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13/11/2014

“LEVADOS PELA CARIDADE DE CRISTO.” (2Cor 5,14)

domjose200Após vivermos o ANO DA FÉ, instituído pelo Papa Bento XVI no ano 2013 e depois o ANO DA ESPERANÇA em 2014, na preparação para o JUBILEU DE 100 ANOS DA ARQUIDIOCESE DE FORTALEZA, estamos vivendo o ANO DA CARIDADE desde o dia 14 deste mês até o dia 14 de novembro de 2015, quando celebraremos a Ação de Graças do Ano Centenário.
São elas – as virtudes da FÉ, da ESPERANÇA e da CARIDADE – chamadas “virtudes teologais”, forças da graça divina que é dada por Deus aos que, crendo em Cristo são renascidos pelo banho batismal. Virtudes, pois são forças constitutivas da ação de Deus nas pessoas, teologais por sua origem e modo de ser divinos: atuação da própria vida divina concedida às pessoas humanas.
Assim encontramos no Catecismo da Igreja Católica, resumo condensado das doutrinas da Fé Católica: “1812.As virtudes humanas se fundam nas virtudes teologais que adaptam as faculdades do homem para que possa participar da natureza divina. Pois as virtudes teologais se referem diretamente a Deus. Dispõem os cristãos a viver em relação com a Santíssima Trindade e têm a Deus Uno e Trino por origem, motivo e objeto. 1813.As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão. Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para torná-los capazes de agir como seus filhos e merecer a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. Há três virtudes teologais: a fé, a esperança e a caridade.”
Para aprofundarmos nosso conhecimento e vivência da vida em Cristo, a vida cristã, o Santo Padre Emérito, Bento XVI, deu à Igreja três grandes Cartas sobre cada uma das virtudes teologais: “Deus Caritas est – Deus é Caridade” – sobre a virtude da Caridade; “Spe Salvi – Salvos pela Esperança” – sobre a virtude da Esperança; e a terceira grande Carta ele a fez juntamente com o Papa Francisco, dando à Igreja um documento fruto de seus estudos e da comunhão dos pastores: “Lumen Fidei – A luz da Fé” – sobre a virtude da Fé.
Com estes ensinamentos fundamentais o Pastor maior da Igreja Católica, em seu ministério de confirmar os irmãos na fé cristã, apascentando o rebanho de Cristo em todo o mundo, quis propor a todos uma renovação fundamental da vida no encontro com Cristo e seu seguimento, bem como na missão que do Senhor todos os discípulos recebem.
“Pela fé, o homem livremente se entrega todo a Deus. Por isso o fiel procura conhecer e fazer a vontade de Deus. “O justo viverá da fé” (Rm 1,17). A fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6).(CIC 1814).
“A virtude da esperança responde à aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz à felicidade da caridade.(CIC 1818).
“O exercício de todas as virtudes é animado e inspirado pela caridade, que é o “vinculo da perfeição” (Cl 3,14); é a forma das virtudes, articulando-as e ordenando-as entre si. A caridade assegura e purifica nossa capacidade humana de amar, elevando-a à perfeição sobrenatural do amor divino.”(CIC 1827).
O ANO DA CARIDADE nos leva a tomar consciência mais profunda de que somos “LEVADOS PELA CARIDADE DE CRISTO.” (2Cor 5,14)
A Igreja em sua comunhão na Caridade é manifestação do amor divino trinitário. “Se vês a caridade, vês a Trindade” — escrevia Santo Agostinho… (Assim se manifesta) o desígnio do Pai que, movido pelo amor (cf. Jo 3, 16), enviou o Filho unigênito ao mundo para redimir o homem. A Igreja em seu mais verdadeiro ser é a própria humanidade em Caridade – a Caridade em ação.
Um ANO DA CARIDADE nas comemorações do Jubileu Centenário da Arquidiocese de Fortaleza quer reavivar a realidade dos laços que unem todas as dimensões da Igreja: comunhão e missão – nas expressões concretas do “Amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Assim a comunidade eclesial se manifesta como verdadeira Família de Deus em Cristo, como rezou o próprio Jesus: “Pai, eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos na unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste como amaste a mim.” (Jo 17, 23)
Damos graças pelos dons do Espírito no testemunho dos fiéis e das comunidades em sua vida e missão: santidade que é caridade em muitas formas de obras de misericórdia.
É também necessária a penitência pelas não correspondências ao Amor de Deus: faltas, incoerências, contratestemunhos, pecados na caminhada centenária e pelos quais pedimos o perdão e a misericórdia renovadora do Senhor. Sem o Amor nada somos.
São novos os tempos em que vivemos, são grandes desafios que nos atingem, mas se tornam para os discípulos-missionários de Cristo, oportunidades de testemunhar e anunciar como maior dom a “alegria do Evangelho” dado a todos, com maior coerência, zelo e ardor. “Firmes na Fé, alegres na Esperança e solícitos na Caridade” para “Boa Nova em novos tempos”.

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

23/10/2014

PALAVRA DO PASTOR: “O ANO JUBILAR CENTENÁRIO DA ARQUIDIOCESE”

