, Bissexto Sentido e Área de Risco (poesia); Poesia Pensada (crítica) e Bri Bri no canto do parque (infantil). Foi, por quatro anos (1995/98), editor do “Suplemento Literário de Minas Gerais”. Trabalhou também na Rede Minas de Televisão e foi editor do caderno de cultura do jornal “Hoje em Dia”. Participou de mais de vinte antologias no país e no exterior.
Duas cidades
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APESAR DE ALGUMAS SE INTITULAREM DE “MARAVILHOSAS”, CIDADES BRASILEIRAS SÃO UM DESCALABRO.
Por David Paiva*
Mesmo considerando a Sexta-feira Santa dos cristãos, não vou tratar das "duas cidades" de Santo Agostinho – a de Deus e a dos homens. As cidades de que falo são ambas terrenas, as duas meio diabólicas, resultados de processos históricos e econômicos um tanto perversos, com resultados teimosamente, duradouramente sofridos.
Não há país onde as cidades não se bifurquem em duas ou mais, basicamente separadas em áreas ricas e áreas pobres, ou “nobres” e “populares”. As áreas ricas têm mais árvores, mais flores onde canta o pardal, mais serviços e mais mulheres bonitas. As pobres têm menos ou até zero de qualquer um desses itens. Sua única vantagem é a vida mais barata – lamentavelmente, mais frágil também. Isso tanto vale para países que praticam um liberalismo econômico furioso, como o EUA, quanto para aqueles pouquíssimos que se fantasiam de socialistas e até para toda a Europa, que adota um capitalismo com focinheira.
O Brasil entra nessa história em posição muito particular, quase única. É o quinto país de maior população em todo o mundo – acima dele, só China, Índia, EUA e Indonésia. Nenhum deles, porém, nem os EUA, concentra percentual tão grande nas cidades: 84%, segundo o senso de 2010 – ou seja, há quatro anos, mais de 160 milhões de pessoas já viviam em ambientes urbanos.
Apesar de tamanho predomínio na distribuição dos brasileiros, as cidades – embora algumas comicamente se intitulem "maravilhosas" – são um descalabro, uma referência mundial de iniquidade. Quando indicadores, há pouco mais de dez anos, apontaram para o aumento da pobreza nos EUA, a mídia americana falou em "brazilianização". A vitrine mais escandalosa da desigualdade nacional são as nossas "duas cidades", que exibimos com um cinismo chocante: aquela com padrão de vida desenvolvido e a outra, a cidade pobre, a poucos quarteirões dali, com padrão de vida de quarto mundo, de periferia africana.
Para que esse cenário existisse assim tão cruelmente, foram necessários séculos de injustiça, de escravidão, de corrupção, de violência econômica de uma classe dominante predatória e provinciana. Agora, o preço do luxo brega numa extremidade social é a insegurança em toda parte, a necessidade de que a riqueza em excesso seja usufruída em jaulas de bronze, blindex e insulfilm.
Mas já é tempo de que governos com relativo grau de democratização levem a sério políticas nacionais para as cidades. O Ministério das Cidades, ou seja lá qual for o órgão federal com esse objetivo, precisa deixar de ser carne jogada à tal base aliada e ser tratado como instrumento essencial de transformação. Precisa mobilizar ideias, esforços e recursos para revolucionar a cidade no Brasil, longe da especulação imobiliária que até hoje tem convertido toda tentativa em negócios e enriquecimento para os suspeitos de sempre.
Talvez o Brasil, país tão engraçadinho e carnavalesco, já esteja adulto (ou calejado) o bastante para pensar em políticas de efeitos duradouros e menos em latarias brilhantes. Um grande programa nacional de planejamento e investimentos na humanização geral das cidades (que hoje, do modo como funcionam, são usinas de neurose e improdutividade) pode constituir um fator de mobilização e crescimento econômico mais vigoroso que todos incentivos e renúncias fiscais em benefício de uma ou duas indústrias, como as montadoras, que só fazem piorar ainda mais as cidades.
*David Paiva cursou História na UFMG, foi redator publicitário e é escritor.
