Mostrando postagens com marcador ARTIGOS. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador ARTIGOS. Mostrar todas as postagens

04/11/2014

O PAPA E O BIG BANG

No dia 28 de outubro, próximo passado, perante mais de oitenta de cientistas de prestígio, integrantes da Pontifícia Academia de Ciências, no Vaticano, O Papa Francisco disse que “As explicações científicas para o mundo não excluem o papel de Deus na criação”. “O Big Bang, que hoje é considerado a origem do mundo, não contradiz a intervenção criativa de Deus, pelo contrário, a requer” argumentou. “A evolução na natureza não contrasta com a noção de criação (divina), porque a evolução requer a criação de seres que evoluem” disse o pontífice.
A origem da criação do mundo ainda gera vários debates, pesquisas e teorias que possam de alguma forma explicar tal fenômeno. E ainda assegura polêmicas de cunho religioso, filosófico e científico. A explicação mais aceita hoje em dia para a criação do Universo, consta na teoria da Grande Explosão (Big Bang). A Teoria do Big Bang foi anunciada em 1948 pelo cientista russo George Gamow e o Padre Católico e astrônomo belga Georges Lemaitre. De acordo com eles o universo teria surgido após uma grande explosão cósmica aproximadamente 13,7 bilhões de anos atrás. O Papa Francisco declarou que a teoria científica da evolução do Big Bang está correta e que não é incompatível com a existência de um criador. “Quando lemos sobre a criação no Gênesis, corremos o risco de imaginar que Deus era um mágico com uma vara capaz de fazer tudo. Mas não é isso” afirmou o Papa. Em tempos passados, a Igreja Católica se opôs às primeiras explicações científicas do universo, que contradiziam o relato da criação na Bíblia, condenando o astrônomo Galileu Galilei, no século 17, que mostrou que a terra gira em torno do sol.
Entretanto, ultimamente a Igreja Católica está buscando descartar sua imagem de inimiga da ciência. Por exemplo, em 1950, o então Papa Pio Xll publicou uma carta encíclica intitulada “Humani Generis” (Raça Humana) onde não rejeita que o homem possa ter evoluído como dizia Darwin pelo evolucionismo, mas o autor e portador de todo mérito é Deus. O Papa Pio Xll também defendeu o livro “O Fenômeno Humano” do padre jesuita Teilhard de Chardin, um dos pensadores e cientistas mais destacados dos últimos tempos. Ele era biólogo, paleontólogo, filósofo e teólogo. O citado livro foi uma tentativa de explicar a origem do mundo e da vida conciliando fé e ciência. Em 1996, o santo João Paulo ll reiterou essa posição. Ele disse “a teoria da evolução é mais do que uma hipótese”, e não rejeitou ou condenou o livro “A Origem das Espécies” de Charles Darwin.  Em 2007 no Vaticano o então Papa Bento XVl afirmou “A teoria da evolução pode coexistir com a fé”. Quatro anos mais tarde em 2011, o Papa Bento XVl disse que as teorias científicas da origem e desenvolvimento do universo e dos humanos, embora não entrem em conflito com a fé, deixam muitas perguntas sem respostas. Acredito que a maioria das pessoas concordará com essa afirmação.
                                                     Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald, Redentorista e Assessor da CNBB Reg. Nordeste 1

02/11/2014

Cardeal Orani: Celebração de Finados


No início de novembro celebramos a comemoração de todos os fiéis defuntos. É uma oportunidade de reflexão e oração. É um tempo precioso para pensarmos em nossas vidas e rezarmos pelos entes queridos.

Este dia deve ser um dia de oração, de homenagem cristã aos nossos entes queridos falecidos, e, também, um dia de reflexão sobre o mistério da morte e da ressurreição que marcam nossas vidas. Assim falou Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida, quem crê em mim ainda que esteja morto viverá” (Jo 11, 24). Em outra passagem, Ele disse: “Todo aquele que crê em mim não morrerá para sempre” (Jo 11, 26). Nascemos para viver eternamente. Com a morte, terminamos de nascer. A morte, para os que têm fé, não interrompe a vida. Deus nos criou para a vida e felicidade plenas. Os que partem deste mundo descansam para sempre na paz, na alegria, no convívio dos anjos e santos, na plena e eterna felicidade que só encontramos na comunhão com Deus.
Para o cristão, a morte é o começo de uma nova vida, realizando sempre o que de bom ele esperou e vislumbrou pela fé neste mundo. É o coroamento da vida e a plena realização humana e cristã. Na perspectiva cristã, a “morte se torna bendita porque é nossa libertação”. Recordemos o prefácio dos mortos: “Ó, Pai, para os que creem em vós a vida não é tirada, mas transformada, e desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível e aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola”. 

Devemos nos lembrar de que a vida eterna começa aqui e agora. Quem vive com Deus neste mundo, viverá com Ele eternamente. Quem vive com Cristo, viverá com Ele na outra vida. Quem vive no amor e na harmonia com seus irmãos, continuará na outra vida na plenitude do amor. Quem vive uma vida reconciliada e pacificada com seus irmãos, também continuará na outra vida na perfeita reconciliação. Por isso, a hora de amar a Deus e servir os irmãos é agora. Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje! 

No encontro final com Deus, de nada vale o dinheiro, o sucesso, o prestígio, a beleza, a fama etc. Porém, o que conta são nossas boas obras e a retidão do agir. Levaremos em nossa bagagem o bem realizado ao longo da vida, sobretudo a caridade para com os mais pobres. Lembremo-nos: “Vinde, benditos do meu Pai, recebei por herança o reino preparado para vós desde a fundação do mundo. Pois tive com fome e me deste de comer. Tive sede e me deste de beber. Estive nu e me vestistes” (Mt,25,34). Esta passagem bíblica nos revela que o critério para o julgamento final será o exercício do amor e da caridade para com o próximo, sobretudo os excluídos, que são os mais pobres dentre os pobres, os quais não participam do banquete da vida.

Ao rezarmos e recordarmos dos nossos entes queridos no dia de Finados, somos também chamados a dar um sentido às nossas vidas e aproveitar cada instante para fazer o bem. 

São muitos os necessitados ao nosso redor. Temos urgência de encontrá-los como irmãos neste mundo, antes de termos de nos defrontar com eles como nossos juízes diante de Deus! Por isso, o pobre necessitado que bate à nossa porta, além de testar a nossa caridade cristã, pode se transformar num canal ou instrumento de nossa salvação. 

Frederico Ozanan, fundador dos vicentinos, afirmou: “Precisamos olhar para o pobre como alguém que é igual ou superior a nós. Porque ele suporta aquilo que nós não suportamos: fome, miséria, doenças, falta de moradia e conforto material”.

Não nos esqueçamos de que, além dos simbolismos das flores, velas e visitas aos Cemitérios, precisamos oferecer pelos irmãos falecidos orações, súplicas de perdão, sacrifícios e esmolas aos pobres (caridade). Coloquemos intenções nas missas em sufrágio de nossos entes queridos e das almas do purgatório. São estes gestos cristãos que agradam a Deus e retornam para nossas vidas em forma de bênção, de alegria e conforto espiritual. A santa Missa, sacrifício eucarístico, é, sem dúvida, o maior presente aos mortos. A Igreja oferece o sacrifício eucarístico da páscoa de Cristo e eleva a Deus suas orações e sufrágios pela salvação de todos os fiéis defuntos, pois suas almas devem ser purificadas para serem recebidas nos céus entre os santos eleitos. Também se pode lucrar uma indulgência plenária aplicável aos defuntos nesses dias. A Igreja concede aos sacerdotes a faculdade de celebrar três missas no dia de Finados.

