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23/12/2014

Uma mensagem de Natal da PASCOM



Ouvimos muito falar que o “clima" natalino original foi substituído pelo artificial onde reina o consumismo exacerbado. A superficialidade espanta a esperança de muitos corações dos habitantes de nosso planeta. Alguns perdem o rumo, o sentido de tudo.

Estrelas podem nos orientar para voltarmos ao rumo certo em uma jornada. Um menino desceu das estrelas e seu exemplo de simplicidade trouxe o rumo que precisamos tomar. Há um canto natalino muito popular na Itália, aqui interpretado pelo saudoso Luciano Pavarotti, que fala da simplicidade de uma criança que nasceu e isso trouxe a esperança ao mundo. Foi composto em dezembro 1754 na localidade de Nola, província de Nápoles, por Santo Afonso Maria de Ligório: “Tu scendi dalle stelle“, ou “Tu desces das estrelas“.

A nossa mensagem de Natal comunica essa simplicidade. Que o menino Jesus tenha por manjedoura os corações de cada um de vocês e que a esperança se torne uma certeza nesse ano de 2015.

São os votos da Pastoral da Comunicação – Paróquia de Santo Afonso.

17/11/2014

Filhos de Deus, filhos da luz

A comunidade precisa ter um modo próprio de ser, diferente dos 'outros'.
A alternativa que Paulo apresenta é esta: 'Não vamos dormir, como os outros, mas vigiar e ficar sóbrios'.
Por Dom Eurico dos Santos Veloso*

Uma das preocupações da primeira carta aos Tessalonicenses diz respeito à vinda do Senhor. Esse tema fez parte da pregação inicial de Paulo àquela comunidade. No início da carta, ele afirma que os cristãos da Acaia falam de como os tessalonicenses "se converteram, deixando os ídolos e voltando para Deus, a fim de servir ao Deus vivo e verdadeiro. Falam também de como vocês esperam que Jesus venha do céu, o Filho de Deus, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. É Ele que nos liberta da ira futura".

A partir disso, começou a especulação sobre a data em que o Senhor viria. E a comunidade de Tessalônica arriscava viver de discussões intermináveis e de teorias. Paulo começa reafirmando o que a comunidade já sabe: o dia do Senhor virá de modo imprevisto, da mesma forma que o ladrão. Naquele tempo, a noite era o momento propício para a ação de ladrões. Esse fato aponta para o modo de ser da comunidade, em atitude de constante vigilância, de modo a não ser surpreendida por esse Dia.

A comunidade precisa ter um modo próprio de ser, diferente dos “outros”, a sociedade que crê viver em paz e segurança. “Paz e segurança” era um dos lemas do império romano que mantinha as pessoas sob a aparência de “ordem social”, mas que, na verdade, era sinônimo de noite escura. Esse tipo de “segurança” não interessa à comunidade cuja função é ser filhos da luz e filhos do dia.

Como não se comprometer com esse tipo de sociedade? A alternativa que Paulo apresenta é esta: “Não vamos dormir, como os outros, mas vigiar e ficar sóbrios”. O significado disso nos é dado pela própria carta: vigiar é abandonar os ídolos que envolvem a sociedade na noite da injustiça, comprometendo-se no serviço ao Deus vivo e verdadeiro. É assim que se espera o dia do Senhor.
CNBB, 13-11-2014.
*Dom Eurico dos Santos Veloso é arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG).

16/11/2014

A busca criativa pelo Reino de Deus

A mensagem de Jesus é clara: não a uma vida estéril, sim à resposta ativa a Deus.
O principal a fazer é comunicar a Boa Nova de Jesus numa sociedade sacudida por mudanças.
Por José Antonio Pagola*

Apesar da sua aparente inocência, a parábola dos talentos encerra uma carga explosiva. Surpreendentemente, o "terceiro servo" é condenado sem ter cometido nenhuma ação má. O seu único erro consiste em "não fazer nada": não arrisca o seu talento, não o faz frutificar, conserva-o intacto num local seguro.

A mensagem de Jesus é clara. Não ao conservadorismo, sim à criatividade. Não a uma vida estéril, sim à resposta ativa a Deus. Não à obsessão pela segurança, sim ao esforço arriscado por transformar o mundo. Não à fé enterrada debaixo do conformismo, sim ao trabalho comprometido em abrir caminhos para o reino de Deus.

O grande pecado dos seguidores de Jesus pode ser sempre o de não nos arriscarmos a segui-lo de forma criativa. É significativo observar a linguagem que se utilizou entre os cristãos ao longo dos anos para ver em que temos centrado com frequência a atenção: conservar o depósito da fé; conservar a tradição; conservar os bons hábitos; conservar a graça; conservar a vocação...

Esta tentação de conservadorismo é mais forte em tempos de crise religiosa. É fácil então invocar a necessidade de controlar a ortodoxia, reforçar a disciplina e a norma; assegurar a pertença à Igreja... Tudo pode ser explicável, mas não é com frequência uma forma de desvirtuar o evangelho e congelar a criatividade do Espírito?

Para os dirigentes religiosos e os responsáveis das comunidades cristãs pode ser mais cômodo “repetir” de forma monótona os caminhos herdados do passado, ignorando as interrogações, as contradições e as abordagens do homem moderno, mas de que serve tudo isto se não somos capazes de transmitir luz e esperança aos problemas e sofrimentos que sacodem os homens e mulheres dos nossos dias?

As atitudes que temos de cuidar hoje no interior da Igreja não se chamam “prudência”, “fidelidade ao passado”, “resignação”... Levam antes outro nome: “busca criativa”, “audácia”, “capacidade de risco”, “escuta ao Espírito” que tudo faz novo.

O mais grave pode ser que, o mesmo que sucedeu ao terceiro servo da parábola, também nós acreditemos que estamos a responder fielmente a Deus com a nossa atitude conservadora, quando estamos defraudando as Suas expectativas. O principal a fazer da Igreja hoje não pode ser conservar o passado, mas aprender a comunicar a Boa Nova de Jesus numa sociedade sacudida por mudanças socioculturais sem precedentes.
Instituto Hunitas Unisinos, 14-11-2014.
*José Antonio Pagola é teólogo. O texto é baseado no Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 25, 14-30 que corresponde ao 33º Domingo do Tempo Ordinário, ciclo A do Ano Litúrgico.

