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22/04/2014

O mundo se despede de García Márquez

No lado de fora do Palácio, ao menos 700 pessoas faziam fila para se despedir do escritor.
Urna com cinzas foi colocada em um atril negro.
Por Lizbeth Diaz
Com lágrimas e flores amarelas, milhares de leitores do colombiano Gabriel García Márquez compareceram na noite de segunda-feira ao Palácio de Belas Artes, na Cidade do México, para a última despedida ao escritor, que teve suas cinzas depositadas no local.
García Márquez, Prêmio Nobel de Literatura em 1982 e uma das maiores figuras latino-americanas das letras, morreu na quinta-feira na capital mexicana, aos 87 anos, pouco mais de uma semana depois de deixar o hospital com um quadro de pneumonia e infecção das vias urinárias.
"Venho porque sempre quis lhe dizer como era importante, e por vergonha e por vê-lo tão grande nunca lhe fiz saber, nem sequer por carta", disse, com lágrimas nos olhos, a bióloga Monserrat Paredes, de 27 anos, que estava na enorme fila formada em frente ao edifício.
Como Paredes, muitos levavam flores amarelas, as favoritas do escritor, e outros portavam exemplares de seus livros ou cartazes com frases como "Gabo vive".
"Foi uma grande inspiração. Não somos cem, somos milhares a quem ele nos deixou seu ensinamento... Ele já era uma lenda, e assim temos de lembrá-lo", afirmou a estudante Yoali Benavides, de 18 anos.
O Palácio de Belas Artes foi cercado por cordão de isolamento policial, e uma enorme foto do escritor sorridente, em preto e branco, foi colocada perto da entrada. O mesmo palácio já recebeu os velórios da pintora Frida Kahlo, em 1954, e do escritor Carlos Fuentes, em 2012.
No lado de dentro, junto às cinzas, enormes ramos de rosas e outras flores amarelas contrastavam com a solenidade da vigília em que se revezavam familiares, intelectuais e amigos.
"Partiu um grande, um homem verdadeiramente grande, mas fica conosco a sua obra", disse o presidente do México, Enrique Peña Nieto, que compareceu ao ato ao lado do seu colega colombiano, Juan Manuel Santos.
Santos, que foi ao México especialmente para a cerimônia, disse que García Márquez foi "mais do que colombiano, incorporou nas suas obras a própria essência do ser latino-americano e, muito especialmente, do ser Caribe".
Ao final dos discursos, alguns participantes lançaram borboletas de papel, também amarelas, como aquelas que perseguiam o personagem Mauricio Babilonia no romance mais famoso de García Márquez, "Cem Anos de Solidão".
A família do escritor ainda não decidiu se as cinzas serão mantidas no México ou transferidas para a Colômbia, segundo Rafael Tovar, diretor do Conselho Nacional para a Cultura e as Artes do México.
O prefeito de Aracataca --cidade natal e fonte de inspiração do escritor-- pediu na semana passada que as cinzas sejam guardadas lá.
García Márquez apareceu em público pela última vez em 6 de março, dia do seu aniversário, quando saiu para cumprimentar admiradores em frente à sua casa. Vestia paletó cinza, com uma rosa amarela na lapela.
Reuters

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