Também diante de tantas solicitações e pregações nos cemitérios, este dia é um momento importante para, além de rezar pelos falecidos, fazer uma grande evangelização, anunciando a Boa Nova aos que se encontram por lá. Anunciar a Boa Nova da salvação em Cristo, ajudar na cura dos corações feridos e proclamar a esperança na vida eterna é necessário para muitos nesses dias.

Que as almas de todos os fiéis defuntos, pela infinita bondade e misericórdia de Deus, descansem para sempre na paz e na eternidade da luz de Cristo!

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/11/02/cardeal_orani:_celebra%C3%A7%C3%A3o_de_finados/bra-834301
do site da Rádio Vaticano 

24/10/2014

A caminho do Sínodo Ordinário


A Terceira Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, que aprofundou os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização, foi uma segunda etapa de um processo de aprofundamento que o Papa Francisco está inovando neste tempo de mudança de época.

Em 2015 estaremos comemorando o cinquentenário da criação deste instrumento, fruto do Concílio Vaticano II e criado pelo Papa Paulo VI, beatificado no domingo passado. É um organismo que ajuda a Igreja a aprofundar os temas importantes da atualidade, consultando as bases e refletindo com os Bispos, em Assembléia, que entregam ao Papa suas sugestões sobre o assunto, e que, a seu devido tempo, se encarrega de escrever e publicar um documento chamado Exortação Pós-Sinodal.
Em fevereiro deste ano, o Papa Francisco quis que uma primeira abordagem sobre o tema acontecesse no consistório, quando o Cardeal Kasper fez a sua colocação sobre o assunto. Muito já se falou desse texto e desse pronunciamento.

A secretaria geral do sínodo enviou para todas as dioceses do mundo uma consulta com um texto sobre o assunto e perguntas para serem respondidas por todos os interessados, o que aconteceu pelo mundo afora. Dessas respostas gerou-se o documento de trabalho que serviu de base para esta Assembleia Extraordinária. Do texto gerado por ela deverá sair um novo documento com perguntas para serem respondidas pela Igreja toda, que desencadeará um novo instrumento de trabalho para a 14ª Assembleia do Sínodo Ordinário, convocado para outubro de 2015, sobre a vocação e missão da família na igreja e no mundo contemporâneo.

A imprensa deu muita cobertura sobre o tema desde o primeiro momento que foi anunciado. De certa forma nota-se que há um grande interesse para saber por onde se move a Igreja com relação a este tema tão importante para a sociedade. Aliás, ele já foi aprofundado no passado e gerou o documento papal “Familiaris Consortio”. Agora, é uma nova abordagem sobre as novas situações que a família enfrenta atualmente.

O grande desafio hoje é como repropor às pessoas, em especial aos jovens, a beleza da família e a necessidade de vínculos definitivos e fiéis. A sociedade hodierna vai por outros caminhos. E a Igreja sabe que aqui se joga o futuro da humanidade.

Por outro lado, também a Igreja, como mãe carinhosa, procura ir ao encontro das pessoas e famílias que no decorrer da caminhada foram machucadas pela vida e pela história. O Papa, junto com os membros do Sínodo, demonstrou grande interesse em encontrar caminhos para que pudessem sentir a proximidade da Igreja, ao mesmo tempo que encontrassem acolhida e cura de suas feridas. O Pontífice lembrou que não seria apenas um colocar ataduras em cima de chagas abertas sem primeiro ajudar a cura das mesmas. Ou seja, será necessário aprofundar os caminhos com honestidade e carinho. 

Alguns assuntos polêmicos mereceram um destaque da imprensa: a comunhão dos casais de segunda união e mesmo a possibilidade dessa outra união, como também a questão dos homossexuais. Sabemos que muitas pessoas, devido ao tipo do noticiário, ficaram atônitas diante das várias versões que foram publicadas. O clima no Sínodo foi muito sincero em colocar os problemas, e fraterno na discussão dos mesmos. O grande interesse é como anunciar o Evangelho hoje e também estar próximo das pessoas que sofrem devido a tantas situações que a modernidade as conduziu.

O Papa Francisco disse que temos que ser criativos e nos deixar surpreender por Deus, e que uma Igreja evangelizadora "se ajoelha para lavar os pés", "se envolve", "estende pontes para diminuir as distâncias", "se abaixa quando é necessário", "abraça a vida humana e toca na carne do sofrimento dos outros".

Como é que a Igreja pode desenvolver cada vez mais essas características? O Papa Francisco acredita que o caminho é a misericórdia. No coração da Evangelii Gaudium, ele cita o Doutor Angélico: Tomás explica que, “no tocante às obras externas, a misericórdia é a maior de todas as virtudes: ´em si, a misericórdia é a maior das virtudes, uma vez que todas as outras giram em torno dela e, mais do que isso, ela supre as suas deficiências´” (Evangelii Gaudium, 37). Ao passar às consequências pastorais deste caminho da misericórdia, o Papa diz que, “quando falamos mais da lei do que da graça”, temos como resultado um desequilíbrio, no qual a nossa mensagem deixa de ter “a fragrância do Evangelho” (EG, 38-39).

Numa época de confusão quase universal sobre Deus e sobre o ser humano, como é que vamos transmitir uma mensagem de graça e de misericórdia sem negligenciar o magistério da Igreja? Era uma das perguntas que nos faziam durante o Sínodo: como conciliar a doutrina com as necessidades pastorais. Uma dificuldade é que a enunciação daquilo em que acreditamos já é sentida como um ataque contra as pessoas que vivem de forma diferente. Abre-se uma distância acentuada entre nós, quando deveríamos promover um vínculo materno muito próximo.

Outra dificuldade é o fato de que falar mais sobre a graça e o perdão do que sobre a lei parece implicar um risco moral em todos os contextos comuns: por que não haveria esse risco também nas questões espirituais? Não há uma resposta fácil para isto. São questões difíceis. Neste sentido, o Papa está nos levando a aprofundar e encontrar caminhos necessários para a missão evangelizadora da Igreja. 

O Papa Francisco espera do Sínodo: um trabalho árduo em cima de um caminho de misericórdia, aplicado à crise humanitária mais urgente dos nossos dias: o fracasso epidêmico em viver o casamento e a família de maneira coerente com o autêntico florescimento humano. Há uma mudança de conceitos e de valores impressionante no mundo de hoje. Como agir nesse contexto sem deixar as verdades da revelação e, ao mesmo tempo, encontrando caminhos de proximidade daqueles que passam pelos ferimentos das batalhas da vida?

O Prefácio do instrumento de trabalho desta Assembleia Extraordinária lembra: “Esta ênfase na misericórdia tem tido um grande impacto inclusive nas questões relativas ao casamento e à família, na medida em que, longe de qualquer tipo de moralismo, ela confirma a perspectiva cristã sobre a vida e abre novas possibilidades para o futuro, independentemente de limitações pessoais ou de pecados cometidos. A misericórdia de Deus é uma abertura para uma contínua conversão e um contínuo renascimento”.