14/11/2014

A responsabilidade pessoal de cada um

É condição de felicidade identificar o projeto de Deus para sua vida e buscar todos os meios para realizá-lo.
Para o equilíbrio pessoal, é importante realizar tarefas por inteiro.
Por Dom Alberto Taveira Corrêa*

Ao aproximar-se o final do Ano Litúrgico, a Igreja nos brinda com a conhecida Parábola dos Talentos (Cf. Mt 25, 14-30). Aquele que é a Sabedoria de Deus (Cf. 1 Cor 1, 24) nos oferece o caminho para assumir com dignidade a vida que nos foi dada de presente. A partir da parábola, "talento" veio a significar um dom, habilidade ou qualidade. Ao tempo da redação do Evangelho, talento era uma unidade monetária equivalente a cinquenta quilos de prata, correspondente a cerca de 6 mil denários, e um denário era a diária de um trabalhador do campo. O servo da parábola que recebeu um talento tinha muito em mãos e podia fazer tanto com o que lhe fora dado.

As parábolas são propostas pelo Senhor para provocar positivamente, suscitando uma resposta de vida. Do dinheiro, passamos à nossa história. Os servos somos nós; os talentos são as condições oferecidas por Deus a cada um; o tempo de viagem do proprietário é a vida; a volta inesperada é a morte, nossa páscoa pessoal; a prestação de contas é o juízo e a entrada na festa, o banquete da alegria, oferecido pelo Senhor, o Paraíso. No final de tudo, quando a obra de nossa vida estiver concluída, no tempo certo conhecido pelo Senhor da História, haveremos de entregar os dons que nos foram concedidos não para nossa vaidade, mas para servir e amar a Deus e ao próximo.

Como Deus não impõe, mas propõe, à sua proposta cabe uma resposta. Temos consciência de não sermos proprietários da própria vida, mas administradores dos dons de Deus. Nenhuma pessoa inventou sua vida, nem a planejou por conta própria. Na maravilhosa criação de Deus, todas as pessoas sejam consideradas como obras primas, a serem aperfeiçoadas no correr dos anos, contando com a inspiração do Espírito Santo, que não abandona qualquer um dos filhos e filhas de Deus. É condição de felicidade identificar o projeto de Deus a respeito de sua própria vida e buscar todos os meios para realizá-lo. Cabe a cada pessoa abraçá-lo, na maravilhosa aventura da liberdade, com a qual todos foram feitos, ao assumir responsavelmente os rumos da existência.

Assumir responsabilidades! Tarefa exigente que pede formação e preparação adequada. O processo educativo na família, na escola e na Igreja pode contribuir para que as crianças, adolescentes e jovens sejam iniciados para ter nas mãos o rumo da própria existência. Para todas as idades, inclusive para nós, adultos, tudo começa com o reconhecimento de que todos têm valor aos olhos de Deus e diante dos outros. Discriminar, humilhar e condenar pessoas não corresponde ao plano do Senhor, que quer todos vivos e felizes. Ninguém seja visto como massa sobrante em qualquer campo da convivência humana.

Constitui-se uma personalidade responsável quando se leva em conta as condições de cada um, considerando idade, formação recebida, condições de saúde, temperamento, ambiente familiar e referências culturais e ambientais. Faz-se necessário muitas vezes exercer o papel de "caça-talentos", para descobrir uma quantidade considerável de tesouros escondidos. Nestes dias, um menino de dez anos me foi apresentado como um dos líderes do projeto de evangelização numa das Paróquias da Arquidiocese de Belém. Como foi significativo ver o brilho dos olhos daquele que se sabe missionário! Sem forçar e exigir mais do que pode oferecer, ele se torna sinal para muita gente crescida!

Responsabilidade se aprende e há de ser assumida pouco a pouco, quando alguém se arrisca, confia e lança o outro para voos mais ousados. Há muita gente aguardando este voto de confiança! O Senhor faz assim conosco, agindo "como a águia que incita a ninhada, esvoaçando sobre os filhotes, também ele estendeu as asas e o apanhou e sobre suas penas o carregou" (Dt 32, 11). Responsabilidade se consolida com dedicação, tempo, preparação das atividades, coragem para rever e recomeçar quando acontecem falhas, superação de julgamentos com os eventuais fracassos, idealismo cultivado com afinco.

Vale a pena até detalhar um caminho de revisão pessoal de vida, a esta altura do ano. Examinemos como aproveitamos o tempo, a pontualidade, a ordem, os deveres familiares, a dedicação ao trabalho. Como temos oferecido as qualidades e talentos recebidos para servir a Deus e ao próximo? Temos olhado ao redor para ver o que é possível fazer pelo bem comum na Paróquia, no bairro em que vivemos, ou, quem sabe, nas associações e organismos aos quais estamos ligados? Outro ponto para uma revisão corajosa da vida é "fazer bem feito". Basta olhar para Deus, que fez tudo e todos como obra de arte, para entender que nossa passagem por este mundo, por sinal, muito breve, pode deixar um rastro de dedicação e amor. Até para o equilíbrio pessoal é importante realizar por inteiro as tarefas! E dentre os dons oferecidos pelo Senhor, venha em relevo o presente da Palavra de Deus. Faz parte da responsabilidade do cristão não reter para si o conhecimento das coisas de Deus, mas oferecê-la aos demais.

A liturgia da Igreja, celebrada neste final de semana, faz preceder a Parábola dos Talentos com um esplêndido texto do livro dos Provérbios: "Uma mulher forte, quem a encontrará? Ela vale muito mais do que as joias. Seu marido confia nela plenamente, e não terá falta de recursos. Ela lhe dá só alegria e nenhum desgosto, todos os dias de sua vida.  Procura lã e linho, e com habilidade trabalham as suas mãos. Estende a mão para a roca e seus dedos seguram o fuso. Abre suas mãos ao necessitado e estende suas mãos ao pobre. O encanto é enganador e a beleza é passageira; a mulher que teme ao Senhor, essa sim, merece louvor. Proclamem o êxito de suas mãos, e na praça louvem-na as suas obras!" (Pr 31, 10-13. 19-20. 30-31). Fortaleza, confiança, capacidade para oferecer alegria aos outros, trabalho, habilidade, partilha, temor do Senhor. Tais valores continuam atuais e se tornam talentos preciosos a serem postos "em circulação" em nossos dias! Homens e mulheres de todas as idades os assumam com responsabilidade.
*Dom Alberto Taveira Corrêa é arcebispo Metropolitano de Belém do Pará.

