A proximidade de Francisco com a natureza sempre foi a faceta
mais conhecida deste santo. Seu amor universalista abrangia toda a Criação, e
simbolizava pra muitos um retorno a um estado de inocência, como Adão e Eva no
Jardim do Éden. Entretanto, esta não foi uma característica apenas de
Francisco, havendo casos semelhantes de santos ingleses e irlandeses. Muitas
histórias com animais cercam a vida de Francisco de Assis. Elas estão contadas
no Fioretti (pequenas flores, em italiano), uma coleção póstuma de contos
populares sobre este santo. Certa vez ele viajava com seus irmãos e eis que
viram ao lado da estrada árvores lotadas de passarinhos. Francisco disse a seus
companheiros: "aguarde por mim enquanto eu vou pregar aos meus irmãos
pássaros". Os pássaros o cercaram, atraídos por sua voz, e nenhum deles
voou. Francisco falou a eles:
"Meus irmãos pássaros, vocês devem muito a Deus, por isso
devem sempre e em todo lugar dar seu louvor a Ele; porque Ele lhe deu liberdade
para voar pelo céu e Ele o vestiu. Vocés nem semeiam nem colhem, e Deus os
alimenta e lhes dá rios e fontes para sua sede, montanhas e vales para abrigo e
árvores altas para seus ninhos. E embora vocês nem saibam como tecer, Deus os
veste e a suas crianças, pois o Criador os ama grandemente e o abençoa
abundantemente. Então, semprem busquem louvar a Deus."
Outra lenda do Fioretti nos fala que na cidade de Gubbio, onde
Francisco viveu durante algum tempo, havia um lobo "terrível e feroz, que
devorava homens e animais". Francisco teve compaixão pela população local
e foi para as colinas achar o lobo. Logo, o medo do animal fez todos os seus
companheiros fugirem, mas Francisco continuou e, quando achou o lobo, fez o
sinal da cruz e ordenou ao animal para vir até ele e não ferir ninguém.
Milagrosamente, o lobo fechou suas mandíbulas e se colocou aos pés de
Francisco. "Irmão lobo, vocé prejudica a muitos nestas paragens e faz um
grande mal" disse Francisco. "Todas estas pessoas o acusam e o amaldiçoam.
Mas, irmão lobo, eu gostaria de fazer a paz entre você e essas pessoas".
Então Francisco conduziu o lobo para a cidade e, cercado pelos cidadãos
assustados, fez um pacto entre eles e o lobo. Porque o lobo tinha "feito o
mal pela fome", a obrigação da população era alimentar o lobo regularmente
e, em retorno, o lobo já não os atacaria ou aos rebanhos deles. Desta maneira Gubbio
ficou livre da ameaça do predador.

Nenhum comentário :
Postar um comentário