O tema da misericórdia está cada vez mais em primeiro plano como um ponto de vista importante no anúncio do Evangelho; a relação destacou que a misericórdia não elimina a verdade e não a relativiza, mas leva a interpretá-la corretamente no contexto da hierarquia das verdades. “A misericórdia, portanto, tampouco anula os compromissos que nascem das exigências do vínculo matrimonial. Estes continuam subsistindo inclusive quando o amor humano se debilitou ou cessou”, assinala o texto. 

A Mensagem Final inicia recordando a importância da família: “Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho cotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor”. E conclui: “vos pedimos para caminhar conosco em direção ao próximo sínodo”. Portanto, o caminho foi aberto e traçado. Cabe, durante este ano que nos separa do Sínodo Ordinário, aprofundarmos os temas e rezarmos para que o Espírito Santo nos inspire os melhores caminhos e soluções para que, como cristãos e católicos, fermento no meio da massa, fazermos a nossa parte neste tempo de tantas mudanças, indo ao encontro das várias necessidades e indicando caminhos de superação. “Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia”.

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/10/24/a_caminho_do_s%C3%ADnodo_ordin%C3%A1rio/bra-832698
do site da Rádio Vaticano 

20/10/2014

Santa Teresa D’Ávila, 500 anos

Padre Geovane Saraiva*
A Igreja prepara-se agora para recordar os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus. Isto significa, sobretudo, penetrar no mistério indizível da bondade de Deus e dos desígnios da providência divina, no sentido de dizer um muito obrigado pela dádiva de uma lição gratuita de humanismo, sem jamais esquecer de seus dotes literários, bem como de sua mais alta psicologia e pedagogia, a causar enorme influência no conhecimento e sabedoria da criatura humana. Penso que o Quinto Centenário da reformadora e renovadora, seja um tempo de profunda graça interior, no qual a Igreja é chamada a reavivar o dom do fervor e do ardor na vida contemplativa, espiritual, pastoral e no anúncio do Evangelho.
Trata-se de uma grande festa de ação de graças pelo dom da mística de Teresa D’Ávila, totalmente ofertado à Igreja, numa figura humana marcada pela graça da santidade, tão inteligente e capaz, a ponto de reformar e renovar o interior da Igreja, consciente de que a mesma, embora na sonhada busca pela perfeição, pureza e lisura, é uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão. Ela buscava incessantemente a vida interior, a qual tão bem descreveu como um castelo de sete moradas, no qual Deus habita no mais alto nível. Neste sentido, assim rezava: “Nada te perturbe. Nada te amedronte. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”
               
Diante de uma criatura humana exemplar e referencial atemporal como Teresa D’Ávila, um verdadeiro milagre do inefável mistério de Deus, falta-nos a palavra perfeita para expressar o significado dessa preparação para a completude de seus 500 anos de existência (1515-2015). Não tenho dúvida alguma tratar-se de uma mulher fortemente imbuída do Espírito de Deus, assim percebo o interior de nossa irmã D'Ávila: “Como a corça que suspira pelas águas da torrente, assim minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo” (cf. Sl 42, 1). Suas belíssimas reflexões nos fazem pensar que temos tudo o que precisamos à mão, agora mesmo, para realizar o projeto de Deus: “O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”. Santa Teresa também nos indaga sobre a superficialidade de nossos sentimentos: “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”.
Como é maravilhoso comemorar os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus em um conjunto de iniciativas de âmbito espiritual e cultural, com exposições, cursos e peregrinações. O Papa Francisco concedeu a graça da sua bênção a todos os fiéis que “verdadeiramente arrependidos e movidos pela caridade” assistam aos Rituais Sagrados em datas específicas, a saber: Início do Ano Jubilar, a 15 de outubro de 2014; no dia de Natal, 25 de dezembro; e em 2015, no aniversário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, dia 28 de março; no dia de Páscoa, a 5 de abril, e no encerramento do Ano Jubilar a 15 de outubro de 2015. Mais ainda, o Papa Francisco decretou um Ano Jubilar por ocasião do Quinto Centenário do nascimento daquela que afirmou: “Senhor, sou uma filha da vossa Igreja e como filha da Igreja Católica quero morrer”; sendo considerada fundadora dos Carmelitas Descalços juntamente com São João da Cruz. Bendito seja Deus por suas santas criaturas!
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com

01/10/2014

SÃO FRANCISCO DE ASSIS

Por Pe. Brendan Coleman Mc Donald,  Redentorista
padre-Brendan200No dia 4 de outubro o mundo celebra a festa do grande São Francisco de Assis. Francisco que nasceu na cidade de Assis no centro da Itália, em 1182, é, sem dúvida, um dos mais atraentes santos da história da Igreja Católica e uma das personalidades mais admiradas por outras igrejas e até por pessoas sem religião. Com 24 anos de idade, tinha se despojado de tudo: riquezas, ambições, orgulho, e até a roupa que usava, para pregar o ideal evangélico de humildade, pobreza e castidade. Quando jovem, sonhou com as glórias militares e até participou numa guerra entre sua cidade de Assis e a vizinha cidade de Perusa. Porém, Deus o chamava não às vaidades do mundo nem a glória militar, mas à imitação radical da pobreza de Cristo. Enquanto meditava extasiado na igrejinha de São Damião, pareceu-lhe ter ouvido uma voz saída do crucifixo dizendo: “Vá escorar a minha Igreja, que está desabando”.
Com a renúncia definitiva aos bens paternos, aos 25 anos de idade, Francisco deu início à sua vida religiosa. Vestiu um grosso hábito, cingiu-se de áspero cordão, e tomou a resolução de viver em pobreza apostólica. Inicialmente olhado com desconfiança, aos poucos ganhou a simpatia e a admiração da população de sua cidade. Com doze companheiros, morando numa velha capelinha chamada “Porciúncula” ele iniciou o extraordinário movimento franciscano que evoluiu mais tarde em três Ordens Religiosas: A Ordem dos Franciscanos Menores; a Segunda Ordem das Clarissas; e a Terceira Ordem para leigos querendo viver no mundo a espiritualidade de Francisco. Na “Oração de São Francisco”, de origem anônima, aparecendo inicialmente em Paris, França, em 1912, e que costume ser atribuída popularmente a São Francisco, encontramos uma estrofe dizendo: “Onde houver dúvida, que eu leve a fé”. Foi justamente isso que São Francisco e seus companheiros fizeram. A vida do santo é caracterizada por uma intensa pregação e incessantes viagens missionárias, para levar às pessoas a mensagem evangélica de “paz e bem”. Ele pregou a mensagem evangélica a todas as classes sociais e isso foi à tarefa principal dos “irmãos menores”. Francisco disse aos seus irmãos “Não vos incomodeis com o conceito dos homens que vos desprezam. Pregai a penitência com toda simplicidade, confiando naquele que venceu o mundo pela humildade”. O santo, por humildade, nunca quis ser sacerdote. Com o lema “paz e bem” partiu para o Oriente em 1221 sonhando com o martírio. Tentou pregar em Marrocos, Egito e Palestina. Nesses lugares foi ouvido com respeito pelos muçulmanos embora as conversões não fossem muitas.
É interessante notar que em 1223, Francisco celebrou o Natal em Greccio com um presépio vivo, cantando o evangelho como diácono e pregando animadamente. Já debilitado fisicamente pelas duras penitências, entrou na última etapa de sua vida, que assinalou a sua perfeita configuração a Cristo, até fisicamente, através dos estigmas: Isto é, a reprodução no seu corpo dos sinais da paixão e morte de Cristo, recebidos sobre o monte Alverne em 14 de setembro de 1224.  Seus últimos anos de vida foram atormentados por várias doenças que culminaram na quase total cegueira. Francisco faleceu na tarde do dia 3 de outubro de 1226, com 44 anos de idade, e foi canonizado dois anos depois de sua morte em 1228. Em 1939, o Papa Pio Xll, proclamando São Francisco o padroeiro principal da Itália, disse que ele “foi o mais italiano dos santos e o mais santo dos italianos”.
Quais são as lições que a vida de São Francisco nos ensina?  São várias, entre as quais podemos citar: humildade, a necessidade de fazer penitência, a importância da conversão, a obrigação de pregar o evangelho, a importância da castidade, amor e dedicação aos pobres e mais abandonados, modéstia, a importância relativa de riquezas, a simplicidade de vida, nossa obrigação de levar a fé onde não existe ou onde está fraco, o valor da pobreza evangélica e a reconciliação etc. Hoje os restos mortais de São Francisco descansam na Basílica de Assis, na Itália, decorada com os afrescos do famoso artista e pintor Giotto di Bondone, que contam no teto da Basílica a vida de Francisco.

