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06/09/2014

Reflexão para o XXIII Domingo do tempo comum – A

O que é perdoar e como perdoar? Neste domingo, o Evangelho nos propõe uma reflexão sobre o ato de perdoar, do perdão.

A primeira atitude do cristão é ir em direção ao pecador e tratá-lo como irmão, com respeito e atenção.

O falar mal e pelas costas, nada adianta, piorará a situação quando o faltoso souber que seu erro foi tema de conversas de outras pessoas. Ele é o mais interessado e não outros. Se ele não sabe e é deixado alheio do que se fala dele, isso se chama, em bom português, fofoca. É uma atitude mundana e nada cristã.

Por outro lado, quem vai falar com o faltoso, deverá ir na qualidade de quem já perdoou a falta cometida, colocando-se na posição de irmão, jamais de juiz.
Muitas pessoas, com determinação, possuem o costume de dizer a verdade, doe a quem doer. Tudo bem! Contudo, nos casos em que a verdade, ao ser dita, poderá provocar rancores e ódios, ela não deverá ser falada. Nem tudo deve ser dito, mas apenas aquilo que gera vida e não morte.

Tudo deverá ser feito em clima de sigilo, respeitando a dignidade e a privacidade do outro.

Se por acaso o faltoso não ouvir o irmão que o procurou com caridade, este deverá se cercar de mais outros dois irmãos semelhantes no respeito e na busca da salvação do faltoso. Procurar o mesmo e entabular uma conversa fraterna.
Nesse momento, onde o faltoso está sozinho de um lado, tendo à frente três outras pessoas que comentam sua má ação, o transgressor jamais poderá ser colocado contra a parede e sentir-se acuado. Se isso acontecer, não será a conversa proposta por Jesus no Evangelho, mas exatamente o que jamais deveria estar acontecendo entre irmãos. O objetivo do papo é a recuperação do transgressor e não sua humilhação e condenação.

Por último chegamos ao terceiro passo da proposta do Senhor. Se nem com a admoestação de mais dois irmãos, o que cometeu um delito não se arrepende e não se propõe a não mais cometer tal falta, a Igreja, ou seja, a Comunidade dos cristãos deverá anunciar que a postura daquela pessoa não corresponde à Boa Nova pregada por ela, que aquele homem não pode ser tomado como um dos seus, posto que sua atitude é exatamente contrária aos princípios cristãos.

Por exemplo, poderá ser tido como membro da Igreja aquele homem que propaga ideias racistas, discriminação, violência e o abuso econômico? A Igreja terá o direito e o dever de tornar público seu absoluto desacordo com aquela pessoa.

Situando-nos no versículo 9 do cap. 33 de Ezequiel, 1ª leitura da liturgia de hoje: “Todavia, se depois de receber tua advertência para mudar de proceder, nada fizer, o faltoso perecerá devido a seu pecado, enquanto tu salvarás a vida”.

Ao sermos responsáveis pela vida dos outros, em favor da justiça, agindo com misericórdia, é que ganhamos a nossa!
(CAS)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/09/06/reflex%C3%A3o_para_o_xxiii_domingo_do_tempo_comum_%E2%80%93_a/bra-823748
do site da Rádio Vaticano 

10/07/2014

Santa Verônica Giuliani - 10/07/2014



Santa Verônica Giuliani
#santododia
10/07

Verônica nasceu dia 27 de dezembro de 1660. Era a última de sete irmãs. Foi educada na vida cristã pela mãe. Aos quatro anos Verônica recebeu um estigma nas costas. 

Aos dezessete anos, Verônica entrou para o convento das clarissas. Viveu na sua cela, no silêncio e oração. Devota da Paixão de Cristo, tinha experiências místicas de profunda dor e devoção.

Sobre seu estigma ela contou: "Eu vi sair de suas santas chagas cinco raios resplandecentes, e todos vieram perto de mim. Em quatro estavam os pregos, e no outro estava a lança, como de ouro, toda candente e me passou o coração de fora a fora. Quando vi estes estigmas exteriores chorei muito e roguei ao Senhor que se dignasse escondê-los aos olhos de todos".

Estas experiências não foram compreendidas e Verônica foi mantida reclusa no convento. A jovem chegou a ser impedida de ter conversas com as próprias companheiras de claustro. Inspirada pelo Espírito Santo, Verônica escreveu seus sentimentos espirituais, os quais formaram 40 volumes de uma profunda literatura mística.

Verônica passou sua vida em oração e contemplação do mistério do Cristo crucificado. No convento foi cozinheira, dispenseira, arrumadeira, enfermeira, padeira e mestra de noviças. Foi também abadessa. Suas virtudes marcaram sua vida e deram a ela a herança no Reino dos Céus.

Morreu dia 10 de junho de 1727 com 67 anos.

Reflexão: A vida de Santa Verônica foi regada de espiritualidade. Entregou-se toda ao amor do coração do Cristo, sofrendo por ele inúmeras provações. Também tinha intenso amor ao coração de Maria. Uniu, numa vida reclusa, o amor de Cristo e a presença da Virgem Maria, numa disponibilidade absoluta a vontade de Deus. Que o exemplo de Verônica nos leve também a buscar o amor de Deus em nossa vida.

Oração: Amada santa Verônica intercedei junto a Deus Pai, em nome de Seu Filho amado, para que a Vida, a Paixão e a Morte do Senhor não nos seja nunca em vão. Que procuremos...

09/07/2014

Santa Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus - 09/07/2014



Santa Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus
09/07

Amábile Lúcia nasceu no dia 16 de dezembro de 1865, na província de Trento, no norte da Itália. Ainda criança mudou-se para o Brasil com a família, indo residir na cidade de Nova Trento, Santa Catarina. 

Assim que recebeu a primeira comunhão, a menina passou a dedicar-se de à caridade, consolando e ajudando os necessitados, os idosos, os abandonados, os doentes e as crianças. 

