A operação comercial do 5G é esperada para 2020. No Brasil, deve chegar três anos depois. Hoje, modelos intermediários estão em teste no Japão e na Coreia do Sul
Se na evolução da tecnologia 2G para 3G, e desta para a 4G, a velocidade de transmissão de dados foi a principal mudança, a passagem para a quinta geração da internet banda larga, 5G, deve representar uma mudança de paradigma nas comunicações. Além do aumento da velocidade, o modo como as pessoas se relacionam com equipamentos, e como estes passarão a interagir entre si, deve abrir mercados inteiramente novos de produtos e serviços. A previsão é que a tecnologia comece a ter operação comercial em 2020, mas já há testes em andamento. No Brasil, a expectativa é 2023.
Um dos exemplos dessa nova tecnologia é a possibilidade de carros que se locomovem sem interferência do condutor. “Com a tecnologia 4G, o veículo percorre 1 metro antes de responder à necessidade de parar. Com a 5G, essa resposta acontece em 16 centímetros”, exemplificou Mohamed Madkour, engenheiro chefe e vice-presidente de Wireless Network da Huawei, em seminário sobre inovação realizado em Brasília pela empresa, que trabalha no desenvolvimento da tecnologia.
“A interação do usuário com o que está ao seu redor, como seus equipamentos, abre muitas possibilidades de automatização das relações, interação com as coisas”, diz o coordenador do curso de Telemática do Instituto Federal de Educação (Ifce), Ricardo Rodrigues.
A possibilidade discutida hoje é, por exemplo, a conexão de eletrodomésticos à internet. Assim, a geladeira indicará o momento de fazer as compras e o funcionamento de aparelhos domésticos poderia se adequar aos hábitos dos moradores ou a fatores climáticos.
“O grande mote do 5G será internet das coisas (IoT, na sigla em inglês)”, diz o coordenador do curso de Engenharia de Telecomunicações do IFCE, Edson Almeida. “E esses equipamentos todos poderão ter uma inteligência artificial”.
Se dentro de casa o 5G poderá ajudar na redução do consumo de energia, água e até de alimentos, fora dela os cientistas já estudam a possibilidade de criar cidades inteligentes. “Os bancos de dados para essas questões relacionadas ao trânsito podem ser os aplicativos que já existem hoje, como o Waze”, diz Almeida.
Hoje, o sistema já está em fase de testes no Japão e na Coreia do Sul, com versões intermediárias como a 4.5G e 4.75G. Madkour anunciou que os testes da banda larga 5G, a uma velocidade de 10 gigabites por segundo (Gbps) serão realizados na Copa do Mundo da Rússia, em 2018. O indicador representa velocidade 100 vezes maior que a do 4G, além da possibilidade de conectar 1 milhão de aparelhos em uma área de 1 km.
Para efeito de comparação, a tecnologia 4G funciona a uma velocidade entre 100 e 200 megabits por segundo (Mbps). “Em 2016, com pequenas adaptações na nossa estação de base, chegaremos a 1Gbps”, disse Madkour.
Até que o 5G entre em operação comercial, Almeida diz que as grandes empresas de tecnologia ainda devem travar brigas para tornar seus sistemas padrões. “A plataforma que será utilizada, por exemplo, vai depender do mercado”. Além disso, para que o 5G opere plenamente, os usuários ainda terão de substituir eletrodomésticos e demais dispositivos voltados para a nova tecnologia. “Todo o legado que nós temos hoje, sem compatibilidade com o 5G, vai ser jogado no lixo”. (colaborou Nathália Bernardo, enviada a Brasília em viagem a convite da Huawei)
5G começará em 2020

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