13/11/2012

X BIENAL DO LIVRO


POR SOUTO FILHO
soutofilho@oestadoce.com.br
Fortaleza está passando por uma verdadeira epopéia literária. Desde o último dia 08 até o próximo dia 18, está acontecendo a X Bienal Internacional do Livro, no Centro de Eventos do Ceará.
Com o tema “Padaria Espiritual – O Pão do Espírito para o Mundo”, o evento promete receber cerca de 600 mil pessoas nas mais de 500 atividades oferecidas ao público. Entretanto, apesar dos milhares de títulos expostos aos leitores visitantes, alguns temas são pouco procurados e, por consequência, pouco publicados.
A equipe do caderno O Estado Verde esteve na Bienal e fez uma verdadeira batida literária, à procura de livros voltados para o meio ambiente e sustentabilidade. Infelizmente, nas editoras visitadas, os temas verdes de longe eram destaque. Em algumas, dos mais de cinco mil títulos, apenas 10 tinham a natureza como foco principal. A falta de demanda é um dos principais estopins para a falta de publicações e escassez de títulos verdes.

A assistente de eventos da Editora Escola, Margarete Ramires, revelou que a “literatura verde” ainda caminha a passos curtos e ainda não existe um empenho do público na procura de temas ambientais.
Para ela, muitas editoras deixam de focar nestas questões por questões comerciais e educacionais. Por outro lado, a assistente ressalta que ainda é possível mudar esse cenário, através da educação escolar como principal instrumento motivador da leitura.
“Ainda não houve um despertar para o tema. Acredito que isso deveria começar através da educação formal, que deveria ter um empenho maior nesse princípio. A falta de procura do público também influencia, mas acredito que isso é uma via de mão dupla, pois a partir do momento que a demanda é despertada o número de vendas cresce”.
REALIDADE DISTANTE
Algumas editoras até confessam que o tema está bastante disseminado dentro da sociedade atual, mas o pequeno número de livros voltados para o tema ainda é uma realidade distante de ser modificada. O sócio-diretor da Planeta Livro revela que a comercialização é difícil devido a pouca demanda. Em seu stand, apenas poucos DVD’s abordavam a sustentabilidade. O número de livros na área eram “zero”.

“As próprias editoras pouco nos oferecem livros falando de meio ambiente porque sabem que não é comercial. Mas existe uma tendência que acreditamos poder mudar isso. Sabemos que as pessoas precisam se conscientizar sobre o que está acontecendo com o planeta. Ele tem que ser sustentável e a meta é as editoras partirem para criar materiais com este conteúdo”.
FEIRAS TAMBÉM PECAM
Além da parte comercial, as feiras também oferecem poucos títulos verdes. O assistente administrativo da Distribuidora Livro Ideal, Nelson Palha, explica que tem uma grande experiência neste tipo de evento e revela que poucas vezes viu editoras dando ênfase na divulgação de livros ambientais.
“Na nossa empresa também acontece a mesma coisa. Com a falta de procura acabamos focando em livros que falem de saúde e, principalmente, acadêmicos. Tudo isso é por falta de interesse do público. Mas, como a sustentabilidade está bastante inserida na cultura da população, acredito que isso pode mudar a médio prazo”. 

TEMA TRANSVERSAL
Mesmo para quem é docente e precisa de materiais voltados para o meio ambiente, sente dificuldade de encontrar livros de qualidade, que sirvam como instrumento didático para os alunos.

Esse é o caso da professora Antônia Josilene que estava a procura de livros de autoria do ambientalista Leonardo Boff. De acordo com ela, a falta de orientação dos pais, que não costumam incentivar os filhos a ler, faz com que muitos deles não se interessem por assuntos que estão em destaque no mundo atual.
“O meio ambiente não deveria ser tratado nas escolas da forma que é hoje. Atualmente, a sustentabilidade é abordada nas escolas como um tema transversal, assim como o sexo. Acho que deveria ter um caráter mais didático. É preciso ainda ter um equilíbrio entre a educação escolar e a educação familiar. Todos nós somos responsáveis pela educação que é oferecida hoje em dia”.
PEQUENA PROCURA
Mesmo editoras que já possuem certa tradição na publicação da literatura verde ainda apresentam poucos exemplares do tema em suas prateleiras. O promotor de vendas da Editora Vozes, Paulo Henrique, salienta que existe uma pequena procura de livros deste tipo na Bienal, pelo menos em seu stand. Para ele, ao contrário do que grande parte das editoras revelou, o número de títulos verdes vem crescendo nos últimos anos.
Segundo Paulo Henrique, a mídia tem uma grande responsabilidade no crescente interesse pelo tema. Aqui temos alguns livros que falam sobre a sustentabilidade e sempre temos pessoas que os procuram. “Acredito que ainda são poucas publicações, mas já podemos observar que existem bem mais livros falando sobre o assunto do que há dois ou três anos atrás”. 

10a BIENAL
Em sua décima edição, a Bienal Internacional do Livro do Ceará está prestando uma homenagem a ilustres nomes da literatura nacional e internacional, como: o nigeriano Wole Soyinka, ganhador do Nobel de Literatura 1986; o cearense Rafael Sânzio de Azevedo, doutor em Letras pela UFRJ, com tese sobre “A Padaria Espiritual e o Simbolismo no Ceará”, e membro da Academia Cearense de Letras, onde ocupa a Cadeira nº 1, cujo patrono é Adolfo Caminha; e o norte-riograndense José Cortez, ex-lavrador, que saiu do sertão e, através da literatura, tornou-se um dos principais editores do Brasil, tendo fundado a Editora Cortez. Além desses, também está sendo homenageada (post mortem) a escritora e abolicionista Francisca Clotilde, contemporânea da Padaria Espiritual, que completaria 150 anos de vida em 2012.

Com o tema “Padaria Espiritual – O Pão do Espírito para o Mundo”, a Bienal do Livro irá prestar uma homenagem aos 120 anos do movimento artístico que escandalizou a pequena Fortaleza do final do século XIX com o humor, o talento e a ousadia de um grupo de escritores, pintores e músicos que promoveram intensas atividades de renovação artística e literária.
Além da homenagem à Padaria Espiritual, a Bienal celebrará ainda os 90 anos da Semana de Arte Moderna, e os centenários do Rei do Baião, Luiz Gonzaga; dos escritores Jorge Amado e Nelson Rodrigues; e do cantador e violeiro Joaquim Batista de Sena, legítimo representante da poesia popular nordestina.
CONFERÊNCIA INTERNACIONAL FELICIDADE INTERNA BRUTA
Como parte da programação paralela da Bienal, acontece de 9 a 11 de novembro a 5a Conferência Internacional Felicidade Interna Bruta (FIB), uma alternativa ao conhecido PIB (Produto Interno Bruto). “Felicidade, satisfação com a vida e bem-estar são “metas que os governos deveriam prover aos seus cidadãos” afirma o butanês mestre em política, filosofia economia, Dasho Karma Ura.

Ele diz isso com a experiência de quem acompanha de perto a aplicação de um novo conceito para medir o desenvolvimento de uma sociedade.
De acordo com a organizadora do evento, Magui Guimarães, um dos objetivos é fazer com que o modelo do FIB seja adotado por empresas e governos no Brasil.
A experiência começou no Butão em 1972, por iniciativa do rei Jigme Singye Wangchuck, com a proposta de rever o significado de desenvolvimento social e econômico. Após mais de duas décadas, os índices de analfabetismo e mortalidade infantil caíram drasticamente no país e as belezas naturais estão preservadas, sendo 25% do território formado por parques nacionais.
 

O Estado

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