Com a permissão de seu pai, Amábile construiu um pequeno casebre, próximo à capela, para aí rezar, cuidar dos doentes, instruir as crianças. A primeira paciente chegou dia 12 de julho de 1890, data considerada como o dia da fundação da Congregação das Irmãzinhas da Imaculada Conceição, a primeira congregação religiosa feminina fundada em solo brasileiro. Amábile recebeu o nome de Irmã Paulina do Coração Agonizante de Jesus e foi nomeada Superiora, passando a ser chamada de Madre Paulina.

A santidade e a vida apostólica de Madre Paulina e de suas Irmãzinhas atraíram muitas vocações, apesar da pobreza e das dificuldades em que viviam. Além do cuidado dos doentes, das crianças órfãs, dos trabalhos da paróquia, trabalhavam também numa pequena indústria da seda para prover o sustento. 

Em 1903 Madre Paulina transferiu-se para São Paulo, fixando-se no Bairro do Ipiranga e iniciou a obra da "Sagrada Família" para abrigar os ex-escravos e seus filhos depois da abolição da escravidão. 

Em 1938, acometida pelo diabetes, iniciava um período de grande sofrimento. Precisou amputar o braço direito e progressivamente ficou cega. Madre Paulina morreu serenamente no dia 09 de julho de 1942, na Casa Geral de sua Congregação, em São Paulo. 

Ela foi beatificada pelo Papa João Paulo II em 1991. O mesmo pontífice a canonizou em 2002. Madre Paulina do Coração Agonizante de Jesus se tornou a primeira Santa do Brasil. 

Reflexão: Madre Paulina é para nós um exemplo de cristã que assumiu plenamente seu dever de estado. Foi fiel a Deus...

08/07/2014

Evangelho do Dia - 08 de julho de 2014



Ano A - 08 de julho de 2014

Mateus 9, 32-38

Aleluia, aleluia, aleluia.
Eu sou o bom pastor, conheço minhas ovelhas e elas me conhecem, assim fala o Senhor (Jo 10,14).

Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
9 32 Logo que se foram, apresentaram a Jesus um mudo, possuído do demônio.
33 O demônio foi expulso, o mudo falou e a multidão exclamava com admiração: “Jamais se viu algo semelhante em Israel”.
34 Os fariseus, porém, diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
35 Jesus percorria todas as cidades e aldeias. Ensinava nas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo mal e toda enfermidade.
36 Vendo a multidão, ficou tomado de compaixão, porque estava enfraquecida e abatida como ovelhas sem pastor.
37 Disse, então, aos seus discípulos: “A messe é grande, mas os operários são poucos.
38 Pedi, pois, ao Senhor da messe que envie operários para sua messe”.
Palavra da Salvação.
 

Comentário do Evangelho
REAÇÕES CONTRADITÓRIAS
Os milagres de Jesus não visavam impor às pessoas o reconhecimento de sua messianidade. Aliás, Jesus não tinha como controlar as interpretações de suas palavras e gestos. Muitos sentidos foram dados a eles. Tudo dependia do modo como eram acolhidos.
            A ação de Jesus suscitou reações contraditórias. A cura de um possesso mudo levou as multidões a confessarem jamais terem visto algo semelhante em Israel. Já seus adversários declarados, os fariseus, consideraram o mesmo gesto fruto de um poder demoníaco atuado através de Jesus. A benevolência das multidões contrastava-se com a malevolência farisaica.
            Os milagres eram apenas uma porta de entrada no mistério da pessoa de Jesus e apontavam para algo novo e extraordinário acontecendo na história humana. Quem se abria para Jesus e acolhia sua mensagem, percebia o dedo de Deus escondido atrás de sua ação e reconhecia o Reino de Deus acontecendo através dele. E o identificava como o Filho de Deus agindo com o poder conferido pelo Pai. Em outras palavras, entrava na dinâmica da fé.
            Por outro lado, os milagres serviam para respaldar as palavras de Jesus. Ele era Messias por palavras e por obras. As obras prodigiosas, ao revelarem ser Jesus possuidor de um poder próprio de Deus, eram uma demonstração da autoridade com a qual falava. Tantos os milagres de Jesus quanto seus ensinamentos revestiam-se de autoridade divina.

Oração
Senhor Jesus, leva-me a reconhecer o dedo de Deus escondido em teus gestos prodigiosos.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
 
Leitura
Oseias 8,4-7.11-13
Leitura da profecia de Oseias.
8 4 “Constituíram reis sem minha aprovação, e chefes sem meu conhecimento. Fizeram para si ídolos de sua prata e de seu ouro, para a sua própria perdição.
5 Rejeito teu bezerro (de ouro), ó Samaria! Minha cólera inflamou-se contra eles. Até quando não poderão eles purificar-se?
6 Porque (esse bezerro) é obra de Israel, foi um artista que o fez; ele não é um deus, será, pois, despedaçado o bezerro de Samaria.
7 Visto que semearam ventos, colherão tempestades; não terão sequer uma espiga, e o grão não dará farinha; e, mesmo que a desse, seria comida pelos estrangeiros.
11 Efraim multiplicou os altares, e seus altares só lhe serviram para pecar.
12 Mesmo que eu lhe escreva todos os preceitos de minha lei, ele a estimará como uma lei estrangeira.
13 Oferecem vítimas em sacrifício e comem-lhes as carnes, mas o Senhor não se compraz nelas. Doravante ele se lembrará da iniqüidade deles, e punirá os seus pecados: voltarão para o Egito”.
Palavra do Senhor.
 
Salmo 113B/115
Confia, Israel, no Senhor!

É nos céus que está o nosso Deus,
Ele faz tudo aquilo que quer.
São os deuses pagãos ouro e prata,
Todos eles são obras humanas.

Te boca e não podem falar,
Têm olhos e não podem ver;
Têm nariz e não podem cheirar,
Tendo ouvidos, não podem ouvir.

Têm mãos e não podem pegar,
Têm pés e não podem andar.
Como eles serão seus autores,
Que os fabricam e neles confiam.

Confia, Israel, no Senhor.
Ele é teu auxílio e escudo!
Confia, Aarão, no Senhor.
Ele é teu auxílio e escudo!

