13/12/2013

O adeus a Mandela, que deixa legado de coragem, união e paz para a humanidade


Brancos e negros, capitalistas e comunistas, pobres e ricos, crentes e ateus, celebridades e anônimos, autoridades e povo se misturam nos grupos locais e de diversos países que prestam homenagens a Nelson Mandela (1918-2013). O ex-presidente da África do Sul, ganhador do Prêmio Nobel da Paz por seu ativismo que resultou no fim do apartheid, regime de segregação racial, em seu país, faleceu no último dia 5 e seu corpo será enterrado domingo (15), em Qunu, vilarejo onde cresceu.
 
Os funerais de Mandela envolvem uma série de cerimônias, como a que aconteceu na terça-feira passada (10), quando pelo menos 70 líderes mundiais, incluindo o presidente dos Estados Unidos, Barak Obama; de Cuba, Raul Castro; e do Brasil, Dilma Rousseff participaram de homenagem a ele em Johanesburgo. Desde quarta-feira, nas ruas de Pretória, o povo espera até seis horas para ver de perto o caixão com o corpo do líder, chamado carinhosamente de Madiba. A pequena vila onde ele será enterrado domingo fica a 900 quilômetros de Joanesburgo e conta com apenas 300 habitantes.
 
Por sua contribuição em defesa dos direitos humanos, para o fim do apartheid e para a pacificação sul-africana, Mandela é mais que um nome na galeria do Prêmio Nobel da Paz. Ele figura como um dos grandes espíritos que vieram à Terra ensinar que a verdadeira revolução, que transforma corações e mentes, é feita pelo amor e pelo perdão. Na Agência da Boa Notícia, ele figurou na Série Pacifistas em 11 de novembro de 2011. Aqui, um pouco da história e legado de Mandela.

Lições de pacifismo

Nelson Mandela nasceu em 18 de julho de 1918 num vilarejo chamado Qunu (África do Sul). Foi o primeiro de sua família a frequentar uma escola, onde ingressou aos sete anos. Perdeu o pai na adolescência. Estudante, interessava-se por boxe e corrida, como outros jovens. Na Faculdade de Direito, tomou contato com o movimento estudantil. Por causa de protestos contra a política universitária, acabou expulso, mudou-se para Johanesburgo e mais tarde continuou sua graduação por correspondência na Universidade da África do Sul, concluindo na Universidade de Witwatersrand.

Como estudante de Direito, Mandela também se envolveu na oposição ao regime do apartheid, que segregava e negava direitos políticos, sociais e econômicos aos negros (maioria da população), mestiços e indianos. Uniu-se ao Congresso Nacional Africano (CNA) em 1942, fundou com Walter Sisulu e Oliver Tambo, entre outros, a Liga Jovem do CNA, em 1946. Com a vitória do Partido Nacional – pró-apartheid – Mandela aumentou sua militância no CNA, e foi destaque no Congresso do Povo, em 1955, quando divulgou a Carta da Liberdade, com o programa para a causa anti-apartheid.

Mandela e seus amigos defendiam um movimento pacífico contra o apartheid, mas mudaram de opinião depois do chamado “Massacre de Sharpeville”, quando a polícia sul-africana atirou em manifestantes negros, matando 69 pessoas e ferindo 180, em 21 de maio de 1960. No ano seguinte, Mandela passou a liderar, no CNA, a luta armada. Foi preso em 1962 e em 1964, considerado terrorista pelo regime racista, ele foi condenado a prisão perpétua.

Mesmo preso, conseguiu levar adiante o ideal de acabar com a segregação racial em seu pais. Por meio de cartas e o apoio de amigos e partidários, ele conseguiu fazer sua luta conhecida em todo o mundo. Ficou 27 anos preso. As pressões internacionais aumentaram e, em 11 de fevereiro de 1990, o então presidente da África do Sul, Frederik de Klerk, anunciava a liberdade de Mandela, aos 72 anos de idade, e a retirada da ilegalidade do CNA.

Depois de anos dedicado a unir a população de seu país, o que parecia impossível aconteceu: Mandela foi eleito presidente da África do Sul, o primeiro negro a atingir o posto, pondo fim ao regime segregacionista e promovendo a reconciliação interna. Terminado seu mandato, Mandela não quis mais cargos políticos, mas prosseguiu trabalhando pelas mais diversas causas sociais e ligadas aos direitos humanos.

Mandela fica na história não só por sua luta antiapartheid. Seu interesse pelo bem-estar e paz da Humanidade inteira é demonstrado em criticas à política armamentista dos EUA, no apoio a campanhas contra a AIDS e ao disseminar mensagens incentivando a harmonia entre pessoas de todas as idades, raças, credos e posições sociais.
Os sofrimentos, perdas, prisões, separações não tiraram dele o ânimo. Em 2008, artistas e celebridades participaram de sua festa de 90 anos, com shows em Londres. Em 2010, ele seria a grande estrela da abertura da Copa do Mundo na África do Sul, mas não pode comparecer por causa da morte de sua bisneta, vítima de um acidente de trânsito. Mas sua presença no encerramento da Copa emocionou quem o viu ao vivo ou pela TV.

Desde 2010, 18 de julho é considerado o Dia Internacional de Nelson Mandela. A data foi definida pela Assembléia Geral da ONU, em homenagem à data de nascimento desse pacifista.

Fontes: http://educacao.uol.com.br/biografias/nelson-mandela.jhtm / http://pt.wikipedia.org/wiki/Nelson_Mandela /  http://www.suapesquisa.com/biografias/nelson_mandela.htm e agências

Redação: Agência da Boa Notícia – (fone: 85 3224 5509)

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