04/02/2013

GUARAMIRANGA: Memórias de um festival

Livro resgata histórias das 13 edições do Festival de Jazz & Blues. A obra será lançada no Carnaval deste ano
Pouco mais de uma década de música - boa e diversificada - no carnaval de Guaramiranga e as histórias são quase incontáveis. Muitas delas, acompanhado de registros fotográficos, entrevistas e depoimentos, foram reunidas no livro "Nos Acordes do Jazz & Blues - Memórias do Festival Jazz & Blues de Guaramiranga". O livro será lançado dia 9 de fevereiro, na abertura da edição 2013 do evento.

O livro, que conta com edição luxuosa e bem cuidada, reúne fotos e relatos responsáveis por uma viagem pela história de sucesso do festival: sintonia perfeita entre artistas, público e natureza exuberante da serra Fotos: Reprodução


Da ideia de romper a via única de praia e axé, que dominou o carnaval cearense na década de 1990, até a construção de um encontro vigoroso de bons músicos, daqui e de fora do País, foram alguns anos de dedicação e aposta no que parecia improvável. Os amantes da boa música subiram a serra atrás do melhor da música instrumental, influenciada pelo jazz e o blues. O festival nasceu vocacionado a entrar no circuito nacional e internacional - recebendo nomes como Toots Thielemans, Stanley Jordan, Ravi Coltrane, Paquito D´Rivera, falando em jazz internacional, e medalhões como Hermeto Pascoal, Yamandú Costa e Dominguinhos.

O responsável por reunir as peças desta história foi o jornalista Dalwton Moura, que acompanhou quase todas as edições do Festival, e assina o projeto editorial, a pesquisa e a redação do livro. A obra conta ainda com uma seleção de 297 fotografias de Chico Gadelha, veterano que esteve presente em todas as edições e clicou os principais shows que rolaram no festival. O projeto e a produção executiva ficaram a cargo de Maria Amélia Mamede e Rachel Gadelha, idealizadoras do Jazz & Blues e diretoras da Via de Comunicação, produtora que realiza anualmente o festival.

Acervo

"Mergulhamos no acervo da Via de Comunicação. Tivemos acesso a documentos da primeira reunião com músicos que fizeram o festival, os folders de programação, ingressos dos shows, mapa de palco. Toda essa documentação, pormenorizada mesmo, mapa de palco, planilhas, nos ajudou", detalha Dalwton, sobre o trabalho de pesquisa. O projeto contou ainda com uma série de mais de 120 entrevistas, colhidas com artistas que participaram, produtores, estudantes das oficinas e moradores da cidade. "A ideia era, além de contar a história, buscar os efeitos delas 13 anos depois".

Dividido em quatro capítulos, o livro traça a gestação do projeto, desde suas concepção em 1999, até a parceria firmada com os músicos que fizeram a primeira edição, narrados na abertura da obra. O trabalho faz ainda um retrato das 13 edições, de 2000 a 2012, incluindo fotografias das atrações e histórias de cada Carnaval, no segundo capítulo; um terceiro capítulo destacando uma seara, talvez, menos visível ao grande público, que são as ações de formação e os reflexos do festival na comunidade de Guaramiranga; e um último capitulo reunindo narrativas do público, moradores da cidade e músicos sobre o festival. "Encontramos muitas histórias surpreendentes. Pessoas como uma senhora que visita sempre Guaramiranga, e fez registros audiovisuais, com a própria câmera, de todas as edições do festival. Outras de pessoas que vão em carro e ficam hospedadas no próprio carro. Músicos de Guaramiranga que foram acolhidos pelo Hermeto Pascoal no palco do festival. Momentos de contato humano entre estes artistas, moradores de Guaramiranga e os músicos da cidade", destaca Dalwton.

Memórias

Das entrevistas colhidas, destacam-se relatos como o de Hermeto Pascoal. O multi-instrumentista considerou o evento em Guaramiranga como "festival exemplar". "Minha lembrança daí é maravilhosa. Nós fazemos a música universal, a música brasileira, do mundo todo, e Guaramiranga é um retrato dessa música", relata o multi-instrumentista, que participou da edição de 2003. Do convívio com os demais músicos e com os moradores, Renato Borgheti, acordeonista gaúcho, que participou em 2004, lembra: "A cidade respirava cultura e música. Quando chegamos à pousada do seu Pacífico (Pousada Logradouro), veio a certeza de que, mesmo distantes, nos sentiríamos em casa". São relatos que ajudam a retratar a dimensão do festival, que vai além dos shows no palco principal. "Chamou muita atenção essa maneira como as pessoas mantem uma relação de carinho com o evento, por essa proximidade. Todo mundo numa cidade pequena, tendo a chance de conviver. É diferente de simplesmente ir ao show", pontua.

Ceará

Outra lacuna importante que acaba sendo preenchida pelo livro, pontua o jornalista, é a de registro da música cearense. A exemplo da primeira edição, quando a programação foi praticamente composta por músicos que atuam em Fortaleza, em todas as 13 edições a participação de músicos cearenses foi valorizada. "É possível ver como os propostas artísticas foram evoluindo, os músicos maturando seus trabalhos. É uma pequena contribuição para um esforço de maior registro da música cearense. A gente tem ainda dificuldade de publicações deste sentido".

O livro, para quem já foi a Guaramiranga, é uma boa oportunidade de relembra e redescobrir aquilo que passou em branco. Para os que nunca, um convite preciso e qualificado. Encontros e histórias preciosas de um festival hoje está entre os principais destinos carnavalescos do Estado.

LIVRO

Nos Acordes do Jazz & Blues
Dalwton Moura e Chico Gadelha
Festival jazz & Blues
2013, 220 páginas
R$ 39,90

Mais informações:
Lançamento do livro "Nos Acordes do Jazz & Blues". Dia 9 de fevereiro, às 17h30, em Guaramiranga, no palco principal do Festival Jazz & Blues. Contato: (85) 3262.7230

FÁBIO MARQUESREPÓRTER
Diário do Nordeste

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