04/07/2012

Homenagem a Drummond




Festa Literária Internacional de Paraty começa a edição 2012 nesta quarta.
Evento terá nomes como Ian McEwan, Jonathan Franzen e Jennifer Egan.

Cauê MuraroDo G1, em São Paulo
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É em tom de autocelebração que começa, nesta quarta-feira (4), a versão 2012 da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip): o evento, afinal, chega a sua décima edição. A se destacar, ainda, o vasto espaço que a programação cede ao homenageado da vez, Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), que completaria 110 anos em 31 de outubro.
G1 transmitirá ao vivo todas as mesas da Flip 2012, tanto com áudio traduzido quanto comáudio original.
Tenda da Flip 2012 em Paraty: funcionários cuidaram dos preparativos finais na noite desta terça-feira (3) (Foto: Flavio Moraes/G1)
Tenda da Flip 2012 em Paraty: funcionários cuidaram dos preparativos finais na noite desta terça-feira (3) (Foto: Flavio Moraes/G1)
Na abertura, haverá duas sessões, a partir das 19h: primeiro, a palestra "Flip ano dez”, com Luis Fernando Veríssimo; adiante, o crítico e escritor Silviano Santiago e o poeta Antonio Cicero entram em cena numa conferência em tributo a Drummond. A noite se encerra com um show de Lenine, às 21h.
A obra de Drummond volta ao centro da discussão em duas mesas na Tenda dos Autores (veja programação completa abaixo). E há a exposição “Faces de Drummond – o poeta e seu avesso”, bem como um monólogo concebido a partir na correspondência do escritor, a ser apresentado nesta quinta (5).
Mas, além da presença marcante do autor de “Alguma poesia” e da autorreferência, o que terá a décima Flip a oferecer ao público que pretende circular pelas afamadas – ou amaldiçoadas, a depender da ocorrência de chuva – ruas de pedra da cidade histórica? Dois nomes, dentre os 40 convidados, têm sobressaído desde os anúncios iniciais feitos pela organização: Jonathan Franzen e Jennifer Egan. Eram três, em princípio, mas o Nobel francês J.M.G. Le Clézio desistiu da vinda.

Ambos americanos e contemporâneos, Jennifer e Franzen são figuras midiáticas (nem sempre por ação própria): presenças convenientes, portanto, a um festival que se pretenda acessível a não iniciados. Com “A visita cruel do tempo” (2010), ela ganhou o prêmio Pulitzer no ano passado. Com “Liberdade” (também de 2010), ele ganhou elogios de Oprah Winfrey e a capa da revista “Time”, que o designou “grande romancista americano”.
De acordo com a assessoria de imprensa da Flip, as mesas das quais os dois devem participar estiveram entre as primeiras a se esgotar, já no primeiro dia de vendas. Jennifer, a propósito, se apresenta ao lado do autor britânico Ian McEwan, outro dos renomados deste ano.
No caso dele, trata-se de um regresso: o autor do bajulado “Reparação” passou por Paraty em 2004, e teve como companhia figuras célebres, como Jeffrey Eugenides, Martin Amis e Paul Auster, dentre outros. Tiveram de dividir espaço, entretanto, com Caetano Veloso e Chico Buarque, convidados da ocasião – o mesmo Chico Buarque que causaria um memorável tumulto numa fila de autógrafos da Flip de 2009; houve gente, do sexo feminino sobretudo, que foi para Paraty mesmo sem ter ingresso para vê-lo.
Em tese, fenômeno semelhante dificilmente se repetirá agora em 2012, a despeito da reputação de convidados como o poeta sírio Adonis e o espanhol Enrique Vila-Matas, outro que já veio anteriormente. Algumas apostas de repercussão acima da média, contudo, podem ser feitas. A última mesa do sábado, por exemplo, chama-se “Quadrinhos para maiores” e tem Angeli e Laerte. Escalado para uma mesa no domingo, o judeu russo radicado nos Estados Unidos Gary Shteyngart, que escreveu “Absurdistão” e “Uma história de amor real e supertriste”, tem vocação para a ironia, algo que costuma funcionar em circunstâncias do tipo. Há também reunião entre o político e jornalista Fernando Gabeira e o antropólogo Luiz Eduardo Soares, autor de “Elite da tropa” e ex-secretário nacional de segurança. Eles estão na mesa “Autoritarismo, passado e presente”.
Tomados no conjunto, esses encontros refletem uma proposta cultivada pela organização da Flip: a de oferecer um cardápio com outros temas que não só a literatura de ficção, opção que no passado já rendeu munição a críticos.
A novidade de 2012 tem como componente fundamental a efeméride dos dez anos. Serão lançados em Paraty dois livros e um DVD. Editado por Liz Calder, criadora da Flip, “10/Ten” traz contos e ensaios de cinco escritores brasileiros, enquanto “Flip – Dez anos” é escrito por jornalistas associados à história da festa, como Zuenir Ventura. Já o filme chama-se “Uma palavra depois da outra: a arte da escrita” e mostra “apresentação de mais de cem autores e todas as edições”, de acordo com a assessoria de imprensa do evento.
Em sua agenda paralela, a Flip segue com a Flipinha, voltada ao público infantil, com a Flizona, que mira os adolescentes, e com a “programação paralela” da Casa da Cultura de Paraty. Ali, coloca-se em destaque um debate sobre Jorge Amado, que acontece nesta quinta (5) às 11h30 - o G1 também transmitirá a mesa, ao vivo, neste link. Participam o escritor João Ubaldo Ribeiro e Walcyr Carrasco, que assina a nova adaptação de “Gabriela” para a tevê, atualmente em exibição na TV Globo. A escolha por Jorge Amado não vem do acaso: homenageado da 4ª edição da Flip, o escritor completaria cem anos de idade neste ano. Apropriado: mais uma efeméride a marcar a celebração de 2012.


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