domjose200Estaremos iniciando o Jubileu Centenário da Arquidiocese de Fortaleza (novembro de 2014 a novembro de 2015).
Após um ANO DA FÉ, um ANO DA ESPERANÇA, entramos no ANO DA CARIDADE com a celebração Eucarística no dia 14 de novembro, com início às 18h30min na Catedral Metropolitana.
É inspiradora a palavra do Papa Emérito Bento XVI em sua Encíclica Deus Caritas est – Deus é Caridade. Nela se pode compreender como a Igreja Arquidiocesana centenária encontra a sua razão de ser. A caridade da Igreja é manifestação do amor divino trinitário: “19. “Se vês a caridade, vês a Trindade” — escrevia Santo Agostinho… (Assim se manifesta) o desígnio do Pai que, movido pelo amor (cf. Jo 3, 16), enviou o Filho unigênito ao mundo para redimir o homem. Quando morreu na cruz, Jesus — como indica o evangelista — “entregou o Espírito” (cf. Jo 19, 30), prelúdio daquele dom do Espírito Santo que Ele havia de realizar depois da ressurreição (cf. Jo 20, 22). Desde modo, se atuaria a promessa dos “rios de água viva” que, graças à efusão do Espírito, haviam de emanar do coração dos crentes (cf. Jo 7, 38-39). De fato, o Espírito é aquela força interior que harmoniza seus corações com o coração de Cristo e leva-os a amar os irmãos como Ele os amou, quando Se inclinou para lavar os pés dos discípulos (cf. Jo 13, 1-13) e sobretudo quando deu a sua vida por todos (cf. Jo 13, 1; 15, 13). O Espírito é também força que transforma o coração da comunidade eclesial, para ser, no mundo, testemunha do amor do Pai, que quer fazer da humanidade uma única família, em seu Filho. Toda a atividade da Igreja é manifestação dum amor que procura o bem integral do homem: procura a sua evangelização por meio da Palavra e dos Sacramentos, empreendimento este muitas vezes heroico nas suas realizações históricas; e procura a sua promoção nos vários âmbitos da vida e da atividade humana. Portanto, é amor o serviço que a Igreja exerce para acorrer constantemente aos sofrimentos e às necessidades, mesmo materiais, dos homens.”
É nesta perspectiva que a Igreja em Fortaleza, comemorando seus cem anos de existência como realidade arquidiocesana: mãe de outras Igrejas Particulares (dioceses), que foram nascendo de sua missão, quer se reconhecer na concretização do Amor de Deus, na Caridade.
Um ANO DA CARIDADE nas comemorações do Jubileu Centenário da Arquidiocese de Fortaleza quer reavivar a realidade dos laços que unem todas as dimensões da Igreja: comunhão e missão – nas expressões concretas do “Amor de Deus que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5). Assim a comunidade eclesial se manifesta como verdadeira Família de Deus em Cristo. Os vínculos do amor vivido concretamente testemunham a verdade do Evangelho, como o afirmou o próprio Jesus: “Pai, eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos na unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste, como amaste a mim.” (Jo 17, 23)
Esta manifestação do Amor de Deus é mais perfeita forma de testemunho que renova a humanidade em Cristo: “E, sobre tudo isto, revesti-vos do amor, que é o vínculo da perfeição.” (Col 3,14)
Novamente o Papa Emérito Bento XVI: “20. O amor do próximo, radicado no amor de Deus, é um dever antes de mais para cada um dos fiéis, mas o é também para a comunidade eclesial inteira, e isto em todos os seus níveis: desde a comunidade local passando pela Igreja particular até à Igreja universal na sua globalidade. A Igreja também enquanto comunidade deve praticar o amor. Consequência disto é que o amor tem necessidade também de organização enquanto pressuposto para um serviço comunitário ordenado. A consciência de tal dever teve relevância constitutiva na Igreja desde os seus inícios: “Todos os crentes viviam unidos e possuíam tudo em comum. Vendiam terras e outros bens e distribuíam o dinheiro por todos de acordo com as necessidades de cada um”. (At 2, 44-45) Lucas conta-nos isto no quadro duma espécie de definição da Igreja, entre cujos elementos constitutivos ele enumera a adesão ao “ensinamento dos Apóstolos”, à “comunhão” (koinonia), à “fração do pão” e às “orações” (cf. At 2, 42). O elemento da “comunhão” (koinonia)… consiste precisamente no fato de os crentes terem tudo em comum, pelo que, no seu meio, já não subsiste a diferença entre ricos e pobres (cf. também At 4, 32-37). Com o crescimento da Igreja, esta forma radical de comunhão material — verdade se diga — não pôde ser mantida. Mas o núcleo essencial ficou: no seio da comunidade dos crentes não deve haver uma forma de pobreza tal que sejam negados a alguém os bens necessários para uma vida condigna.”
Com a programação do Jubileu Centenário, queremos dar graças ao Senhor pelo crescimento e vitalidade de Sua Igreja entre nós. Queremos reconhecer os dons do Amor de Deus que tem sido tão abundante nos cem anos passados desde que a Diocese de Fortaleza se desdobrou em tantas outras Igrejas Diocesanas (atualmente 9 dioceses em todo o Ceará). Graças pelos dons do Espírito no testemunho dos fiéis e das comunidades em sua vida e missão: santidade que é caridade em muitas formas de obras de misericórdia.
É também necessária a penitência pelas não correspondências ao Amor de Deus. Faltas, incoerências, contratestemunhos, pecados dos quais tomamos consciência na caminhada centenária e pelos quais pedimos o perdão e a misericórdia renovadora do Senhor.
São novos os tempos em que vivemos, são grandes desafios que nos atingem, mas se tornam para os discípulos-missionários de Cristo, oportunidades de testemunhar e anunciar como maior dom a “alegria do Evangelho” dado a todos, com maior coerência, zelo e ardor.
Os eventos programados querem expressar a comunhão de toda a Igreja e relançar nova a missão do Evangelho. “Firmes na Fé, alegres na Esperança e solícitos na Caridade” para “Nova evangelização em novos tempos”.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques

Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

20/10/2014

Santa Teresa D’Ávila, 500 anos

Padre Geovane Saraiva*
A Igreja prepara-se agora para recordar os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus. Isto significa, sobretudo, penetrar no mistério indizível da bondade de Deus e dos desígnios da providência divina, no sentido de dizer um muito obrigado pela dádiva de uma lição gratuita de humanismo, sem jamais esquecer de seus dotes literários, bem como de sua mais alta psicologia e pedagogia, a causar enorme influência no conhecimento e sabedoria da criatura humana. Penso que o Quinto Centenário da reformadora e renovadora, seja um tempo de profunda graça interior, no qual a Igreja é chamada a reavivar o dom do fervor e do ardor na vida contemplativa, espiritual, pastoral e no anúncio do Evangelho.
Trata-se de uma grande festa de ação de graças pelo dom da mística de Teresa D’Ávila, totalmente ofertado à Igreja, numa figura humana marcada pela graça da santidade, tão inteligente e capaz, a ponto de reformar e renovar o interior da Igreja, consciente de que a mesma, embora na sonhada busca pela perfeição, pureza e lisura, é uma Igreja santa e pecadora, sempre necessitada de conversão. Ela buscava incessantemente a vida interior, a qual tão bem descreveu como um castelo de sete moradas, no qual Deus habita no mais alto nível. Neste sentido, assim rezava: “Nada te perturbe. Nada te amedronte. Tudo passa, só Deus não muda. A paciência tudo alcança. A quem tem Deus nada falta. Só Deus basta!”
               
Diante de uma criatura humana exemplar e referencial atemporal como Teresa D’Ávila, um verdadeiro milagre do inefável mistério de Deus, falta-nos a palavra perfeita para expressar o significado dessa preparação para a completude de seus 500 anos de existência (1515-2015). Não tenho dúvida alguma tratar-se de uma mulher fortemente imbuída do Espírito de Deus, assim percebo o interior de nossa irmã D'Ávila: “Como a corça que suspira pelas águas da torrente, assim minha alma suspira por vós, Senhor. Minha alma tem sede do Deus vivo” (cf. Sl 42, 1). Suas belíssimas reflexões nos fazem pensar que temos tudo o que precisamos à mão, agora mesmo, para realizar o projeto de Deus: “O Senhor não olha tanto a grandeza das nossas obras. Olha mais o amor com que são feitas”. Santa Teresa também nos indaga sobre a superficialidade de nossos sentimentos: “O verdadeiro humilde sempre duvida das próprias virtudes e considera mais seguras as que vê no próximo”.
Como é maravilhoso comemorar os 500 anos do nascimento de Santa Teresa de Jesus em um conjunto de iniciativas de âmbito espiritual e cultural, com exposições, cursos e peregrinações. O Papa Francisco concedeu a graça da sua bênção a todos os fiéis que “verdadeiramente arrependidos e movidos pela caridade” assistam aos Rituais Sagrados em datas específicas, a saber: Início do Ano Jubilar, a 15 de outubro de 2014; no dia de Natal, 25 de dezembro; e em 2015, no aniversário do nascimento de Santa Teresa de Jesus, dia 28 de março; no dia de Páscoa, a 5 de abril, e no encerramento do Ano Jubilar a 15 de outubro de 2015. Mais ainda, o Papa Francisco decretou um Ano Jubilar por ocasião do Quinto Centenário do nascimento daquela que afirmou: “Senhor, sou uma filha da vossa Igreja e como filha da Igreja Católica quero morrer”; sendo considerada fundadora dos Carmelitas Descalços juntamente com São João da Cruz. Bendito seja Deus por suas santas criaturas!
*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com

