27/02/2013

Milícias sem controlo na Costa do Marfim


MUNDO
Reclusos torturados com choques elétricos
Texto Francisco Pedro | Foto Lusa | 27/02/2013 | 09:23
O novo exército e a milícia armada estão a cometer crimes com total impunidade
As forças leais ao governo são acusadas de abuso de poder pela Amnistia Internacional. Em nome da manutenção da segurança, estão a proceder a «execuções extra-judiciais, detenções por motivos políticos e torturas»
IMAGEM
O exército e as milícias fiéis ao presidente da Costa do Marfim, Alassane Ouattara, estão a cometer, «com total impunidade» e com o «pretexto de garantirem a segurança», execuções extra-judiciais, homicídios deliberados e arbitrários, detenções por motivos políticos e torturas contra os apoiantes do presidente derrotado, Laurent Gbagbo, denunciou em comunicado a Amnistia Internacional (AI). 

O exército nacional foi criado por Ouattara para integrar as forças leais ao ex-presidente, no final dos confrontos pós-eleitorais, com o propósito declarado de garantir «a segurança de pessoas e bens, sem distinção». Mas na verdade, este novo exército, juntamente com uma milícia armada de caçadores tradicionais, está a cometer vários crimes, e os seus membros «atuam com total impunidade», refere o documento. 

«A Costa do Marfim precisa de romper com o ciclo de abusos e de impunidade», advertiu o responsável da AI na África Ocidental, Gaetan Mootoo, acrescentando que «nem um só membro do exército nacional, nem nenhum outro seguidor do presidente Alassane Outtara respondeu pelos seus atos, o que representa um fracasso absoluto do estado de direito e compromete seriamente o processo de reconciliação iniciado em julho de 2011». 

O relatório resultou de uma missão efetuada entre setembro e outubro de 2012 por uma delegação da Amnistia Internacional, que visitou vários centros de detenção, alguns deles não oficiais. Os reclusos, na maioria detidos pela filiação partidária ou por pertencerem a uma etnia, queixaram-se da proibição do contacto com a família, com advogados ou médicos e relataram casos de tortura com choques elétricos ou plástico derretido.

Nenhum comentário :

Postar um comentário