                                                             (Fontes: O Santo do Dia, Conti, Vozes, 1990; Dicionário dos Santos, Santidrián & Astruga, Santuário, 2004; e Breve Biografia dos Santos, Org. Silva Lima, Paulus, 2012)

19/09/2014

Debate, réplica e tréplica


Há de se dar plena razão aos que consideram a participação dos candidatos nos debates veiculados pelos meios de comunicação inócua e pouco relevante para o processo de discernimento dos eleitores. Também são coerentes os argumentos dos que apontam a propaganda eleitoral como verdadeira enganação. Pode não chegar a tanto, mas essas produções chamam a atenção pela exposição pouco nobre de pessoas que, no afã de ganhar voto, por meio de seus discursos, se desenham como “salvadoras da pátria”. 

Em suas falas, buscam aproximar-se dos heróis da ficção. Talvez, possa até constituir objeto de estudo a semelhança entre os personagens folclóricos da literatura e a imagem que a propaganda eleitoral produz sobre candidatos. Eles aparecem como cidadãos e cidadãs com identidade, trajetória e história não condizentes com o que, de fato, são; e sempre longe do que podem vir a ser. Viver de miragens do próprio ego, incontestavelmente, é uma das mais trágicas situações existenciais, com a produção de prejuízos para a cidadania e comprometimentos sérios na vida política.

Neste sentido, o desempenho dos candidatos nos debates eleitorais não consegue corresponder às demandas do processo eleitoral. Na busca pelo voto a todo custo, sob a pressão das pesquisas, os candidatos à presidência da República portam-se como se estivessem em um ringue de boxeadores, com uma platéia de torcedores. O eleitor-torcedor, perdão se for exagero, não simplesmente movido pelo grande desejo de que sejam encontradas saídas para os graves problemas sociais, se deixa afetar por descompassos afetivos. Alegra-se ao ver seu candidato desferir “um golpe certeiro” no adversário. Os comentários pós-debate sublinham, sobretudo, como um “esfregar de mãos”, o discurso ferino, as evasivas de uns, as conivências e posturas comprometedoras de outros. O saldo é pouco educativo. 

De fato, lamentavelmente, as perguntas e as respostas formam uma dinâmica que se resume aos “golpes” e autoelogios. O processo tem muito da perversão humana, predatória, de ganhar e convencer por nocautear o outro. Os ataques perpassam a análise de incompetências. Também se fundamentam nas falhas morais que levam à corrupção e à incapacidade de se compreender que a cidadania, a presidência de uma república, o governo de um Estado, da própria casa ou da empresa, alcança nobreza e incontestada importância quando a meta prioritária é o bem comum. Lamentável, pois, é a classificação medíocre da participação política. As escolhas vão sendo definidas por temas que não deveriam ser tão recorrentes na vida do povo.

O atual processo de discussão sobre o perfil mais adequado para a presidência da República, em vez de contribuir para a decisão do eleitor, deixa mais dúvidas, por se reduzir à lógica do ringue. Não se consegue revelar o perfil estadista dos candidatos. Além disso, é muito humilhante prestar-se à desmoralização mútua, lógica do discurso para simplesmente conseguir voto. Isto não é próprio de quem reúne condições para ser representante do povo no cargo mais importante do país. Não se está conseguindo construir um caminho em que os candidatos possam debater seus entendimentos, propostas e compromissos. Um percurso necessário para o amadurecimento dos projetos e, também, para o discernimento dos eleitores. 

Uma via possível é investir nas sabatinas, em diferentes ambientes, enriquecidas pela presença de especialistas de diversos campos, representantes da sociedade - especialmente daqueles comprometidos com os interesses dos mais pobres - para ajudar na avaliação da estatura do candidato. Não é fácil dar este passo novo, por muitas razões. Alguns vão dizer que a política é assim no mundo inteiro e, por isso, a sociedade brasileira não teria condições de fazer diferente, tornando-se exemplo. Infelizmente, a mediocridade na política brasileira é um veneno. Segue perpetuada pelos interesses partidários e desejo de galgar o poder; nele permanecer para fazer da máquina administrativa o lugar do serviço aos pares, e não aos pobres.

Incluindo a competência de gerentes, o carisma de líderes, o Brasil precisa de homens e mulheres com componentes morais para a saudável e relevante representação política. Essa tarefa consiste em compartilhar o sentimento do povo e em buscar, com políticas emancipatórias - não apenas compensatórias - a solução de problemas sociais. Tem este perfil quem exerce o poder com espírito de serviço. Isto significa ter paciência, moderação, modéstia, caridade e esforço de partilha - remédios para a ganância pelo poder. A corrupção política do sistema democrático não permitirá o surgimento de gente com o perfil esperado, perpetuando a triste conclusão de que os debates, com suas réplicas e tréplicas, mostram uma realidade pouco interessante. Revelam candidatos que buscam convencer o eleitor indicando que os outros são ainda piores. 

Que venham as reformas necessárias para mudar esse cenário e que chegue logo o momento em que nossos dirigentes exerçam o poder não como se fosse sua propriedade ou de partidos, mas como uma delegação, a vivência de uma representatividade. O façam ancorados sempre nas quatro exigências fundamentais: verdade, justiça, amor e liberdade, que podem dar envergadura e perfil a quem se aventura em propor seu nome a cargos eletivos e representativos. 