10/09/2014

PALAVRA DO PASTOR: “Simpósio Arquidiocesano no Ano da Esperança"

domjose200Nas comemorações do Jubileu Áureo do Concílio Vaticano II, realizamos no ano 2013, o ANO DA FÉ, um Simpósio Arquidiocesano da Fé para a formação dos fiéis: sacerdotes, ministros eclesiais, religiosos e religiosas, leigos e leigas.
Nas três virtudes teologais da FÉ, ESPERANÇA e CARIDADE, contempladas pelos nossos últimos papas em encíclicas: Lumen Fidei, Spe Salvi, Deus Caritas est, cartas pastorais solenes e referenciais – procuraremos refazer-nos nos fundamentos da vida cristã e no amadurecimento de sua doutrina.
Este processo de formação eclesial sintoniza-se com a celebração do Jubileu Centenário da Arquidiocese de Fortaleza.
Neste ANO DA ESPERANÇA realizaremos um Simpósio Arquidiocesano sobre a Esperança (dias 20 e 21 de setembro) e em 2015 sobre a Caridade – no ANO DA CARIDADE – Ano Jubilar Centenário da Arquidiocese de Fortaleza.
Além de reflexões sobre a Esperança na Bíblia, a Esperança na Tradição da Igreja e a Esperança e o Concílio Vaticano II, testemunhos pessoais e comunitários dos caminhos da Esperança serão oportunidade de verdadeira experiência de comunhão eclesial e de encontro com Jesus, do qual tudo parte e no qual tudo se realiza.
Do Santo Padre Papa Emérito Bento XVI recebemos a Encíclica Spe Salvi – Salvos na Esperança. É ele que coloca a questão para todos nós cristãos: “1. ‘SPE SALVI facti sumus’ – ‘é na esperança que fomos salvos’: diz São Paulo aos Romanos e a nós também (Rm 8,24) . A ‘redenção’, a salvação, segundo a fé cristã, não é um simples dado de fato. A redenção nos é oferecida no sentido que nos foi dada a esperança, uma esperança fidedigna, graças à qual podemos enfrentar o nosso tempo presente: o presente, ainda que custoso, pode ser vivido e aceite, se levar a uma meta e se pudermos estar seguros desta meta, se esta meta for tão grande que justifique a canseira do caminho. E imediatamente se levanta a questão: mas de que gênero é uma tal esperança para poder justificar a afirmação segundo a qual a partir dela, e simplesmente porque ela existe, nós fomos redimidos? E de que tipo de certeza se trata?”
Sabemos pela Palavra de Deus, pelos ensinamentos que dela tira a Igreja (vide Catecismo da Igreja Católica), que: “1817. A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos como nossa felicidade o Reino dos Céus e a Vida Eterna, pondo nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos não em nossas forcas, mas no socorro da graça do Espírito Santo. ‘Continuemos a afirmar nossa esperança, porque é fiel quem fez a promessa’ (Hb 10,23). ‘Este Espírito que ele ricamente derramou sobre nós, por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador, a fim de que fossemos justificados por sua graça e nos tornássemos herdeiros da esperança da vida eterna’ (Tt 3,6-7). 1818. A virtude da esperança responde a aspiração de felicidade colocada por Deus no coração de todo homem; assume as esperanças que inspiram as atividades dos homens; purifica-as, para ordená-las ao Reino dos Céus; protege contra o desânimo; dá alento em todo esmorecimento; dilata o coração na expectativa da bem-aventurança eterna. O impulso da esperança preserva do egoísmo e conduz a felicidade da caridade.”.
Assim queremos nos colocar decididamente nos caminhos da Esperança Cristã. Por este caminho nos convida o Papa Francisco, quando de uma de suas meditações diárias na Santa Missa (30 de outubro de 2013) fala de “A Esperança, esta desconhecida”: “… uma virtude, que se revelou mais forte do que o sofrimento, assim como escreve são Paulo na Carta aos Romanos 8, 18-25 (18 ‘Eu penso que os sofrimentos do tempo presente não têm proporção com a glória que há de ser revelada em nós. 19 De fato, toda a criação espera ansiosamente a revelação dos filhos de Deus…’). Paulo refere-se aos sofrimentos do tempo presente, mas diz que não são comparáveis com a glória futura que será revelada em nós. O apóstolo fala de ‘fervorosa expectativa’, uma tensão rumo à revelação que se refere a toda a criação. ‘Esta tensão é a esperança e viver na esperança é viver nesta tensão’, na expectativa da revelação do Filho de Deus, quando toda a criação e também cada um de nós for libertado da escravidão ‘para entrar na glória dos filhos de Deus’. A esperança é ‘a mais humilde das três virtudes (teologais), porque se esconde na vida. Vemos e sentimos a fé, sabemos o que é; praticamos a caridade, sabemos o que é. Mas o que é a esperança?’. A resposta do Papa foi: “Para nos aproximarmos mais podemos dizer em primeiro lugar que é um risco. A esperança é uma virtude perigosa, uma virtude, como diz são Paulo, de uma expectativa fervorosa pela revelação do Filho de Deus. Não é uma ilusão. É aquela que os israelitas tinham, os quais, quando foram libertados da escravidão disseram: ‘parecia que sonhávamos. Então a nossa boca abriu-se num sorriso e a nossa língua encheu-se de alegria’ (Sl 126, 1)”.
De fato, sabemos que toda a criação, e também nós com ela, ‘geme e sofre as dores de parto até hoje’.(Rm 8, 22) Não só, mas também nós, que possuímos as primícias do espírito, gememos interiormente, esperando.
Estamos na expectativa como está a mulher em parto, para seguir a imagem usada por São Paulo.  A esperança põe-se nesta dinâmica do dar a vida. A esperança ‘é uma graça que deve ser pedida’.
Viver na esperança não é estar apenas firme em uma boa vida religiosa no cumprimento de mandamentos, é carregar em si a vida nova que já está se formando. A mulher grávida não é apenas mulher, mas já está se transformando em mãe. Assim Maria, que já carrega Jesus, canta seu Magnificat (Lc 1, 46-55), porque o Poderoso faz maravilhas na humildade de sua serva. Ela é a Mãe da Santa Esperança.