Automóveis: Mais eficiência, menos emissões
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MESMO COM O DOBRO DA FROTA DE CARROS EM 2030, EMISSÕES PODEM SER MENORES QUE ATUAIS.
Se a indústria brasileira de automóveis adotar meta de eficiência energética alinhada à europeia, as emissões de gases estufa dos veículos nacionais reduzirá substancialmente: mesmo que dobre o número de carros nas ruas do país em 2030 – como é estimado –, as emissões, ainda assim, seriam cerca de 10% menores que as de 2010. A conclusão é do estudo "Eficiência Energética e Emissões de Gases de Efeito Estufa (GEE)", produzido pelo Coppe/UFRJ (Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro), por encomenda do Greenpeace.
“O Brasil é o quarto maior mercado de automóveis do mundo e, no entanto, estamos muito atrasados quando o assunto é eficiência energética e consumo de combustíveis dos veículos. Vários países têm adotado metas rigorosas para que seus carros reduzam o consumo energético e emitam menos gases estufa. É hora das montadoras que operam no Brasil assumirem a responsabilidade pelo impacto que têm no clima e serem coerentes ao adotar padrões similares aos que elas já têm lá fora”, diz Iran Magno, coordenador da campanha de Clima e Energia do Greenpeace.
Nos últimos anos, as emissões brasileiras do setor de transporte cresceram vertiginosamente. De 1990 a 2012, segundo o Observatório do Clima, esse aumento foi de 143%. Na próxima semana, o IPCC (Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU) divulga mais um relatório com conclusões de cientistas sobre a crise climática global. Um vazamento dos dados divulgado essa semana pela imprensa internacional mostra que, até 2050, as emissões de transporte devem ser as que mais crescem no mundo, puxadas principalmente por países emergentes.
Hoje, a única meta que o Brasil tem de eficiência energética veicular é voluntária, estipulada pelo programa Inovar-Auto, do governo federal. Este é o cenário de referência do estudo. Os cálculos da Coppe/UFRJ mostram que, caso a indústria siga essa meta – que representa um ganho de 12% em eficiência até 2017 – as emissões veiculares em 2030 seriam de 88Megatoneladas de CO2 equivalente (Mton CO2 eq). Mas se o país for mais ousado e adotar a mesma meta definida pela União Europeia – de 1,22 MJ/km até 2021– entre 2010 e 2030 teríamos deixado de emitir quase 2 vezes o que foi emitido pelos veículos leves em 2012.
O professor Emilio La Rovere, que coordena o Centro de Estudos Integrados sobre Meio Ambiente e Mudanças Climáticas da Coppe, diz que é fundamental a criação de uma política de estímulo aos fabricantes e compradores de veículos leves para se reduzir o consumo de combustíveis como gasolina, álcool e gás natural.
Os dados
O estudo da Coppe/UFRJ compara três cenários de eficiência energética na frota de veículos do Brasil, e aponta as diferenças entre elas nas emissões de gases estufa até 2030. Nos três casos, o ano base é 2011, quando a eficiência média dos veículos novos estava em 2,07 MJ/km e as emissões totais eram de 79 Mton CO2 eq – cinco vezes o que a cidade de São Paulo emitiu no ano de 2011.
O primeiro cenário é o descrito acima, em que a indústria alcança a meta voluntária estipulada pelo programa Inovar-Auto. No segundo panorama, moderado, a Coppe considerou que os carros produzidos no país atingiriam a mesma meta de eficiência adotada pela Europa – só que apenas em 2023, com dois anos de atraso. Nesse caso, as emissões em 2030 chegariam a 68Mton CO2 eq.
No terceiro cenário, o mais otimista, foi considerado que os veículos novos brasileiros já estariam equiparados às metas de eficiência europeia em 2021, mesmo ano que o bloco europeu estipulou para que os carros cheguem à média de 1,22 MJ/km. Desse modo, as emissões totais dos automóveis brasileiros alcançariam 67Mton CO2 eq. Em 2030, se compararmos este cenário com o de referência, a redução de emissões seria de quase 24%.