 
Oração
Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria e Dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.
fonte: http://www.domtotal.com.br/religiao/meu_dia_com_deus/evangelho_dia.php

Beato Papa Eugênio III - 08/07/2014




Beato Papa Eugênio III
08/07

O Papa Eugênio III, nasceu em Montemagno, numa família cristã, rica e da nobreza italiana. Foi batizado com o nome de Bernardo Paganelli, estudou e recebeu a ordenação sacerdotal na diocese de Pisa. 

Possuía um temperamento reservado, era inteligente, muito ponderado e calmo. Em 1130 ele teve um encontro com religioso Bernardo Claraval, fundador da Ordem dos monges cisterciense. Cinco anos depois ingressou no mosteiro dirigido pelo amigo e vestiu o hábito cisterciense. 

Tornou-se conhecido e foi escolhido para abrir um mosteiro. Foi consagrado o abade pelo Papa Inocêncio II. Quando este Papa morreu, o abade Bernardo foi eleito Papa. Ele assumiu o pontificado com o nome de Papa Eugênio III. 

Ele era o homem adequado para enfrentar a difícil e delicada situação que persistia na época. Roma estava agitada e às voltas com graves transtornos políticos. Muitas casas de bispos e cardeais já tinham sido saqueadas. Por isto, os cardeais resolveram escolher o abade Bernardo, justamente porque ele estava fora do colégio cardinalício, portanto isento das pressões políticas. 

Mas mesmo assim teve de fugir de Roma à noite, horas após sua eleição. Apoiado pelo povo, o Papa Eugênio III retornou para Roma assumiu o controle da cidade, impondo a paz. Infelizmente, durou pouco. Mas em 1146 teve que fugir novamente e exilou-se na França por três anos. 

Só retornou a Roma depois de receber ajuda do imperador alemão Frederico Barba-Roxa. Morreu no dia 08 de julho de 1153, depois de governar a Igreja por oito anos e cinco meses, num período complicado e violento da História. O Papa Eugênio III foi beatificado em 1872. 

Reflexão: Eugênio um boníssimo Papa, habituado à quietude e a modéstia, manso e humilde de coração, cresceu em maturidade e santidade, entre perseguições e lutas pela causa de Cristo. Soube conciliar a austeridade da vida monástica com as exigências da dignidade papal. Peçamos a Deus o dom da constância e da fidelidade ao...

07/07/2014

São Vilibaldo - 07/07/2014




São Vilibaldo
#santododia
07/07

Vilibaldo nasceu em 22 de outubro de 700, na Inglaterra. Seu pai era o rei Ricardo I. Ainda criança ele foi confiado aos monges beneditinos, que cuidaram se sua formação intelectual e religiosa. Foi ali, entre eles, que decidiu ser também um monge. 

Em 720 saiu do mosteiro e na companhia de seu pai e seu irmão seguiu para uma longa peregrinação cuja meta final era Jerusalém. A viagem foi interrompida em 722, quando seu pai, o rei, morreu na Itália. Assim, ele e o irmão resolveram ficar em Roma. Dois anos depois, sozinho, continuou a peregrinação percorrendo toda a Palestina. Cinco anos depois, em 729, retornou para Roma.

O Papa Gregório II o enviou para o Mosteiro de Montecassino, a primeira comunidade beneditina da Europa. Vilibaldo deu então novo fôlego à este celeiro de homens dedicados à santificação, restabelecendo as regras beneditinas, de acordo com o estilo de vida espiritual instituído pelo fundador São Bento. À esta obra dedicou outros dez anos de sua vida.

Novamente foi à Roma e daí partiu para evangleizar a Germânia. Em 740, Vilibaldo recebeu a ordem sacerdotal definitiva para ser consagrado bispo na Alemanha. Tornou-se um bispo itinerante, colocando-se frente a frente com os fiéis que aos poucos iam se convertendo ao cristianismo.

Morreu no dia 07 de julho de 787, num mosteiro na Alemanha.

Reflexão: Vilibaldo, homem de sangue nobre e zelo incomparável pelo Evangelho, soube escolher a melhor parte da vida. Deixou tudo o que tinha para ser missionário cristão. Viveu plenamente seu ministério sacerdotal e dedicou tempo e esforço na conversão dos povos do norte da Europa. Viver a vida como missionário é o apelo que a Igreja faz para todos os batizados. Buscai primeiro o reino de Deus e tudo mais virá por acréscimo.

Oração: Ó Deus, que aos vossos pastores associastes São Vilibaldo, animado de ardente caridade e da fé que vence o mundo, daí-nos, por sua intercessão, perseverar na caridade e na fé, para participarmos de sua glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.

fonte: a12

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Evangelho do dia comentado


Ano A - 07 de julho de 2014

Mateus 9, 18-26

Aleluia, aleluia, aleluia.

Jesus Cristo salvador destruiu o mal e a morte; fez brilhar, pelo Evangelho, a luz e a vida imperecíveis (2Tm 1,10).
Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus.
9 18 Jesus ainda falava, quando se apresentou um chefe da sinagoga. Prostrou-se diante dele e lhe disse: “Senhor, minha filha acaba de morrer. Mas vem, impõe-lhe as mãos e ela viverá”.
19 Jesus levantou-se e o foi seguindo com seus discípulos.
20 Ora, uma mulher atormentada por um fluxo de sangue, havia doze anos, aproximou-se dele por trás e tocou-lhe a orla do manto.
21 Dizia consigo: “Se eu somente tocar na sua vestimenta, serei curada”.
22 Jesus virou-se, viu-a e disse-lhe: “Tem confiança, minha filha, tua fé te salvou”. E a mulher ficou curada instantaneamente.
23 Chegando à casa do chefe da sinagoga, viu Jesus os tocadores de flauta e uma multidão alvoroçada. Disse-lhes:
24 “Retirai-vos, porque a menina não está morta; ela dorme”. Eles, porém, zombavam dele.
25 Tendo saído a multidão, ele entrou, tomou a menina pela mão e ela levantou-se.
26 Esta notícia espalhou-se por toda a região.
Palavra da Salvação.