Dar às crianças exemplos de fé mais que palavras, pede Papa

Grupo de crianças participou da Missa de hoje com Francisco; ele destacou a força do exemplo para transmitir a fé
Da Redação, com Rádio Vaticano
Crianças durante a saudação da paz na Missa celebrada pelo Papa / Foto: L'Osservatore Romano
Crianças durante a saudação da paz na Missa celebrada pelo Papa / Foto: L’Osservatore Romano
Crianças e adolescentes de uma paróquia romana participaram da Missa celebrada pelo Papa Francisco, na Casa Santa Marta, nesta sexta-feira, 14. Na homilia, o Santo Padre se concentrou na transmissão da fé para esses jovens, processo em que os adultos devem oferecer mais exemplos do que palavras.
Como se transmite a fé aos nativos digitais? Com o modo que, mais que os outros, atrai quem vive estimulado pelas imagens: o exemplo. Com a presença das crianças, que no início estavam tímidas, mas depois deslancharam em um momento de perguntas e respostas com o Papa, Francisco caiu no papel de catequista e, ao mesmo tempo, de formador dos catequistas. “Parece ser a ‘Missa das crianças’”, disse ele, acrescentando que olhar para as crianças é olhar para uma promessa, para um mundo que está por vir.
O Santo Padre convidou todos a pensar se o que é ensinado às crianças com as palavras é de fato vivido por quem transmite a fé. Ele destacou que os cristãos devem cuidar das crianças, transmitir a elas a fé, aquilo que se vive, aquilo que se tem no coração. Tudo depende da atitude que se tem para com elas: de irmão, de pai, de mãe ou uma atitude de distanciamento.
“Todos nós temos uma responsabilidade de dar o melhor que temos, e o melhor que temos é a fé: dá-la a eles, mas com o exemplo. Com as palavras não serve… Hoje, as palavras não servem! Neste mundo da imagem, todos estes têm telefone e as palavras não servem… Exemplo! Exemplo!”.
Neste momento da homilia, o diálogo decolou. O Papa perguntou às crianças o porquê de elas estarem naquela Missa, e uma criança lhe respondeu: “Para te ver”. “Eu também gosto de ver vocês”, retribuiu Francisco, que se informou sobre quantos ali já tinham recebido a Primeira Comunhão e a Crisma.
Ele reiterou, então, para as crianças que o batismo abre a porta para a vida cristã e depois inicia-se um caminho ao longo de toda a vida, um caminho na verdade e no amor.  O Papa lembrou que depois virão outros sacramentos, como o matrimônio, e é preciso saber viver esse caminho da vida como Jesus.
“Rezem ao Senhor, rezem a Nossa Senhora para que ajudem vocês neste caminho da verdade e do amor. Vocês entenderam? Vocês vieram aqui para me ver. Quem disse isso? Você. É verdade. Mas também para ver Jesus, de acordo? Ou deixamos Jesus de lado? (as crianças respondem: ‘não!’). Agora, vem Jesus no altar. E todos nós O veremos! Neste momento, devemos pedir a Ele que nos ensine a caminhar na verdade e no amor”.
Canção Nova

13/11/2014

O Reino de Deus cresce em silêncio, sem espetáculo, diz Papa

Francisco refletiu sobre o Reino de Deus, que está presente na santidade da vida cotidiana sem fazer espetáculo
Da Redação, com Rádio Vaticano
Na Missa desta quinta-feira, 13, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco falou sobre o crescimento do Reino de Deus. Segundo o Santo Padre, o Reino cresce a cada dia graças a quem o testemunha sem fazer “barulho”, rezando e vivendo com fé os seus compromissos em família, no trabalho, na sua comunidade de origem, na santidade da vida cotidiana.
Francisco destaca que o Reino de Deus é humilde e se esconde na santidade do dia-a-dia / Foto: L'Osservatore Romano
Francisco destaca que o Reino de Deus é humilde e se esconde na santidade do dia a dia / Foto: L’Osservatore Romano
No silêncio, talvez de uma casa onde se chega ao fim do mês apenas com meio euro, mas não se deixa de rezar e cuidar dos filhos e dos avós: é ali que se encontra o Reino de Deus. A homilia do Santo Padre foi guiada por um trecho do Evangelho de Lucas, em que Jesus responde aos discípulos  quando virá o Seu Reino. Francisco destacou que o Reino não é um espetáculo.
“O espetáculo! Nunca o Senhor diz que o Reino de Deus é um espetáculo. É uma festa! Mas é diferente. É festa, certo, é belíssima. Uma grande festa! E o Céu será uma festa, mas não é um espetáculo. E a nossa fraqueza humana prefere o espetáculo”.
O Pontífice explicou que, tantas vezes, o espetáculo está em uma celebração de casamento, por exemplo, quando as pessoas, em vez de se apresentarem para receber o sacramento, vão fazer espetáculo da moda, do fazer-se ver, da vaidade. Em vez disso, o Reino de Deus é silencioso; o Espírito Santo o faz crescer com a disponibilidade do homem. Citando as palavras de Jesus, Francisco lembrou que também para o Reino chegará o momento da manifestação de força, mas será somente nos fins dos tempos.
“O dia em que fará barulho, o fará como uma esquadrilha de aviões que atravessa o céu de um lado ao outro. Assim fará o Filho do homem no seu dia. E quando se pensa na perseverança de tantos cristãos – homens e mulheres – que levam adiante a família, que cuidam dos filhos, que cuidam dos avós, que chegam ao fim do mês com meio euro no bolso, mas rezam, ali está o Reino de Deus; escondido na santidade da vida cotidiana, na santidade de todos os dias, porque o Reino de Deus não está longe de nós, está perto! Esta é uma das suas características: proximidade todos os dias”.
Também quando descreve o seu retorno numa manifestação de glória e poder, Jesus – insistiu o Papa – acrescentou que “antes é necessário que ele sofra muito e seja rejeitado por esta geração”. Segundo o Papa, isso quer dizer que o sofrimento, a cruz cotidiana da vida, esta pequena cruz cotidiana, é parte do Reino de Deus.
Ele encerrou a homilia pedindo a Deus a graça de zelar pelo Reino de Deus que está dentro de cada um, com a oração, a adoração e o serviço da caridade, silenciosamente. “O Reino de Deus é humilde como a semente, mas cresce pela força do Espírito Santo. A nós cabe deixá-lo crescer em nós, sem nos vangloriar; deixar que o Espírito venha, nos transforme a alma e nos leve avante no silêncio, na paz, na serenidade, na proximidade a Deus, aos outros, na adoração a Deus sem espetáculos”.
Canção Nova