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

05/08/2014

PALAVRA DO PASTOR: Um mês dedicado às vocações

Editorial – agosto 2014

“Um mês dedicado às vocações”
Arcebispo Dom José Antonio

“Narra o Evangelho que ‘Jesus percorria as cidades e as aldeias (…). Contemplando a multidão, encheu-Se de compaixão por ela, pois estava cansada e abatida, como ovelhas sem pastor.’  Disse, então, aos seus discípulos: ‘A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos. Rogai, portanto, ao Senhor da messe para que envie trabalhadores para a sua messe’ (Mt 9, 35-38). Estas palavras causam-nos surpresa, porque todos sabemos que, primeiro, é preciso lavrar, semear e cultivar, para depois, no tempo devido, se poder ceifar uma messe grande. Jesus, ao invés, afirma que ‘a messe é grande’. Quem trabalhou para que houvesse tal resultado? A resposta é uma só: Deus. Evidentemente, o campo de que fala Jesus é a humanidade, somos nós. E a ação eficaz, que é causa de ‘muito fruto’, deve-se à graça de Deus, à comunhão com Ele (cf. Jo 15, 5). Assim a oração, que Jesus pede à Igreja, relaciona-se com o pedido de aumentar o número daqueles que estão ao serviço do seu Reino. São Paulo, que foi um destes ‘colaboradores de Deus’, trabalhou incansavelmente pela causa do Evangelho e da Igreja. Com a consciência de quem experimentou, pessoalmente, como a vontade salvífica de Deus é imperscrutável e como a iniciativa da graça está na origem de toda a vocação, o Apóstolo recorda aos cristãos de Corinto: ‘Vós sois o seu [de Deus] terreno de cultivo’ (1 Cor 3, 9). Por isso, do íntimo do nosso coração, brota, primeiro, a admiração por uma messe grande que só Deus pode conceder; depois, a gratidão por um amor que sempre nos precede; e, por fim, a adoração pela obra realizada por Ele, que requer a nossa livre adesão para agir com Ele e por Ele.” (Mensagem do Santo Padre Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações – 11 de maio de 2014 – IV Domingo de Páscoa, 1)
No mês de agosto toda a Igreja se volta para esta realidade do chamado de Deus na vida humana, avocação divina – o chamado divino na vida de cada pessoa. Assim, neste mês se recorda, semana após semana, um chamado especial que marca a vida: o chamado cristão para a vida divina toma formas diversas no estado de vida de cada um. Alguns são especialmente chamados pelo Senhor para o serviço pastoral em sua Igreja: no dia 4 de agosto comemora-se o DIA DO PADRE. São cristãos chamados pelo Senhor a participar de seu pessoal pastoreio no meio do Seu Povo. No segundo domingo de agosto celebra-se o DIA DOS PAIS, participação maravilhosa da pessoa humana no Amor e Poder Criador de Deus que gera seus filhos e filhas, faz existir a comunhão na família. Com a celebração litúrgica da Assunção de Maria ao céu, a Igreja é levada a ver em Nossa Senhora a Virgem consagrada totalmente a Deus e a sinalização do destino último da humanidade na glória, humanidade plenamente realizada além do que é transitório neste mundo. Celebra-se no domingo próximo a esta solenidade O DIA DOS CONSAGRADOS NA VIDA RELIGIOSA. Vocações muito diversificadas de total consagração da vida a Deus para o amor indiviso e incondicional a Deus ao serviço dos irmãos. No final do mês de agosto, na última semana ressalta-se a vocação dos cristãos dedicados à evangelização na vida leiga, na catequese eclesial, no testemunho no mundo. Todos os discípulos e discípulas de Cristo são aqui lembrados em sua vocação de evangelizadores – DIA DOS CATEQUISTAS.
Ainda o Papa Francisco: “Também hoje Jesus vive e caminha nas nossas realidades da vida ordinária, para Se aproximar de todos, a começar pelos últimos, e nos curar das nossas enfermidades e doenças. Dirijo-me agora àqueles que estão dispostos justamente a pôr-se à escuta da voz de Cristo, que ressoa na Igreja, para compreenderem qual possa ser a sua vocação. Convido-vos a ouvir e seguir Jesus, a deixar-vos transformar interiormente pelas suas palavras que ‘são espírito e são vida’ (Jo 6, 63). Maria, Mãe de Jesus e nossa, repete também a nós: ‘Fazei o que Ele vos disser!’ (Jo 2, 5). Far-vos-á bem participar, confiadamente, num caminho comunitário que saiba despertar em vós e ao vosso redor as melhores energias. A vocação é um fruto que amadurece no terreno bem cultivado do amor uns aos outros que se faz serviço recíproco, no contexto duma vida eclesial autêntica. Nenhuma vocação nasce por si, nem vive para si. A vocação brota do coração de Deus e germina na terra boa do povo fiel, na experiência do amor fraterno. Porventura não disse Jesus que ‘por isto é que todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros’ (Jo 13, 35)?”  (Mensagem do Santo Padre Francisco para o 51º dia mundial de oração pelas vocações – 11 de maio de 2014 – IV Domingo de Páscoa, 3)
Teremos oportunidade em nossa Igreja Diocesana de encerrar o mês todo dedicado às vocações, com duas celebrações muito significativas (na Catedral Metropolitana às 18h30min): Ordenações Diaconais no dia 25 de agosto – irmãos são consagrados ao Senhor para serem servidores no anúncio do Evangelho, na comunicação da graça divina, na administração da caridade aos irmãos. Serão auxiliares dos pastores (padres e bispos) no grande trabalho da evangelização para que não falte aos que necessitam a ajuda da força de Deus. Ordenação Episcopal no dia 28 de agosto – com a graça do Espírito Santo, um irmão dentre nós foi escolhido pelo Santo Padre o Papa Francisco para ser bispo em uma Igreja Irmã na Amazônia, em Tefé: Pe. Fernando Barbosa dos Santos, sacerdote religioso lazarista, até então pároco de Nossa Senhora dos Remédios no Bairro Benfica em Fortaleza. Irá ele como missionário junto às comunidades que lá estão. Este serviço pastoral nos envolve também na vocação de levar o Evangelho a toda criatura, na continuação da missão dada por Jesus a seus apóstolos.
Tudo isto, todo um mês dedicado às vocações, será para nós motivo de renovação do sentido que move nossa própria vida com a esperança cristã da realização do Reino de Deus. Somos todos chamados. A cada um Deus dá sua parte na missão. Todos somos construtores, sob a ação do Espírito Santo, do amoroso projeto de Deus para a humanidade. Trabalhadores na grande messe do Senhor.
 + José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

27/07/2014

Um Francisco consternado e dolorido

Padre Geovane Saraiva*

Com Veemência, alhures, já falei repetidas vezes de uma Igreja portadora da esperança, que muito fala da esperança, como sua razão de ser, de existir e seu sonho superior aos demais, mas que não proporcionava a suficiente esperança (cf. Hans Küng, Celebração do Culto Divino). Também não me esqueci de falar da nossa confiança que é enorme, sobretudo, ao refletirmos sobre a parábola do pai misericordioso (Lc 15, 11-32), porque temos um papa totalmente identificado com o pai da passagem do referido Evangelho (o filho pródigo), no seu amor infinito e acolhedor, que soube compadecer-se da miséria do filho mais novo, num gesto extraordinário de compaixão e generosidade.