“Além de voluntárias, nossas metas de eficiência são muito pouco ousadas se levarmos em conta que o Brasil é, e vai continuar sendo pelos próximos anos, um dos principais mercados de carro do mundo. Montadoras e governo precisam viabilizar meios para que os carros produzidos sejam mais limpos e eficientes, alinhados com a realidade de outros mercados automobilísticos”, defende Magno.
Para o Greenpeace, as discussões sobre eletromobilidade também precisam ganhar relevância no Brasil, para que a dependência de combustíveis fósseis seja quebrada aos poucos. “Nesse momento, a eficiência energética é a medida mais emergencial. Mas a eletromobilidade é o seguinte passo nesse desafio. E essas questões interessam à própria indústria e à economia do país, pois produzir carros de ponta significa gerar empregos e abrir mercados de exportação”, diz Magno, ao lembrar que a solução de longo prazo inclui necessariamente o aprimoramento do transporte público.
O aumento da frota de veículos individuais no Brasil é um fato. Por isso, é necessário adotar medidas rigorosas para que esses carros cheguem às ruas da maneira mais limpa possível. “Mas paralelamente a isso, os governos precisam melhorar muito o sistema de transporte público, para que a população também tenha condições de fazer a opção por veículos de massa em seus deslocamentos”, defende o pesquisador do Centro Clima da Coppe, William Wills.
Nos últimos anos, enquanto o desmatamento –considerado o grande vilão das emissões brasileiras – reduziu substancialmente, a contribuição da área de energia só fez crescer. E o principal responsável por esse aumento foi o largo consumo de combustíveis fósseis no sistema de transporte. Justamente por ter se tornado um dos maiores contribuidores do aquecimento global no país, o setor de transportes tem ainda largo espaço para ações de mitigação. “A questão é de escolha: o Brasil vai optar pelo passado ou vai liderar um revolução para o futuro?”, questiona Magno.
Instituto Carbono Brasil
Paixão de Cristo: o exemplo de Jesus
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"SE ALGUÉM ME QUISER SERVIR, SIGA-ME; E ONDE EU ESTIVER, ALI ESTARÁ TAMBÉM O MEU SERVO"
Por Luiz Carlos de Oliveira*
Jesus, quando ensinava seus discípulos, dizia: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz, e siga-me” (Mt 16,24).
“Se alguém me quiser servir, siga-me; e onde eu estiver, ali estará também o meu servo” (Jo 12,26). Há um caminho, um trilho no seguimento de Jesus. Todos nós queremos, mas nem sempre sabemos como fazer e nem se estamos fazendo. Pensamos que estamos fora da estrada. Mas Jesus tem um trilho secreto: “porque estreita é a porta, e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que a encontram” (Mt 7.14).
Basta saber se o caminho está meio apertado para ter certeza que é a estrada justa. Não que Jesus queira nos criar dificuldades e dar uma salvação impossível. Mas se o caminho oposto é largo é porque nos facilita excessivamente fazendo somente nossos gostos. O aperto do caminho é porque se baseia na vontade do Pai. Esta Ele quis fazer.
O aperto está no fato de que é único. Mas se estamos nele, estamos seguros e tranqüilos.
Desprezou o que o mundo poderia oferecer fora da vontade do Pai, decididamente foi para Jerusalém, como relata Lucas: “Jesus caminhava à frente, subindo para Jerusalém” (Lc 19,28). O caminho da Paixão de Jesus. Participar da Paixão de Cristo é fazer seu caminho. Participar significar unir-se a Cristo que se oferece ao Pai pelo mundo.
A capacidade de doação de Cristo é o conteúdo de seu sacrifício doloroso que o acompanha desde sua encarnação. Esta doação de serviço, Jesus a manifesta claramente nos dias de sua dolorosa Paixão: na Quinta-Feira Santa concretiza sua doação quando lava os pés dos discípulos. E a entrega ao serviço do próximo como realização da vontade do Pai. Este gesto se transforma na extremada entrega que faz de si mesmo, dando-se como alimento. Ele reparte e partilha o pão que é seu corpo e o vinho que é seu sangue.