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/19/debate,_r%C3%A9plica_e_tr%C3%A9plica/bra-826056
do site da Rádio Vaticano 

14/09/2014

As cruzes de cada dia


Neste final de semana celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz e no dia seguinte a memória de Nossa Senhora das Dores. São momentos de aprofundar o sentido de nossa presença junto à Cruz de Jesus e também o seu sentido para nossas vidas hoje.
A liturgia vai nos ajudar a ver na Cruz, onde Cristo deu sua vida por nós no alto do Calvário, um sinal que nos convida a crer, a aceita-lo como Senhor de nossas vidas e assim sermos curados dos venenos das víboras do mal que estão ao nosso redor. É o sinal de nossa salvação, transformando, assim, o antigo sinal de condenação e maldição.
Todos os Atos da vida de Cristo são redentores, mas a redenção do gênero humano culmina na Cruz, para a qual o Senhor orienta toda a sua vida: Tenho que receber um batismo, e como me sinto ansioso até que se cumpra, dirá aos seus discípulos a caminho de Jerusalém. Revela-lhes as ânsias irreprimíveis de dar a sua vida por nós, e dá-nos exemplo do seu amor à vontade do Pai morrendo na Cruz. E é na Cruz que a alma alcança a plenitude da identificação com Cristo. Este é o sentido mais profundo que têm os atos de mortificação e penitência. 
Para sermos discípulos do Senhor, temos de seguir o seu conselho: “se alguém quiser vir após mim, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me” (Mt 16,24). Não é possível seguir o Senhor sem a cruz. As palavras de Jesus Cristo têm plena vigência em todos os tempos, uma vez que foram dirigidas a todos os homens, pois quem não carrega a sua cruz e me segue – diz-nos Ele a cada um – não pode ser discípulo (Lc 14,27).
Carregar a cruz – aceitar a dor e as contrariedades que Deus permite em nossa vida, cumprir os deveres próprios, assumir voluntariamente a mortificação cristã – é condição indispensável para seguir o Mestre.
“Que seria de um Evangelho, de um cristianismo sem Cruz, sem dor, sem o sacrifício da dor? perguntava-se Paulo VI. Seria um Evangelho, um cristianismo sem Redenção, sem Salvação, da qual – devemos reconhecê-lo com plena sinceridade – temos necessidade absoluta. Seria um cristianismo desvirtuado, que não serviria para alcançar o Céu, pois o ‘mundo não pode salvar-se senão por meio da Cruz de Cristo’”. “O Senhor salvou-nos por meio da Cruz; com a sua morte, devolveu-nos a esperança, o direito à Vida” (Paulo VI, Alocução, 24-III-1967). 
Unidos ao Senhor, a mortificação voluntária e as mortificações passivas adquirem o seu sentido mais profundo. Não são atos dirigidos primariamente à nossa perfeição, ou uma maneira de suportarmos com paciência as contrariedades dessa vida, mas participação no mistério divino da Redenção.
Aos olhos de alguns, a mortificação pode não passar de loucura ou insensatez, de um resíduo de outras épocas que não combinam com os avanços e o nível cultural do nosso tempo; como também pode ser pedra de escândalo para aqueles que vivem esquecidos de Deus. Mas nenhuma dessas atitudes deve surpreender-nos: São Paulo escrevia que a Cruz é escândalo para os judeus, loucura para os gentios. E mesmo os cristãos, na medida em que perdem o sentido sobrenatural de suas vidas, não conseguem entender que só podemos seguir o Senhor através de uma vida de sacrifício, junto da Cruz.
Os próprios Apóstolos, que seguem o Senhor quando é aclamado pelas multidões, ainda que O amassem profundamente e estivessem dispostos a dar a vida por Ele, não O seguem até o Calvário, pois ainda eram fracos por não terem recebido o Espírito Santo. Há uma diferença muito grande entre seguir o Senhor quando isso não exige muito, e identificar-se plenamente com Ele através das tribulações, pequenas e grandes, de uma vida sacrificada.
O Cristão que vive fugindo sistematicamente do sacrifício, que se revolta com a dor, afasta-se também da santidade e da felicidade que se encontra muito perto da Cruz, muito perto de Cristo Redentor.
O Senhor pede a cada cristão que O siga de perto e, para isso, é necessário acompanha-Lo até o Calvário. Jamais deveríamos esquecer estas palavras: Quem não toma a sua cruz e me segue não é digno de mim. Muito tempo antes de padecer na Cruz, Jesus já tinha dito aos seus seguidores que teriam de carregá-la.
Para nos decidirmos a viver com generosidade a mortificação, convém que compreendamos bem as razões que lhe dão sentido: se muito nos custam as mortificações, é porque ainda não descobrimos ou não entendemos a fundo o seu sentido.
Os motivos que impelem o cristão a ter uma vida mortificada são vários. O primeiro é esse que considerávamos anteriormente: o desejo de nos identificarmos com o Senhor e de segui-Lo nas suas ânsias de redimir por meio da Cruz, oferecendo-se a Si mesmo em sacrifício ao Pai. A nossa mortificação tem, assim, os mesmos fins da Paixão de Cristo e da Santa Missa, e traduz-se numa união cada vez mais plena com a vontade de Deus.
Celebremos a Festa da Santa Cruz com a alegria da salvação e a caminhada na busca da conversão de nossas vidas para sermos testemunhas daquele que morreu na Cruz e hoje está vivo e ressuscitado. 
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/14/as_cruzes_de_cada_dia/bra-825183
do site da Rádio Vaticano 

09/09/2014

EXALTAÇÃO DA SANTA CRUZ

padre-Brendan200No dia 14 de setembro celebramos a festa da Exaltação da Santa Cruz. No calendário litúrgico cristão há várias festas relacionadas à Cruz, todas com a intenção de relembrar a crucificação de Jesus Cristo, evento central da fé, como diz o apóstolo São Paulo: “nós pregamos  Cristo crucificado, que é para os judeus, na verdade, uma pedra de tropeço, e para os gentios uma estultícia; mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus e sabedoria de Deus” (1Cor 1 23-24). Enquanto a Sexta-Feira Santa é dedicada à paixão e crucificação, a festa da Exaltação  da Santa Cruz, em 14 de setembro, celebra a cruz como instrumento de salvação, fonte de santidade e símbolo revelador da vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. A cruz sobre a qual Jesus sofreu era, originariamente, apenas um instrumento material de sua morte. Mas já na época dos apóstolos ela se transformou em símbolo de redenção operado por Cristo e, portanto, símbolo da fé cristã.
Segundo a tradição, a Vera Cruz (verdadeira cruz) foi descoberta em 326 por Santa Helena de Constantinopla, mãe do Imperador Constantino  Magno, que deu liberdade religiosa à Igreja depois de 250 anos de perseguição. Ela viajou como peregrina para a Terra Santa. Aí ela mandou fazer diligentes pesquisas a fim de descobrir e identificar a verdadeira cruz de Cristo. A Igreja do Santo Sepulcro foi construída no local da descoberta, por ordem de Helena e Constantino. A igreja foi dedicada nove anos depois em 335, com uma parte da cruz em exposição. Em 13 de setembro ocorreu a dedicação da igreja e a cruz foi posta em exposição no dia 14 de setembro, para que os fiéis pudessem orar e venerá-la. Em 614 os persas invadiram a cidade e tomaram a cruz, que foi recuperado pelo Imperador Bizantino Heráclito em 628. Pouco depois a cruz retornou ao Santo Sepulcro.
Segundo O Missal Romano: “A Cruz, sinal do mais terrível entre os suplícios, é para o cristão a árvore da vida, o tálamo, o trono, o altar da nova aliança. De Cristo, novo Adão adormecido na cruz, jorrou o admirável sacramento de toda a Igreja. A Cruz é o sinal do senhorio de Cristo sobre os que no Batismo são configurados a ele na morte e na glória”. São Paulo nos diz: “Pois se fomos totalmente unidos, assimilados à sua morte, o seremos também à sua Ressurreição” (Rm 6, 5). Na tradição dos Padres, a cruz é o sinal do Filho do Homem que comparecerá no fim dos tempos “Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; e todas as tribos da terra baterão no peito; e elas verão o Filho do Homem vir sobre as nuvens do céu na plenitude do poder e da glória” (Mt 24.30). Com o olhar voltado para o mistério central de nossa fé, pedimos a Deus podermos sempre participar dos frutos da Redenção até conseguirmos a glória da Ressurreição.
                                          Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
                                     Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

01/09/2014

Dom Orani: Do Rio a Cracóvia


Realizou-se nos dias passados em Bogotá, Colômbia, o III Congresso Apostólico Mundial da Divina Misericórdia (Wacom III), com a mensagem do enviado especial do Papa, Cardeal Javier Errázuriz Ossa, Arcebispo Emérito de Santiago do Chile. Participaram no encontro de quatro dias, sob a presidência do Cardeal Christopher Schönborn, Arcebispo de Viena, cardeais, arcebispos, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos de diversas partes do mundo.