O Planeta alegremente contemplado, no sentido de que os cristãos sejam estimulados e fomentados a um grande compromisso de dialogar e cuidar da criação, nas suas mais diversas realidades. O mundo precisando carinhosamente de práticas ecológicas e ambientais, para que a fé da humanidade possa se tornar cada vez mais viva, lúcida e coerente com aquilo em que acredita. Daí um Francisco consternado e profundamente sofrido diante do desastre com o avião da Malaysian Airlines no leste da Ucrânia, região marcada por fortes tensões, elevando suas orações pelas numerosas vítimas e pelos seus familiares, renovando às partes em conflito o sincero apelo pela paz e por um compromisso para que se encontrem soluções de diálogo, com a finalidade de evitar ulteriores perdas de vidas humanas inocentes.

Vem logo na minha mente a imagem da Pietá, na qual contemplamos as dores da Virgem Maria, com as mãos ensanguentadas, quando o Filho de Deus, naquele supremo episódio doloroso, depois da morte na cruz, retratados por Michelangelo, naquele tema emblemático da arte cristã. Por ocasião da Semana Santa, somos mais de perto convidados a estarmos sempre próximos da Virgem Dolorosa, sentimento este vivido intensamente, neste momento, pelo Papa Francisco. As sete dores por ela sentidas, dores imensas, profundas e inigualáveis, representam as dores da humanidade, na força de uma inefável simbologia.

Entristecidos e, ao mesmo tempo Esperançosos, contamos com um papa capaz de tomar para si e compreender a humanidade, representada pelo filho mais novo que deixou seu pai querido, numa aventura de assumir e administrar sua própria vida e seus bens. Igualmente, numa pedagogia marcada pela misericórdia, que saiba ir ao encontro do filho mais velho, que representa a mesma humanidade, com um coração empedernido, para falar-lhe da necessidade da misericórdia e da conversão do coração diante da dor, da miséria e do sofrimento humano, exigindo-lhe amor, compaixão e solidariedade.

O Santo Padre carrega consigo, no mais íntimo do seu interior e, não tenho nenhum medo de me enganar, o pensamento do grande educador e pensador Rubem Alves, nesta assertiva: "Eu achava que religião não era para garantir o céu, depois da morte, mas para tornar esse mundo melhor, enquanto estamos vivos”.

*Padre da Arquidiocese de Fortaleza, escritor, colunista, blogueiro, membro da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza, da Academia de Letras dos Municípios do Estado Ceará (ALMECE) e Vice-Presidente da Previdência Sacerdotal - Pároco de Santo Afonso - geovanesaraiva@gmail.com
                     

17/07/2014

PALAVRA DO PASTOR: “Com Maria no Caminho da Esperança.”

domjoséboa200Será esta a décima segunda vez em que estaremos realizando a CAMINHADA COM MARIA por ocasião da Solenidade de Nossa Senhora da Assunção, Padroeira da Cidade de Fortaleza no dia 15 de agosto.
Esta caminhada teve início na abertura das comemorações dos 150 Anos da Diocese de Fortaleza no ano 2003. Fomos estimulados pelo Beato Papa João Paulo II com sua carta Rosarium Virginis Mariae e a proposta de uma manifestação mariana neste ano especial destinado ao Rosário da Virgem Maria.
Assim procuramos refazer o caminho dos inícios da fé católica e mariana nas origens da cidade de Fortaleza, com uma caminhada que, partindo do Santuário de Nossa Senhora da Assunção na Barra do Ceará, ponto primeiro de devoção mariana trazida pelos portugueses nos inícios da colonização nestas terras, para a Catedral Metropolitana, passando pela Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, depois conquistada dos holandeses que aí se estabeleceram, o que deu origem ao vilarejo da Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, inícios da cidade que ainda hoje carrega este nome.
Neste ano, em continuação do ano 2013, estamos vivendo o ANO DA ESPERANÇA, no triênio de comemoração do Centenário Jubilar da Arquidiocese de Fortaleza. Nada mais oportuno para reavivar a esperança de nosso povo que volta às suas fontes cristãs: católica e mariana.
Mais que refazer um trajeto histórico de percurso da imagem venerada de Nossa Senhora da Assunção, da Barra do Ceará à Fortaleza de Nossa Senhora da Assunção, vamos ao conteúdo da fé, contemplado e meditado com a oração do Rosário da Virgem Maria: 20 mistérios etapas da vida de Cristo e de Maria. Este caminho do rosário é síntese do caminho de fé de todo cristão. Parte de um encontro com Deus que é encontro com Seu Filho feito homem no seio da Virgem Maria. Depois esta entrada de Deus na vida humana marca um trajeto e estilo de vida no Amor a Deus e ao próximo que se consumará no Sacrifício da Cruz e na Ressurreição de Jesus com o dom do Espírito Santo e o nascimento da Igreja em seus caminhos pelo mundo rumo à glória do Reino de Deus definitivo, contemplado em Maria, Rainha do Céu e da Terra.
Este itinerário é ícone para toda a humanidade, que nele contempla o significado da história humana e sua meta, direção para onde remete a sua esperança cristã.
Portanto, a oração do rosário mariano não é apenas a repetição mecânica de certa quantidade de Pai-nosso e Ave-Maria, mas profunda contemplação do Evangelho de Cristo, da Palavra de Deus, do viver em Cristo. Com Maria, Sua e nossa Mãe (cf. Jo 19, 26-27) aprendemos do vivo testemunho o como viver em Cristo. Por isso a levamos para a casa como o apóstolo João – e a nossa casa comum é a Igreja inserida neste mundo rumo ao Pai Celeste.
Refazer esta caminhada física e espiritualmente renova as convicções da Fé e reanima a Esperança, dá sentido ao viver na cidade terrena como semeadura e cultivo do viver definitivo na Cidade Celeste.
Esta CAMINHADA COM MARIA, não nos afasta absolutamente de Cristo, mas a Ele nos faz tudo referir como princípio, caminho e meta de nossa Fé. Esta mesma caminhada não nos aliena do compromisso com este mundo no qual vivemos, mas a ele nos integra de modo ainda mais responsável, como chão onde se caminha para a Vida definitiva. Nele vivemos o Amor que se tornará pleno e eterno.
+ José Antonio Ap. Tosi Marques

08/06/2014

PALAVRA DO PASTOR: “Copa do Mundo – Dignidade – Paz”

