Natasha Pitts
Jornalista da Adital
Adital
Para lembrar os 20 anos do massacre do Carandiru que se completam no próximo dia 2 de outubro e debater os massacres que acontecem ainda hoje nas penitenciárias brasileiras, a Coordenação Estadual da Pastoral Carcerária CNBB-SUL1 realiza sábado (25), na cidade de São Paulo (região Sudeste do Brasil), um fórum de debates. O evento acontecerá na Rua Serra da Bocaina, 381, Belenzinho (nas proximidades do metrô Belém).
A intenção do ‘Fórum de Discussão sobre os 20 anos do massacre do Carandiru e sobre a continuidade desses massacres’ é conversar sobre os crimes que continuam acontecendo pela negligência com as condições de saúde, higiene, assistência social e jurídica, e acomodação nos presídios do país.
O massacre ocorrido no dia 2 de outubro de 1992 dizimou, segundo as estatísticas do Governo de São Paulo, 111 presidiários na Casa de Detenção de São Paulo, mais conhecida como Carandiru. Tudo começou com uma briga entre alguns detentos no pavilhão nove, que deu origem a uma rebelião. A Polícia Militar (PM) foi autorizada a entrar para conter a situação e deu início a uma série de assassinatos cruéis. Entre membros da Tropa de Choque e da Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota), estima-se que cerca de 350 policiais entraram para conter o distúrbio.
O vídeo presente no link http://vimeo.com/39846281conta a história do massacre e explica que a Polícia modificou a cena do crime. O vídeo também relata que não foram encontradas armas de fogo dentro da Casa de Detenção. Após a série de crimes, a perícia detectou que os tiros foram disparados à queima roupa contra presos que estavam ajoelhados.
No livro Estação Carandiru, de autoria do médico Drauzio Varella, que conheceu a Casa de Detenção por ter realizado um trabalho de prevenção ao HIV/Aids, a cifra de mortos foi mais alta do que o divulgado pela mídia. Vários presos relataram que a estimativa é de que cerca de 250 tenham morrido, contando com os feridos que foram para o hospital e nunca mais retornaram.
Até hoje, quase 20 anos depois, ninguém foi punido ou está preso. O coronel da reserva que comandou a entrada no presídio, Ubiratan Guimarães, foi condenando em junho de 2001 a 632 anos de prisão pela morte de 102 detentos e por cinco tentativas de homicídio. No entanto, por ser réu primário ele recorre em liberdade, tendo sido inclusive eleito deputado estadual. As famílias das centenas de vítimas também foram esquecidas e praticamente não receberam assistência ou apoio.
No dia 15 de setembro de 2002, a Casa de Detenção foi desativada para em seguida ser parcialmente demolida. O espaço deu lugar ao Parque da Juventude, equipamento de lazer, esporte e cultura construído simbolicamente para acabar com o estigma de violência presente no local.

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