Este gesto é a explicação de sua entrega total na cruz. Jesus realiza em símbolos na Ceia, o que vai realizar na realidade na cruz. Quando manda fazer em sua memória, não é só repetir o gesto, mas repetir, sobretudo a entrega. Nossas missas não rendem mais para nós, porque não possuem nossa entrega com Cristo.
Não fazemos memória de seu gesto redentor. O caminho da Paixão de Cristo é sua entrega como serviço humilde para garantir ao mundo o amor do Pai. Ligamos sempre a Paixão à dor, mas ela deve estar unida primeiro ao amor, pois é uma paixão de Jesus por se entregar por amor ao Pai. Amor é nas águas.
Quando Jesus morre, o soldado enfiou-lhe a lança e saiu sangue e água. Estas águas se transformaram em um rio caudaloso. Ezequiel (47,1ss) explica-nos que a água brotava do limiar do templo em uma pequena fonte e depois se transformava num rio, assim também a água do lado de Cristo, novo templo, mesmo sendo pouca, transforma-se num rio onde podemos nos lavar no batismo e fecundar em nós a vida nova que vem de sua entrega ao Pai. Estas águas nascem de seu coração como uma fonte de amor, ungidas pelo seu sangue redentor.
Na Noite da Páscoa, faça a renovação das promessas do Batismo e afunde-se no rio de amor que sai do lado de Cristo e se represa na sua Páscoa, fazendo um lago onde, mergulhados, deixamos nossas fraquezas e levantamos repletos da graça que dá a vida.
A12, 14-04-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira é padre.
Milhares de estudantes passam Semana Santa com o Papa
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Roma, 18 abr (SIR) - Mais de 3 mil estudantes estão reunidos em Roma com o Papa Francisco, durante a Semana Santa. Os universitários pertencentes a 200 universidades de todo o mundo participam desde o dia 12 de abril do 47º Fórum UNIV, evento organizado pela Opus Dei, para refletir sobre o tema "Cosmos: a ecologia da pessoa e de seu ambiente".
Nesta quarta-feira, 16, os estudantes tiveram a oportunidade de acompanhar a Audiência Geral com o Pontífice, entregando a ele algumas cartas escritas por idosos de diversos países. Segundo o porta-voz do Fórum, Giovanni Vassallo, "como estudantes, recebemos com alegria o chamado do Papa para proteger toda a criação e o ambiente em que vivemos". O evento ainda possui diversos eventos culturais, entre eles, conferências, seminários, exposições, concertos e grupos de estudo, que estão sendo realizados em diferentes locais da capital italiana.
SIR
VII Evangelizar Dom Bosco deve reunir milhões
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Fortaleza, 18 abr (A12) - A cidade de Fortaleza reunirá, no dia 27 de setembro, milhares de pessoas para o VII Evangelizar Dom Bosco. O evento, organizado pela Rádio local Dom Bosco, será realizado no aterro da Praia da Iracema, um dos cartões postais da capital cearense, das 9h às 22h.
De acordo o padre Severino Guedes, da paróquia imaculada conceição de Maria, “o evento tem uma característica própria em querer anunciar o reino de deus e por isso todos os fiéis devem se preocupar em fazê-lo acontecer”. O padre Genilson Pereira, que reza o terço da misericórdia toda semana na Paróquia da Piedade, festeja esse momento, classificado por ele como “especial para a igreja e comunidade, já que traduz verdadeiramente a alegria dos padres em pregar o evangelho através do louvor e da adoração a Cristo”.
A expectativa dos organizadores é reunir mais de um milhão de pessoas para participar dos momentos de reflexão, shows e celebrações. O Arcebispo de Fortaleza, Dom José Aparecido Tosi Marques, vai presidir uma celebração eucarística no local do evento. O Evangelizar Dom Bosco já faz parte do calendário oficial do Estado do Ceará e do município de Fortaleza. Mais que um evento religioso, o evangelizar Dom Bosco é um projeto desenvolvido durante o ano inteiro pela Rádio dom Bosco, mantida pela Fundação Educacional Salesiana Dom Bosco.
