FÁTIMA
Conversas Contemporâneas
«O mundo não acaba por uma qualquer crise»
Texto Juliana Batista | 16/09/2012 | 07:46
Carlos Liz
Carlos Liz abriu o ciclo de conferências «Conversas Contemporâneas Consolata» onde referiu que «no meio da perturbação», existem formas de «encontrar oportunidades». O orador admitiu ser «comovente» ver uma pessoa no hipermercado com o carrinho cheio
IMAGEM
A missão «exige partilha, estudo e conhecimento» referiu sábado, 15 de setembro, António Fernandes, padre superior provincial da Consolata em Portugal, na primeira sessão ciclo de conferências «Conversas Contemporâneas Consolata». Carlos Liz, especialista em estudos de mercado e opinião, foi o orador convidado para uma palestra onde frisou que ao longo da história os homens têm atravessado crises «fortes» e «variadas e a vida continua».
Identificando a palavra «oportunidade» como uma dos vocábulos «mais importantes quando se analisa uma realidade perturbada», o orador disse que «no meio da perturbação há seguramente formas de encontrar oportunidades porque o mundo não acaba nunca por uma qualquer crise económica, ou social, ou política, ou cultural». «A história na sua longa duração tem passado por crises muito fortes e muito variadas e a vida continua», explicou.
Perante a audiência, Carlos Liz falou de um episódio que considera «comovente». «Cada vez que uma pessoa passa numa caixa do hipermercado, com o seu carrinho relativamente cheio, até onde o conseguiu encher, essa pessoa está a sinalizar que é um vencedor neste tempo». «É alguém que provavelmente está empregado, ou alguém que, se está desempregado, conseguiu arranjar maneira de poupar porque tem de pagar, senão o carro não passa», frisou. Para Carlos Liz, os bens hoje adquiridos pelos consumidores «são compras de vencedores, de pessoas que sobreviveram, de pessoas que afirmam ‘eu estou aqui’».
A população com idades compreendidas entre os 45 e os 54 anos é, nas palavras do orador, o grupo «que está a sofrer mais as consequências» da crise atual. Estão profissionalmente ativos, com «filhos [que] demoram a sair de casa» e que «demoram a arranjar emprego». Ao mesmo tempo, este grupo tem pais com «uma longa vida», uma longevidade «difícil de gerir». O orador definiu o grupo desta faixa etária como «completamente entalado» e, acrescentou, «se o desemprego acontece sobre eles, não têm possibilidade de mudar» porque «de um modo geral têm qualificações baixas» e, por isso, «uma baixa competitividade no mercado». Simultaneamente, a população que se enquadra nestas idades, tem filhos «nos quais investiu para estudarem de uma forma luminosa, mas depois essa luminosidade não acende», disse Carlos Liz.
Referindo-se à casa, enquanto unidade de habitação, o orador referiu que passa «o tempo a ouvir declarações de amor» à construção. «A casa está cada vez mais importante. Nunca a casa foi tão valorizada como agora, é o espaço da liberdade máxima, vejam só o paradoxo», alertou a audiência. «Dentro das quatro paredes, janela aberta, o que é que me dá toda a liberdade? A quantidade de ecrãs que eu tenho à minha disposição», disse Carlos Liz, numa palestra com um público atento e curioso. Maria Filomena Pires, do grupo da Mulheres Missionárias da Consolata, considerou «a conferência muito profunda e atual». Para Ana Linhares, a palestra foi «muito pertinente» e, disse, «serve um bocado de alerta para o futuro».
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