Padre Geovane Saraiva*
Padre Vieira
nasceu no dia 06 de fevereiro de 1608 em Lisboa – Portugal, numa família
simples e modesta. Muito novo veio para
o Brasil, com apenas seis anos de idade. Fixando residência em Salvador –
Bahia, onde cresceu fisicamente e nos estudos, fez o noviciado, até se formar,
tornando-se membro da Companhia de Jesus e, por fim foi coroado, através da
Sagrada Ordenação Sacerdotal, em 1634.
Quatro séculos e
cinco anos de nascimento de um homem extraordinário, patrimônio do querido povo
brasileiro, que carregou consigo uma marca indelével da beleza como um mistério
divino. Ao ser amado por Deus, encontrou o sentido da vida e o amor floresceu
em si e se transformou em dom para humanidade, pelo seu modo austero de viver,
traduzido em obras, como ele mesmo afirmava: “Para falar ao vento bastam
palavras, mas para falar ao coração, é preciso obras”.
Agradecemos o dom precioso da vida de
Padre Antônio Vieira, como um místico de grande originalidade, literato,
pensador e orador, de grande raridade. Mais de quatro séculos de sua existência,
para que, contemplemos a grandeza da bondade e da misericórdia divina, neste
homem que soube buscar a mais alta razão, contribuindo para que a criatura
humana se tornasse mais aberta e voltada à beleza, que transcendente e eleva-nos.
“Oh, beleza sempre antiga e sempre nova, quão tardiamente te amei!” (Santo
Agostinho).
Olhamos para uma personalidade talentosa,
maior riqueza intelectual do século XVII. Grandiosa foi sua alma e maior ainda
seu coração, com conhecimentos e coragem como ninguém, não ficando indiferente,
sempre que a circunstância lhe exigisse um posicionamento profético, sincero e
concreto, em favor dos mais desafortunados da vida, especialmente, indígenas e
negros.
Como religioso e sacerdote, escritor e
orador, deixou-nos uma obra imorredoura. É só olhar os inúmeros sermões, dentre
os quais os mais célebres: O sermão do quinto domingo da quaresma, o sermão da
sexagésima, o sermão do bom ladrão, o sermão de Santo Antônio aos peixes, entre
outros.
Verdadeiramente o amor de Deus o marcou
profundamente e se fez dom para a humanidade, em especial, ao povo brasileiro.
Uma lenda assegura-lhe sua extraordinária genialidade, que lhe foi concedida
ainda na juventude, por Nossa Senhora, com a colaboração de um anjo, que lhe
indicou o caminho de volta para casa, ao se encontrar perdido, no retorno da escola.
Após
uma vida longa, extremamente marcada pela graça de Deus, aos 89 anos de idade,
partiu para o seio do Pai, no dia 17 de junho de 1697, na boa terra, como se
costuma chamar a capital do Estado da Bahia. Deus seja louvado por este
homem de esplêndidas e excelsas virtudes, um referencial, em todos os campos da vida
humana. Aprendamos de Padre Antônio Vieira, irmão muito amado por Deus, no seu rigor intelectual e no seu amor à verdade, como critério de vida, neste pensamento: “E se um não é duro para quem ouve,
creio que não é menor a sua dureza para quem o diz”.
*Padre da
Arquidiocese de Fortaleza, Escritor, Membro da Academia de Letras dos Municípios
do Estado Ceará (ALMECE), da Academia Metropolitana de Letras de Fortaleza e vice-presidente
da Previdência Sacerdotal.
Pároco de
Santo Afonso
Autor
dos livros:
“O
peregrino da Paz” e “Nascido Para as Coisas Maiores” (centenário de Dom Helder
Câmara);
“A
Ternura de um Pastor” - 2ª Edição (homenagem ao Cardeal Lorscheider);
“A
Esperança Tem Nome” (espiritualidade e compromisso);
"Dom
Helder: sonhos e utopias" (o pastor dos empobrecidos).

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