SIR
García Márquez vendeu 1,5 mi de livros no Brasil
domtotal.com
O ESCRITOR COLOMBIANO PODE SER CONSIDERADO UM DOS MAIS IMPORTANTES DO SÉCULO 20.
Com mais de 30 títulos publicados e mais de 1,5 milhão de livros vendido no Brasil, o escritor colombiano Gabriel García Márquez pode ser considerado um dos mais importantes do século 20 e um dos principais da América Latina.
A Editora Record, responsável pela publicação de García Márquez no Brasil desde 1973, está relançando todos os títulos com novo trabalho gráfico, projeto iniciado no ano passado. Até o fim deste ano, serão relançados o romance de estreia A Revoada (O Enterro do Diabo), O Outono do Patriarca e a coletânea de contos Olhos de Cão Azul.
García Márquez é um dos principais expoentes do movimento literário e cultural latino-americano realismo mágico, ou realismo fantástico, ao lado do peruano Manuel Scorza e dos argentinos Julio Cortázar e Jorge Luis Borges. Lançado em 1967, Cem Anos de Solidão é considerado a obra-prima de García Márquez, tendo atingido a marca de 50 milhões de exemplares vendidos, em 25 línguas, sendo 440 mil do Brasil, segundo a Editora Record.
Ele iniciou a carreira como jornalista, em 1948, e trabalhou como correspondente em Roma, Paris, Havana, Nova York, Barcelona e na Cidade do México. Entre suas principais obras estão Crônica de uma Morte Anunciada, O Amor nos Tempos do Cólera, Ninguém Escreve ao Coronel, Notícia de um Sequestro e Memórias de Minhas Putas Tristes. Em 2009, García Márquez anunciou que estava encerrando a carreira literária.
Há controvérsia quanto à data de nascimento do escritor. O site do Prêmio Nobel, recebido por ele em 1982, pelo conjunto da obra, crava a data de 6 de março de 1928, assim como seu certificado de reservista. Porém, também há registro de 1927, na paróquia de San José de Aracataca, em que foi batizado. JNa certidão de nascimento, consta a data de 27 de julho de 1930.
Ele morava na Cidade do México e ficou internado durante oito dias, no início deste mês, com desidratação e infecção pulmonar e urinária. Após superar um câncer linfático em 1999, houve rumores de que o escritor estivesse com câncer no pulmão, nos gânglios no fígado.
A página oficial do escritor no Facebook confirma a morte e cita García Márquez como "o escritor de língua espanhola mais popular desde Miguel de Cervantes".
Agência Brasil
quinta-feira, 17 de abril de 2014
Gabriel García Márquez, morre aos 87 anos
Autor colombiano ficou internado com infecção respiratória e pnemonia.
Ele escreveu 'Cem anos de solidão' e 'O amor nos tempos do cólera'.
Do G1, em São Paulo
Gabriel García Márquez (Foto: Divulgação)
Morreu o escritor colombiano Gabriel García Márquez, aos 87 anos, informou o perfil oficial do autor no Facebook nesta quinta-feira (17). A notícia foi confirmada por uma fonte próxima ao escritor, à agência Associated Express. Ele ficou internado com pneumonia e infecção respiratória na Cidade do México, onde morava, entre o fim de março e início de abril. Ele estava em casa.
Em julho de 2012, o mais novo de seus dez irmãos, Jaime García Márquez, revelou que o autor sofria de demência senil “há alguns anos” e que estava lutando contra a perda de memória. O escritor era casado com Mercedes Barcha Pardo desde 1958. Eles tiveram dois filhos: Rodrigo, que nasceu em 1959, e Gonzalo, nascido em 1962.
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Considerado um dos mais importantes escritores do século 20 e um dos mais renomados autores latinos da história, Gabriel García Márquez nasceu em 6 de março de 1927, em Aracataca, na Colômbia. Chegou a estudar Direito e Ciências Políticas na Universidade Nacional da Colômbia, mas não concluiu o curso, preferindo iniciar carreira no jornalismo. Seu primeiro romance, “A revoada (O enterro do diabo)” foi escrito no início da década de 1950, mas publicado apenas em 1955 por iniciativa de amigos enquanto ele estava na Europa.
