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21/11/2014

«Lúcia foi apóstola e mestre de obras»

Uma mulher inteligente, sensível aos problemas do mundo, simples, mas muito determinada e empenhada na fidelidade à mensagem de Fátima e na obediência à Igreja Católica. Em traços gerais, este foi o perfil abreviado da irmã Lúcia, deixado por Ângela Coelho, vice-postuladora da causa da beatificação da vidente, em mais um jantar-conferência promovido pelo Museu de Arte Sacra e Etnologia.


Na palestra, realizada na noite de quinta-feira, 20 de novembro, em Fátima, a religiosa não poupou nos adjetivos para enaltecer aquela que considera ter sido uma verdadeira e autêntica «apóstola da mensagem de Fátima» e uma «escritora importantíssima do Portugal do século XX». «A irmã Lúcia publicou quatro livros e um deles [Memórias I] está traduzido em 19 idiomas e já vendeu mais de um milhão de cópias. Poucos autores em Portugal terão sido tão lidos, tão analisados e tão criticados», sublinhou.


À margem da conferência, a primeira após ter sido nomeada vice-postuladora da causa da beatificação, Ângela Coelho confessou que quanto mais conhece a vida da vidente, mais se impressiona com as suas qualidades intelectuais e pragmáticas. «Era uma mulher dotada de uma inteligência invulgar e de um sentido prático enorme», sublinhou a religiosa, revelando que Lúcia de Jesus se assumiu também como «mestre de obras» ao participar ativamente na reconstrução do Carmelo de Coimbra e Braga e dar instruções precisas para a construção dos conventos de Aveiro e Guarda.


Ainda segundo Ângela Coelho, a vidente sempre acompanhou a par e passo os grandes acontecimentos mundiais, apesar de estar recolhida no Carmelo de Coimbra. «Desde 1970 [data em que começaram a ser feitos registos] recebeu mais 70 mil cartas, de várias partes do mundo, trocou correspondência com Papas, cardeais, bispos, políticos, Chefes de Estado e até com elementos de outras igrejas. E foi visitada por mais de 50 cardeais, reis, embaixadores e até estrelas de cinema», como foi o caso do ator e realizador Mel Gibson. A todos pedia que rezassem.


«Tocada no início da sua vida pelo mistério de Deus, Lúcia teve que aprender a lidar com esse mistério. Foi, por vezes, incompreendida e caluniada, mas serviu o sofrimento com a sua palavra, o seu silêncio, a sua oração», concluiu a vice-postuladora, adiantando que o processo de beatificação tem já mais de 11 mil documentos, que terão de ser analisados, a par dos livros e do diário escritos pela «primeira peregrina da Cova da Iria».


Fátima Missionária



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