Comentário do Evangelho
A FAMA DE JESUS
Os milagres realizados por Jesus faziam-no conhecido e sua fama se espalhava cada vez mais. Entre outros milagres, a ressurreição de uma menina, cuja morte era tida como certa, e a cura de uma mulher vítima de uma hemorragia renitente não eram fatos corriqueiros. Seria impossível, para quem os presenciasse, guardar segredo.
            A propagação da fama de Jesus fazia-o correr o risco de ser tomado como um milagreiro. Esse tipo de gente tem o dom de atrair multidões para si. Os críticos poderiam considerá-lo como um impostor, sem escrúpulos de enganar as pessoas. Os impostores fazem-se rodear de crédulos que ingenuamente deixam-se levar por suas artimanhas. A fama podia também passar a imagem de Jesus como se fora um mago. Os magos exercem fascínio sobre as pessoas com sua capacidade de iludi-las. A fama, portanto, podia ser perigosa para a imagem de Jesus e levar as pessoas a tomá-lo por aquilo que não era.
            O conhecimento de Jesus através de sua fama era insuficiente. Era apenas o primeiro passo de um longo percurso que se concluiria com a adesão da fé à pessoa de Jesus. A fama é apenas um ouvir dizer. Para conhecer Jesus, carecia-se de ir além e estabelecer com ele um contato pessoal, deixando-se tocar profundamente por sua pessoa. Desta sintonia é que brota o discipulado. Aí é que se conhece, de maneira correta, o Jesus que realiza milagres.

Oração
Senhor Jesus, faz-me sintonizar sempre mais contigo de modo a reconhecer-te como a mão amorosa de Deus fazendo o bem à humanidade.

(O comentário do Evangelho é feito pelo Pe. Jaldemir Vitório – Jesuíta, Doutor em Exegese Bíblica, Professor da FAJE – e disponibilizado neste Portal a cada mês).
 
Leitura
Oseias 2,1618.21-22
Leitura da profecia de Oseias.
2 16 “Por isso a atrairei, conduzi-la-ei ao deserto e falar-lhe-ei ao coração.
17 Dar-lhe-ei as suas vinhas e o vale de Acor, como porta de esperança. Aí ela se tornará como no tempo de sua juventude, como nos dias em que subiu da terra do Egito.
18 Naquele dia - diz o Senhor - tu me chamarás: ‘Meu marido’, e não mais: ‘Meu Baal’.
21 Desposar-te-ei para sempre, desposar-te-ei conforme a justiça e o direito, com benevolência e ternura.
22 Desposar-te-ei com fidelidade, e conhecerás o Senhor”.
Palavra do Senhor.

 
Salmo 144/145
Misericórdia e piedade é o Senhor.

Todos os dias haverei de bendizer-vos,
hei de louvar o vosso nome para sempre.
Grande é o Senhor e muito digno de louvores,
e ninguém pode medir sua grandeza.

Uma idade conta à outra vossas obras
e publica os vossos feitos poderosos;
proclamam todos o esplendor de vossa glória
e divulgam vossas obras portentosas!

Narram todos vossas obras poderosas,
e de vossa imensidade todos falam.
eles recordam vosso amor tão grandioso
e exaltam, ó Senhor, vossa justiça.

Misericórdia e piedade é o Senhor,
ele é amor, é paciência, é compaixão.
O Senhor é muito bom para com todos,
sua ternura abraça toda criatura.

 
Oração
Ó Deus, que pela humilhação do vosso Filho reerguestes o mundo decaído, enchei os vossos filhos e filhas de santa alegria e Dai aos que libertastes da escravidão do pecado o gozo das alegrias eternas. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.

fonte: http://www.domtotal.com.br/religiao/meu_dia_com_deus/evangelho_dia.php .

16/05/2014

«Toda a realização necessita de um caminho»

Comentário ao Evangelho do Quinto Domingo de Páscoa - 18 de maio


Quantos caminhos percorremos nós na nossa vida! Caminhos físicos: carreiros, atalhos, sendas, estradas, autoestradas… por terrenos planos, colinas, montanhas. Caminhos humanos, solitários, comunitários. Caminhos que muito nos ensinam, ou cujos ensinamentos esbanjamos. Caminhos espirituais perdidos por vezes na mornidão duma vida desregrada, ou que se tornam causa de realização vitoriosa e alegre para a nossa existência e o bem de outros. 

Toda a realização necessita de um caminho: na escola, na vida de família, na sociedade, no íntimo de cada ser humano. Quantos caminhos abriram os nossos antepassados por terras e mares deste mundo, vencendo procelas, saboreando vitórias, sorrindo às paisagens sublimes a que os levaram os caminhos. E a plenitude histórica de quando cada um de nós começou o seu caminho no seio criador duma mulher que depois nos ensinou e colocou na estrada da vida. 

Interiorizemos. Caminhadas não se fazem só com os pés do fundo das pernas. Há caminhos interiores que explicam o sentido do que somos e fazemos. Caminhos morais, caminhos espirituais. Misteriosamente, profundo como as veredas do universo, foi-nos dito pela Fonte da Vida: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança». Assim começou o nosso caminho. Quer dizer, não demos origem a nós próprios, nem como indivíduos nem como humanidade, nem foi o acaso fictício que nos atirou para a existência: foi o amor de Deus que nos concretizou.

Vivia Abraão na sua estância abundante. Pediu-lhe o Senhor da vida que se pusesse a caminho. E ele acreditou, obedeceu e abalou futuro além, e estabeleceu para a humanidade uma razão e uma maneira diferente de caminhar. E ao povo dos hebreus mandou Deus caminhar desertos em fora para a Terra por Ele Prometida: para tal, tiveram de abandonar as panelas cheias de carne e cebolas do Egito, e caminhar por desertos e calores exaustivos. Seguiam todos, não um sonho, mas uma Promessa, que nem todos viram cumprida.

