01/08/2013

Jovens: vítimas da sociedade de consumo

Para professor da ESDHC, a ideia de que a juventude atual é individualista é uma armadilha do discurso do atual sistema político-econômico.

Papa Francisco, em meio aos jovens: gestos que inspiram
Por Alexandre Vaz
Redação Dom Total


Comumente identificados como alienados e individualistas, os jovens dos dias de hoje são, na verdade, vítimas de um sistema político-econômico que, além de inseri-los na lógica da sociedade do descartável, colocando-os na posição de meros consumidores de produtos e serviços, nega sua posição de agentes de transformação social. Na opinião do professor de Introdução à Ciência Jurídica, Franclim Brito, da Escola Superior Dom Helder Câmara (ESDHC), trata-se de um falso discurso, deflagrado pela sistema capitalista com o objetivo de alienar a juventude de suas potencialidades. 

Observador atento à realidade eclesial e social, o professor chama a atenção para os discursos embutidos nos meios de comunicação. Mesmo não sendo especialista sobre juventude, ele exerce sua fé cristã com um olhar atento à sociedade. Para ele, não é possível traçar um perfil único da juventude atual.

“Quando falamos em jovem, no singular, corremos o risco de uma expressão vaga, uma vez que existem muitas tipologias, tais como: classe social, gênero, escolaridade, tradições, entre outras. Percebo, no entanto, dois traços marcantes da juventude: a vulnerabilidade e a potencialidade. Ambas estão arraigadas na condição do indivíduo, em sua passagem da infância à idade adulta, e se manifestam no inconformismo da metamorfose do corpo físico e espiritual. Assim, o perfil do jovem é plural, reivindicatório e traz consigo uma enorme energia de transformação que expurga sua própria qualidade mutante”, explica.

Nesse sentido, Franclim Brito ressalta a força com que o papa Francisco se comunica com os jovens, convidando-os a usar sua energia transformadora em prol do próximo e da sociedade, como um todo. “O papa chama a juventude para o amor caritiativo, incentivando-o a inserir-se no mundo para encontrar o sentido profundo de sua vida. Impele-o à construção encarnada de um mundo mais fraterno e justo, no qual Jesus se apresenta como baluarte da promoção da Justiça”.
O professor ressalta a força do exemplo que Francisco vem dando não apenas à juventude, como a toda a sociedade, por meio de seus modos e gestos de simplicidade e generosidade, mais do que propriamente por suas palavras. Na opinião de Franclim Brito, por meio de seu estilo, o pontífice consegue, com êxito, provocar a juventude com uma mensagem de acolhida ao próximo, a partir da simplicidade consigo mesmo.
“De objeto da sociedade de consumo, o jovem se torna sujeito de transformação social; isto é, seu desejo de participar das decisões que lhe diz respeito e sua atitude fundamental de inconformismo com a realidade atual”, afirma.

Sobre a importância da simplicidade e do amor fraterno, sempre ressaltados pelo papa Francisco, Franclim Brito lembra os versos de Benjamim González Buelta:

"Concede-nos, Senhor, a alegria simples.
A que é irmã das coisas pequenas,
dos encontros cotidianos,
e das rotinas necessárias.
A que se move livre entre os grandes
... sem uniforme nem gestos ensaiados
como brisa sem amo nem cobiça.
Tua alegria é confiante e veraz
vê a mais pequena criatura amada por ti
com um lugar em teu coração e em teu projeto."

Benjamín González Buelta, SJ
Redação Dom Total

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