Nova investida a favor do aborto deve deixar de alerta os que amam a vida e execram a violência, sobretudo contra um ser que não pode se defender. O slogan da hora é “respeitar as opções do outro”. Entretanto, para quem crê em Deus não há opção possível entre observar ou não um dos dez mandamentos da Lei Divina.Um dos dez mandamentos preceitua: “Não matarás” (Êxodo 20,13). Desde o instante da concepção ou fecundação existe uma vida que não é do pai e nem da mãe. Trata-se de um novo ser humano que se desenvolve por si mesmo e que deve ter seus direitos respeitados e é protegido por este preceito de Deus, autor da vida. Assim, a lei divina exclui, evidentemente, todo direito a matar diretamente um ser racional inocente, como é a criança no seio materno. A posição da Igreja outra não pode ser senão um serviço incondicional à vida. Salvo no caso extremo da legítima defesa, o homem não pode atentar contra a vida humana. Idéias errôneas que se disseminam pelos meios de comunicação social vão, infelizmente, sendo assimiladas. Assim a tão badalada emancipação da mulher que levaria ao direito de abortar livremente, em nome do domínio sobre o próprio corpo, é uma posição indefensável, moralmente inaceitável. No caso de uma mulher vítima de estupro, ela não teve culpa naquele ato animalesco. No entanto, se ela vai assassinar o filho inocente, é lógico que se torna culpada de um crime não menos horrípilo. O trauma do estupro não será afastado por outro trauma, este, sim, a trazer um remorso por toda a vida. Na pior das hipóteses, se a mãe, vítima da violência, não quer ficar com o filho de suas entranhas, que ela providencie uma adoção legítima para aquela criaturinha indefesa. No caso específico no qual a vida da mãe corre risco, vale o princípio de que nem sequer por razões gravíssimas é lícito fazer o mal, ou seja matar simplesmente a criança, para que daí provenha o bem, ou seja a saúde da mãe. Esta atitude maquiavélica é abominável. Aliás, se a ciência se blasona de seus progressos, ela tem todos os meios para evitar que a saúde e a vida da mãe fiquem prejudicadas. Ante os recursos atuais da medicina, mais do que nunca, não se justifica o chamado aborto terapêutico. O médico que seja competente e não um assassino. É óbvio também que, se a mãe necessita de um remédio ou de uma cirurgia que acabe provocando a morte do feto, se dá o caso típico do voluntário indireto, ou seja, não se provocou diretamente o aborto. É o mesmo caso de alguém que é atacado por um bandido e, para defender a própria vida, acaba por matar o agressor, sua intenção não era tirar a vida do outro, mas sim defender a sua. Os abortos clandestinos que colocam em risco a vida da mulher, não justificam a legalização do aborto, porque simplesmente seria legalizar o crime de assassinato. O que é necessário é que as leis de Deus sejam observadas. Há o sexto mandamento que é não pecar contra a castidade e o nono que é não desejar a mulher do próximo. A sexualidade tem que ser vivida dentro do projeto de Deus. A dissolução dos costumes, incrementada por filmes sempre elaborados em cima do desprezo dos Dez Mandamentos, só favorece situações melindrosas que jogam sobretudo os jovens em instantes de grande calamidade interior. A preparação cuidadosa para o matrimônio é uma condição elementar para se impedir o aborto. Como é edificante orientar jovens que, desde o instante de um namoro sério, entram em acordo para fugir das ocasiões de pecado. A formação moral obvia todo tipo de desvio sexual. Uma estrutura social humana, justa, onde haja melhor distribuição de renda permitirá aos pais encararem a geração dos filhos sem as agruras da hora presente. Urge uma política familiar decidida, tanto no campo da moradia como nos setores da saúde, do trabalho e da educação. Medidas profiláticas devem ser tomadas e não a legalização da violência. Se seres indefesos podem ser legalmente assassinados numa sociedade onde já impera a mais horrípila violência, então o caos será maior ainda. Transformar o aborto em um direito dos cidadãos, inclusive apoiado pela profissão médica e por verbas públicas, equivale a uma atitude que modifica todo o relacionamento humano, institucionalizando o crime. Hoje, mais do que nunca vale o que está na Bíblia Sagrada: “É preciso obedecer antes a Deus do que aos homens” (Atos 5, 29).
* Professor durante 40 anos no Seminário de Mariana
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