Dissera Isaías, gritou o Baptista: «Preparai os caminhos do Senhor!» E o Senhor Jesus proclamou: «Estreito é o caminho que conduz à vida e poucos o trilham; espaçoso é o caminho que conduz à perdição e muitos são os que por ele seguem» (Mat 7,13). Mas a inteligência e o coração do iniciado só podem penetrar o sentido da vida quando escutam e vivem a grande revelação de Cristo: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai (Fonte única de vida) sem passar por mim». 

Mistério compreendido só pelo discípulo que aceita Jesus Cristo na sua vida como norma e motor central de tudo o que o discípulo é e faz. Jesus não é o caminho só porque é o professor que ensina por onde caminhar na via da salvação. Jesus é o caminho único porque Ele é a única verdade total. Ele é o caminho que leva à verdade, caminho e verdade que, únicos, levam à vida. 

Dizia Ele: «Eu sou a porta… Se alguém entrar por mim, (e para dentro de mim), esse será salvo» (cf. João 10,9). Deus Verbo eterno, desceu ao seio da Virgem Puríssima Maria; ali foi sustentado pelo corpo e o coração de Maria; dali saiu para pregar a verdade de Deus; morreu, ressuscitou e subiu ao Céu onde está sentado à direita do Pai a interceder por todos os que O aceitam para transformar a vida inteira deles como princípio e finalidade da sua existência.


Fátima Missionária

30/03/2014

O diálogo entre Jesus e o cego

As pessoas olham-no como um pecador castigado por Deus. Jesus olha-o de forma diferente.
Jesus vem sempre ao encontro daqueles que não são acolhidos.
Por José Antonio Pagola*

É cego de nascimento. Nem ele nem seus pais têm culpa alguma, mas o seu destino ficará marcado para sempre. As pessoas olham-no como um pecador castigado por Deus. Jesus olha-o de forma diferente. Desde que o viu, só pensa em resgatá-lo daquela vida desgraçada de mendigo, desprezado por todos como pecador. Ele sente-se chamado por Deus para defender, acolher e curar precisamente os que vivem excluídos e humilhados.

Depois de uma cura trabalhosa em que ele também tem que colaborar com Jesus, o cego descobre pela primeira vez a luz. O encontro com Jesus mudou a sua vida. Por fim poderá desfrutar de uma vida digna, sem temor de se envergonhar ante ninguém.

Engana-se. Os dirigentes religiosos sentem-se obrigados a controlar a pureza da religião. Eles sabem quem não é pecador e quem está em pecado. Eles decidirão se pode ser aceito na comunidade religiosa.

O mendigo curado confessa abertamente que foi Jesus quem se aproximou e o curou, mas os fariseus rejeitam-no irritados: “Nós sabemos que esse homem é um pecador”. O homem insiste em defender Jesus: é um profeta, vem de Deus. Os fariseus não o podem aguentar: “Amaldiçoado nasceste dos pés à cabeça, e tu vais dar-nos lições?”

O evangelista diz que, “quando Jesus ouviu que o tinham expulsado, foi encontrar-se com ele”. O diálogo é breve. Quando Jesus lhe pergunta se crê no Messias, o expulso diz: “E, quem é, Senhor, para que eu creia Nele?”. Jesus responde-lhe comovido: Não está longe de ti. “Estás a vê-Lo; o que te está a falar, esse é ele”. O mendigo diz-lhe: “Creio, Senhor”.

Assim é Jesus. Ele vem sempre ao encontro daqueles que não são acolhidos oficialmente pela religião. Não abandona quem o procura e ama-os mesmo que sejam excluídos das comunidades e instituições religiosas. Os que não têm sítio nas nossas igrejas têm um lugar privilegiado no Seu coração.

Quem levará hoje esta mensagem de Jesus até esses grupos que, a qualquer momento, escutam condenações públicas injustas de líderes religiosos cegos; que se aproximam das celebrações cristãs com medo de ser reconhecidos; que não podem comungar com paz nas nossas eucaristias; que se veem obrigados a viver a sua fé em Jesus no silêncio do seu coração, quase de forma secreta e clandestina? Amigos e amigas desconhecidos, não se esqueçam: quando os cristãos os rejeitam, Jesus acolhe-os.
Instituto Humanitas Unisinos, 28-03-2014.
*José Antonio Pagola é teólogo. O texto é baseado no evangelho de Jesus Cristo segundo João 9,1-41, que corresponde ao Quarto Domingo de Quaresma, ciclo A do ano litúrgico.

29/03/2014

Reflexão para o IV Domingo da Quaresma – A


A primeira leitura nos diz que Deus não se impressiona com a aparência, seus critérios são outros. Enquanto o homem “vê a aparência, Deus olha o coração”,(conf. I Sam 16, 7). E o coração que agrada a Deus é o dos pequenos, dos humildes. Também nós deveríamos não nos impressionar com a beleza externa das pessoas, mas deixar o Espírito falar e observar a beleza interna.

No Evangelho, o cego é o único dentre a multidão, a reconhecer Jesus como o Messias, como o Redentor, como o Senhor. Sua profissão de fé é feita aos poucos. Primeiro ele pede a cura para sua deficiência visual. Após a cura física, ele vai proclamando que foi Jesus quem o curou. Isso causa problemas com os sacerdotes e ministros religiosos. O cego não tem dúvidas e dasfia os poderosos que o expulsam da comunidade.
Ao encontrar Jesus, aquele que fora cego faz sua profissão de fé, ajoelhando-se e proclamando Jesus como Senhor.
A reação do Cristo, diante do confronto do ex-cego com a liderança religiosa e a multidão, faz o registro das duas cegueiras, a física e a espiritual. “Se vocês fossem cegos não teriam pecado. Mas como dizem que enxergam, o seu pecado permanece”, diz para as lideranças. Pecado é permanecer na escravidão de convicções antigas que não libertam, é não procurar a verdade e não se abrir a ela, é não reconhecer em Jesus de Nazaré, a luz que veio ao mundo.

