O XXI Curso de Formação Missionária, realizado no Centro Franciscano de Animação Missionária (CEFRAM), em Bacabal, MA, recebeu na noite de 14 de janeiro, a visita do cardeal Dom Cláudio Hummes, atualmente à frente da Comissão para a Amazônia da CNBB.
Com o tema "A Dimensão Missionária à Luz do Vaticano II", o curso é promovido pelos Conselhos Missionários Regionais (COMIRES) do Piauí e Maranhão e conta com a participação de 45 pessoas.
Com o tema "A Dimensão Missionária à Luz do Vaticano II", o curso é promovido pelos Conselhos Missionários Regionais (COMIRES) do Piauí e Maranhão e conta com a participação de 45 pessoas.
Tendo como fonte inspiradora o Vaticano II, o cardeal alertou os missionários sobre o contexto social que a Igreja está inserida.
"Com o Vaticano II, iniciou-se uma nova era na Igreja, uma verdadeira primavera, muros e antigos limites foram transpostos, dando lugar à ação criativa e sempre nova do Espírito Santo. É necessário sair dos limites que nós mesmos estabelecemos", disse dom Cláudio. "Só teremos uma Igreja missionária quando esses limites, às vezes presentes dentro das nossas próprias paróquias, forem superados", completou.
Uma Igreja que seja verdadeiramente promotora do Reino de Deus deve assumir uma postura de facilitadora num processo onde os povos, sejam sujeitos da construção da sua própria história.
Dentro desta perspectiva de um primado do sujeito na construção social e cultural, foi apresentada a realidade eclesial da Amazônia, que ainda vive em muitas regiões a carência de padres e missionários. Cerca de 95% da população é indígena e muitas comunidades não são atendidas pela ação pastoral da Igreja,
Vale a pena ressaltar que a ação missionária da Igreja deve, portanto, primar pela inculturação e formação e envio de novos missionários. Usando as palavras do saudoso papa João Paulo II, dom Cláudio afirmou: "uma fé que não é inculturada, não é plenamente assumida. Deve haver espaço na comunidade eclesial para as mais diversas culturas e modos de ser".
Essas provocações suscitaram algumas perguntas tais como: porque não temos uma Igreja, com padres, bispos, cardeais indígenas? Uma teologia indígena é possível?
"A Igreja, enquanto semeadora de um mundo novo, deve sair e ir ao encontro acolhendo o outro na sua totalidade e isso incluiu também a cultura". Segundo dom Cláudio, a Igreja caminha com passos lentos no processo de acolhida dos povos indígenas. "Quando algum avanço é concretizado, na maioria das vezes, o índio já foi fascinado pelas luzes das grandes cidades e pela cultura de massa".
Lançar "sementes do reino", em um tempo plural como o nosso é algo desafiador, mas não deve deixar de ser feito. Os missionários, chamados pelo divino Mestre, devem ir a todos os povos e levar consigo além das sementes, o coração, para acolher e promover a vida e "vida em abundância" (Jo 10,10).
Fonte: www.franciscanosmapi.org.br
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