A Monja Coen foi a primeira mulher e a primeira pessoa de origem não japonesa a presidir a Federação das Seitas Budistas do Brasil. Ela é bem conhecida por fazer conferências, participar de reuniões e diálogos interreligiosos e promover a Caminhada Zen, em parques como o Ibirapuera (SP), com objetivos de despertar a consciência ambiental e promover a cultura de paz.
Antes de ser a Monja Coen, ela era chamada pelo nome de Cláudia Dias de Souza, recebido de sua tradicional família de São Paulo. Sempre foi precoce. Casou aos 14 anos e foi mãe ainda adolescente. Estudou direito, trabalhou como jornalista e viajou por diversos países do mundo. Como muitos jovens, conheceu as drogas e foi numa prisão na Suécia que aprendeu a meditar. Percorreu uma longa jornada até ser ordenada monja em 1983. Hoje compartilha o que aprendeu seja no templo ou fora dele, em palestras, encontros, livros, entrevistas e por meio da internet. Em seu site www.monjacoen.com.br, há diversas entrevistas onde é possível saber mais sobre suas idéias. Abaixo, trechos de algumas:
Felicidade“A felicidade está diretamente ligada ao que chamamos de sabedoria, ou de compreensão superior. Essa compreensão é nossa, da espécie humana. Não é para eleitos. É um estado de deslumbramento com a vida, mesmo na dor, no sofrimento.
A felicidade não é uma coisa que aniquila a dor. Não dá para dizer "não vou ter mais sofrimentos, só vou ser feliz". A verdadeira felicidade é você perceber que a beleza é um processo contínuo. Se alguma coisa me magoa, eu fico triste. Eu não posso ficar alegre com a tristeza. Faz parte da experiência humana sentir saudade, amor, ternura, ficar triste, ter medo da morte. É trabalhar o que está acontecendo com você e não negar, não iludir. Não adianta querer cobrir com um veuzinho muito fino aquilo que é a nossa verdade.”
Ficar no aqui e agora“A cada hora do dia, pare e faça uma respiração consciente. Pare tudo, feche os olhos, inspire pelo nariz, sinta o ar entrando, preenchendo os pulmões, purificando seu corpo, expire aos poucos, sem pressa, até esvaziar todo o pulmão, sinta o prazer proporcionado por essa respiração, e então volte ao que estava fazendo.
A mente atormentada por pensamentos pode ser acalmada. Ao andar, por exemplo, imagine "pé direito, pé esquerdo". Se for tomar um chá, pense "estou pegando a xícara, que está quente, o chá tem cheiro de camomila, vou encostar a xícara na boca, gosto da textura da porcelana", e assim por diante.”
Som e silêncio“Sair dos sons e ruídos cotidianos pode ajudar a apreciar até mesmo os sons e ruídos cotidianos. Mas, onde quer que possamos ir haverá sons e ruídos. Se na cidade temos carros, motos, música alta, carrinhos e aviões de brinquedo, caminhões, gritos, fogos de artifício e tantos mais. Temos também os cantos dos pássaros, o farfalhar das folhas ao vento, a música da vida. No campo, na praia há outros sons. Alguém pode achar exaustivo o som das ondas do mar - constante como o tráfego de automóveis em uma subida movimentada. Outros reclamam dos sons dos insetos, pássaros. tudo, na verdade, depende de nossa mente. Se acessarmos a um estado de tranquilidade, sons e ruídos são apenas sons e ruídos. Apenas perceba que tem começco meio e fim. E sempre há o doce silêncio, a quietude da presençca absoluta, de estar integra no que etá fazendo, intersendo com toda a vida do cosmos.”
Tolerância religiosa“Avalio que ainda não há suficiente conhecimento e diálogo entre as várias tradições religiosas no Brasil. Mas há esboços de propostas bem interessantes. Por exemplo, faço parte da Iniciativa das Religiões Unidas, um grupo iniciado na Califórnia e que hoje se espalha por todo o mundo. Procuramos formar círculos de cooperação interreligiosa. É preciso que pelo menos três tradições estejam presentes em cada encontro. Para que haja diálogo, para que possamos nos conhecer e conhecer as tradições espirituais e religiosas do Brasil. Sabemos pouco.
O pouco contato e o pouco conhecimento podem ser fontes de discriminação e desrespeito. Então, a questão do respeito e da compreensão interreligiosa no Brasil está passando pelo processo de educação, contato e consequente colaboração.”
O pouco contato e o pouco conhecimento podem ser fontes de discriminação e desrespeito. Então, a questão do respeito e da compreensão interreligiosa no Brasil está passando pelo processo de educação, contato e consequente colaboração.”
Morte“ “A vida é um processo em si mesma. A morte é um processo em si mesma. Assim como a cinza não volta a ser lenha, a morte não volta a ser vida.” Essas palavras foram escritas pelo Mestre Zen Eihei Dogen Daiosho, fundador da tradição Soto Zen Budista no Japão do século XIII. Há várioas linhas budistas - desde as que crêem na reencarnação como as que negam alguma coisa eterna e permanente que pudesse reencarnar. Nada é fixo ou permanente. A vida é transitória e a morte é transitória”.
Comunicação e meditação“Eu acho que a redação de um jornal é um lugar importante porque nos obriga a falar com tantas pessoas diferentes que abre os portais da nossa mente e da nossa percepção, da nossa maneira de ver o mundo, de nos relacionar com os outros. O jornal foi fundamental para isso e o primeiro passo, a grande abertura, foi dentro da redação do jornal, quando comecei a fazer matérias que necessitavam de pesquisas e nessas pesquisas aparecia o budismo. Aí começou o meu interesse. Eu percebi como era interessante. Os Beatles meditavam, quando eu escutava a música deles achava as letras muito profundas e havia uma imensa a capacidade de comunicação.”
Mais informações e inscrições: Abelardo Moreira, da organização da palestra - (fone: 85 9961.0137). / Fotos: Divulgação
Dica: Agência da Boa Notícia – (fone: 85 3224 5509)
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