10/11/2014

Papa pede que fiéis tenham fé e saibam perdoar sempre

Na homilia de hoje, Santo Padre concentrou-se em três palavras-chaves: escândalo, perdão e fé
Da Redação, com Rádio Vaticano
Francisco pede que fiéis saibam perdoar sempre / Foto: L'Osservatore Romano
Francisco pede que fiéis saibam perdoar sempre / Foto: L’Osservatore Romano
O perdão esteve no centro da homilia do Papa Francisco, na homilia desta segunda-feira, 10, na Casa Santa Marta. O Pontífice destacou que cada cristão, qualquer que seja sua vocação, deve saber perdoar e nunca dar escândalo, porque este destrói a fé.
A homilia do Papa foi articulada a partir do Evangelho do dia, concentrando-se em três palavras-chaves: escândalo, perdão e fé. Escândalo, conforme explicou, é dizer e professar um estilo de vida – “sou cristão”– e depois viver como pagão. Isso é um escândalo, porque falta o testemunho, enquanto a fé confessada é vida vivida.
“Quando um cristão ou uma cristã, que vai à igreja, à paróquia, não vive assim, escandaliza os outros. Quantas vezes ouvimos: ‘Mas eu não vou à Igreja, porque é melhor ser honesto em casa e não ir como aqueles que vão e depois fazem isso, isso e isso…’ O escândalo destrói a fé! E por isso Jesus é tão forte: ‘Estejam atentos! Estejam atentos!’. Fará bem a nós repetir isso hoje: ‘Estejam atentos a vós mesmos!’. Todos nós somos capazes de escandalizar”.
Francisco também falou sobre a necessidade de saber perdoar sempre. Ele enfatizou as palavras do próprio Cristo, que nos convida ao perdão “sete vezes em um dia” se um pecador se arrepender e pedir o perdão a quem fez mal. O Santo Padre observou que Jesus exagera para fazer o homem entender a importância do perdão, porque um cristão que não é capaz de perdoar escandaliza, não é cristão.
“Devemos perdoar, para que sejamos perdoados. E isso está no Pai-Nosso, Jesus nos ensinou isso. Mas o perdão não se entende na lógica humana. Esta o leva a não perdoar, leva-o à vingança, ao ódio e à divisão. Quantas famílias divididas por não se perdoarem! Filhos distantes dos pais, marido e mulher distantes… É tão importante pensar nisso: se eu não perdoar, não terei perdão, não terei direito de ser perdoado, e não entendo o que significa o fato de o Senhor ter me perdoado. Esta é a segunda palavra: perdão”.
Entende-se, então, concluiu Francisco, por que os discípulos, ouvindo essas coisas, disseram ao Senhor: “Aumenta em nós a fé”. Sem ela, explicou Francisco, não se pode viver sem escandalizar e sempre perdoando.
“A luz da fé, aquela que recebemos, a fé de um Pai misericordioso, de um Filho que deu a vida por nós, de um Espírito que está dentro de nós e nos ajuda a crescer, da fé na Igreja, da fé no povo de Deus, batizado, santo. Isso é um dom, é um presente. Ninguém com os livros, indo a conferências, pode ter fé. Ela é um presente de Deus dado a você, e por isso os apóstolos pediram a Jesus: ‘Aumenta em nós a fé!’”.
Canção Nov

09/11/2014

A caminho da Segunda Festa da Unidade

Igreja é sujeito e objeto da fé: sujeito enquanto 'Povo de Deus', objeto enquanto 'mistério' e 'sacramento de salvação'.
Cada povo, com suas próprias peculiaridades, vai acolhendo e iluminando seu jeito de ser pelas palavras de Jesus.
Por Dom Orani João Tempesta*

No final deste mês, iremos celebrar o final do Ano Litúrgico com a Solenidade de Cristo Rei, dia que comemoramos também o Dia do Cristão Leigo e iniciamos a Campanha pela Evangelização. Em nossa arquidiocese celebramos a Festa da Unidade. Uma ocasião de agradecimento e de compromisso, momento de penitência e de oração, oportunidade de sonhar juntos com o futuro e, com os pés no chão, agradecer pelos passos dados neste Ano Litúrgico que finda. Somos a Igreja de Jesus Cristo que atravessa séculos e situações e continua anunciando,hoje, a Boa Nova da salvação a todos os povos.

Igreja é sujeito e objeto da fé: sujeito enquanto “Povo de Deus”, objeto enquanto “mistério” e “sacramento de salvação”. A sua meta é o Reino de Deus, Reino de justiça e solidariedade, de misericórdia e paz. O anúncio e o advento do Reino colocam a Igreja permanentemente em estado de penitência e missão. A missão da Igreja, que emerge de sua origem e estrutura trinitária, é anunciar a plenitude da vida de todos e a integridade da vida de cada um. Essa luta pela vida que Deus nos deu inclui os espaços particulares e regionais, e, ao mesmo tempo, ultrapassa todas as fronteiras geográficas, étnicas e culturais.

A missão em defesa da vida envolve a imagem de Deus. É a luta por algo absoluto. A missão é universal e urgente como a vida. Esta missão, porém, não envolve somente uma imagem abstrata de Deus, mas um Deus Emanuel que se encarnou no mundo em Jesus de Nazaré. Por isso, a missão é histórica. A inculturação bem-sucedida de ontem, hoje pode representar um peso morto. Quais seriam as estruturas caducas de hoje? A missão estabelece relações novas. A missão é relacional e multidimensional como as pessoas e os grupos sociais. Segundo seus interlocutores, ela muda seu discurso, sua metodologia, suas prioridades. A prática missionária, além de ser universal e contextual, é também sempre específica. A verdade única e eterna deve ser anunciada no “hoje” de nosso tempo.

Uma das propriedades da Igreja é ser una. O que nós lemos na Bíblia a respeito da unidade da Igreja é que Jesus revelou o mistério dessa unidade em algumas parábolas como, por exemplo, a da videira (João 15,1-17); do Reino (Mateus 12, 25-28); do Bom Pastor (João 10,1-18). Todas elas demonstram que Jesus quer que sua Igreja seja una, assim como Ele e o Pai são um. Jesus também orou pela unidade da Igreja na véspera da sua Paixão, como podemos ler no capítulo 17 do Evangelho de São João. A Igreja de Cristo nasce unida, pois tudo o que os primeiros cristãos faziam era em comum, como lemos em Atos dos Apóstolos 2,42: “Eles mostravam-se assíduos ao ensinamento dos apóstolos, à comunhão fraterna, à fração do pão e às orações".