É sobre a luz de Jesus, o texto da Carta de Paulo aos Efésios. Pelo batismo fomos iluminados pela luz de Cristo. Deixemo-nos iluminar por ela. O fruto dessa luz chama-se bondade, justiça, verdade.
A fé é a iluminação que faz ver.

O ser humano corre o risco de fazer escolhas segundo as aparências. O episódio do cego nos confirmou esse risco, quando os mestres da Lei rejeitaram o testemunho dele e o expulsaram. São Paulo falou-nos que Cristo é Luz e ilumina nós, os batizados.

Um antigo hino cristão, usado pelo Apóstolo, encerra nossa reflexão: “Desperta, tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e sobre ti Cristo resplandecerá.”

Pe. Cesar Augusto dos Santos, SJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/03/29/reflex%C3%A3o_para_o_iv_domingo_da_quaresma_%E2%80%93_a/bra-785935
do site da Rádio Vaticano 

22/03/2014

Reflexão para o III Domingo da Quaresma


Em nossa vida, quando tudo vai de acordo com os nossos desejos, ficamos alegres, contentes e cordatos. Mas basta acontecer algo que não estava planejado, ou melhor, faltar algo com que contávamos, para que nossa alegria desapareça e comecemos a duvidar de tudo, inclusive daquela pessoa que proporcionou e continua nos proporcionando esses bens. Assim aconteceu com o povo judeu após a libertação do Egito. 

Enquanto caminhavam rumo à terra prometida, a água veio a faltar. A reação foi tamanha que esqueceram as maravilhas que o Senhor havia operado em favor deles e até chegaram a desconfiar da fidelidade de Deus. Apesar dessa atitude, o Senhor continuou fazendo o bem ao povo e providenciou a água.

Podemos neste momento, fazer um exame de consciência de nossa vida. O Senhor nos deu a vida, nos alimenta, nos deu família, saúde e uma infinidade de bens, sejam espirituais ou materiais. Qual o nosso comportamento quando algo nos falta? Continuamos a nos sentir o centro do amor de Deus, ou nos esquecemos tudo o que Ele nos presenteou e só estamos atentos àquilo que nos falta?

No Evangelho, a samaritana vai atrás da água para matar sua sede. Jesus, também. É meio-dia!

Lembremo-nos que alguns meses mais adiante, nessa mesma hora, Jesus dirá que tem sede. Será do alto da cruz.

A samaritana escutando Jesus, diz desejar da água que ele lhe oferece, para que todas as suas necessidades sejam saciadas e ela não precise mais vir ao poço. Jesus continua a conversa e a samaritana, entendendo sua proposta, dá um salto qualitativo e deseja a água viva, aquela que irá aplacar não seus desejos limitados, mas a que irá saciar seus desejos de eternidade. Ele fala da nova vida que nos dará através de sua morte e ressurreição, assumida por nós nas águas batismais.

São Paulo, em sua carta aos Romanos, nos diz que a saciedade que ansiamos é um dom de Deus, já usufuruído aqui nesta vida, é o dom do Espírito Santo, o Amor de Deus derramado em nossos corações. Essa é a água que nos sacia, sem a qual não poderemos viver.

Pe. César Augusto dos Santos SJ


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/03/22/reflex%C3%A3o_para_o_iii_domingo_da_quaresma/bra-783814
do site da Rádio Vaticano 

16/02/2014

É preciso dizer 'não' à guerra entre nós

Não basta ficarmos com cumprir a Lei de Moisés. É necessário abrir-nos ao Pai e colaborar com Ele para fazer uma vida mais justa e fraterna.
Diálogo entre judeus e muçulmanos: É necessário, também, arrancar da nossa vida a agressividade.
Por José Antonio Pagola*

Os judeus falavam com orgulho da Lei de Moisés. Segundo a tradição, foi mesmo Deus quem a ofereceu ao Seu povo. Era o melhor que tinham recebido Dele. Nessa Lei, apresenta-se a vontade do único Deus verdadeiro. Aí podem encontrar tudo o que necessitam para ser fiéis a Deus. 

Também para Jesus a Lei é importante, mas já não ocupa o lugar central. Ele vive e comunica outra experiência: está a chegar o reino de Deus; o Pai procura abrir o caminho entre nós para fazer um mundo mais humano. Não basta ficarmos com cumprir a Lei de Moisés. É necessário abrir-nos ao Pai e colaborar com Ele para fazer uma vida mais justa e fraterna. 

Por isso, segundo Jesus, não basta cumprir a lei que ordena "Não matarás". É necessário, também, arrancar da nossa vida a agressividade, o desprezo pelo outro, os insultos ou as vinganças. Aquele que não mata, cumpre a lei, mas se não se liberta da violência, no seu coração não reina todavia esse Deus que procura construir connosco uma vida mais humana. 

Segundo alguns observadores, está-se a estender na sociedade atual uma linguagem que reflete o crescimento da agressividade. Cada vez são mais frequentes os insultos ofensivos proferidos só para humilhar, desprezar e ferir. Palavras nascidas da rejeição, do ressentimento, do ódio ou da vingança. 

Por outra lado, as conversações estão frequentemente tecidas de palavras injustas que distribuem condenações e semeiam suspeitas. Palavras ditas sem amor e sem respeito, que envenenam a convivência e fazem mal. Palavras nascidas quase sempre da irritação, da mesquinhez ou da baixeza. 

Não é este um fato que se dê só na convivência social. É também um grave problema na Igreja atual. O papa Francisco sofre ao ver divisões, conflitos e confrontos de “cristãos em guerra contra outros cristãos”. É um estado de coisas tão contrário ao Evangelho que sentiu a necessidade de dirigir-nos uma chamada urgente: “Não à guerra entre nós”. 

