21/06/2012

Presidentes latinos criticam países ricos no segundo dia da Rio+20


Presidente boliviano disse que ambientalismo é usado como arma.
Equatoriano criticou ausência de líderes de países ricos.

Do G1, no Rio
72 comentários
Os presidentes da Bolívia, Evo Morales, e do Equador, Rafael Corrêa, criticaram os países desenvolvidos no segundo dia de encontro de alto nível da Conferência de Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, nesta quinta-feira (21).
Muito aplaudido, o boliviano abriu seu discurso falando das tradições indígenas e defendeu a nacionalização dos recursos naturais pelo desenvolvimento sustentável. Corrêa, por sua vez, criticou a ausência dos líderes dos países ricos.
Bolívia
Morales criticou os países desenvolvidos e o capitalismo. "Capitalismo é uma forma de colonialismo. Mercantilizarmos os recursos naturais e é uma forma de colonialismo do países do sul, que sobre seus ombros carregam a responsabilidade de proteger o meio ambiente, que foi destruído no norte", disse.

"Nos querem criar um mecanismo de investimento para monopolizar e julgar nossos recursos. Acreditam que estão punindo o uso desses recursos com argumentos ambientalistas e as instituições são submissas, de modo que abrimos mão dos nossos recursos naturais para eles. Como o capitalismo promove o mercantilismo, o capitalismo da biodiversidade a torna em negócio. A vida não é um direito, é apenas mais um negócio para o capitalismo," afirmou. 
Para Evo, o ambientalismo é usado como arma do sistema capitalista. "O ambientalismo capitalista é uma forma de compromisso predatório, porque o compromisso de países de preservar a natureza para o futuro é algo imposto aos países pobres, enquanto os ricos se esforçam na destruição comercial do meio ambiente."
Para ele, os países precisam "se defender", nacionalizando seus recursos.

Morales esteve no Riocentro também na quarta-feira (20), onde foi visto andando pelos corredores e almoçando na praça de alimentação comum do centro de convenções
O presidente boliviano citou o ex-presidente de Cuba Fidel Castro, a quem chamou de "um homem muito sábio".

Equador 
O presidente do Equador também criticou o capitalismo. "A raiz da crise na Europa e EUA, em parte, tem a ver com uma mudança do sistema. O problema são os mercados que administram o sistema, precisamos ter a sociedade governando", disse.
"Ontem uma jovem disse 'tomara que não venhamos aqui para salvarmos nossa cara, mas sim nosso planeta'. Bom, o grupo dos 20 mais ricos no mundo se reuniu no México e 80% não vieram a esta conferência. Para eles não é importante e continuará sendo pouco importante enquanto não mudar essa relação de poder."
Corrêa também pediu mais comprometimento com a sustentabilidade. “Temos que ir além para que possamos reduzir as emissões e preservar nosso capital natural”, disse. “É imprescindível uma mudança no que entendemos por desenvolvimento. O que nós buscamos: um modelo de consumo de um nova-iorquino? Assim vamos precisar de cinco planetas para dar conta do consumo. Temos mudar a noção de desenvolvimento.”
Colômbia
O presidente da Colômbia pediu que as metas para a sustentabilidades sejam adaptadas para a realidade de cada país. “Os compromissos da arena internacional precisam ser traduzidos para nosso país," disse Juan Manuel Santos Calderon.
"Passou da hora de diagnósticos e espero que tenha chegado a hora de alcançarmos metas especificas. Os ODS [Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) mostram que não estamos aqui em vão. O legado do Rio continua vivo para o beneficio dessa geração e das futuras.”

Nenhum comentário :

Postar um comentário