Um dos bebês tem Síndrome de Apert; licença maternidade aumentou.
Servidora de Patos de Minas encontrou amparo legal na Constituição.
A servidora pública Kerley Cristhina de Paula e Silva, de Patos de Minas, no Alto Paranaíba, se surpreendeu nos primeiros quatro meses de gestação ao receber a notícia de que daria à luz trigêmeos. No parto ela soube que um dos filhos tem Síndrome de Apert, uma doença rara caracterizada por uma anomalia craniofacial. Diante às adversidades, ela buscou os direitos e conseguiu, perante o Judiciário, a ampliação da licença maternidade para mais três meses.
A mãe procurou a Câmara Municipal, órgão onde trabalha como diretora administrativa, mas descobriu que não havia uma legislação específica que cobria o caso. Então ela fez o pedido na 2ª Vara Cível da comarca da cidade alegando que um dos filhos era deficiente e necessitava de cuidados especiais.
O juiz Marcus Caminhas Fasciani observou que a pretensão encontrava amparo legal na Constituição Federal. Na avaliação dele, a mulher não poderia ser prejudicada pela omissão da Administração Pública e deferiu a antecipação de tutela, concedendo à servidora mais três meses de licença.
Para Kerley, a decisão trouxe vários benefícios à família principalmente quanto ao fortalecimento do vínculo com os filhos. “Meu dia a dia é muito corrido e esse tempo a mais é que proporciona que a gente tenha mais momentos para o contato. Fiquei muito feliz também porque agora várias outras mães em situação semelhante poderão ser beneficiadas com esse direito que muitas desconhecem”, disse.
Desafios da maternidade
A mineira é mãe de Ciro de Paula, de dois anos, e estava à espera do segundo filho para que fizesse companhia ao primogênito. Ela sabia que a maternidade não era uma tarefa fácil e ao descobrir que teria mais três crianças, de uma só vez, desconfiou que seis meses afastada do trabalho seria muito pouco para se dedicar aos cuidados dos filhos.
A mineira é mãe de Ciro de Paula, de dois anos, e estava à espera do segundo filho para que fizesse companhia ao primogênito. Ela sabia que a maternidade não era uma tarefa fácil e ao descobrir que teria mais três crianças, de uma só vez, desconfiou que seis meses afastada do trabalho seria muito pouco para se dedicar aos cuidados dos filhos.
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Os trigêmeos Raul, Mila e Nuno de Paula Borges nasceram pré-maturos, de 34 semanas. No parto ela acabou descobrindo que Raul tinha uma má formação e precisaria de uma atenção maior. “Ele ficou na UTI por vários dias porque não respirava sozinho. Recebeu alta e agora, com oito meses, vai passar por algumas cirurgias. Acho que isso pesou um pouco na decisão do juiz, porque me dedicar aos três filhos e ao Raul só com a ajuda de uma babá é complicado”, contou.
O caso da servidora chamou a atenção de moradores de Patos de Minas e mobilizou amigos e familiares, que fazem doações constantes de roupas infantis, fraldas e a parabenizam pela força e determinação ao cuidar das crianças.
Agora que os filhos já se desenvolveram melhor e o período de licença está chegando ao fim, Kerley está se preparando para um novo desafio: colocá-los em uma escolinha. “Vai ser complicado me ausentar deles, mas sei que vai ser muito melhor em termos de socialização. Principalmente para o Raul, que só de conviver com os irmãos já está mais espertinho e movimentando mais”, afirmou.


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