10/04/2012

Com Instagram, Facebook reforça estratégia da rede dentro da rede



Nesta segunda-feira, o Facebook deu mais um passo que reforça a ambição de tornar a rede social uma espécie de internet dentro da internet. Por 1 bilhão de dólares, o serviço de Mark Zuckerberg arrematou o Instagram, aplicativo para as plataformas móveis iOS e Android que personaliza fotos. A estratégia agrega inteligência ao Facebook e incentiva engajamento à rede social, uma vez que os usuários do Instagram são fiéis ao serviço.
Criado em outubro de 2010 e disponível hoje em nove idiomas, inclusive em português, o Instagram conta com uma base de mais de 30 milhões de usuários cadastrados – cifra que deve subir rapidamente, graças ao recente lançamento da versão do programa para dispositivos com o sistema operacional Android, do Google. Seu habitat, portanto, é o mercado móvel, segmento que o Facebook valoriza cada vez mais – afinal, preveem dez entre dez estudos, é para lá que migram a internet e os usuários: só em 2011, a rede social foi acessada a partir de dispositivos móveis por mais de 430 milhões de usuários (51,1% da base de cadastrados). A aquisição, portanto, é um investimento na fidelização da clientela.
Se a mobilidade é chave de sucesso do Instagram, sua matéria-prima é a imagem, outro componente que Zuckerberg valoriza em seu empreendimento. Há alguns meses, a rede social vem priorizando mudanças sucessivas no seu sistema de apresentação de fotos. Por isso, há duas semanas, as imagens publicadas na rede social passaram a ser exibidas com resolução quatro vezes superior. “Fornecer a melhor experiência no compartilhamento de fotos é uma das razões pela qual tantas pessoas amam o Facebook. Sabíamos que seria uma boa ideia juntar as duas empresas”, afirmou Zuckerberg nesta segunda-feira, ao comentar a compra do Instagram.
O Facebook é hoje o maior repositório de fotos do planeta: mais de 250 milhões de imagens são publicadas diariamente ali. Está, portanto, à frente de serviços especializados em fotos, como Flickr, Yahoo e Google Photos, antigo Picasa. Agora, incorporando o know-how de uma equipe que já se mostrou capaz de construir um campeão de audiência no tratamento e compartilhamento de imagens, o Facebook pode dar um passo além. Poder incorporar a seu próprio ambiente as milhões de imagens compartilhadas diariamente pelo Instagram. “Compartilhem suas imagens dentro da minha rede”, deve ter raciocinado Zuckerberg.
Com a aquisição, o Facebook alia mais uma valiosa ferramenta a seu espaço virtual – e muita audiência, é claro. Vai oferecer, assim, uma espécie de bônus a anunciantes e a futuros investidores, interessados na abertura de capital da companhia, que se aproxima. Os investidores vão exigir crescimento constante: o Facebook mostra que está de olho nisso.

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