Vários são os elementos de unidade da Igreja: uma única fonte (a Trindade); um único modelo (a vida íntima de Deus); um único fundador (Jesus Cristo); e uma só alma (Espírito de Deus). A expressão desta unidade espiritual é visível na própria realidade eclesial, quando todo o corpo apresenta a mesma profissão de fé e de disciplina moral; a celebração comum do culto divino, sobretudo dos sacramentos; e a sucessão apostólica, por meio do Sacramento da Ordem. Aliás, esta última se torna a base das outras, pois ao Colégio Apostólico (e os bispos são os sucessores dos apóstolos), do qual o Papa é o chefe, Jesus confiou todos os bens da Nova Aliança para serem dispensados entre os homens.

A unidade da Igreja, CIC nº 814, se apresenta com uma grande diversidade.Ela se dá, primeiro, pela riqueza de dons, carismas e ministérios que o Espírito Santo dota a Igreja a fim de que ela cumpra sua missão. Uma segunda é o número de culturas que assimilam o Evangelho. Cada povo, com suas próprias peculiaridades, vai acolhendo e iluminando seu jeito de ser pelas palavras de Jesus. A única Igreja se espalha pelo mundo todo e, nas diferentes culturas, testemunha a fé em Jesus, nosso Senhor.

Quanto à unidade da Igreja, esta também se mostra em caráter diocesano, tanto que em várias dioceses se faz a festa da unidade. Em nosso caso, como Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, iremos celebrar a Unidade Arquidiocesana e encerrar o Ano da Caridade (com ênfase na caridade social): toda a Igreja do Rio de Janeiro é convidada a participar da Festa da Unidade. Já em sua segunda edição, o evento será realizado na véspera da Solenidade de Cristo Rei, dia 22 de novembro, sábado, em nossa Catedral de São Sebastião, no Centro.

A programação terá início a partir das 13h e será concluída com a missa às 18h, presidida por mim e concelebrada pelos Bispos Auxiliares e todos os Padres. Haverá testemunhos, reflexões, momento mariano, louvor, pregação, atrações musicais e adoração ao Santíssimo Sacramento.  Se já tínhamos essa necessidade antes, neste ano mais ainda. Temos necessidade de buscar a unidade e fraternidade para “Que Todos Sejam Um”. A Festa da Unidade é realizada na véspera da Solenidade de Cristo Rei por tratar-se do encerramento do Ano Litúrgico, que achamos ser uma boa ocasião para esse evento.

Para a preparação desse bonito encontro, temos como elementos quatro instrumentos de oração e revisão de vida. O primeiro é a ‘Oração da Unidade’; o segundo é ‘Compromisso pela Unidade’; o terceiro é uma ‘Hora Santa’ e ainda temos um texto para ‘celebração penitencial’. Estes instrumentos têm a característica de um uso muito livre pelas paróquias, comunidades, movimentos eclesiais, conforme cada um achar melhor. No caso da oração e do compromisso, o uso pode ser feito individualmente e cada um pode rezar onde estiver. Peço que as Paróquias as rezem em todas as missas. A Hora Santa e a celebração penitencial devem ser feitas em comunidade, buscando rezar e viver a unidade com o perdão mútuo, sempre tão necessário.

O texto da celebração penitencial foi inspirado na exortação apostólica Evangelium Gaudium feita pelo Papa Francisco. O Santo Padre afirma que “o mesmo Espírito Santo que suscita a diversidade, suscita a unidade”. E, por isso, todos são chamados e convidados a participar da celebração da unidade.

Com alegria, convido toda a grande comunidade da Arquidiocese de São Sebastião a estar presente na celebração da Festa da Unidade. Assim, desde já, acolhemos todos na festa da comunhão e que nos faz ser “casa e escola da comunhão para que todos sejam um”!
*Dom Orani João Tempesta é cardeal e arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro.

08/11/2014

Crer é também se envolver

Quanto mais nos aproximamos do povo, mais compreendem nossa missão.
É preciso estar presente na caminhada.
Por Luiz Carlos de Oliveira*

Papa Francisco, em sua exortação Alegria do Evangelho nº 24, criou a palavra "primeireiam". Este termo significa a capacidade de tomar iniciativas. Podemos dizer: os discípulos procuram chegar primeiro.

O termo é novo, mas a realidade é velha, mais ainda, Divina, pois Deus sempre chega primeiro, como nos explica S. João: "Nisto consiste o amor: Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem os amou e enviou seu Filho” (1Jo 4,10).

Paulo diz na carta aos Romanos: "Deus demonstra seu amor para conosco pelo fato de Cristo ter morrido por nós quando ainda éramos pecadores" (Rm 5,8). Em nossa formação espiritual, insistiu-se em buscar Deus, como se tudo dependesse de nós. Sabemos que já o desejo de buscar Deus, já é provocado por Ele.

A comunidade que sente esse a amor de Deus que chegou primeiro, "sabe tomar iniciativas sem medo, ir ao encontro, procurar os afastados e convidar os excluídos" (EG 24). Porque recebeu a misericórdia de Deus, a comunidade quer oferecer esta misericórdia. Nós vivemos uma espiritualidade egoísta que pensa só em receber de Deus e não pensa em sair de si.

A moleza dos bons aumenta a desgraça dos fracos. Se cada cristão levasse a outro esse amor, mesmo que fosse um só, o mundo já teria mudado. A fé tem que sair da sacristia e do grupinho dos ineficientes “piedosos” e envolver-se com as situações de miséria e sofrimento.

Referindo-se a seu gesto de lavar os pés dos apóstolos Jesus manda que O imitemos suas atitudes: “Sereis felizes se o puserdes em prática” (Jo 13,17). Tomar iniciativas é envolver-se na vida diária com obras e gestos. Cristo envolveu-se totalmente e tocou a vida das pessoas com sua humildade. Envolver-se para servir, não para imiscuir-se.

Acompanhar pelo caminho

Envolver-se supõe acompanhar. Papa Francisco continua: “Em seguida, a comunidade evangelizado dispõe-se a ‘acompanhar’. Acompanha a humanidade em todos os seus processos, por mais duros e demorados que sejam”.
 
Todos os fiéis devem também envolver-se e tocar o Cristo na carne sofrida do povo. Por isso é preciso estar presente na caminhada. É necessário paciência e suportar, como Jesus disse no evangelho: Deixar crescer o joio no meio do trigo. Trata-se de entregar a vida. Foi este o caminho de tantos que acreditaram na força do Evangelho. Os frutos virão. Quem sabe não vamos ver nem a planta crescer. Outros colherão onde plantamos. Muitos foram mártires porque estiveram presentes.

Durante a guerra civil da Angola, muitos missionários fugiram. Os que não quiseram fugir e ficaram acompanhando o povo em seu sofrimento, são muito respeitados e amados pelo povo.

