Pe. Di Lascio*
O Brasil continua analfabeto, muito bem informado, mas, lamentavelmente, mal formado. A educação qualifica a formação integral do ser cidadão. O índice assustador dos casos de violência contra as mulheres brasileiras coloca em xeque a qualidade de nossa educação e mais a dignidade da Patria Brasilis, nação destinada a formar os verdadeiros agentes multiplicadores da cultura da Paz. Nossa história oferece como exemplos: Oswaldo Aranha, Rui Barbosa, Dom Luciano Mendes de Almeida, Darcy Ribeiro, Betinho, Chico Mendes, Dom Hélder Câmara, Princesa Isabel, irmã Dulce, Zilda Arns, irmã Doroty e outros homens e mulheres anônimas que doaram e continuam doando seu carisma e talento e até a própria vida pela nobre causa da defesa da vida. Vejamos um relato- “Meu marido chegou a desligar o meu tubo de oxigênio. Depois que fiquei doente, na hora em que mais precisei, ele me deixou passar fome e sede. Ele foi muito cruel. Não merecia passar por isso.” O desabafo é de uma mulher de 49 anos, que há 9 meses leva uma vida mais digna. Depois de ficar com um pulmão paralisado e amputar um pé, ela conheceu a verdadeira face do homem com quem conviveu por mais de duas décadas e com quem teve quatro filhos. Foram sete anos de tortura e agressões até que ela decidiu pedir ajuda. ( Novo Hamburgo-RS) Este relato virou um verdadeiro apelo da gigantesca massa de mulheres vítimas de agressões, que implora à sociedade, ao governo, aos políticos e aos legisladores para que se mobilizem urgentemente e efetivamente para salvar as vidas de tantas milhares de mulheres que vivem sob a constante ameaça por parte de seus maridos, companheiros, namorados... Um fato que nos chama a atenção é que a qrande maioria dos agressores, mesmo sob a sujeição à lei, cumprindo pena ou não, burlam os mandatos e as ordens judiciais e ultrapassam os limites que garantem a segurança de suas vítimas. Movidos pelo espírito de vingança se aproximam dessas indefesas vítimas e as atacam, causando-lhes profundas e dolorosas sequelas por todo o resto da vida, quando não as assassinam a sangue frio e, em muitos casos, vão responder por seus crimes em liberdade. Outro fator chocante é a presença das crianças no meio das discussões e agressões, participando in loco et tempore dessa barbárie, correndo o risco de se tornarem as próximas vítimas ou agressores, dando continuidade e legitimidade a essa estupidez humana. Chegou a hora de interromper e romper, dando-lhe um BASTA!, a essa barbárie humana que vem esfacelando e corroendo a dignidade das mulheres brasileiras. Dessa forma propomos uma mobilização nacional frente aos nossos governos na esfera federal, estadual e municipal, os legisladores e parlamentares que trabalhem de imediato na aprovação da lei que determine e condene os homens agressores a usarem a tornozeleira eletrônica. O rastreamento do agressor com a tornozeleira eletrônica garantirá a mulher viver com mais segurança e distante do seu agressor. A tornozeleira eletrônica fará o monitoramento por 24 horas. Será um instrumento que, certamente induzirá (assim esperamos) os homens agressores a tomarem consciência de seu problema e a assumirem a responsabilidade de buscar tratamento para essa doença mortal. Pontos positivos com relação ao monitoramento por tornozeleira eletrônica: • Diminuição (inibição gradativa) do impulso de perseguição obsessiva por parte dos homens agressores; • Diminuição do índice de assassinatos de mulheres; • Incitamento ao agressor para que busque tratamento para essa doença mortal; • Garantia do distanciamento do agressor em relação à mulher e aos filhos, propiciando a estes mais segurança e tranquilidade; • Prevenção para que as crianças não sofram com sequelas psicológicas; • Prevenção para que as crianças não se tornem os próximos novos agressores; • Fator contributivo para tirar o Brasil do ranking mundial dos países tidos como violentos; • Alerta e lição aos homens com índole assassina; • Remédio para a triste situação da superlotação das penitenciarias; • Incitação às mulheres para que rompam seu silêncio e denunciem seus agressores; A violência urbana é uma das pragas do nosso século. Faz-se necessário e urgente tomarmos consciência de que o combate a esta praga é dever de todos cidadãos e que toda violência tem o seu início dentro dos lares. Se queremos viver num país pacifico e mais humano, temos que começar já a nos mobilizar para erradicar toda e qualquer ação violenta. Comecemos por nossas manifestações verbais e nossa postura frente aos fatos do cotidiano, no trato com as pessoas, no trânsito, na escola, no trabalho, no lazer. Chama-nos à atenção o texto do Antigo Testamento do Livro Sagrado, no capítulo do Gênesis 1,21-25: “o Criador completou a sua obra, criando a mulher como ápice da criação e a criou da costela do homem.” Não a criou nem da cabeça e nem dos pés, para não haver nenhum tipo de poder e submissão, mas da costela, símbolo hermenêutico da igualdade e fraternidade. Homem e Mulher se complementam, seres criados à imagem e semelhança de Deus, para serem felizes. Dessa forma, a maior prova de amor que os humanos poderão demonstrar por esse Grande Milagre, que é a Vida Humana, é fazer de tudo para que ela seja defendida como prioridade absoluta desde a sua gestação até o seu final. Quem ama cuida e quem cuida prova que o Amor está acima de tudo. | ||||
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04/12/2012
Sinal de Alerta: O Clamor das mulheres Brasileiras
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O Brasil continua analfabeto, muito bem informado, mas, lamentavelmente, mal formado. A educação qualifica a formação integral do ser cidadão.
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