Assim fala o papa: "Doí-me comprovar como em algumas comunidades cristãs, e mesmo entre pessoas consagradas, consentimos diversas formas de ódios, calunias, difamações, vinganças, ciúmes, desejos de impor as próprias ideias à custa de qualquer coisa, e até de perseguições que parecem uma implacável caça às bruxas. A quem vamos evangelizar com estes comportamentos?”. O papa quer trabalhar por uma Igreja em que "todos podem admirar como vos cuidais uns aos outros, como vos dais alento mutuamente e como vos acompanhais".
Instituto Humanitas Unisinos
*José Antonio Pagola é teólogo. A leitura é baseada no Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 5,17-37 que corresponde ao Sexto Domingo do Tempo Comum, ciclo A do Ano Litúrgico.

Dom Total

28/12/2013

Reflexão para o Domingo da Sagrada Família


Como é hoje a vida de uma família comum? Ela é constituída por um casal e um ou dois filhos. A mãe trabalha fora e possuem pouco tempo para se encontrar. 

Muitas vezes acontecimentos na vida pessoal de cada um sucedem e não são colocados em comum, porque não possuem tempo ou não existe clima para isso.

Pior quando surgem mágoas e elas não são trabalhadas, mas engolidas. A natureza, que pede vida de família, se sente violentada e, mais cedo ou mais tarde, essas mágoas, que não foram digeridas, voltam e aí temos situações profundamente dolorosas que provocam mágoas maiores e, muitas vezes, sem solução imediata.

Também é muito doloroso quando algum membro da família possui algo maravilhoso para partilhar e não recebe a devida atenção para isso, pior quando sua bela notícia é reduzida a algo corriqueiro, insignificante.

Aí vem em socorro da família a profecia de Isaías, proposta como primeira leitura da missa da noite de Natal: “O povo que andava na escuridão, viu uma grande luz; para os que habitavam nas sombras da morte, uma luz resplandeceu” (Is 9, 1). O Senhor se encarna e se solidariza, redimindo-nos e nos devolvendo nossa dignidade de pessoas, de seres criados á sua imagem e semelhança.

A liturgia da festa da Sagrada Família traz, para a família do dia de hoje, a luz e a força para redescobrir e manter o caminho da felicidade.

A família de Nazaré tinha tudo para ser submissa aos caprichos de uma sociedade consumista e economicamente carente. Basta ler os relatos evangélicos da infância de Jesus e sobre sua família. Mas a presença de Deus, o Deus-Conosco em seu meio e sua fidelidade ao Amor de Deus, fizeram a diferença.

A primeira leitura, extraída do Livro do Eclesiástico, nos fala de que a misericórdia em todos os relacionamentos, mas principalmente para com os pais, está em referência a Deus que é o Pai por excelência. Honrar e respeitar os pais é prestar culto a Deus.

Também a Carta de São Paulo aos Colossenses, continua o tema da misericórdia nas relações familiares. “Tudo o que fizerdes, em palavras ou em obras, seja feito em nome do Senhor Jesus Cristo”, nos diz o Apóstolo.

Jesus, o Caminho, a Verdade, a Vida, o Amor nos ensina o verdadeiro caminho para o Pai, para a felicidade ainda neste mundo. Será necessário renunciar aos valores deste mundo, será necessário renunciar fazer dos filhos pessoas como nos pedem o elitismo e seus códigos. Será necessário que no relacionamento do casal seja priorizado o diálogo. Será necessário ver na simplicidade de vida e até na carência de certos bens, a presença do carinho de Deus que supre tudo aquilo que nossa carne valoriza.

Deixemos a luz de Deus entrar, iluminar e aquecer nossa vida. Ela nos revelará nossa submissão aos valores mundanos e, consequentemente explicará a causa de nossos sofrimentos. Veremos em que situação colocamos nosso coração, não na simplicidade do lar de Nazaré, mas no fausto do Palácio de Herodes.

(CAS) 


do site da Rádio Vaticano 

21/12/2013

Reflexão para 4º domingo do Advento


A primeira leitura da liturgia deste 4º domingo do Advento, apresenta a aliança entre dois reis, com a finalidade de depor um terceiro, Acaz, rei de Jerusalém. Com isso a dinastia davídica se esfacelaria e outro rei, de outra família, ocuparia o trono de Jerusalém. 
Mas Deus é fiel e manterá sua promessa de que um descendente de Davi seria o rei de Judá.. Contudo o rei Acaz não dá muito importância à palavra de Deus, não confia em suas palavras, mas confia em sua aliança com um 4º rei.

O profeta Isaías fica preocupadíssimo com o modo de agir do rei Acaz e percebe que tudo será um desastre para Israel.
O povo confia em Deus, mas fica estarrecido com menosprezo que Acaz dá à situação e sua atitude em relação aos ídolos pagãos a ponto de oferecer seu filho aos mesmos. 
Por isso ele, de modo falso, diz que não irá incomodar Deus, quando lhe é dito de pedir um sinal a Deus.
Nesse momento é dado, pelo profeta Isaías, um sinal: a virgem dará á luz um filho que se chamará Emanuel.
Acaz se torna empedernido, perde a guerra, os assírios se tornaram colonizadores de Israel, mas Deus se manteve fiel. Ezequias, o filho da virgem, descendente de Davi, nasceu e se tornou rei, um bom rei. Ele foi visto como a presença de Deus, de Deus que não abandona, de Deus que está com seu povo, do de Deus que se chama Emanuel – Deus conosco!

Essa leitura questiona nosso modo de pensar e de agir quando não confiamos em Deus e não damos a Ele a primazia em nossas decisões, quando confiamos mais no mundo, em nossos feitos e amizades, em nossas “orações” e “novenas”, em nossas supertições e não na palavra dele de que nos ama, de que se entregou por nós, na presença de Nossa Senhora ao nosso lado. Não somos nossa providência, ninguém é nossa providência, só o Senhor é a Providência.


Deus conosco é o tema também do Evangelho de Mateus, proclamado nesta liturgia, que nos fala da gravidez de Maria, após a realização do contrato nupcial entre ela e José, mas ainda sem co-habitarem.
O sinal que Isaías falava para o rei Acaz pedir a Deus, é concretizado no nascimento de Jesus, o Deus Conosco, o Emanuel.
Maria é a virgem, que confiou absolutamente em Deus e se entregou totalmente à missão que Ele lhe confiava. Também Jose, o justo, porque entre situações muito embaraçosas, optou por não cometer injustiças, mas deixar tudo nas mãos de Deus e confiar na divina Providência.