dom-josé200Queremos abrir espaço em nosso editorial mensal para um assunto que é polarizador completo nestes meses de junho e julho da atenção de todos: A Copa do mundo de futebol que estará acontecendo entre nós.
E com toda a Igreja no Brasil lembramos: “Direito humano de especial valor, o esporte é necessário a uma vida saudável e não deve ser negligenciado por nenhum povo. De todos os esportes, o brasileiro nutre reconhecida paixão pelo futebol. Explicam-se assim, a expectativa e a alegria com que a maioria dos brasileiros aguarda a Copa do Mundo que será realizada em nosso país, pela segunda vez.
Fiel à sua missão evangelizadora, a Igreja no Brasil acompanha, com presença amorosa, materna e solidária, esse grande evento que reunirá vários países e protagonizará a oportunidade de um congraçamento universal, “na alegria que o esporte pode trazer ao espírito humano, bem como os valores mais profundos que é capaz de nutrir”, como nos lembra o Papa Francisco.
O sucesso da Copa do Mundo não se medirá pelos valores que injetará na economia local ou pelos lucros que proporcionará aos seus patrocinadores. Seu êxito estará na garantia de segurança para todos sem o uso da violência, no respeito aos direitos às pacíficas manifestações de rua, na criação de mecanismos que impeçam o trabalho escravo, o tráfico humano e a exploração sexual, sobretudo, de pessoas socialmente vulneráveis e combatam eficazmente o racismo e a violência. (cf. Mensagem da CNBB sobre a Copa do Mundo”
Assim: como Igreja nos comprometemos a: acompanhar torcedores e jogadores nas suas demandas por momentos de espiritualidade e encontro com Deus, bem como ser presença orante durante toda a Copa; acompanhar as populações vulneráveis, especialmente aquelas em situação de rua, para que não sejam retiradas dos logradouros públicos durante a copa e depois devolvidas às ruas, como objetos que atrapalham a realização do evento; participar dos esforços por conscientização dos que nos visitam, para que não pratiquem o turismo sexual mas sejam presença que valorize a dignidade humana e a confraternização universal.
Confraternização universal – esta será a melhor marca, o melhor testemunho, o valor alto para o bem comum como fruto de um evento que movimenta o mundo inteiro.
Que fruto desta confraternização sejam melhores condições de vida e convivência humana em nossa pátria e no mundo todo, na construção de uma verdadeira Civilização do encontro, como nos concita o Papa Francisco que reuniu, ele mesmo, multidões de jovens na grande confraternização, que foi precursora da Copa do Mundo, na JMJ Rio 2013.
Que beleza o testemunho de um mundo fraterno e em paz, congraçado com o bem e expressão de um mundo novo que é possível!
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo de Fortaleza

08/04/2014

PALAVRA DO PASTOR: “Testemunhas da Esperança”

Estamos em pleno ANO DA ESPERANÇA, celebrando o Tempo Pascal após os intensos dias do Tríduo Pascal da Paixão, Morte, Sepultura e Ressurreição do Senhor. Assim estaremos em plena festa pascal por cinquenta dias como se fosse um só dia, até a Solenidade de Pentecostes.
O clima do Ano da ESPERANÇA nos faz colher com muita intensidade o significado da Esperança Cristã.
Para que Deus nos chama? Por que nos criou? Por que nos enviou o Cristo?
Para a “… vida e vida em plenitude.” (Jo 10,10)
Este é o resumo e manifestação completa das promessas de Deus.
A toda pessoa humana que vem a este mundo, Deus promete felicidade. Isto é que está inscrito no mais íntimo de cada ser humano. A realização humana é prometida no anseio mais profundo de cada pessoa a ser feliz, realmente feliz, plenamente realizada.
Com será isto possível? É apenas um sonho, uma ilusão? Será este um paraíso perdido?
Ao povo escolhido nos inícios de Sua História de Salvação, Deus prometeu a um homem já no fim de seus dias e sem filhos, ser pai de uma grande nação e possuir uma Terra que o Senhor lhe dará. A este Deus faz dom a Fé. E suas promessas vão abrindo caminho na dimensão da fé, de realização em realização para algo mais: “Em ti serão abençoadas todas as nações da Terra.”(Gn 28,14) Depois, nas vicissitudes de sua história, a um povo escravo Deus promete a libertação, anima sua esperança de povo e terra e o encaminha entre prodígios para este destino humano e terreno, mas vai abrindo em seu interior novos caminhos com Sua Palavra, Sua Instrução – a Lei: “Vós sereis o meu povo e eu serei o vosso Deus.”(Êx 6, 7).
Mas, apenas chegada a plenitude dos tempos, realização de todas as promessas divinas, Deus envia seu Filho que “Se fez carne e habitou entre nós.”(Jo 1,14) para a realização mais plena da esperança. Nele a humanidade é redimida de toda a escravidão do pecado e da morte. As promessas se alargam ao infinito. Das pequenas esperanças que motivam para perto se passa à Grande Esperança que motiva para o mais pleno, para o definitivo. Jesus, o Filho de Deus, dá a vida para que todos tenham a vida e a tenham em sua plenitude – libertação plena e ressurreição.
E “A esperança não decepciona, pelo Amor que foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,5) Jesus, amando até o fim, tudo consuma com a sua própria doação total de vida, com o Amor (Espírito Divino) que é infundido nos corações humanos.
Os horizontes da esperança foram se alargando do imediatismo material que mais nos atrai para a plenitude que vai encontrando espaço dentro de nós em um Novo Espírito – o Amor de Deus.
Celebramos anualmente esta realização estupenda, impensável, definitiva: a Felicidade sonhada existe – ela é Vida em Deus. A celebração é necessária para nós, seres no tempo, como motivação e abertura de nossos desejos para que possamos ser preenchidos pelo Dom de Deus. Celebração que depois se torna semanal, no Dia do Senhor em cada ciclo de semana: no primeiro dia da semana tudo chegou à plenitude na carne humana com a ressurreição de Cristo Jesus. É celebração vivência em cada dia e momento, pois a Esperança em Cristo é o que motiva e dá sentido a todos os atos, escolhas, realizações humanas no Amor. “Tudo passa, só o Amor permanece”(cf 1Cor 13). Este Amor é o que une em comunhão plena a humanidade e Deus. Este Amor é o vínculo que comunga todas as pessoas humanas em sua diversidade e complementariedade. Ninguém pode ser feliz só! A felicidade é a própria participação na Vida Divina – comunhão no Amor. Neste futuro já presente caminhamos na esperança de sua plena realização.
“Vede que grande presente de amor o Pai nos deu: sermos chamados filhos de Deus! E nós o somos! Se o mundo não nos conhece, é porque não conheceu o Pai. Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é. Todo aquele que espera nele purifica-se a si mesmo, como também ele é puro.” (1Jo 3, 1-3.)
Disto somos testemunhas – testemunhas da Esperança.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

28/02/2014

PALAVRA DO PASTOR: “Com os Jovens no Ano da Esperança”