Entre os conferencistas encontrava-se o Arcebispo do Rio de Janeiro, Cardeal Dom Orani João Tempesta, que abordou o tema: “Do Rio a Cracóvia: perspectivas de Misericórdia para Jovens”.

Em seu pronunciamento, ao falar sobre a paz, Dom Orani afirmou que “a sua busca em nossos países é grande, pois a Igreja tem o dever de trabalhar em prol da misericórdia, sendo nosso dever nos aproximar da dor de cada pessoa”. A misericórdia vem da proximidade do nosso coração com a miséria humana e as injustiças naquelas famílias, avassaladas pela violência em nossas pátrias.

Além disso, o Cardeal enfatizou os frutos colhidos após a realização da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), realizada no Rio de Janeiro no ano passado. Nós conversamos sobre isso com Dom Orani. (SP)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/01/dom_orani:_do_rio_a_crac%C3%B3via/bra-822707
do site da Rádio Vaticano 

27/08/2014

Fome no mundo


Em tempos de campanha eleitoral, é bom dar-nos conta que existem outras “campanhas”, mais arejadas e mais claras em seus objetivos. Uma delas, sem dúvida, é a campanha contra a fome no mundo, lançada pela Cáritas Internacional, e assumida pelas cáritas nacionais, em mais de 150 países. Uma campanha, portanto, que conta com o apoio institucional de uma das organizações mais ativas hoje no mundo.
O lema da campanha é abrangente e motivador. “Uma família humana, pão e justiça para todas as pessoas!”
Se todas as cáritas estão dispostas a abraçar esta campanha, podemos dizer que a Cáritas Brasileira se sente particularmente envolvida, dado que o Brasil é um dos maiores produtores de alimentos no mundo. 
Esta constatação nos apresenta diversas interpelações. Com vastas extensões de terras cultiváveis, e sendo um dos poucos países que ainda podem estender sua fronteira agrícola, ao se falar em fome, o Brasil precisa mesmo se sentir questionado. 
Com a pauta de exportações de alimentos tão significativa, o Brasil bem que poderia urgir uma política mundial de produção e distribuição de alimentos, que superasse a esfera meramente comercial dos produtos alimentícios. 
Pois de fato, uma das questões pendentes em todas as esferas políticas é o caráter prioritário que deveria merecer a circulação mundial de produtos alimentícios. O alimento não pode se relegado à condição de mera mercadoria. 
Neste sentido, é evidente a complexidade da questão, pela incidência que uma determinada decisão tem sobre outras. As medidas adotadas para a esfera da comercialização, têm reflexos imediatos na esfera da produção. É por isto que a agricultura é a atividade econômica que mais precisaria ser regulamentada com critérios humanitários, sem desconhecer sua dimensão comercial, que também precisa de adequada valorização.
Pois às vezes acontece que uma determinada ação governamental para baixar os preços dos produtos agrícolas, acaba penalizando os agricultores que os produziram. 
Tudo isto para dizer que esta campanha contra a fome no mundo tem horizontes amplos, e traz questionamentos de ordem política e administrativa. 
Mas independente destas complexidades, a campanha tem caráter de urgência, e pode contar com a adesão de todos, e se expressar através de diversas iniciativas, que precisarão contar necessariamente com a arrecadação de recursos financeiros, que no seu destino poderão ser convertidos em alimentos que possam chegar ao alcance dos mais de um bilhão de famintos no mundo.
Assim, o sistema financeiro, que é o setor que mais lucra com a ordem econômica vigente hoje no mundo, poderá prestar o bom serviço, de ser o mediador da solidariedade humana, neste causa tão nobre de saciar a fome dos famintos.
Outro aspecto importante desta campanha, é o apoio que ela já recebeu do Papa Francisco. Para entender o peso deste apoio, é bom dar-nos conta da estratégia do Papa em pautar seu pontificado. Ele fez diversos gestos simbólicos, que encontraram grande receptividade no mundo. Mas não bastam os gestos. Ele tomou algumas iniciativas, que podem ser chamadas de exemplares, para sinalizar ações mais envolventes. Pois bem, uma das iniciativas simbólicas foi o apoio dado a esta campanha da Cáritas, que ele quis assumir como sendo de toda a Igreja. Com isto, ele aponta as ações concretas contra a fome, como sendo a maneira prática dos cristãos colaborarem com a vida digna de todas as pessoas. Assim a Igreja atende o apelo de Cristo: “Dai-lhes vós mesmos de comer!” 
Dom Demetrio Valentini


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/08/27/fome_no_mundo/bra-821892
do site da Rádio Vaticano 

26/08/2014

OS DESAFIOS ATUAIS E AS ELEIÇÕES

padre-Brendan200Em outubro deste ano escolheremos, através do voto, os nossos representantes políticos para o Poder Executivo (Presidente da República, governadores dos Estados, deputados federais e estaduais e parte do Senado). O Centro Nacional de Fé e Política “Dom Helder Câmara (CEFEP), O Conselho Nacional do Laicato do Brasil (CNBLB), O Núcleo de Estudos Sociopolíticos da PUC Minas (NESP) e A Comissão Brasileira de Justiça e Paz (CBJP) publicaram um livrinho titulado “Eleições 2014: Seu voto tem consequências”. Até esta data os vários candidatos apresentando seus projetos na televisão e na mídia abordam tópicos como: saúde, educação, moradia, água etc. Porém, há outros problemas graves que não estão sendo abordados, pelo menos adequadamente. Estes problemas são encontrados no livrinho acima citado. Entre os quais podemos citar os seguintes: 

a)Os gastos com a dívida pública. É o maior gasto do governo, e faz com que faltem recursos para outros itens essenciais como saneamento básico, saúde, educação e outras políticas sociais. b) A violação dos direitos dos povos indígenas e quilombolas. Atualmente dezenas de usinas hidrelétricas estão sendo construídas na Amazônia com sérios prejuízos aos povos indígenas e quilombolas. A demarcação de terras indígenas, direito garantido pela Constituição, ainda não foi feito! c) A lentidão da Reforma Agrária. d) A terra urbana como capital especulativo. Apesar da existência do Estatuto da Cidade, existem grandes espaços desocupados dentro do perímetro urbano enquanto os pobres são levados a morar em regiões distantes em condições inadequadas. e) Os megaprojetos de infraestrutura. O país está investindo em inúmeras megaprojetos como hidroelétricos, estádios, estradas etc. Para realiza-los comunidades estão sendo removidas, a maior parte sem uma justa indenização. f) As privatizações. Continuam as privatizações de empresas estatais, serviços públicos, aeroportos, e mais recentemente com o início aos leilões das áreas do pré-sal e das áreas de exploração do petróleo. g) O sistema tributário e a desigualdade social. Basicamente é um sistema injusto, no qual os pobres pagam proporcionalmente mais que os ricos. Porque a maior parte dos impostos recai sobre o consumo e não sobre a renda aos cidadãos. h) O oligopólio da grande mídia. Os grandes meios de comunicação no Brasil estão nas mãos de um pequeno grupo, um oligopólio, que defendem os interesses dos grandes grupos econômicos como bancos, empreiteiras, agronegócio etc. e não o povo. Votantes na eleição de outubro precisam conhecer estes desafios que acabamos de mencionar. São itens vitais para o futuro do Brasil e do bem do povo brasileiro.
(Fonte: Livrinho acima mencionado)
Pe. Dr. Brendan Coleman Mc Donald
Redentorista e Assessor da CNBB Reg. NE1

