Tiago de França da silva*
O texto evangélico deste XXI Domingo Comum (cf. Jo 6, 60 – 69) nos fala da
atitude fundamental do discípulo em relação a Jesus: segui-lo na liberdade. De
modo geral, as pessoas não querem seguir livremente a Jesus, não querem fazer
amizade com ele. No fundo, o que desejam é um Senhor, um Deus todo-poderoso que
resolva seus problemas. Basta frequentar as Igrejas para perceber o que as
pessoas procuram. Desejam tudo, menos seguir Jesus de Nazaré.
Quando Jesus reagiu contrariamente aos desejos insaciáveis das pessoas, quando
afirmou a necessidade de permanecerem com ele no cumprimento da vontade do Pai,
muita gente rejeitou sua palavra: Esta palavra é dura. Quem consegue
escutá-la? Um Cristo que frustra as expectativas de quem não o entende
nem aceita aderir a seu projeto não é bem visto nem aceito. A opção de Jesus
pelo Reino era clara e irrenunciável. Ninguém conseguiu desviá-lo de sua
missão. Todos tentaram desviá-lo, até seus próprios discípulos.
Sobre suas próprias palavras, afirma Jesus: O Espírito é que dá a vida,
a carne não adianta nada. As palavras que vos falei são espírito e vida. A
palavra de Jesus não era qualquer palavra, mas, cumprindo a vontade do Pai e
sendo a Palavra do Pai para a vida do mundo, Jesus concedeu vida às pessoas com
sua palavra. Ele tinha em si a autoridade concedida pelo Pai: a graça de renovar
todas as coisas. O Reino de Deus estava no centro da sua mensagem, portanto,
era a centralidade de sua palavra. No grupo de Doze havia os que não
acreditavam na sua palavra, e Jesus tinha consciência disso.
Diante dos que se recusaram a continuar seguindo-o, Jesus olha para os que o
seguiam mais de perto e lhes pergunta: Vós também vos quereis ir
embora? Esta indagação revela a liberdade com que Jesus tratava seus
discípulos. Eles não eram obrigados a segui-lo. Jesus sabia da dificuldade que
eles tinham em compreendê-lo, mas não renunciou à firmeza de propósito nem à
fidelidade à missão que o Pai lhe confiou. Ninguém está obrigado a seguir
Jesus, mas todo aquele que quiser se colocar em seu caminho deve atender à
exigência fundamental: aderir ao seu projeto (Reino de Deus). Sem esta adesão
não há seguimento, mas aparência de seguimento, ilusão.
A
quem iremos, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna. Esta resposta de
Pedro é a resposta da comunidade dos discípulos missionários de Jesus. O
autêntico cristão sabe que diante da palavra de Jesus tudo neste mundo se torna
relativo: o poder, o prestígio e a riqueza; que são os três males que corrompem
o ser humano. Crer e reconhecer que Cristo é o Santo de Deus significa acolher sua
palavra para que apareçam os frutos na vida cotidiana: frutos de justiça,
bondade, perdão, solidariedade etc. A palavra de Jesus deve está no centro da
vida do missionário, pois somente assim será capaz de transmiti-la ao mundo.
A Igreja tem como missão anunciar ao mundo a palavra de Cristo. Uma vez feita a
experiência da acolhida e da escuta desta palavra, que é capaz de transformar
radicalmente a vida do ser humano, cada discípulo missionário de Cristo deve
anunciá-la incansavelmente. Atualmente, o ser humano passa por uma crise de
sentido (vazio existencial) sem precedentes na história. Portanto, é urgente
que a Igreja renuncie às suas pretensões meramente humanas para se lançar para
as águas mais profundas deste mundo, indo resgatar a vida desumanizada de tanta
gente esquecida e explorada.
*Teólogo e escritor

Jesus chama os pobres de bem aventurados e ele se preocupou com eles, e a igreja deve ter essa dedicação especial com os mais necessitados. porém nao devemos fazer isso a unica missão da igreja. isso fica para as ongs e governo. a igreja antes de tudo deve ser fiel aos ensinamentos do evangelho e da tradição,como diz a Dei Verbum, e se preocupar ,junto a assistência material, dar assistência espiritual segundo os dogmas da igreja (por exemplo sobre Jesus, Maria e a intercessão eficaz dos Santos e santas).
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