26/02/2012

A Verdadeira Cura

Dom Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
Neste sétimo domingo do tempo comum, nos encontramos a um passo da Quaresma, momento forte de conversão e transformação dos corações. A liturgia nos oferece a bela passagem do evangelho que todos conhecem: a cura do paralítico.
Prestemos atenção neste episódio. Jesus estava “em casa”. Um grupo de amigos leva um paralítico para ser curado por Jesus.
Eles demonstram a criatividade na missão de evangelizar: muitas vezes precisaremos levar as pessoas até Jesus e ter criatividade para coloca-las diante d’Ele. É uma cena impressionante. Subir na casa, carregar um homem paralisado, abrir o teto, descer a cama e ficar diante de Jesus. Estes homens manifestam o desejo de cada pessoa humana e se interessam pelo paralítico desejando o melhor para ele. Eles sabem que Jesus é aquele que pode curá-lo.
Toda a multidão ali presente observa tamanho esforço. Um grande silêncio toma conta da pequena sala. Está o paralítico e Jesus. Face a face. Todos esperam e aguardam por um grande milagre. Com certeza, já tinham presenciado outras curas. A fama de Jesus já tinha se espalhado por toda a região. Não há dúvidas, de que Jesus irá curar a paralisia daquele pobre homem. Dará o melhor, dará a cura.
É quando ocorre algo surpreendente. Jesus cura a alma com o perdão dos pecados. Jesus sabe o que é melhor para cada um. Ele conhece os corações e lê os pensamentos. Aquele paralítico possuía uma dor muito maior do que sua incapacidade de andar. A alma dele estava paralisada pelo pecado. O pecado a tinha aprisionado. Ele sabia que não há pior prisão que a de viver no pecado. Esse paralítico clama por liberdade, aquela que possui os filhos de Deus. Ocorre um encontro que vai além do que qualquer cura física. O encontro entre um homem necessitado e Cristo.
Naquela sala está presente toda a humanidade. Cada um de nós participa do drama do paralítico. Não há dúvidas de que muitas são as misérias físicas e materiais. E devemos usar toda nossa inteligência, força, solidariedade e graça de Deus para diminuí-las. Contudo, a maior miséria é daquelas pessoas que vivem no pecado. A maior fonte de desgraça da humanidade é o pecado. O viver longe de Deus.
Por isto, esta passagem é apropriada para preparar-nos para a Quaresma que iniciaremos na próxima quarta-feira de cinzas. Ela nos convida a colocar-nos em oração. Abrir nosso coração dilacerado pela dor e sofrimento para descobrir a Deus. É um chamado à conversão, a transformar nossas vidas.
Entremos nos confessionários, não tenhamos medo de reviver pessoalmente o encontro do paralítico com Jesus. Deixemos que Jesus toque em nossas vidas e nos diga: “Filho, os teus pecados estão perdoados”.
Estamos em pleno carnaval, momento de despedida desta época para entrarmos no grande e importante tempo quaresmal. Este é um período especial de preparação para caminhar na via quaresmal. Não deixemos que o pecado nos seduza com seus encantos. Devemos ser alegres e felizes, mas alegria e felicidade sem Cristo é uma verdadeira droga, pois é encher-se de efemeridades que só trazem um sabor amargo a vida.
Como este paralítico, olhemos a Cristo. Coloquemo-nos diante de Deus. E peçamos a cura de nossa alma para alcançar a felicidade que todo nosso ser almeja e que só pode ser preenchido por um ser infinito e amoroso. Peçamos a intercessão da Santíssima Virgem Maria, mãe dos caminhantes, para que peregrinemos com os olhos sempre firmes em Cristo.

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