Comentário ao Evangelho do Quinto Domingo de Páscoa - 18 de maio
Toda a realização necessita de um caminho: na escola, na vida de família, na sociedade, no íntimo de cada ser humano. Quantos caminhos abriram os nossos antepassados por terras e mares deste mundo, vencendo procelas, saboreando vitórias, sorrindo às paisagens sublimes a que os levaram os caminhos. E a plenitude histórica de quando cada um de nós começou o seu caminho no seio criador duma mulher que depois nos ensinou e colocou na estrada da vida.
Interiorizemos. Caminhadas não se fazem só com os pés do fundo das pernas. Há caminhos interiores que explicam o sentido do que somos e fazemos. Caminhos morais, caminhos espirituais. Misteriosamente, profundo como as veredas do universo, foi-nos dito pela Fonte da Vida: «Façamos o homem à nossa imagem e semelhança». Assim começou o nosso caminho. Quer dizer, não demos origem a nós próprios, nem como indivíduos nem como humanidade, nem foi o acaso fictício que nos atirou para a existência: foi o amor de Deus que nos concretizou.
Vivia Abraão na sua estância abundante. Pediu-lhe o Senhor da vida que se pusesse a caminho. E ele acreditou, obedeceu e abalou futuro além, e estabeleceu para a humanidade uma razão e uma maneira diferente de caminhar. E ao povo dos hebreus mandou Deus caminhar desertos em fora para a Terra por Ele Prometida: para tal, tiveram de abandonar as panelas cheias de carne e cebolas do Egito, e caminhar por desertos e calores exaustivos. Seguiam todos, não um sonho, mas uma Promessa, que nem todos viram cumprida.
Dissera Isaías, gritou o Baptista: «Preparai os caminhos do Senhor!» E o Senhor Jesus proclamou: «Estreito é o caminho que conduz à vida e poucos o trilham; espaçoso é o caminho que conduz à perdição e muitos são os que por ele seguem» (Mat 7,13). Mas a inteligência e o coração do iniciado só podem penetrar o sentido da vida quando escutam e vivem a grande revelação de Cristo: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vai ao Pai (Fonte única de vida) sem passar por mim».
Mistério compreendido só pelo discípulo que aceita Jesus Cristo na sua vida como norma e motor central de tudo o que o discípulo é e faz. Jesus não é o caminho só porque é o professor que ensina por onde caminhar na via da salvação. Jesus é o caminho único porque Ele é a única verdade total. Ele é o caminho que leva à verdade, caminho e verdade que, únicos, levam à vida.
Dizia Ele: «Eu sou a porta… Se alguém entrar por mim, (e para dentro de mim), esse será salvo» (cf. João 10,9). Deus Verbo eterno, desceu ao seio da Virgem Puríssima Maria; ali foi sustentado pelo corpo e o coração de Maria; dali saiu para pregar a verdade de Deus; morreu, ressuscitou e subiu ao Céu onde está sentado à direita do Pai a interceder por todos os que O aceitam para transformar a vida inteira deles como princípio e finalidade da sua existência.
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