15/08/2014

Comemoração: 60 anos de carreira e 80 de vida da atriz Eva Wilma

Espetáculo que marca os 60 anos de carreira e 80 de vida da atriz Eva Wilma, a comédia dramática "Azul Resplendor" está em cartaz de hoje a domingo, no Teatro Celina Queiroz

Eva Wilma
Eva Wilma interpreta diva do teatro que se aposentou precocemente dos palcos após desilusão
FOTOS: JOÃO CALDAS
Guilherme Weber
Guilherme Weber vive o diretor gênio, ainda que histriônico
Homenagem a uma grande dama do teatro que versa sobre a história de uma outra diva dos palcos que, por tabela, celebra o ofício do ator. A metalinguagem parece ser o melhor artifício para definir a elogiada peça "Azul Esplendor", que estreia segunda turnê pelo Brasil, incluindo apresentação inédita em Fortaleza. Em entrevista ao Zoeira, Eva Wilma mostrou-se empolgada com o novo projeto, ao qual vem se dedicado intensamente desde maio de 2013. "É um mergulho nos bastidores das artes cênicas. Os atores em cena são de três gerações, a mais velha, a do meio e mais nova. Eles riem de si mesmos, são irônicos com as próprias desgraças e, na medida em que eles riem e se criticam, o público ri junto. O autor [o peruano Eduardo Adrianzén] tem uma sabedoria que fez com que eu me apaixonasse pelo texto. No começo e no final da peça, com muita poesia e delicadeza, ele faz uma declaração de amor ao ator e ainda fala profundamente da finitude da vida", observa.
Na trama, Eva interpreta Blanca Estela, uma atriz que deixou precocemente os palcos após desilusão. "Ela é uma personagem interessante, uma mulher de grande sabedoria e vivência. Mas a história mais amarga, o motivo por ter se aposentado, ela só conta no finalzinho. Isso não é colocado como drama, apenas como a historia da vida dela", explica.
A guinada acontece quando a artista, afastada da profissão há mais de 30 anos, é convidada por Tito Tápia (papel de Genézio de Barros), seu fã mais devotado e ator sem expressão que a chama para estrelar o seu espetáculo.
"É um personagem da sua geração, fracassado, abandonou a carreira por motivos pessoais [para cuidar da mãe doente], mas nunca abandonou a paixão que tinha pela companheira de trabalho com quem ele contracenou durante 20 anos. Mas faz 30 que eles nem se veem. Como ele se liberta dos problemas que tinha, resolve escrever um texto e a convence a voltar. É a primeira cena da peça, engraçadíssima, é uma mulher que não está afim de ser convencida de nada e ele consegue".
Um espetáculo com uma grande atriz só poderia contar com um diretor à altura, certo? Tito então chama o badalado Antônio Balaguer (Guilherme Weber), considerado um gênio e cercado por uma equipe que o idolatra.
"A dupla vai se relacionar com outra dupla, a do diretor histriônico, vaidoso e sábio, com a assistente dele. Só que a encenação que ele propõe é do tipo que o coitado do autor entra em desespero. Estão lá todas as artimanhas de vanguarda, tudo de histrionicamente engraçado e insuportável (risos)... Essa encenação é pretensiosa, ridícula. E a maestria do autor [no caso, Adrianzén] é que esse personagem acaba nas entrelinhas dizendo grandes verdades sobre o ofício. Ele tem um pequeno monólogo no final que eu, a atriz Eva Wilma, saboreio. Ele fala da história dele, que olhava pra ver quantas pessoas tinha na plateia e, que no fim, dava umas moedinhas que não dava nem pra pagar o jantar".
Eva considera "Azul Resplendor" um presente. "Foi uma coincidência feliz. O Renato Borghi [um dos diretores] me entregou o texto e disse: 'Leia. É pra você'. Quando acabei, cancelei todos os meus outros projetos pra fazer este", completa a atriz, que planeja retornar à TV e ao cinema em 2015.
Mais informações
Azul Resplendor
Espetáculo em cartaz hoje e sábado, 21h, e domingo, 19h, no Teatro Celina Queiroz (Campus da Universidade de Fortaleza - Unifor). Ingressos: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia). Classificação: 12 anos. (85) 3477.3033

Juliana Colares
Subeditora
Diário do Nordeste

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