20/08/2014

"Não se faz guerra em nome de Deus", reflexão de Dom Krieger

 “Nunca se derrota a violência com a violência. A violência é vencida com a paz” (Papa Francisco)
Dom Murilo S.R. Krieger
Arcebispo de Salvador (BA)
Poucos dias antes de embarcar para a visita pastoral à Coreia, onde ainda se encontra, o papa Francisco, diante dos trágicos acontecimentos que ocorrem no norte de Iraque, proclamou: “Não se faz guerra em nome de Deus”. Ele tinha diante de si números e situações dramáticas: ataques violentos contra cristãos, pelo fato de serem cristãos, por milicianos jihadistas (= lutam para conquistar a “fé perfeita”).
Para a cidade de Erbil, que tem vinte e cinco mil cristãos, fugindo das perseguições acorreram setenta mil cristãos que, naturalmente, estão desalojados. Como escreveu Dom Louis Raphael, Presidente dos Bispos Católicos no Iraque: “As famílias que encontraram abrigo dentro das igrejas ou escolas estão em condições relativamente boas, ao passo que aqueles que ainda estão dormindo nas ruas e parques públicos encontram-se em situação deplorável”. Em Dohuk, o número de refugiados cristãos chega a mais de sessenta mil, e a situação deles é pior do que a dos refugiados em Erbil.
No Iraque, muitas igrejas foram destruídas / Foto: AIS
No Iraque, muitas igrejas foram destruídas / Foto: AIS
Nas aldeias cristãs em torno de Mosul, até as fronteiras do Curdistão,“as igrejas encontram-se desertas e profanadas; cinco bispos estão fora de suas diocese, os sacerdotes e freiras saíram de suas missões e instituições, deixando tudo para trás, as família fugiram com seus filhos, abandonando tudo. O nível de desastre é extremo”.
Por que, de repente, está acontecendo tudo isso? Por que essa perseguição sistemática e o desejo de eliminar os cristãos daquela região? Afinal, é chocante ver que estão sendo expulsas famílias cujos antepassados viveram ali pacificamente há vários séculos. Por trás dessa tragédia humanitária está o desejo, por parte de alguns grupos minoritários, de “restaurar o califado”, que tinha sido abolido em 29 de outubro de 1923, por Kamal Ataturk, fundador da Turquia moderna.
Diante dessa situação, no dia 12 de agosto p.p. o Pontifício Conselho para o Diálogo Inter-Religioso da Santa Sé fez um apelo para que todos – inclusive a maioria muçulmana que não aceita esse projeto de “restauração”, nem os métodos utilizados – se unam para denunciar as práticas vergonhosas que vêm sendo cometidas.
Eis algumas dessas práticas: “a matança de pessoas apenas por causa das suas crenças religiosas; a abominável prática da decapitação, crucificação e exposição de cadáveres pendurados em locais públicos; a imposição, aos cristãos, do dilema entre a conversão forçada ao islã, o pagamento de imposto por não serem muçulmanos ou o êxodo; a expulsão forçada de dezenas de milhares de pessoas, incluindo crianças, idosos, mulheres grávidas e doentes; o rapto de meninas e mulheres pertencentes a comunidades cristãs; a imposição da prática bárbara da mutilação genital; a destruição de locais de culto e mausoléus cristãos e muçulmanos; a ocupação forçada ou a profanação de igrejas e mosteiros; a remoção de crucifixos e outros símbolos religiosos cristãos; a destruição do inestimável patrimônio religioso e cultural cristão”.
O Pontifício Conselho acentua: “Nenhuma causa pode justificar tal barbárie; certamente não uma religião. Trata-se de um crime extremamente grave contra a humanidade e contra Deus, que é o Criador, como frequentes vezes disse o papa Francisco.”
Não podemos nos esquecer que cristãos e muçulmanos têm vivido juntos ao longo dos séculos, mesmo que com muitos altos e baixos, construindo uma cultura de cordialidade e uma civilização da qual estão orgulhosos. Além disso, é com essa base que, nos últimos anos, o diálogo entre cristãos e muçulmanos tem se aprofundado.
A situação dos cristãos exige uma posição clara e corajosa por parte dos líderes religiosos. Todos devem ser unânimes em condenar com clareza esses crimes e denunciar a invocação da religião, para justificá-los. Do contrário, que credibilidade terão as religiões, seus seguidores e seus líderes?
Unamos nossa voz à do papa Francisco: “Que o Deus da paz reforce todo desejo autêntico de diálogo e de reconciliação. Nunca se derrota a violência com a violência. A violência é vencida com a paz”.
Canção Nova

11/08/2014

A Senhora de Nazaré


O título de Nossa Senhora de Nazaré surgiu com antiga tradição cristã do primeiro século, com fatos que incluíam São José e São Lucas, mas que sabemos que tudo se inicia com o anúncio do Arcanjo Gabriel. Uma imagem de Maria, encontrada em Nazaré, teria sido levada para o mosteiro de Cauliniana, na Espanha. Depois, já no século VI, no ano de 711, foi levada para Portugal.

Com a invasão dos mouros em Portugal, o rei Rodrigo, último rei visigodo da Península Ibérica, fugiu levando as relíquias de São Brás, São Bartolomeu e a imagem de Nossa Senhora de Nazaré junto com sua família e com Frei Romano, que sempre o acompanhou. Antes de morrer, Frei Romano escondeu a imagem numa gruta. A imagem ficou ali por mais de 400 anos. Ela foi descoberta em 1182, por pastores que andavam pela região. Por causa da sua simplicidade, beleza e diferença dos padrões de imagens, Nossa Senhora de Nazaré voltou a ser venerada.
Quanto ao milagre: o cavaleiro Diego Fuas Roupinho, que era Alcaide do porto de Mós e Almirante de Dom Afonso, foi salvo por milagre por intercessão de Nossa Senhora de Nazaré.

Ele perseguia uma caça num dia de muita neblina. A caça caiu num abismo por causa da cerração. O cavaleiro não sabia que corria para o abismo. Mas, antes que caísse, ele vinha rezando à Senhora de Nazaré para que o protegesse. De repente, então, o cavalo parou. A cerração se dissipou e ele viu que estava à beira de um abismo onde a caça tinha caído. Após esse milagre, a vila onde isto ocorreu passou a ser chamada de Vila de Nossa Senhora de Nazaré. Lá, foi construída uma pequena capela por Diego Roupinho, o cavaleiro salvo. Hoje existe ali uma Igreja em homenagem a Nossa Senhora.

