Há marcas culturais, encaixadas na mentalidade, difíceis de mudar.
Depois de séculos de caminhada lenta e difícil, finalmente, vemos um cidadão negro numa das mais altas cadeiras da república. Quando o ex-presidente Lula foi eleito, sobretudo, mais fruto de sua teimosia do que da convicção do partido, não só a grande mídia se sentiu decepcionada, como muitos eclesiásticos. Escutei conversas de pessoas amarguradas que repetiam: "chegou a maior desgraça do Brasil". Quem não estava habituado a viver no meio do povão não conseguia ver o significado dessa eleição. Como o povo pensava também eu , que, depois de anos de vida nas periferias, tinha chegado a hora da esperança e do acerto pacífico para sair das malhas da rede, cortando alguns dos nós.
Passo a passo, a democracia vai se concretizando.
* Joaquim Gonçalves, imc, é diretor da Revista Missões.
Fonte: Joaquim Gonçalves / Revista Missões
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