O Blog Cultura trás um pouco da escritora, poeta, diretora de teatro, tradutora, desenhista e jornalista, Pagu.
Por Carlos Ávila
É muito bem-vinda a reedição, revista e ampliada, de “Pagu: vida-obra”, com organização, seleção de textos, notas e roteiro biográfico de Augusto de Campos (pela Companhia das Letras); a primeira edição saiu em 1982. O poeta, tradutor e ensaísta foi responsável pelas “re-visões” do maranhense Sousândrade (1833/1902) – um poeta que vai muito além do romantismo; moderníssimo e radical no “Inferno de Wall Street”, com sua técnica de montagem pré-poundiana – e do baiano Pedro Kilkerry (1885/1917), refinado simbolista que também foi mais adiante do seu tempo, configurando-se quase um modernista (leia-se, por exemplo, a prosa criativa e instigante de suas “Cotidianas-Kodaks”). O livro sobre Pagu é também uma espécie de re-visão da obra dispersa e fragmentária da escritora e jornalista, musa dos modernistas de 22.
Patrícia Galvão (1910/1962) nasceu em São João da Boa Vista (SP); conhecida como Pagu (o apelido foi criado pelo poeta Raul Bopp), teve uma vida agitada, cheia de altos e baixos, incluindo três fases: a primeira como poeta/desenhista, participante do movimento antropofágico, ligada a Tarsila do Amaral e Oswald de Andrade (com quem se casaria e teria um filho: Rudá), que correu mundo chegando até a China; a segunda, como aguerrida militante política (ingressou no Partidão em 1931, opção pela qual sofreu o diabo, incluindo prisões pelos getulistas e pressões dos stalinistas); a terceira e última fase assinala seu rompimento com o partido comunista e o reinício de sua atividade criativa, como jornalista e agitadora cultural (afora o casamento com Geraldo Ferraz que lhe daria outro filho: Geraldo).

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