Post no Facebook oficial de García Márquez anuncia a morte (Foto: Reprodução/Facebook/García Márquez)
Já tendo como cenário a cidade de Macondo, que apareceria em outras de suas obras, o livro tinha como narradores três personagens, um velho coronel, sua filha e o neto, ainda criança. O sucesso internacional, no entanto, veio principalmente após a publicação de seu romance mais famoso, “Cem anos de solidão”, em 1967.

A obra-prima de García Márquez vendeu, até hoje, mais de 50 milhões de exemplares. É considerado, ao lado de “Dom Quixote”, de Miguel de Cervantes, um dos livros mais importantes da literatura em língua espanhola. Foi traduzido para 35 idiomas. Exemplo máximo do realismo fantástico – gênero característico do boom latino-americano da segunda metade do século XX –, “Cem anos de solidão” se passa na fictícia aldeia de Macondo e acompanha, ao longo de gerações, a saga da família Buendía.
Entre seus títulos mais conhecidos estão ainda “A incrível e triste história de Cândida Eréndira e sua avó desalmada”, “O outono do patriarca”, “Crônica de uma morte anunciada”, “Do amor e outros demônios”, “Memórias de minhas putas tristes” e “O amor nos tempos do cólera”.
“Foi a época em que fui quase completamente feliz. Gostaria que minha vida tivesse sido como naqueles anos em que escrevi ‘O amor nos tempos do cólera’”, afirmou García Márquez ao “New York Times” três anos após a publicação de “O amor nos tempos do cólera”. Aqui, o autor resgata a verdadeira história da paixão de seu pai, também Gabriel, por Luiza, sua mãe. O pai dela reprovava a relação e conspirava contra. No livro, o casal se chama Florentino e Fermina. “Todas essas coisas para mim são parte da nostalgia. Nostalgia é uma fonte incrível para inspiração literária, para inspiração poética”, comentou na mesma entrevista ao “New York Times”.
Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 pelo conjunto de sua obra. Foi o primeiro colombiano e quarto latino-americano a receber o prêmio, e, na ocasião, agradeceu com um discurso intitulado “A solidão na América Latina”.
“El Gabo”, como era conhecido na América Latina, continuou escrevendo até o final da década de 90, mas seu trabalho foi reduzido a partir de 1999, quando recebeu o diagnóstico de um câncer linfático. Em 2002, ainda em tratamento, publicou sua autobiografia, “Viver para contar”. A aposentadoria oficial do escritor foi anunciada em 2009 por agentes literários.
Márquez recebeu o Prêmio Nobel de Literatura em 1982 pelo conjunto de sua obra. Foi o primeiro colombiano e quarto latino-americano a receber o prêmio, e, na ocasião, agradeceu com um discurso intitulado “A solidão na América Latina”.
“El Gabo”, como era conhecido na América Latina, continuou escrevendo até o final da década de 90, mas seu trabalho foi reduzido a partir de 1999, quando recebeu o diagnóstico de um câncer linfático. Em 2002, ainda em tratamento, publicou sua autobiografia, “Viver para contar”. A aposentadoria oficial do escritor foi anunciada em 2009 por agentes literários.
García Márquez casou-se com Mercedes Barcha Pardo em 1958, e no ano seguinte nasceu o primeiro filho do casal, Rodrigo. Roteirista e diretor de TV e cinema, Rodrigo García dirigiu filmes como “Questão de vida” e “Albert Nobbs” e episódios de diversas séries, como “Família Soprano” e “A sete palmos”, além de ser o criador da série “In treatment”, que ganhou versões em diversos países, incluindo o Brasil, onde recebeu o nome de “Sessão de terapia” e foi produzida pelo canal GNT. Nascido em 1962, no México, o filho mais novo do escritor, Gonzalo, é designer gráfico.
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