Cheiro de ovelha

O envolvimento com o povo em sua situação nos dará, como diz o Papa, o cheiro das ovelhas. Nem sempre são perfumadas. Este vai além. Vai exigir muito desprendimento para passar a viver como o povo vive, falar sua língua, viver seus costumes, comer como comem, alegrar-se como se alegram. O povo é festivo e feliz.

Quanto mais nos aproximamos, mais compreendem nossa missão. Esse modo de evangelizar é o que dá consistência à liturgia celebrada na festa do povo.

Quando não entendemos o que o padre diz na homilia, é porque não fala nossa língua, isto é, não vive conosco. Estando acostumados com sua presença, entendemos o que diz no altar.
A12, 01-11-2014.
*Luiz Carlos de Oliveira, CSsR, é padre.

Editorial: Comunicar a família

A comunicação social é um bem de primeira importância para a Igreja e para a família, e deve ser promovida e tutelada. Dentro dessa ótica e em sintonia com a 14ª Assembleia Ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará em 2015, - recordamos que no último mês de outubro tivemos aqui no Vaticano a III Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos dedicado à família - o tema escolhido para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais do próximo ano é “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. O tema foi divulgado no último dia 29 de setembro. O evento em 2015 será celebrado no dia 17 de maio, domingo que antecede Pentecostes. O anúncio não revela o conteúdo da mensagem, já que sua publicação será feita, como de costume, no dia 24 de janeiro próximo. Por sua vez, permite entrever alguns dos temas que o Pontífice tratará, como as mudanças culturais que não ajudam a entender o grande bem que é a família.

O tema se insere em continuidade com o precedente e ao mesmo tempo contextualiza-se com aquele que será o tema central do Sínodo no próximo ano. A reflexão desta temática retoma os ensinamentos de São João Paulo II na Familiaris consortio, que trata das mudanças culturais e a família. Em um trecho da encíclica, JPII escreveu que “as relações entre os membros da comunidade familiar são inspiradas e guiadas pela lei da ‘gratuidade’ que, respeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como único título de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e diálogo, disponibilidade desinteressada, serviço generoso, solidariedade profunda”.

Diante dos desafios atuais, a Igreja é então chamada a refletir sobre a importância de comunicar adequadamente a bondade e relevância da família, autêntica escola de amor cristão. A família é o primeiro e significativo ambiente no qual se experimenta a beleza da vida, a alegria do amor, a gratuidade do dom, a consolação do perdão oferecido e recebido, e onde se inicia a encontrar-se com o outro.

No comunicado divulgado pelo Vaticano sobre o tema escolhido, destaca-se que “a Igreja hoje deve novamente aprender a dizer o quanto a família é um grande dom, bom e belo”. É chamada a encontrar o modo para expressar que a gratuidade do amor, que se oferece aos esposos, aproxima todos os homens a Deus. Sim, porque direcionar o olhar para a verdadeira realidade do homem “abre as portas para o futuro, a vida”.

A mensagem da família, configurada de acordo com o plano de Deus, representa um desafio para o homem “ferido e desiludido”, para o “coração da sociedade ferida e cansada por causa de tantas desilusões amorosas”, e a Igreja deve encontrar maneiras para transmiti-lo.

Para a Igreja, “comunicadora na história” da mensagem de Cristo, por sua vez, “perfeito comunicador do Pai”, trata-se de explorar a nova cultura que, antes de nascer dos conteúdos, nasce do próprio fato que existam novos modos de comunicar, com novas linguagens, novas técnicas, novas atitudes psicológicas.

Devemos recordar que, quanto mais potentes são os meios de comunicação, mais forte deve ser também a consciência ética de quem usufrui e de quem atua neles. Entra em jogo assim o profissional que nele milita, principalmente nos meios de comunicação da Igreja.

É necessário que a comunicação social permaneça e se desenvolva no quadro dos bens de primeira importância para o futuro da família, da humanidade, da Igreja. Vamos então “Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor” em um mundo que está esquecendo o real sentido desse grande dom.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais é o único dia estabelecido no Concílio Vaticano II (Inter Mirifica, 1963). (Silvonei José)



Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2014/11/08/editorial:_comunicar_a_fam%C3%ADlia/bra-835104
do site da Rádio Vaticano 

07/11/2014

O alicerce da Igreja

'Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo' (1 Coríntios 3,11)
'Como é bela a missão da Igreja de Cristo'.
Por Dom José Alberto Moura*

A igreja-templo deve ser usada para ajudar a Igreja-povo realizar sua missão, que se baseia no alicerce de Jesus Cristo. A conversão para segui-Lo é essencial na vida de quem quer viver sua fé nele. Usar do templo e do ser membro da Igreja, família de Cristo, devem levar a pessoa a realizar o projeto de Deus, sustentado na pessoa do Filho e em sua Palavra. O templo é o lugar da reunião dos seguidores do Mestre para realizar o culto e ter o alimento dos dons de Deus para dar suporte à vida de fé transformadora e libertadora de todo tipo de escravidão. Esta deve ser superada com a erradicação do egocentrismo, das injustiças, discriminações e exclusões. Fé sem ação conseqüente da mesma leva a pessoa ao intimismo religioso, que faz da religião um comércio ou troca com Deus. Leva a pessoa a buscar para si benesses, curas e soluções de problemas na ordem econômica, de cunho subjetivo e social, sem colocar em prática os preceitos de Deus, com um compromisso de promoção da justiça e do bem comum.

O profeta Ezequiel fala do templo donde se originam águas fertilizantes da vida. Elas provêm da graça divina, como verdadeira Igreja encarregada de abastecer o povo com a riqueza de dons, para dar consistência de realização da vida para todos (Cf. Ezequiel 47,1-12). De fato, a Igreja instituída por Jesus, é encarregada de oferecer meios da graça divina para ajudar a humanidade a ter força para a realização de sua história. Nesta, cada ser humano terá consistência e alimento sobrenatural para conseguir sua plena realização. Sem a graça de Deus nenhum ser humano é capaz de se realizar plenamente, pois, tem sede de amor infinito, que só o Criador pode oferecer. Ele o faz como quer e encarregou sua Igreja de indicar o caminho para todos: “Vós sois luz do mundo” (Mateus 5,14).

