Dom Sergio da Rocha*
A solenidade da Epifania do Senhor
ocupa lugar especial no Tempo do Natal, completando o quadro do nascimento de
Jesus Cristo com a presença dos magos do Oriente no presépio. A palavra grega
“epifania” atribuída a esta solenidade significa “revelação”, “manifestação”. Em Jesus Cristo
nascido em Belém, Deus revela o seu amor e manifesta a sua salvação para todos.
Cumpre-se, de modo admirável, a universalidade da salvação anunciada pelos
profetas! Por isso, ao rezar, hoje, o
Salmo 71, dizemos: “As nações de toda a terra hão de adorar-vos, ó Senhor”,
sentindo-nos participantes do novo Povo de Deus, formado por gente de todas as
raças, línguas e nações.
O relato do nascimento do Salvador,
na noite do Natal, destacava a presença dos pastores que se estavam nas
redondezas e que foram às pressas ao encontro de Menino Jesus para adorá-lo. O
Evangelho proclamado na Epifania destaca o amor de Deus revelado às nações,
representadas por aqueles homens sábios, denominados magos, que vieram de longe
para adorar Jesus e oferecer-lhe presentes. Na Carta aos Efésios, hoje
meditada, São Paulo refere-se ao “mistério” revelado, assim explicando-o: “os
pagãos são admitidos à mesma herança” do povo da Aliança. Deus ama a todos!
À exemplo dos magos, nós também somos convidados a caminhar ao
encontro do menino Jesus, neste tempo de Natal, com uma atitude de adoração.
Eles “ajoelharam-se diante dele e o adoraram” e “sentiram uma alegria muito
grande” (Mt 2,10-11). O Natal é tempo de
experimentar esta alegria que brota do encontro com Cristo. Para isso, é
preciso dispor-se a caminhar; não se pode ficar acomodado na vida cristã,
especialmente, ao iniciar um novo ano. Contudo, não podemos caminhar contando
somente com as próprias forças. A estrela serviu de sinal para os magos. Nós necessitamos
da luz de Deus, da sua sabedoria e do seu amor para percorrer o caminho.
O relato do Evangelho cita o rei
Herodes. Ele não se dispôs a caminhar ao encontro de Jesus, na manjedoura de
Belém; apenas fingiu querer adorá-lo. Em seu orgulho, não foi capaz de se
colocar entre os humildes pastores, nem entre os sábios estrangeiros, ambos
desprezados por muitos naquele tempo. Ninguém vai sozinho ao encontro do
Senhor; ou vamos juntos ou ficamos fora.
Na Epifania, o nosso amor fraterno
deve se alargar, dirigindo-se aos que não são amados ou valorizados em nosso
mundo e aos que mais sofrem. Adoramos o Menino Deus que oferece a todos o seu
amor e salvação, dispondo-nos a amar a todos com verdadeira caridade.
*Arcebispo Metropilitano de Brasília

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