28/12/2012

Uma oportunidade para o Cremildo


MUNDO
Guiúa, Moçambique

Texto Diamantino Antunes | Foto Diamantino Antunes | 28/12/2012 | 07:46

Foi o melhor aluno do curso de formação em costura e saúde e faz todos os dias cinco quilómetros a pé para não falhar com a primeira encomenda. Os Missionários da Consolata querem ajudá-lo a tirar um curso técnico profissional
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Termina este ano, na missão de Santa Isabel de Guiúa, Moçambique, mais um curso de formação em costura e saúde que formou mais uma centena de pessoas: 25 mulheres e 75 jovens. Ao longo dos últimos três anos de formação, foram instruídas cerca de 300 pessoas, na sua quase totalidade, mulheres. Chamamos-lhe “Ponto por Ponto com Saúde”. O objetivo foi, para além de uma capacitação profissional, garantir o acesso a uma formação na área da saúde, com ensinamentos sobre higiene pessoal, informação sobre as principias doenças e sobre os cuidados assegurados pelos centros de saúde.

Este ano o curso teve uma novidade, recebemos também rapazes. Um destes rapazes, o Cremildo, foi o melhor aluno do curso. Aluno da 7ª classe, o último ano da Escola Primária do Guiúa, tem uma complicada deficiência óssea, nas costas e no peito e uma provável sequela deste problema que o faz coxear bastante. Porém, as dificuldades não o impediram de ser um dos primeiros a chegar às aulas, destacando-se sempre pela sua assiduidade.

Distinguiu-se entre todos e todas pelo esmero do seu trabalho e pela dedicação, qualidades que não passaram despercebidas às formadoras. Logo o convidamos a começar a colaborar com elas ajudando nos pequenos trabalhos de artesanato. O Cremildo correspondeu às expectativas, aprendendo, trabalhando, aceitando ser corrigido e corrigindo bem.

No final do curso demos-lhe um prémio de melhor aluno. Um kit de costura, um sinal de que acreditamos no seu trabalho e na perspetiva que ele lhe abre um futuro economicamente independente, numa região em que o desemprego é quase endémico e em que a pessoa portadora de deficiência, sem quaisquer apoios, tem a vida ainda mais dificultada.

O Cremildo vive com os avós, numa palhota junto de uma das nossas comunidades, Santa Bakhita de Cochane. Nunca conheceu o pai e a mãe vive com a sua nova família noutra casa. No mês de novembro entregámos-lhe uma primeira encomenda: fazer 50 bolsas de guardanapo. E também esta proposta soube agarrar. Tem já 50 bolsas feitas em capulana.

O modo como, mais uma vez, se atirou ao trabalho, sem hesitar percorrer a pé cinco quilómetros, e a dedicação demonstrada, levou-nos a pensar lançar-lhe outro desafio: frequentar a Escola Secundária Técnico Profissional de Inhassoro, situada no norte da província de Inhambane, a 400 quilómetros do Guiúa, que tem o curso profissional de corte e costura.

Chamámos os avós para conversar com eles e perceber a aceitação desta proposta por parte da família. Agradeceram muito a formação e o trabalho que dávamos ao neto e também esta oportunidade que lhe oferecíamos já que, de outra maneira, não teriam possibilidade de o mandar estudar. Cremildo vai começar o curso de corte e costura em janeiro.

Uma boa prenda de Natal. A missão do Guiúa assumirá as despesas do seu internato e as propinas na Escola Profissional de Inhassoro, o que não é uma decisão fácil nestes tempos de crise. Mas estamos cientes de que alguém nos quererá apoiar nesta aposta de um futuro para o Cremildo e essa possibilidade sonhada, será uma alegria partilhada com quem se quiser associar.

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