Com a firme convicção de que a juventude tem, por sua própria natureza, o desejo do novo, do que virá, do que poderá ser além do que já foi, vimos no ano 2013 as grandes manifestações da juventude, sendo a maior delas a JMJ Rio 2013 – Jornada Mundial das Juventude no Rio de Janeiro com a presença animadora e iluminadora do Papa Francisco.
Jovens do mundo todo deram um testemunho inequívoco da força da Fé, do vigor do Evangelho de Jesus Cristo em suas vidas, para a renovação da humanidade.
Em nossa Arquidiocese, como em todo o Brasil, os jovens se prepararam nos inúmeros “Bote Fé”, que causaram um levantar-se da juventude e a renovação das esperanças maiores de que um futuro melhor não só é possível sonhar, mas realizar.
No período da Quaresma foi motivo de grande alegria a presença da Juventude de nossa Arquidiocese de Fortaleza nos eventos preparatório da JMJ, de modo especial nas Catequeses Quaresmais realizadas pelo arcebispo com os jovens reunidos na Catedral Metropolitana de Fortaleza, nas tardes de sábado e em suas missões pré-jornada mundial.
Os jovens expressaram sua ânsia pela verdade, pela justiça e pelos valores do Evangelho. Testemunharam com suas vidas o caminho que fazem na construção de um mundo novo, de uma nova sociedade, que mereça a realização do Reino de Deus.
No tempo pascal, os sacerdotes se reuniram em suas comunidades com a mesma juventude cristã para um encontro com o Senhor ressuscitado, no aprofundamento da Fé e vivência em comunhão fraterna, no compromisso com a construção da fraternidade universal.
No Ano da Esperança 2014, movidos pela esperança de que o novo pode acontecer pela força de Deus e pelo acolhimento humano disposto e generoso, voltamos a propor aos nossos jovens os encontros de Quaresma e de Páscoa, que aprofundem o encontro com Cristo e com Ele estejamos na missão entregue pelo Papa Francisco de irem por todo o mundo para anunciar o Evangelho.
Estaremos nos encontrando na Catedral nos sábados da Quaresma (nos dias 8, 15 e 29 de março e no dia 5 de abril) para as Catequeses sobre a Esperança Cristã. “Esperança que não decepciona”, “Esperança que se fundamenta na Fé e age na Caridade”. No Domingo de Ramos (13 de abril) viveremos em todo o mundo o DIA MUNDIAL DA JUVENTUDE, celebrado também nas manifestações da Caminhada dos Ramos. Depois virão os encontros de Páscoa nas Comunidades Eclesiais, nas Paróquias, para alargar os motivos de “Alegria na Esperança” que a vida em Cristo traz.
Fundamenta-se a Fé, anima-se a Esperança e desenvolve-se a ação do Amor Verdadeiro (Caridade). Novamente voltaremos aos fundamentos do Evangelho e aos ensinamentos do Catecismo da Igreja Católica em sua forma YouCat – mensagem aos jovens. Poderemos colher dos mesmos jovens os testemunhos de esperança que animam o nosso presente e nos impulsionam para o futuro…
Quando tanto somos desafiados para as transformações da convivência humana, tão agredida em sua dignidade, mais uma vez somos lembrados pela Campanha da Fraternidade – CF 2014, que foi para a liberdade dos filhos de Deus, que Jesus nos libertou de todas as formas de escravidões. Isto nos faz clamar contra o tráfico de seres humanos, que em nossos dias assumem as mais diversas formas. É urgente surgir uma nova geração libertada e libertadora para que a sociedade humana por inteiro seja verdadeiramente livre e realizadora nos relacionamentos humanos verdadeiros e plenos.
Para construir a Civilização do Amor é preciso a Cultura do Encontro, de encontros humanos promotores da vida plena para todos. As MISSÕES JOVENS a se desenvolver no decorrer do ano serão oportunidade de ver nossa juventude construindo o novo lá onde mais ele necessita ser realizado.
Assim, com o Senhor que faz novas todas as coisas, no coração dos que ainda têm a graça do futuro para construir, esperamos pelo Reino de Deus e à sua construção nos dedicamos com alegria, confiança, esperança…
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

21/01/2014

PALAVRA DO PASTOR: Um Ano da Esperança para construir a Paz

Arcebispo de Fortaleza, dom José Antonio A. Tosi Marques, fala sobre a Festa da VidaIniciamos 2014 sob o sinal da Esperança na construção da Paz. Para nós na Arquidiocese de Fortaleza será este o Ano da Esperança, segundo ano no triênio de preparação para o Jubileu Centenário da Arquidiocese. Para toda a humanidade, nos votos e mensagem do Papa Francisco, a Paz se constrói com a Fraternidade, fundamento e caminho para a Paz.

Para a humanidade é possível esperar por um mundo de Paz. E “A Esperança não decepciona” (Rom 5,5 ), quando se constrói o presente e o futuro com a fraternidade.  E será de se esperar a fraternidade entre todos os povos, nações, raças, línguas que parecem dividir a humanidade ao invés de uni-la?
Papa Francisco abriu sua mensagem de Ano Novo 2014: “Na realidade, a fraternidade é uma dimensão essencial do homem, sendo ele um ser relacional. A consciência viva desta dimensão relacional leva-nos a ver e tratar cada pessoa como uma verdadeira irmã e um verdadeiro irmão; sem tal consciência, torna-se impossível a construção duma sociedade justa, duma paz firme e duradoura. E convém desde já lembrar que a fraternidade se começa a aprender habitualmente no seio da família, graças sobretudo às funções responsáveis e complementares de todos os seus membros, mormente do pai e da mãe. A família é a fonte de toda a fraternidade, sendo por isso mesmo também o fundamento e o caminho primário para a paz, já que, por vocação, deveria contagiar o mundo com o seu amor”.
Já por razão natural toda pessoa humana se reconhece semelhante a outras pessoas humanas das quais nasce, com as quais vive e se relaciona. A primeira experiência de relacionamento humano é o intrafamiliar, e ele se expande à medida em que a vida se desenvolve. O horizonte humano se amplia e vai até a universalidade da humanidade que o irmana.
Mais que todas as diferenças pessoais, familiares, sociais, nacionais, de raça, cor, religião, cultura, há uma semelhança que irmana no destino comum de todos.
E esta fraternidade universal não clama, também, ela mesma, por uma filiação universal, por uma paternidade universal?
Mas… há sempre um mas…
Com o mesmo Papa Francisco todos constatamos: “Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenômeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos. Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos econômico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas”.
Vivemos a globalização que, como afirmou Bento XVI, “nos torna vizinhos, mas não nos faz irmãos.”Continuam e mesmo crescem mais as situações de desigualdade, pobreza e injustiça que indicam não só a falta de fraternidade, mas também de uma cultura de solidariedade. Existe, sim, e agride a todos o individualismo, o egocentrismo e o consumismo materialista, a mentalidade do “descartável” que leva ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados “inúteis”, dos que não contam.  Assim, a convivência humana torna-se relação de comércio e de desfrute e domínio egoísta.
A humanidade necessita de paternidade, da Paternidade que fundamenta sua própria fraternidade e que dá consistência aos relacionamentos fraternos entre todas as pessoas humanas. O reconhecimento desta paternidade divina, transcendente, deste Amor que é fonte de Vida, leva ao amor verdadeiro entre os que são irmãos e irmãs, leva ao cuidado do outro, de todos, e a partir do mais frágil, do mais fraco, do mais necessitado. A referência muda totalmente. Já não é o “eu” o centro da existência, é o “outro”, será afinal o “nós” unidos pelo Amor do que o Outro de todos juntos.
Este cuidado do irmão está presente nas intenções do Pai Criador desde a origem. É ele mesmo quem pergunta ao homem homicida: «Onde está o teu irmão?» (Gn 4, 9)
Esta busca pelo homem fragilizado nas relações marcou toda a ação reveladora e salvadora de Deus na história da humanidade.
Vale a pena retornar às mesmas palavras do Papa Francisco em sua mensagem de início de ano: “Surge espontaneamente a pergunta: poderão um dia os homens e as mulheres deste mundo corresponder plenamente ao anseio de fraternidade, gravado neles por Deus Pai? Conseguirão, meramente com as suas forças, vencer a indiferença, o egoísmo e o ódio, aceitar as legítimas diferenças que caracterizam os irmãos e as irmãs?”
”Parafraseando as palavras do Senhor Jesus, poderemos sintetizar assim a resposta que Ele nos dá: dado que há um só Pai, que é Deus, vós sois todos irmãos (cf. Mt 23, 8-9). A raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus. Não se trata de uma paternidade genérica, indistinta e historicamente ineficaz, mas do amor pessoal, solícito e extraordinariamente concreto de Deus por cada um dos homens (cf. Mt 6, 25-30). Trata-se, por conseguinte, de uma paternidade eficazmente geradora de fraternidade, porque o amor de Deus, quando é acolhido, torna-se no mais admirável agente de transformação da vida e das relações com o outro, abrindo os seres humanos à solidariedade e à partilha ativa.”
“Em particular, a fraternidade humana foi regenerada em e por Jesus Cristo, com a sua morte e ressurreição. A cruz é o ‘lugar’ definitivo de fundação da fraternidade que os homens, por si sós, não são capazes de gerar. Jesus Cristo, que assumiu a natureza humana para redimi-la, amando o Pai até a morte e morte de cruz (cf. Fl 2, 8), por meio da sua ressurreição constitui-nos como humanidade nova, em plena comunhão com a vontade de Deus, com o seu projeto, que inclui a realização plena da vocação à fraternidade.”
Aqui se fundamenta toda a nossa Esperança de que a humanidade poderá encontrar o seu Caminho. É possível a Fraternidade. É não apenas desejável, mas realizável a Paz. Será possível a fraternidade vencer a exclusão, o empobrecimento. É possível uma economia a favor da humanidade na solidariedade e não contra ela. A fraternidade extingue todas as guerras, as corrupções, os crimes organizados. A fraternidade ajudará a guardar, a preservar, a cultivar, a conviver solidariamente com a natureza.
Vale terminar esta nossa conversa com as palavras do próprio Papa Francisco: “Há necessidade que a fraternidade seja descoberta, amada, experimentada, anunciada e testemunhada; mas só o amor dado por Deus é que nos permite acolher e viver plenamente a fraternidade”.