(CAS)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/12/21/reflex%C3%A3o_para_4%C2%BA_domingo_do_advento_/bra-757699
do site da Rádio Vaticano 

14/12/2013

Reflexão litúrgica para o 3º domingo do Advento


Diante de um mundo arrasado, de um ambiente de profunda desolação, de corações sofridos e enlutados, Isaías clama Vida, Alegria, Ressurreição! O texto da primeira leitura de hoje, extraído do livro de Isaías, nos leva à Esperança. O Profeta quebra a rotina desoladora e nos aponta a ação de Deus, a regeneração do mundo, a redenção do ser humano. Mas o Senhor que pode fazer tudo sozinho, quer nossa colaboração, quer fazer-nos partícipes de sua obra salvífica. Nesse próprio ato de pedir nossa colaboração já está a redenção. 

O Senhor nos trata como pessoas maduras, capazes, pessoas criadas à Sua imagem e semelhança. Por isso não é próprio do fiel ficar de braços cruzados, desanimado e acomodado. Aquele que crê levanta a cabeça, solta os braços e busca dentro de si a força do Senhor, e imediatamente começa a colaborar com o Criador. O fiel reage contra qualquer ação oriunda da cultura de morte. Ele crê na Vida! Assim aconteceu com a escravidão no Egito, em outras situações onde os protagonistas foram os pobres, os marginalizados, os portadores de deficiência, os pequenos segundo o mundo. Assim fez Jesus Cristo, colocando-se como servo de todos, à disposição do Pai para assegurar a felicidade eterna ao Homem. 

No Evangelho deste domingo, temos em primeiro lugar a dificuldade de João Batista em reconhecer em Jesus o Messias prometido. Na pregação de João Batista, como vimos no domingo passado, Jesus deveria tratar os pecadores com bastante dureza, destruí-los até. Mas ele não o faz, ao contrário, provoca mudanças em seus corações, possibilitando a salvação, faz refeições com eles e até se torna amigo deles. Isso desorienta o Batista.

Quando interrogado pelos discípulos de João, Jesus responde citando Isaías, ou seja, dizendo que sua missão é de redenção, por isso os sinais que faz são de salvação. Deus ama a todos, bons e maus. Todos são seus filhos, foram criados por amor.

Em segundo lugar, Jesus elogia a pessoa do Batista dizendo que ele é mais que um Profeta, o maior entre os nascidos de mulher – dirá o Mestre. Ao dizer que “O menor no Reino dos céus é maior do que o Batista”, Jesus afirma que esse menor entendeu que Deus vem ao encontro do Homem para perdoá-lo, acolhê-lo e amá-lo. Menor e maior. Sem depreciar em nada a figura de João Batista Batista, já que os tempos do Reino transcendem inteiramente aqueles que os precederam e prepararam, essas duas palavras opõem duas épocas da obra divina, duas “economias”, conforme nos esclarece a Bíblia de Jerusalém.

Finalmente, na 2ª leitura, São Tiago nos exorta a que fiquemos firmes até e chegada do Senhor. Firme para Tiago significa manter a fé, a esperança e a caridade. Por isso, ele toma como exemplo o agricultor que trabalha e depois fica à espera do fruto prometido e nos aconselha a não nos queixarmos dos irmãos.

Pe. Cesar Augusto dos Santos, S.J.


Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/12/14/reflex%C3%A3o_lit%C3%BArgica_para_o_3%C2%BA_domingo_do_advento/bra-755189
do site da Rádio Vaticano 

16/11/2013

Reflexão para o XXXIII Domingo do Tempo Comum - C


“Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol de justiça, trazendo salvação em suas asas.”



Esta frase de Malaquias nos garante a vitória final em que, apesar de vermos o triunfo do mal, o bem será o triunfador.
Mas para que a justiça triunfe ainda neste mundo, será necessário que trabalhemos com fé, esperando uma sociedade nascida do trabalho daqueles que atuam em seu favor e da liberdade. Cada gesto, por menor que seja, mas que demonstre resistência ao mal e adesão ao bem das pessoas, é uma pequena vitória dos justos.



No Evangelho, temos uma página de estilo apocalíptico, isto é, uma linguagem aparentemente incompreensível, mas que fortifica a esperança na ação de Deus. 



É-nos proposta uma resistência inteligente que desmonta os sistemas que geram opressão e morte. Jesus fala da destruição do Templo de Jerusalém. O Templo representa a antiga aliança e como tudo que é antigo, também ele sofrerá destruição, não ficará pedra sobre pedra, mas os amados de Deus ficarão incólumes e nem um fio de cabelo de sua cabeça se perderá. O antigo será destruído, se perderá porque o novo será o eterno, mesmo que se desenvolva de modo discreto, simples, ele permanecerá.



Também nós enfrentamos dificuldades em nossa vida, em nosso dia a dia e ficamos muito tristes e preocupados porque perdemos coisas que foram duramente conquistadas e parecem desaparecer para sempre.
Nesse momento surge Jesus, a fé na vida, e nos diz que é necessário permanecer firmes, que será desse modo que ganharemos a vida.



Estamos no final do Ano Litúrgico. No próximo domingo celebraremos Cristo Rei do Universo. Tivemos mais um ano para crescer no conhecimento do amor de Deus, no aumento da fé, da esperança e da caridade. Neste momento poderemos fazer uma avaliação de como nos portamos face à Misericórdia de Deus, que nos deu mais um ano para crescermos na fé.
Deixamo-nos impressionar pelos eventos apocalípticos de em nossa vida? Ficamos assustados com as atitudes desconcertantes de algumas pessoas? Somos dependentes da aprovação das pessoas?



O Senhor nos manda permanecermos firmes, isto é, firmes na fé em suas palavras de esperança e de fé na vida!




Pe. César Augusto dos Santos SJ





do site da Rádio Vaticano