Paulo lembra que o alicerce da Igreja é Jesus Cristo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que está aí, já colocado: Jesus Cristo” (1 Coríntios 3,11). Sua Igreja só tem sentido na efetivação da missão a ela outorgada pelo Mestre. Assim como o próprio Senhor expulsou os vendedores do templo de Jerusalém (Cf. João 2,13-22), a Igreja, povo de Deus, deve esvaziar-se de tudo o que a tira de sua missão de santificar, promover a vida em plenitude, expulsar de si todo tipo de discórdia, interesses mesquinhos, orgulho, triunfalismo, hegemonia, uso indevido do que é material, apego ao relativo como sendo absoluto, autoritarismo e toda forma de opressão.

Como é bela a missão da Igreja de Cristo, que humaniza, ergue os caídos, dá esperança, promove os excluídos, dialoga, faz ver a verdade e erradica o erro, incentiva os carismas, potencializa o pavio ainda fumegante do que existe de bom na pessoa humana, reconhece os valores dos outros, sabe dar vez, promove a fraternidade, a justiça, o bem da família, da vida e de toda a sociedade!

Ser Igreja de Cristo leva a pessoa a assumir a missão de encantar, de mostrar que seguir o Mestre é o melhor bem para todos e faz a sociedade perceber o valor de construir a história com verdadeiro amor, zelo e ajuda de cada um para o bem de todos. É cuidar do grande navio da história, que deve ser de benefício para todos. Seu bem estar é de responsabilidade de cada um.
CNBB, 05-11-2014.
*Dom Roberto Francisco Ferreria Paz, CSS, é bispo de Campos (RJ).

06/11/2014

O templo de Deus

Cabe a cada um de nós refletirmos sobre como voltar a ser aquela mesma Igreja dos primeiros cristãos.
A comunidade é também templo de Deus e moradia do Espírito.
Por Dom Eurico dos Santos Veloso*

O palácio de Latrão, propriedade da família imperial, tornou-se, no século IV, habitação particular do papa. A basílica adjacente, dedicada ao Divino Salvador, foi a primeira catedral do mundo: aí se celebravam especialmente os batismos, na noite de Páscoa. Mais tarde dedicada também aos dois santos João, Batista e Evangelista, foi por muito tempo considerada a igreja-mãe de Roma e nela se realizaram as sessões de cinco grandes Concílios Ecumênicos, segundo diz o Missal dominical.

Celebrando a festa dessa antiga igreja romana, os textos bíblicos apontam para a vida que brota do seio de Deus (templo de Jerusalém) e se destina para todos. Esse templo, anunciado por Ezequiel como fonte de vida, tornou-se fonte de exploração e morte. E o Messias declara seu desaparecimento, sendo substituído pelo corpo de Cristo Jesus. Ele é o novo templo onde Deus se encontra e se manifesta plenamente.

Paulo, escrevendo aos Coríntios, mostra Jesus como base-alicerce insubstituível da comunidade. E a comunidade construída sobre esse alicerce é também templo de Deus e moradia do Espírito.

Paulo continua seu raciocínio: se a base-alicerce é Cristo Jesus, como definir a construção-comunidade que se ergue sobre essa base?

Deus escolheu, segundo Paulo, “o que é loucura no mundo para confundir os sábios e escolheu o que é fraqueza no mundo, para confundir o que é forte. E aquilo que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor, isso Deus escolheu para destruir o que o mundo pensa que é importante”. O templo de Deus, na grande cidade, é um punhado de gente pobre, considerado “loucura”, “fraqueza”, “que o mundo despreza, acha vil e diz que não tem valor”. E Paulo acrescenta: “Se alguém destroi o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo e esse templo são vocês.”

Como recuperar isso nos tempos de hoje? Cabe a cada um de nós refletirmos sobre como voltar a ser aquela mesma Igreja dos primeiros cristãos.
CNBB, 05-11-2014.
*Dom Eurico dos Santos Veloso é arcebispo Emérito de Juiz de Fora (MG).

04/11/2014

Nossa casa comum

Espaços de convivência devem ser suportes para projetos de vida com liberdade, vislumbrando um futuro melhor.
A casa também pode ser nossos espaços de convivência diária.
Por Dom Paulo Mendes Peixoto*

A casa é o ambiente propício para o aconchego familiar. Mas ela pode ter dimensões elásticas, sendo identificada também como espaço comum onde as pessoas constroem suas vidas, criam relacionamentos e convivência. Assim podemos dizer do país, dos Estados, dos Municípios, ou das comunidades. Um templo religioso pode ser também considerado lugar comum para seus adeptos.

Na Liturgia católica, faz-se memória da Basílica de São João do Latrão, como primeiro templo cristão, que precede a todos os outros. Ela está na cidade de Roma, sendo a primeira catedral do mundo católico, onde foram realizados importantes encontros, Concílios Ecumênicos e outros eventos que ajudaram na caminhada de reflexão teológica e pastoral da Igreja no mundo.

Os espaços de convivência devem ser suportes para projetos de vida com liberdade, vislumbrando um futuro cada vez melhor, uma sociedade totalmente nova e saudável para todos. Biblicamente falando, significa apontar para uma "nova Jerusalém", que tinha como referência motivadora, o templo, o local comum, de onde brotavam os objetivos para a história do povo.

O profeta Ezequiel apresenta a imagem de um templo, de onde sai um rio de água, que fecunda a terra, produz peixes, árvores com frutos e folhas que servem de remédio (Ez 47,1-12). É a imagem da casa comum, entendendo como espaço da força de Javé, dando sentido para a caminhada difícil ou não do povo.

É importante ter em conta a fecundidade da água, fonte de vida. Sem ela tudo morre de forma improdutiva. Na travessia do Mar Vermelho, a água representa a libertação do povo que, até então, era escravo no Egito. Hoje esta sena é celebrada como páscoa, passagem de libertação, ligando água e templo como vida do povo.

Mas o templo pode ser também ambiente de exploração, como os vendilhões do templo no tempo de Jesus (Jo 2,13-22). Pior ainda é explorar o povo em nome de Deus, usando um espaço que deveria ser de libertação e dignidade. A religião não pode ser expressão de simples fator econômico e de exploração da ingenuidade das pessoas.
*Dom Paulo Mendes Peixoto é arcebispo de Uberaba.

03/11/2014

Os frutos do Sínodo dos Bispos

O papa Francisco quer que toda a Igreja busque caminhos comuns para testemunhar as riquezas do Evangelho.
O Sínodo dedicou atenção às famílias em situações de conflito.
Por Dom Odilo Pedro Scherer*

No dia 19 de outubro, o papa Francisco encerrou a 3ª Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos com uma Missa celebrada na Praça de São Pedro, debaixo de um sol esplêndido. Na mesma celebração, também beatificou seu predecessor, Paulo VI, que instituiu o Sínodo em 1965, como um dos frutos do Concílio Vaticano II.