+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano de Fortaleza

06/12/2013

PALAVRA DO PASTOR: “… a esperança não decepciona …”

Editorial – dezembro 2013
arce170Com o encerramento do ANO DA FÉ, vivido por toda a Igreja nas comemorações dos 50 anos do Concílio Vaticano II, nossa Arquidiocese de Fortaleza iniciou o ANO DA ESPERANÇA, no segundo ano do triênio de preparação para seu Jubileu Centenário em 2015.
Temos assim grande esperança que, como o Ano da Fé foi rico em renovação da vida cristã para a Igreja no mundo todo, o iniciado Ano da Esperança também o seja, em continuação, grande estímulo para novo entusiasmo na vida eclesial e na missão de nova evangelização, como a tem proposto o Santo Padre o Papa Francisco em sua mais recente Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, de 24 de novembro p.p.: “A ALEGRIA DO EVANGELHO enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Quantos se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento. Com Jesus Cristo, renasce sem cessar a alegria. Quero, com esta Exortação, dirigir-me aos fiéis cristãos a fim de os convidar para uma nova etapa evangelizadora marcada por esta alegria e indicar caminhos para o percurso da Igreja nos próximos anos.”(EG. 1)
A que ESPERANÇA somos chamados? O que esperamos de nosso encontro com o Evangelho? A que nos leva a FÉ? O que esperamos de nossa vida? E do mundo em que vivemos? E de tudo o que somos e temos?
Partimos do dom da Vida Divina em nós. Assim nos recorda o Catecismo da Igreja Católica, ao qual nos voltamos especialmente no Ano da Fé: “1813. As virtudes teologais fundamentam, animam e caracterizam o agir moral do cristão, Informam e vivificam todas as virtudes morais. São infundidas por Deus na alma dos fiéis para os tornar capazes de proceder como filhos seus e assim merecerem a vida eterna. São o penhor da presença e da ação do Espírito Santo nas faculdades do ser humano. São três as virtudes teologais: fé, esperança e caridade (Cf. 1 Cor 13, 13.)”.
E sobre a esperança encontramos riquíssima referência nas Sagradas Escrituras. No mesmo Catecismo assim encontramos: “1817. A esperança é a virtude teologal pela qual desejamos o Reino dos céus e a vida eterna como nossa felicidade, pondo toda a nossa confiança nas promessas de Cristo e apoiando-nos, não nas nossas forças, mas no socorro da graça do Espírito Santo. «Conservemos firmemente a esperança que professamos, pois Aquele que fez a promessa é fiel» (Heb 10, 23). «O Espírito Santo, que Ele derramou abundantemente sobre nós, por meio de Jesus Cristo nosso Salvador, para que, justificados pela sua graça, nos tornássemos, em esperança, herdeiros da vida eterna» (Tt 3, 6-7).”
Assim temos como lema neste ANO DA ESPERANÇA: “… a esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.” (Rom 5,5.)
A alegria será contínuo fruto da presença do Espírito em nossos corações. Esta presença é o dom divino vindo do Pai em Jesus. Ele é derramado continuamente nos corações humanos. Esta é a causa da Alegria do Evangelho (Evangelii Gaudium). Para que tivéssemos a perfeita alegria foi que Ele veio a nós.
Estamos vivendo novamente na celebração litúrgica da Igreja o tempo especial, tempo de graça da vinda do Senhor. A recordação de sua vinda na carne humana – Festa do Natal – prolonga-se e aprofunda-se no encontro pessoal com o Senhor Jesus que vem, vem a nós, a cada um de nós que o encontramos pelo Seu Evangelho, pelo Dom do Espírito, pela Vida nova que a nós é dada na Fé, buscada na Esperança e vivida na Caridade.
A vida de Deus em nós é comunicação e partilha. Vivemos neste mesmo tempo eclesial a CAMPANHA PARA A EVANGELIZAÇÃO. Ela nos chama a uma verdadeira conversão. Sua coleta de comunhão de todos pelo anúncio do Evangelho ocorre no Terceiro Domingo do Advento – neste ano 15 de dezembro.
Como muitas vezes nos tem recordado o Papa Francisco: “Mas, atenção! Jesus não disse: se vocês quiserem, se tiverem tempo, vão; mas disse: «Ide e fazei discípulos entre todas as nações». Partilhar a experiência da fé, testemunhar a fé, anunciar o Evangelho é o mandato que o Senhor confia a toda a Igreja, também a você. É uma ordem, sim; mas não nasce da vontade de domínio, da vontade de poder. Nasce da força do amor, do fato que Jesus foi quem veio primeiro para junto de nós e não nos deu somente um pouco de Si, mas se deu por inteiro, Ele deu a sua vida para nos salvar e mostrar o amor e a misericórdia de Deus. Jesus não nos trata como escravos, mas como pessoas livres, como amigos, como irmãos; e não somente nos envia, mas nos acompanha, está sempre junto de nós nesta missão de amor.” (JMJ – Rio 2013 – Missa final)
Nesta Esperança, na plena Alegria do Evangelho, quero rezar por todos, pelas bênçãos de Deus, e lhes fazer os votos de Santo Advento, Feliz Natal, Abençoado Ano 2014.
+ José Antonio Aparecido Tosi Marques
Arcebispo Metropolitano