Padre Geovane
Saraiva*
Dom Luciano Mendes
de Almeida, grande homem de Deus, no qual o humanismo transbordou, por muitos anos bispo auxiliar de São Paulo,
Secretário Geral e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por
dois mandatos consecutivos, Arcebispo de Mariana – MG., deixou este mundo no dia
27 de agosto de 2006, coincidentemente, na festa de Santa Mônica, a mãe forte,
por sua resistência, lágrimas e orações, conseguindo a conversão do filho
Agostinho, um dos maiores Santos da Igreja e da própria humanidade, e no sétimo
aniversário de morte de Dom Helder Pessoa Câmara, o homem dos grandes sonhos e
nascido para as coisas mais elevadas, homem das viagens e cidadão do Mundo…
Dom Luciano soube
viver e amar em profundidade o dom precioso da vida, acolhendo o Filho de
Deus como aquele que revelou o rosto amoroso e o enviado do Pai e como aquele
que veio do alto. “Em Cristo Deus quis habitar com toda sua plenitude” (Col 1,
19). Esforçou-se para que esse mistério chegasse a todos, especialmente aos
empobrecidos e rejeitados da sociedade, em nossos tempos…
Ele foi ao encontro da proposta do Filho de Deus,
espalhando bondade, por onde passou, com o seu jeito simples de viver,
acreditando na força transformadora da Palavra de Deus e da Eucaristia –
acolhendo Jesus: “Pão da vida, pão descido do céu” (Jo 6, 34). “A Eucaristia é
mensagem de comunhão fraterna, não só enquanto nos ajuda a vencer o egoísmo e
partilhar o pão e também quando elimina o rancor e o dinamismo de vingança, mas
enquanto consegue superar mágoas e ressentimentos e aproximar os distantes…”
(Conferência de Dom Luciano, 15º Congresso Eucarístico Nacional – Florianópolis
– SC).
Ele, uma preciosidade, com o seu modo santo de viver,
tinha o céu ao seu redor. Mas mesmo assim ele queria ver o céu. Um dia ele
decidiu: “Há um tempo queria muito ver o céu, saber como é lá. Um dia subi no
céu. Não pensei que fosse tão bonito assim, fiquei contente com tanta música,
pessoas dançando na presença de Deus. Mas, de repente, percebi que eu estava
escondido atrás de uma árvore. Descobri que o céu é ver os outros felizes”.
Dom Moacyr Grechi, ao iniciar o retiro do clero de
Fortaleza, disse: “Queria também invocar Dom Luciano Mendes, que tenho com
“santo”. Eu fiz esta experiência: Iniciando a Conferência de Aparecida eu rezei
a Dom Luciano dizendo: em Puebla o senhor muito ajudou a dar aquele tom
evangelizador, que marcou a nossa pastoral; em santo Domingo, se não fosse a
sua presença, com sua doçura e inteligência, talvez tivéssemos voltado para
casa, sem nenhum Documento Pastoral. Eu quero a sua ajuda também nesta
Conferência de Aparecida. Depois que eu rezei, mudei completamente por dentro:
de desanimado que estava, resolvi enfrentar a Conferência com empenho, marcando
presença em todas as reuniões, compreendendo que era à hora de Deus e que não
deveria deixar passar em vão. Quero que Dom Luciano interceda por nós nestes
dias do retiro do clero de Fortaleza”.
Dom Luciano, subindo ao céu, optou em primeiro lugar
pela vida, em especial a vida dos empobrecidos, comprometida e indefesa. Que
seu testemunho nos encoraje e nos estimule na nossa escolha e seguimento de
Jesus de Nazaré, acolhendo-o com generosidade.
Deus seja louvado, amado e glorificado por esse homem
que só soube fazer o bem. O amor nele cresceu e se fez dom, vivendo não para
si, mas para Deus e para os irmãos e irmãs.
* Pe. Geovane Saraiva, padre da Arquidiocese de
Fortaleza, Escritor, Membro da Academia de Letras dos Municípios do Estado
Ceará (ALMECE), e da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza.
Pároco de Santo Afonso
Autor dos livros:
“O peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores”
(centenário de Dom Helder Câmara).
“A Ternura de um Pastor”, já 2ª edição (homenagem ao
Cardeal Lorscheider)
“A Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso)
“Dom Helder: Sonhos e Utopias” (o pastor dos
empobrecidos)

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