Foram duas semanas de reflexões, com a participação de 191 “padres sinodais”, além de observadores, peritos e outros convidados. Após uma semana de intervenções individuais, os participantes reuniram-se em grupos para discutir uma proposta do texto final. Seguindo o tema da assembleia – “os desafios pastorais da família no contexto da evangelização” -, os participantes do Sínodo trataram de questões relativas ao ensinamento da Igreja sobre matrimônio e família, da pastoral familiar na preparação ao casamento e no acompanhamento da vida dos casais e famílias, dos casos pastorais mais complicados, como a separação e o divórcio, as novas uniões civis após o divórcio e o acompanhamento pastoral de casais “recasados” e da sua participação na Igreja.

Mas também se tratou das uniões livres, sem formalização alguma, do desinteresse crescente em relação à família e o casamento, do serviço pastoral nos tribunais eclesiásticos, sobretudo dos pedidos de reconhecimento de nulidade matrimonial; tratou-se do acesso à confissão e à comunhão por parte daqueles que após um divórcio ou separação vivem numa nova união. Não deixou de ser tratado o desfio pastoral representado pelas uniões civis de pessoas do mesmo sexo e da sua pretensão de serem reconhecidos como “família” e de terem reconhecida a sua união como um “casamento”...

Olhou-se também, com particular atenção, a questão da transmissão da vida e sua acolhida pelo casal, no seio de uma família constituída; e não podia faltar a educação, em todos os sentidos – humano, religioso e cívico -, e do papel inalienável dos pais na educação dos filhos.

A pauta de assuntos foi muito ampla. E os resultados? Antes de tudo, deve-se considerar como fruto apreciável o próprio fato de a Igreja fazer uma nova reflexão sobre casamento e família. Era muito necessário, pois no contexto cultural contemporâneo, a família e o casamento são cada vez mais relegados à vida privada, onde o Estado não deve se intrometer. Grave engano, pois a família é um bem para a pessoa e a sociedade inteira. E onde ela é desamparada e até desmantelada, ela faz muita falta e o Estado se assume muitos encargos a mais!

O Sínodo também produziu uma bela mensagem, confortadora e estimulante, já foi divulgada , que vale a pena ler e meditar. E produziu um relatório final, com os temas de consenso já trabalhados. Este Relatório (“Relatio Synodi”) ainda não é um “documento” conclusivo e o papa Francisco determinou que ele seja, agora, enviado às Conferências Episcopais e submetido a um novo giro de consultas e contribuições; no ano que vem, 2015, na assembleia ordinária do Sínodo, o assunto voltará a ser discutido e analisado.

O Sínodo dedicou especial atenção às famílias que vivem em situações de conflito e de perseguição.

O papa Francisco inovou no método do Sínodo e quer que a Igreja toda faça um “caminho sinodal”, ou seja, de busca de caminhos comuns para testemunhar as riquezas do Evangelho nas situações nem sempre fáceis do casamento e da família. O processo pode ser mais longo e demorado; mas espera-se que o consenso seja mais compartilhado entre todos.
CNBB, 30-10-2014.
*Dom Odilo Pedro Scherer é cardeal e arcebispo de São Paulo (SP).

Rivalidade e vaidade enfraquecem a Igreja, diz Papa

Francisco destacou necessidade de agir com concórdia e humildade, sem buscar o interesse próprio
Da Redação, com Rádio Vaticano
Rivalidade e vaidade são duas angústias que tornam a Igreja frágil, disse o Papa Francisco, na Missa desta segunda-feira, 3, na Casa Santa Marta. Segundo o Pontífice, é preciso agir com espírito de humildade e concórdia sem procurar o interesse próprio.
Francisco fala aos fiéis sobre importância de não buscar o próprio interesse, e sim o bem do outro / Foto: L'Osservatore Romano
Francisco fala aos fiéis sobre importância de não buscar o próprio interesse, e sim o bem do outro / Foto: L’Osservatore Romano
Partindo da Carta de São Paulo aos Filipenses, Francisco observou que a alegria de um bispo é ver, na sua Igreja, amor, unidade e concórdia. Trata-se de uma graça do Espírito Santo, mas cada um deve fazer a sua parte para ajudar o Espírito nessa harmonia na Igreja. Por isso, São Paulo convida os Filipenses a não fazer nada por rivalidade ou vanglória, não lutar um contra o outro nem mesmo para se fazer ver e parecer melhor que os outros.
“Quantas vezes, nas nossas instituições, na Igreja, nas paróquias, por exemplo, nos colégios, encontramos isso, não? A rivalidade, o fazer-se ver, a vanglória. Vê-se que são dois carunchos que comem a consistência da Igreja, tornam-na frágil. A rivalidade e a vanglória vão contra essa harmonia, essa concórdia. Em vez de rivalidade e vanglória, o que Paulo aconselha? ‘Mas cada um de vós, com toda humildade, considere os outros superiores a si mesmo’. Ele sentia isso. Ele se qualificava ‘não digno de ser chamado apóstolo’, o último.
O Papa citou o exemplo de São Martinho de Lima, humilde frade dominicano, do qual a Igreja faz memória hoje. Ele disse que a espiritualidade do santo estava no serviço, porque sentia que todos os outros, mesmo os maiores pecadores, eram-lhe superiores. Depois, recordou que São Paulo convida cada um a não procurar o interesse próprio.
“Buscar o bem do outro, servir os outros. Essas são as alegrias de um bispo, quando vê a sua Igreja assim: num mesmo acórdão, na mesma caridade, permanecendo unânimes e concordes. Este é o “ar” que Jesus quer na Igreja. Pode-se ter opiniões diversas, tudo bem, mas sempre dentro deste “ar”, desta atmosfera de humildade e caridade, sem desprezar ninguém”.
Referindo-se ao Evangelho do dia, em que Jesus nos convida a fazer o bem a quem não pode retribuir, Francisco disse que é triste ver em paróquias e dioceses pessoas que buscam seus interesses em vez do serviço e do amor. Quando na Igreja há harmonia e unidade, não se busca o próprio interesse, mas há uma atitude de gratuidade, ressaltou o Santo Padre.
O Pontífice conclui a homilia convidando todos a fazerem um exame de consciência, perguntando-se como é sua vida na comunidade, na paróquia, se, de fato, o sentimento é de amor e concórdia, sem rivalidade ou vanglória. “E talvez descobriremos que há algo a melhorar. Eu, hoje, como posso melhorar isso?”.
Canção Nova