Dom Aldo Pagotto, sss*
O comércio antecipa o Natal. Cria-se um clima eufórico de correria às compras, acrescido dos pacotes de felicidade esperada pelo réveillon. A vida mercantilizada condiciona-nos pelos moldes da sociedade de consumo. O comércio pensa e age em função de pesquisas de mercado, planejamento de metas, cálculo de custos e benefícios, investimentos seguros, avaliação de resultados, relançamento de novos planos. Trata-se do aprendizado laboral feito de forma sistemática, disciplinada. O empreendedor age assim. O processo produtivo exige contínua vigilância e, portanto, os resultados são revistos permanentemente. Hoje, o empreendedor empresarial prioriza a humanização do processo produtivo e laboral, integrando funcionários, tratados não como meros empregados, e sim como agentes colaboradores, envolvidos na corresponsabilidade social, além do crescimento da empresa.
Hoje a grande, a média ou a pequena empresa prioriza as pessoas, não apenas os lucros. A inspiração fundamental da Doutrina Social da Igreja afirma que os lucros empresariais (sobretudo o dinheiro arrecadado dos impostos) devem promover a inclusão social, promovendo a economia de comunhão. À medida que a empresa cresce, os seus funcionários são qualificados, considerando ainda a abertura de espaços para a capacitação de novas lideranças, lançadas anualmente no mercado de trabalho atual, tremendamente competitivo. Quando o lucro da empresa é partilhado, novas oportunidades são geradas. Se a empresa cresce, faz crescer os que a engrandecem, além de gerar divisas para a região e o Estado.
Equivocada é a tese marxista da luta de classes. Por quê? Não se ama e nem se liberta o pobre de sua marginalização combatendo os ricos com ideologia de revolta contra a propriedade privada. Ou vivemos e crescemos juntos como irmãos ou morreremos todos juntos, como idiotas (Luther King). Não se consegue promover empobrecidos combatendo aqueles que podem lhes gerar oportunidades, sobretudo de ocupação e renda para o seu justo sustento e desenvolvimento integral. A iniciativa privada alavanca maiores investimentos no desenvolvimento social, promovendo o progresso da nação. Hoje, cabe ao Estado estimular e se fazer parceiro da iniciativa privada, não, porém, combatendo-a arbitrariamente.
Há por aí restos da ideologia de esquerda ultrapassada, obcecada pela estatização de tudo o que encontra pela frente, desqualificando a iniciativa privada. Ora, em qualquer regime de governo, em qualquer empresa, em qualquer setor produtivo da vida, há oportunistas que não planejam porque envelheceram na política da improvisação compensatória. Para oportunistas de situação, qualquer resultado serve, trabalhe-se ou não. O raciocínio é válido para a superação da mentalidade (ainda presente em certos meios) de que servidor de Estado não trabalha, finge. O esquema dos parasitas reprodutores do atraso é a falta de organização e de metodologia de ação.
Parasitas corruptos infiltram-se em quaisquer regimes de governo, em empresas, em instituições insuspeitáveis. Isso não ficou demonstrado, recentemente, no esquema do “mensalão”? Pessoas diligentes enfrentam desafios e transformam obstáculos em oportunidades. Vão à luta, garimpam novas chances. São empreendedores. Oportunistas corruptos agem de comum acordo levando qualquer empresa à improbidade administrativa e, em breve, à falência. Pior quando esses se fazem de amigos do rei...
*Arcebispo Metropolitano da Paraíba
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