Os Jesuítas foram os primeiros responsáveis em propagar a devoção de Nossa Senhora de Nazaré por toda a região de Portugal e, posteriormente, para toda a Europa. A principal casa de estudos e noviciado do mosteiro Jesuíta em Portugal é dedicada a Nossa Senhora de Nazaré.
A devoção iniciou no Brasil, pelo que se tem notícia, aqui em nossa região. Conta-se que no dia 8 de setembro do ano de 1630, após uma grande tempestade, um pescador saiu para ver suas redes no mar de Saquarema. Ao passar diante de um morro, onde hoje está erguida a Igreja Matriz dedicada a Nossa Senhora de Nazaré, viu uma forte luz e foi verificar o que era. No local do brilho, ele encontrou a imagem de Nossa Senhora de Nazaré. Levou a imagem para sua casa na vila dos pescadores, reuniu todos os pescadores, fizeram orações e foram dormir. No dia seguinte, a imagem reapareceu no local onde havia sido encontrada. Isso aconteceu por duas vezes. Todos entenderam que era para construir uma capela naquele local. Muitos milagres aconteceram a partir de então e a capela ficou pequena, sendo necessário construir uma igreja bem maior. Sua festa é celebrada no dia 8 de setembro.

A Festa do Círio de Nazaré em Belém do Pará, na região norte do Brasil, foi precedido pelo de Vigia de Nazaré. Porém, ela tornou-se conhecida e celebrada com solenidade em Belém do Pará desde 1793, e hoje, participada por mais de 2 milhões de pessoas no segundo domingo de outubro. Mas ao todo são 12 procissões (romarias) durante o mês de Outubro, que marcam a vida, a fé e a cultura paraenses. O nome círio vem das velas que acompanham a procissão, hoje a da transladação no sábado à noite. Círio é uma palavra que significa vela grande. A devoção à Senhora de Nazaré iniciou-se com o encontro da imagem pelo jovem Plácido. Até hoje essa imagem se encontra na Basílica Santuário como testemunho de um povo devoto, e se tornou a maior festa católica do mundo dedicada à Mãe de Jesus.

Aqui no Rio de Janeiro temos essa devoção há dezenas de anos. Existem paróquias, capelas e irmandades dedicadas a ela. Porém, há seis anos começamos a receber a imagem peregrina. Foi uma iniciativa da Diretoria do Círio de Belém de visitar as capitais do Brasil, hoje expandida para outras cidades e regiões. Como aqui encontrou um numeroso público paraense e outro também devoto de Nossa Senhora de Nazaré, essa visita passou a se repetir a cada ano.
A imagem peregrina chegou no dia 1º de agosto e ficou entre nós até o dia 4 de agosto, quando pudemos ter momentos marcantes junto com a imagem da “Virgem de Nazaré”. O tema deste ano foi: “Vocacionados à Caridade”.

Foram belos e importantes momentos para reavivar a nossa vida de fé e nos impulsionar para o futuro. De maneira especial neste Ano da Caridade e neste Mês Vocacional. 

Rezemos juntos: Ó Virgem Imaculada de Nazaré, fostes na terra criatura tão humilde, a ponto de dizer ao Anjo Gabriel: Eis aqui a escrava do Senhor. Mas por Deus fostes exaltada, e preferida entre todas as mulheres, para exercer a sublime missão de Mãe do Verbo Encarnado. Adoro e louvo o Altíssimo que vos elevou a essa excelsa dignidade e vos preservou da culpa original.

Quanto a mim, soberbo e carregado de pecados, sinto-me confundido e envergonhado perante vos. Entretanto, confiando na bondade e ternura de vosso Coração Imaculado e maternal, peço-vos a força de imitar a vossa humildade, e participar da vossa caridade, a fim de viver unido, pela graça, ao vosso divino filho Jesus. Assim como vós viveste no retiro de Nazaré. Para alcançar essa graça, quero, com imenso afeto e filial devoção, saudar-vos como o arcanjo Gabriel: Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco, bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus. Santa Maria, mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.

Nossa Senhora de Nazaré, rogai por nós que recorremos a Vós! Amém. 

Cardeal Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/08/11/a_senhora_de_nazar%C3%A9/bra-818650
do site da Rádio Vaticano 

27/07/2014

Um Francisco consternado e dolorido

Padre Geovane Saraiva*

Com Veemência, alhures, já falei repetidas vezes de uma Igreja portadora da esperança, que muito fala da esperança, como sua razão de ser, de existir e seu sonho superior aos demais, mas que não proporcionava a suficiente esperança (cf. Hans Küng, Celebração do Culto Divino). Também não me esqueci de falar da nossa confiança que é enorme, sobretudo, ao refletirmos sobre a parábola do pai misericordioso (Lc 15, 11-32), porque temos um papa totalmente identificado com o pai da passagem do referido Evangelho (o filho pródigo), no seu amor infinito e acolhedor, que soube compadecer-se da miséria do filho mais novo, num gesto extraordinário de compaixão e generosidade.

O Planeta alegremente contemplado, no sentido de que os cristãos sejam estimulados e fomentados a um grande compromisso de dialogar e cuidar da criação, nas suas mais diversas realidades. O mundo precisando carinhosamente de práticas ecológicas e ambientais, para que a fé da humanidade possa se tornar cada vez mais viva, lúcida e coerente com aquilo em que acredita. Daí um Francisco consternado e profundamente sofrido diante do desastre com o avião da Malaysian Airlines no leste da Ucrânia, região marcada por fortes tensões, elevando suas orações pelas numerosas vítimas e pelos seus familiares, renovando às partes em conflito o sincero apelo pela paz e por um compromisso para que se encontrem soluções de diálogo, com a finalidade de evitar ulteriores perdas de vidas humanas inocentes.

Vem logo na minha mente a imagem da Pietá, na qual contemplamos as dores da Virgem Maria, com as mãos ensanguentadas, quando o Filho de Deus, naquele supremo episódio doloroso, depois da morte na cruz, retratados por Michelangelo, naquele tema emblemático da arte cristã. Por ocasião da Semana Santa, somos mais de perto convidados a estarmos sempre próximos da Virgem Dolorosa, sentimento este vivido intensamente, neste momento, pelo Papa Francisco. As sete dores por ela sentidas, dores imensas, profundas e inigualáveis, representam as dores da humanidade, na força de uma inefável simbologia.

Entristecidos e, ao mesmo tempo Esperançosos, contamos com um papa capaz de tomar para si e compreender a humanidade, representada pelo filho mais novo que deixou seu pai querido, numa aventura de assumir e administrar sua própria vida e seus bens. Igualmente, numa pedagogia marcada pela misericórdia, que saiba ir ao encontro do filho mais velho, que representa a mesma humanidade, com um coração empedernido, para falar-lhe da necessidade da misericórdia e da conversão do coração diante da dor, da miséria e do sofrimento humano, exigindo-lhe amor, compaixão e solidariedade.

O Santo Padre carrega consigo, no mais íntimo do seu interior e, não tenho nenhum medo de me enganar, o pensamento do grande educador e pensador Rubem Alves, nesta assertiva: "Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos”.

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com